
Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), R$ 1,1 bilhão é apenas na agricultura. Danos na pecuária chegam a R$ 61 milhões. Dados são parciais, uma vez que nem todos os municípios conseguem contabilizar perdas. Vista aérea de Porto Alegre (RS) mostra diversas áreas de alagamentos em toda a cidade com destaque para a zona sul, na manhã desta quinta-feira, 2 de Maio de 2024, devido às fortes chuvas ocorridas em todo o Estado, no últimos dias.
MIGUEL NORONHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Os prejuízos causados pelas chuvas no Rio Grande do Sul no campo já ultrapassam R$ 1 bilhão, informou nesta sexta-feira (10) a Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Segundo a entidade, R$ 1,1 bilhão é apenas na agricultura, enquanto na pecuária os danos chegam a R$ 61 milhões.
Os dados são parciais, uma vez que nem todos os municípios conseguem contabilizar as perdas e inserir as informações no sistema da CNM.
Ao todo, 397 Municípios foram reconhecidos pelo governo federal em Estado de Calamidade Pública. De acordo com a confederação, a maioria dos Municípios que registraram seus decretos de anormalidade começaram a informar os valores dos danos e prejuízos, considerando que o nível da água já começou a abaixar em algumas localidades.
A tragédia já soma 116 mortes confirmadas e 146 desaparecidos.
Prejuízos no campo
Arroz: antes das chuvas começarem no Rio Grande do Sul, o estado estava finalizando a colheita do cereal. Os gaúchos são os principais fornecedores do grão para o país, responsável por cerca de 70% da produção.
A estimativa é de que cerca de 114 mil toneladas de arroz foram perdidas nas enchentes, correspondendo a uma área plantada que está há dias submersa pelas águas: um total de 22,9 mil hectares, localizados na região Central do estado.
Contudo, não há risco imediato de desabastecimento do grão, informou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, em entrevista ao podcast "De onde vem o que eu como".
Antes da tragédia, a previsão era de que o estado colhesse 7,475 milhões de toneladas de arroz, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Mas novas estimativas do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) preveem que a colheita deve ser um pouco menor, em torno de 7,149 milhões de toneladas, considerando os estragos das enchentes e outros efeitos do El Niño.
Soja: a estimativa do tamanho da perda da soja no pé varia, segundo consultorias do setor, de 2,5 milhões a 5 milhões de toneladas. Há ainda as perdas não estipuladas da leguminosa que estavam em silos e armazéns.
O RS é o segundo maior produtor da leguminosa do Brasil e, no 1º trimestre, foi o responsável por manter em alta os níveis de exportação, após a seca enfrentada pelo Centro-Oeste.
A destruição das lavouras de soja no Rio Grande do Sul pode elevar não só os preços do óleo, como os das carnes de frango e de porco, dizem consultorias do setor. É que o farelo do grão é a principal base proteica da ração destes animais.
Antes das chuvas começarem, ainda faltava o estado colher cerca de 30% da safra, aponta Matheus Pereira, da consultoria Pátria Agronegócios, que presta serviços à Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil).
A expectativa era de que o estado colhesse cerca de 20 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Carnes de frango e porco: dez unidades frigoríficas do RS foram prejudicadas pelas chuvas, mas a maior parte já retomou "parcial ou totalmente as atividades", sendo que duas seguem paralisadas, anunciou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
A região é responsável por 11% da produção nacional de carne de frango e de cerca de 20% da produção de carne suína, das quais o Brasil é, respectivamente, o primeiro e o quarto exportador mundial.
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