Dólar fecha em alta e vai a R$ 5,42, com juros e risco fiscal do Brasil no radar; Ibovespa cai

Após reunião, Tebet diz que Lula ficou ‘mal impressionado’ com aumento de subsídios no país
A moeda norte-americana fechou em alta de 0,73%, cotada a R$ 5,4214. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou com um recuo de 0,44%, aos 119.138 pontos. Mulher segura notas de dólar, dinheiro
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (17), voltando a ficar acima dos R$ 5,40. Investidores continuam a repercutir o aumento do risco fiscal no país, além de seguirem em compasso de espera pela nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco central do Brasil (BC), que deve decidir a nova Selic, taxa básica de juros, na próxima quarta-feira.
A previsão do mercado financeiro é que o Copom mantenha a taxa Selic inalterada em 10,50% ao ano. A decisão deve vir em meio à aceleração da inflação brasileira e ao nível ainda elevado dos juros nos Estados Unidos.
No exterior, investidores monitoram a agenda de indicadores macroeconômico das duas maiores economias do mundo e seguem atentos a eventuais falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, encerrou em queda.
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Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Ao final da sessão, o dólar avançou 0,73%, cotado a R$ 5,4214. Na máxima do dia, já bateu os R$ 5,4304. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou altas de:
0,73% na semana;
3,28% no mês;
11,72% no ano.
Na última sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,28%, cotada a R$ 5,3819.

Ibovespa
Já o Ibovespa encerrou com um recuo de 0,44%, aos 119.138 pontos.
Com o resultado, acumulou quedas de:
0,44% na semana;
2,42% no mês;
11,21% no ano.
Na sexta, o índice fechou com uma alta de 0,08%, aos 119.662 pontos
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O principal destaque desta semana fica com a decisão do Copom, prevista para quarta-feira. A estimativa do mercado é que o colegiado faça uma pausa no ciclo de cortes da Selic e mantenha os juros inalterados.
Nesta segunda-feira, inclusive, o Boletim Focus — relatório do BC que reúne as expectativas de economistas do mercado para indicadores econômicos — mostrou pela primeira vez que os especialistas não projetam mais nenhum corte para a taxa Selic em neste ano.
Até então, as instituições financeiras projetavam uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) no juro básico, para 10,25% ao ano — estimativa que foi abandonada. Vale lembrar que, no começo do ano, o mercado acreditava que a taxa Selic encerraria 2024 a 9% ao ano.
No Focus dessa semana, os economistas também passaram a prever uma inflação maior para 2024, a 3,96% no fim do ano. Até semana passada, as projeções eram de uma inflação de 3,90%. O mesmo vale para as estimativas para a taxa de câmbio: economistas acreditam que o dólar vai fechar o ano a R$ 5,13, contra R$ 5,05 na última semana.
Vale destacar que esses fatores se relacionam. Um dólar mais caro pressiona a inflação brasileira, já que a nossa economia importa muitos produtos. Com preços maiores, o BC não consegue continuar reduzindo as taxas de juros.
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Além disso, outro fator que tem impulsionado o dólar nas últimas semanas é a perspectiva de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos. Analistas previam que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deveria iniciar um ciclo de corte nas taxas no começo do ano, o que não aconteceu.
Agora, o mercado espera que isso ocorra somente uma vez nos últimos três meses de 2024, tendo em vista que a economia dos Estados Unidos se mostrou resiliente durante todo o primeiro semestre.
Junto a isso, pesa a incerteza fiscal sobre o Brasil. Na última semana, falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentaram a percepção de que o governo não conseguirá reduzir seus gastos, o que fez disparar o preço do dólar.
Em entrevista a jornalistas após reunião com o presidente Lula nesta segunda-feira (17) para analisar as contas do governo e preparar a elaboração do Orçamento de 2025, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad e do Planejamento, Simone Tebet, afirmaram que o nível elevado de renúncias fiscais na conta do governo federal chamou a atenção do presidente.
"São duas grandes preocupações: o crescimento dos gastos da Previdência e da renúncia tributária. E o aumento dos gastos da Previdência está relacionado também ao aumento das renúncias tributárias", disse Tebet.
"Esses números foram apresentados ao presidente. Ele ficou extremamente mal impressionado com o aumento dos subsídios", acrescentou a ministra.
Vale lembrar que a semana passada foi bastante dura para o governo federal, em especial para Haddad.
Como mostrou o blog da Andreia Sadi, o ministro tem recebido pressão de setores do PT (Partido dos Trabalhadores) e sido questionado pelo mercado financeiro sobre sua capacidade de concretizar a agenda econômica e alcançar o equilíbrio fiscal.
Diante desse cenário, o ministro chegou a afirmar que a equipe econômica vai intensificar a agenda de trabalho em relação aos gastos públicos e que deve focar na revisão de despesas ao longo das próximas semanas.
Diante do aumento da percepção de "fritura" do ministro da Fazenda, o presidente Lula voltou a defender Haddad no último sábado (15), ao final da viagem que fez à Suíça e à Itália para encontros da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do G7, grupo que reúne as nações mais democráticas do mundo.
"Haddad jamais ficará enfraquecido enquanto eu for o presidente da República porque ele é o meu ministro da Fazenda, escolhido por mim e mantido por mim", disse.
Já no exterior, as atenções seguem voltadas para eventuais sinais sobre o futuro dos juros norte-americanos. Na véspera, o presidente da distrital do Fed em Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que era "razoável" prever que o Fed promova apenas um corte nas taxas básicas neste ano e sinalizou que isso pode acontecer até dezembro.
"Precisamos ter mais evidências para nos convencer de que a inflação está voltando para 2%", afirmou o banqueiro central em entrevista a um programa norte-americano.
Na semana passada, o Fed manteve a sua taxa de referência no intervalo entre 5,25% e 5,50%, patamar em que se encontra desde julho do ano passado.

Disparada do dólar deve acelerar a inflação no Brasil; veja como se proteger

Após reunião, Tebet diz que Lula ficou ‘mal impressionado’ com aumento de subsídios no país
A inflação brasileira subiu acima das expectativas do mercado no último mês, puxada principalmente por alimentos. Além dos problemas de safra, a forte alta do dólar também pressiona os preços. Preços dos alimentos estão puxando a inflação
Celso Tavares/g1
O movimento de forte alta do dólar frente a moeda brasileira nas últimas semanas deve continuar pressionando a inflação no país nos próximos meses, dizem especialistas.
Isso porque boa parte dos produtos consumidos no Brasil são importados e sofrem com a variação da moeda norte-americana. Em 2024 até aqui, o dólar já registra uma valorização de mais de 10% em relação ao real, depois de ultrapassar a barreira dos R$ 5,40 na última semana.
Junto à alta do dólar, sobem os preços de todos os produtos importados. É o caso de itens de tecnologia e saúde, por exemplo, que dependem de matéria-prima internacional, além de combustíveis e alguns alimentos, como milho e trigo — que são base importante da alimentação no país.
Para além dos efeitos do dólar, problemas na safra brasileira também têm puxado o preço dos alimentos. Em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,46%, impactado principalmente pelo grupo de Alimentação e bebidas, com alta de 0,62%.
Dentro do grupo, destaque para os tubérculos, raízes e legumes — principalmente a batata, que disparou 20,61% em um mês. Outros alimentos muito comuns no dia a dia das famílias brasileiras também ficaram mais caros em maio. Os destaques, segundo o IBGE, ficaram com a cebola, que teve alta de 7,94%, o leite longa vida, com avanço de 5,36%, e o café moído, com 3,42%.
Dólar dispara em cenário de descontrole de gastos
Dicas para se proteger contra os preços altos
Contra a inflação dolarizada, é difícil que o consumidor consiga se proteger, já que boa parte dos produtos consumidos no Brasil são importados — ou, pelo menos, produzidos a partir de matérias-primas importadas e negociadas em dólar.
No entanto, André Colares, presidente da Smart House Investments, destaca que, sendo os alimentos uma das principais pressões inflacionárias atualmente, algumas estratégias podem ser adotadas para que o consumidor tente desviar dos preços mais altos.
A dica mais importante, segundo o especialista, é priorizar as compras realizadas em supermercados de atacarejo no lugar de mercados menores, de bairros. Por terem uma quantidade muito maior de produtos, os atacarejos conseguem praticar preços menores e até repassar a inflação com menor intensidade.
Colares também aconselha o consumidor a estocar produtos não perecíveis, de modo a não sentir o avanço dos preços no mês a mês. Por exemplo: comprar pacotes de arroz e feijão para passar dois a três meses, em vez de apenas um.
Thiago Godoy, líder de educação financeira da Rico Investimentos, fala ainda sobre a estratégia de escolher o dia certo para realizar as compras, tendo em vista que os preços podem variar a depender da data. Segundo ele, a tendência é que os preços sejam maiores no começo do mês, quando as pessoas recebem o salário, do que na metade, próximo ao dia 15.
Antes de colocar isso em, prática, porém, é importante fazer pesquisas de preço, que podem ser realizadas pela internet ou presencialmente nos mercados. Godoy recomenda que o consumidor confira os preços do produto que precisa comprar e anote em algum lugar de fácil acesso, para que seja possível checar sempre que necessário.
Assim, fica mais fácil — e mais efetivo — comparar quais locais e datas são mais vantajosos para fazer as despesas. Isso tudo é válido principalmente para os alimentos, mas as mesmas dicas também podem ser usadas para qualquer tipo de compra.
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Por que o dólar está subindo?
A alta acentuada do dólar, sobretudo nas últimas semanas, quando chegou a ultrapassar os R$ 5,40, se deve a dois principais fatores:
o quadro de política monetária nos Estados Unidos, com juros ainda altos;
a situação fiscal brasileira, com cada vez mais dúvidas sobre a capacidade do governo de reduzir suas despesas.
1️⃣ Juros nos Estados Unidos
A política monetária nos Estados Unidos continua mais restritiva e as taxas, elevadas. Atualmente, os juros norte-americanos estão entre 5,25% e 5,50% ao ano e, de acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, que mede a expectativa dos participantes do mercado sobre as taxas no país, a maioria dos investidores acredita que uma queda nos juros só deve começar no último trimestre do ano.
Isso porque a economia norte-americana continua forte, com um mercado de trabalho aquecido e com dinheiro na mão da população. Isso faz com que o consumo não tenha uma redução tão acentuada e a inflação continue pressionando o Fed a manter os juros elevados por mais tempo.
Taxas de juros altas nos Estados Unidos, que é a maior economia do mundo, explica André Colares, fazem com que os investidores migrem seus investimentos para os títulos públicos do país (considerados os mais seguros e que têm a rentabilidade atrelada às taxas do Fed), o que retira dinheiro de mercados de risco, como o Brasil, e fortalece o dólar ante outras divisas.
2️⃣ Riscos no Brasil
A migração dos investidores para os Estados Unidos é intensificada, no caso do Brasil, por um aumento na percepção de risco fiscal no país. Especialistas destacam que o mercado não confia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será capaz de reduzir as despesas e, com isso, aumentam as incertezas sobre a capacidade da União de arcar com suas contas.
Em abril, o governo mudou a meta fiscal brasileira e propôs déficit zero em 2025, em vez de superávit de 0,5% projetado anteriormente.
"A percepção de risco fiscal elevado e a alteração da meta fiscal para 2025 provocaram deterioração nas expectativas, contribuindo para a volatilidade do mercado e restritas expectativas de cortes nas taxas de juros, essencialmente limitando o apelo de investimentos no país", pontua André Colares.
A cautela com o cenário fiscal também tem reduzido as expectativas de cortes da Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, nas próximas reuniões do Banco Central do Brasil. Em seu último encontro, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu o ritmo de cortes na taxa Selic: a redução foi de 0,25 ponto percentual, a 10,5% ao ano, depois de uma série de quedas de 0,50 ponto percentual.
Na próxima quarta-feira (19), o Copom se reúne de novo e a expectativa dos quatro maiores bancos privados do país — Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual — é que o BC não promova um novo corte, mantendo a taxa Selic em 10,50% ao ano.
Segundo o analista de investimentos Vitor Miziara, essa expectativa de juros maiores do que as projeções apontavam anteriormente, combinada à deterioração do quadro fiscal, aumentam a visão de que haverá um menor investimento em produção no país.
Isso porque taxas elevadas encarecem a tomada de crédito para empresas e população, e resultam na menor oferta de bens — o que também desvaloriza a moeda nacional em relação ao dólar, explica Miziara.
Isso, junto aos problemas nas safras por questões climáticas, é o combo perfeito para pressionar a inflação nos próximos meses.
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Dólar sobe e encosta em R$ 5,43, com juros e risco fiscal brasileiro no radar; Ibovespa cai

Após reunião, Tebet diz que Lula ficou ‘mal impressionado’ com aumento de subsídios no país
Na última sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,28% fechou cotada a R$ 5,3819. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou com uma alta de 0,08%, aos 119.662 pontos. Mulher segura notas de dólar, dinheiro
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar opera em alta nesta segunda-feira (17) e voltou a ser cotado acima dos R$ 5,40, iniciando uma semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco central do Brasil (BC) se reúne para decidir a nova Selic, taxa básica de juros.
A expectativa do mercado financeiro é de que o Copom mantenha a taxa Selic inalterada em 10,50% ao ano, por conta da aceleração da inflação brasileira, ao mesmo tempo em que os juros permanecem elevados nos Estados Unidos.
Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, opera em baixa.
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Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Às 15h33, o dólar subia 0,86%, cotado a R$ 5,4284. Na máxima do dia, já bateu os R$ 5,4304. Veja mais cotações.
Na última sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,28%, cotado a R$ 5,3819.
Com o resultado, acumulou altas de:
0,80% na semana;
2,24% no mês;
10,60% no ano.

Ibovespa
No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,32%, aos 119.281 pontos.
Na sexta, o índice fechou com uma alta de 0,08%, aos 119.662 pontos
Com o resultado, acumulou quedas de:
0,69% na semana;
1,77% no mês;
10,62% no ano.
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O que está mexendo com os mercados?
Na agenda interna, o principal destaque da semana fica com a decisão do Copom. Hoje, inclusive, o Boletim Focus – relatório do BC que reúne as expectativas de economistas do mercado para indicadores econômicos – mostrou pela primeira vez que os especialistas não projetam mais nenhum corte para a taxa Selic em 2024.
Até então, as instituições financeiras projetavam uma redução de 0,25 ponto percentual no juro básico, para 10,25% ao ano – estimativa que foi abandonada. Vale lembrara que, no começo do ano, o mercado acreditava que a taxa Selic encerraria 2024 a 9% ao ano.
O Focus também prevê uma inflação maior para 2024, a 3,96% no fim do ano. Até semana passada, as projeções eram de uma inflação de 3,90%. O mesmo vale para as estimativas para a taxa de câmbio: economistas acreditam que o dólar vai fechar o ano a R$ 5,13, contra R$ 5,05 na última semana.
Todas esses fatores, na verdade, se relacionam. Um dólar mais caro pressiona a inflação brasileira, já que a nossa economia importa muitos produtos. Com preços maiores, o BC não consegue continuar reduzindo as taxas de juros.
E o que tem impulsionado o dólar, principalmente, é a perspectiva de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos. Analistas previam que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deveria iniciar um ciclo de corte nas taxas americanas no começo do ano, o que não aconteceu.
Agora, o mercado espera que isso ocorra somente uma vez no último trimestre, tendo em vista que a economia dos Estados Unidos se mostrou resiliente durante todo o primeiro semestre.
Junto a isso, pesa a incerteza fiscal sobre o Brasil. Na última semana, falas do presidente Lula aumentaram a percepção de que o governo não conseguirá reduzir seus gastos, o que fez disparar o preço do dólar.
Hoje, Lula e sua junta econômica – Rui Costa, ministro da Casa Civil; Fernando Haddad, ministro da Fazenda; Simone Tebet, ministra do Planejamento; e Esther Dweck, ministra da Gestão – se reúnem para falar sobre o orçamento.
"Eu quero fazer a discussão sobre o orçamento e quero discutir os gastos. O que muita gente acha que é gasto, eu acho que é investimento", afirmou Lula no sábado (14), ao encerrar viagem à Itália.
O presidente deu a declaração em um cenário de pressão de economistas, empresários e investidores para que o governo reduza despesas. Entre as propostas, está a mudança nas regras que tratam dos investimentos mínimos em saúde e educação, a fim de equilibrar o orçamento.
Lula, no entanto, afirmou que não fará ajuste de contas "em cima dos pobres". O presidente costuma frisar, em discursos, que considera "investimento" o dinheiro destinado à educação. Na semana passada, ele destacou que não pensa em economia apartada do lado social.

Dólar sobe e passa de R$ 5,40, com juros e risco fiscal brasileiro no radar; Ibovespa cai

Após reunião, Tebet diz que Lula ficou ‘mal impressionado’ com aumento de subsídios no país
Na última sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,28% fechou cotada a R$ 5,3819. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou com uma alta de 0,08%, aos 119.662 pontos. Mulher segura notas de dólar, dinheiro
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (17) e voltou a ser cotado acima dos R$ 5,40, iniciando uma semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco central do Brasil (BC) se reúne para decidir a nova Selic, taxa básica de juros.
A expectativa do mercado financeiro é de que o Copom mantenha a taxa Selic inalterada em 10,50% ao ano, por conta da aceleração da inflação brasileira, ao mesmo tempo em que os juros permanecem elevados nos Estados Unidos.
Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, opera em baixa.
Real está entre as 10 moedas que mais perderam valor frente ao dólar neste ano; veja ranking
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Às 13h30, o dólar subia 0,48%, cotado a R$ 5,4079. Na máxima do dia, já bateu os R$ 5,4268. Veja mais cotações.
Na última sexta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,28%, cotado a R$ 5,3819.
Com o resultado, acumulou altas de:
0,80% na semana;
2,24% no mês;
10,60% no ano.

Ibovespa
No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,22%, aos 119.397 pontos.
Na sexta, o índice fechou com uma alta de 0,08%, aos 119.662 pontos
Com o resultado, acumulou quedas de:
0,69% na semana;
1,77% no mês;
10,62% no ano.
Entenda o que faz o dólar subir ou descer
DINHEIRO OU CARTÃO? Qual a melhor forma de levar dólares em viagens?
DÓLAR: Qual o melhor momento para comprar a moeda?
O que está mexendo com os mercados?
Na agenda interna, o principal destaque da semana fica com a decisão do Copom. Hoje, inclusive, o Boletim Focus – relatório do BC que reúne as expectativas de economistas do mercado para indicadores econômicos – mostrou pela primeira vez que os especialistas não projetam mais nenhum corte para a taxa Selic em 2024.
Até então, as instituições financeiras projetavam uma redução de 0,25 ponto percentual no juro básico, para 10,25% ao ano – estimativa que foi abandonada. Vale lembrara que, no começo do ano, o mercado acreditava que a taxa Selic encerraria 2024 a 9% ao ano.
O Focus também prevê uma inflação maior para 2024, a 3,96% no fim do ano. Até semana passada, as projeções eram de uma inflação de 3,90%. O mesmo vale para as estimativas para a taxa de câmbio: economistas acreditam que o dólar vai fechar o ano a R$ 5,13, contra R$ 5,05 na última semana.
Todas esses fatores, na verdade, se relacionam. Um dólar mais caro pressiona a inflação brasileira, já que a nossa economia importa muitos produtos. Com preços maiores, o BC não consegue continuar reduzindo as taxas de juros.
E o que tem impulsionado o dólar, principalmente, é a perspectiva de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos. Analistas previam que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deveria iniciar um ciclo de corte nas taxas americanas no começo do ano, o que não aconteceu.
Agora, o mercado espera que isso ocorra somente uma vez no último trimestre, tendo em vista que a economia dos Estados Unidos se mostrou resiliente durante todo o primeiro semestre.
Junto a isso, pesa a incerteza fiscal sobre o Brasil. Na última semana, falas do presidente Lula aumentaram a percepção de que o governo não conseguirá reduzir seus gastos, o que fez disparar o preço do dólar.
Hoje, Lula e sua junta econômica – Rui Costa, ministro da Casa Civil; Fernando Haddad, ministro da Fazenda; Simone Tebet, ministra do Planejamento; e Esther Dweck, ministra da Gestão – se reúnem para falar sobre o orçamento.
"Eu quero fazer a discussão sobre o orçamento e quero discutir os gastos. O que muita gente acha que é gasto, eu acho que é investimento", afirmou Lula no sábado (14), ao encerrar viagem à Itália.
O presidente deu a declaração em um cenário de pressão de economistas, empresários e investidores para que o governo reduza despesas. Entre as propostas, está a mudança nas regras que tratam dos investimentos mínimos em saúde e educação, a fim de equilibrar o orçamento.
Lula, no entanto, afirmou que não fará ajuste de contas "em cima dos pobres". O presidente costuma frisar, em discursos, que considera "investimento" o dinheiro destinado à educação. Na semana passada, ele destacou que não pensa em economia apartada do lado social.

Após reunião, Tebet diz que Lula ficou ‘mal impressionado’ com aumento de subsídios no país

Após reunião, Tebet diz que Lula ficou ‘mal impressionado’ com aumento de subsídios no país
Ministra do Planejamento participou de encontro com Lula e Haddad nesta segunda no Planalto. Segundo ela, subsídios bateram quase 6% do PIB do Brasil. De acordo com Haddad, presidente pediu 'empenho' na aprovação da reforma tributária. Os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet durante coletiva de imprensa em Brasília
REUTERS/Adriano Machado
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou nesta segunda-feira (17) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou "mal impressionado" com o aumento de subsídios – renúncias e benefícios fiscais – no país.
Tebet deu as declarações depois de participar de uma reunião com Lula e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no Palácio do Planalto.
No encontro, segundo os ministros, foram apresentados a Lula dados sobre gastos tributários do governo federal em 2023 e também foi discutida a elaboração do Orçamento do governo para o ano de 2025.
"O que chamou atenção do presidente, na fala do próprio ministro Haddad, foi a questão do aumento da renúncia, que também consta no relatório [do Tribunal de Contas da União]. São duas grandes preocupações: houve um crescimento dos gastos da Previdência e o crescimento dos gastos tributários da renúncia", afirmou Tebet.
"Esses números foram apresentados para o presidente. Ele ficou extremamente impressionado, mal impressionado, com o aumento dos subsídios, que está batendo quase 6% do PIB do Brasil", completou a ministra.
Segundo Tebet, os subsídios correspondem a renúncias fiscais e benefícios financeiros e creditícios concedidos pelo governo federal. "Quando colocamos os três na ponta, a gente tem que somar os R$ 519 bilhões que o Haddad falou, dá um total de R$ 646 bilhões", declarou.
A ministra do Planejamento afirmou ainda que Lula deu à equipe econômica um prazo para que apresente alternativas ao aumento dos subsídios. A apresentação das medidas deve ocorrer em um novo encontro de Lula com os ministros, com data ainda indefinida.