Governo divulga regras da tarifa social nacional de água e esgoto; benefício deve começar a valer em dezembro

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As diretrizes para a aplicação da tarifa social nacional de água e esgoto foram publicadas nesta sexta-feira (14), no Diário Oficial da União (DOU). A lei entrará em vigor no dia 11 de dezembro de 2024, ou 180 dias corridos a publicação oficial desta manhã. Para poder participar do benefício, o brasileiro deve ter renda per capita de até meio salário mínimo (ou seja, R$ 706) – e o valor não considera outros benefícios, como o Bolsa Família, por exemplo.
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As diretrizes para a aplicação da tarifa social nacional de água e esgoto foram publicadas nesta sexta-feira (14), no Diário Oficial da União (DOU). O benefício consiste em um desconto de 50% sobre a tarifa aplicada nos primeiros 15 m³ de uma residência. O valor excedente de consumo será cobrado como tarifa regular.
💧 A lei deve entrar em vigor no dia 11 de dezembro de 2024, ou 180 dias corridos a publicação oficial desta manhã.
Para poder participar do benefício, o brasileiro deve ter renda per capita de até meio salário mínimo (ou seja, R$ 706) – o valor não considera outros benefícios, como o Bolsa Família – e se enquadrar em algum dos tópicos abaixo:
Pertencer à família de baixa renda inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico);
Pertencer a uma família que tenha, entre seus membros, pessoa com deficiência ou pessoa idosa com 65 anos, ou mais, que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família e que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou outro benefício equivalente.
O nome de quem pode ser beneficiado será feito de forma automática pelo prestador do serviço, com base no CadÚnico e nos bancos de dados já utilizados pelos prestadores.
Os usuários que não forem identificados e acharem que devem receber a tarifa social precisarão ir aos centros de atendimento do prestador de serviços para cadastramento, com o documento oficial de identificação do responsável familiar e um dos seguintes documentos:
Comprovante de cadastramento no CadÚnico;
Cartão de beneficiário do BPC;
Extrato de pagamento de benefício ou declaração fornecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ou outro regime de previdência social público, ou privado.
Além disso, a tarifa deve seguir, preferencialmente, as estruturas tarifárias da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico). Caso a distribuidora competente não resolva seguir, precisará publicar em seu site como funcionará o benefício na região em que presta serviço.
Conforme a publicação do DOU, a tarifa social será financiada por meio de rateio do custo entre todas as unidades consumidoras de água da região.
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O poder executivo também foi autorizado a criar uma Conta de Universalização de Acesso à Água para contribuir com a redução das desigualdades sociais e prover recursos para compensar descontos aplicados aos usuários que não tenham capacidade de cobrir o custo integral dos serviços.
Essa conta poderá ser custeada por dotações orçamentárias da União e demais recursos advindos por intermédio do Poder Executivo, sujeitos à disponibilidade orçamentária.
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A unidade beneficiada perderá o benefício quando a empresa distribuidora ou prestadora do serviço detectar e comprovar qualquer irregularidade, como:
Intervenção nas instalações dos sistemas públicos de água e esgoto que possa afetar a eficiência dos serviços;
Danificação proposital, inversão ou supressão dos equipamentos destinados ao serviço;
Ligação clandestina de água e esgoto;
Compartilhamento ou interligação de instalações de beneficiários da Tarifa Social de Água e Esgoto com outros imóveis não informados no cadastro;
Incoerências ou informações inverídicas no cadastro, ou em qualquer momento do processo de prestação do benefício.
Caso a unidade deixe de se enquadrar nos critérios de elegibilidade, terá o direito de permanecer como beneficiária por pelo menos 3 meses. E as faturas desse período deverão ter um aviso de perda do benefício.
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Impacto social
O relator do projeto, o senador Flávio Arns (PSB-PR), estimou em maio – quando o projeto foi aprovado pelo Senado – que o benefício poderia atingir até 54% da população das regiões Norte e Nordeste.
Além disso, em fevereiro, quando a Câmara dos Deputados aprovou o projeto, ele acreditava que o custo inicial do benefício deveria ficar entre R$ 1,8 bilhão e R$ 5,5 bilhões. O relatório do projeto previa ainda que cerca de 34 milhões de famílias que se enquadrariam na medida, embora nem todas tenha hoje acesso à rede de água e esgoto.
O Senado votou a proposta de lei em 8 de maio, desde então, o projeto estava no aguardo da sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Brasil precisa importar arroz? Por que o preço subiu mais de 20% em um ano?

Chuvas no RS: é possível recuperar carros inundados?
País produz menos do que consome e supre demanda com importações e estoques de colheitas anteriores. Governo decidiu comprar mais arroz estrangeiro após enchentes no RS. Arroz da merenda na Escola Estadual Américo Braga, em Eldorado do Sul
Celso Tavares/g1
O arroz virou um dos assuntos em alta nas últimas semanas diante das tentativas do governo federal de importar o grão, após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul. O estado responde por 70% da produção nacional do cereal e já colheu 90% da área plantada nesta safra.
🚢 Por que o Brasil precisa importar arroz?
O Brasil produz menos arroz do que consome, mas supre a demanda interna com importações e estoques de colheitas anteriores. Nesta safra, o país vai produzir 10,3 milhões de toneladas do alimento, enquanto o consumo deve ser de 11 milhões, mostram dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Até abril, o governo estimava que o Brasil importaria 1,4 milhão de toneladas de arroz. Esse montante, somado à produção e aos estoques – e excluindo as exportações –, permitiria acumular um suprimento de 12,4 milhões de toneladas – contando com os efeitos da tragédia no RS – o que já conseguiria atender o consumo interno.
Contudo, desde maio, o governo aumentou a sua projeção de importação para 2,2 milhões de toneladas, colocando na conta o arroz que pretende adquirir via leilão público. Nesse cenário, o Brasil acumularia 13,1 milhões de toneladas no mercado interno.
A justificativa do governo é evitar um aumento excessivo de preços, em consequência de possíveis problemas de oferta e distribuição do arroz.
No auge da tragédia do RS, o bloqueio de estradas e rodovias gerou preocupação sobre a capacidade do estado de conseguir entregar o arroz colhido para o restante do Brasil.
A água baixou, porém, e a principal rodovia para escoamento do grão, a BR-101, já está normalizada, diz a Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul).
🍚Quanto de arroz o RS perdeu?
Ainda não se tem uma estimativa oficial sobre esse número. Um relatório da Conab de quinta-feira (13) apontou que as enchentes de maio geraram perdas de 100 mil toneladas na colheita de arroz no estado, um volume pequeno perto das 7 milhões de toneladas que o RS deve produzir.
Já nos armazéns – onde estava guardado o arroz que já tinha sido colhido –, houve uma perda de 24 mil toneladas, o que corresponde a 15% do total armazenado, segundo dados do Instituto Riograndense do Arroz (Irga).
O que o Ministério da Agricultura e a Conab têm afirmado é que a decisão de comprar 300 mil toneladas de arroz não tem a ver com abastecimento, e sim com a especulação e aumento nos preços do alimento.
💲Por que o arroz ficou mais caro?
Em um ano, o preço do arroz subiu mais de 20% para o consumidor. Em maio, durante as enchentes no RS, a alta foi de 1,4% em relação a abril, mas algumas regiões tiveram aumentos mais expressivos, como Aracaju (+8%), Porto Alegre (+6%) e Vitória (+5%).
Nos supermercados de SP, por exemplo, o pacote de 5 quilos tem sido vendido, em média, por R$ 30, segundo o Procon. Há um ano atrás, custava R$ 20, valor por qual o governo pretende vender o seu arroz.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a alta desse alimento tão popular está relacionada a diferentes fatores como:
clima ruim e aumento nos custos de produção: o que fez com que alguns produtores abandonassem o plantio de arroz e migrassem para atividades mais rentáveis, como a soja, diz Evandro Oliveira, da consultoria Safras & Mercado.
aumento das cotações internacionais: o preço do arroz subiu no mundo impulsionado pela paralisação das exportações da Índia, que detém 35% do comércio global de arroz, afirma Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio.

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Clima e custo de produção
Oliveira, do Safras & Mercado, lembra que o Rio Grande do Sul passou por três anos consecutivos de La Niña (2021,2022 e 2023), o que provocou secas intensas na região, gerando perdas na produção. Depois, veio o El Niño, que atrapalhou o plantio do grão por causa de enchentes que aconteceram já no segundo semestre de 2023.
Essa situação fez com que parte dos produtores migrasse para plantios mais lucrativos, como os de soja e milho, diz ele.
Para se ter uma ideia, o custo de produção do arroz chega a R$ 12 mil por hectare no municipio Uruguaiana (RS), uma das principais regiões produtoras do cereal. Já para cultivar soja, se gasta um pouco menos que a metade: cerca de R$ 5 mil por hectare em São Gabriel (RS), por exemplo.
Os dados da Conab mostram ainda que os principais custos do plantio do arroz são o aluguel de terras, adubo e agrotóxicos.
Mas este não é um fenômeno novo. Uma reportagem do g1 mostrou que, em 16 anos, a área de plantio de arroz e feijão encolheu mais de 30%, no Brasil todo, com o avanço da soja e do milho – matérias-primas negociadas no mercado internacional e exportadas como ração para animais de criação, como bois e porcos.
"O Rio Grande do Sul já teve áreas de mais de 1 milhão de hectares de arroz e, hoje, sofre para conseguir uma área de 900 mil hectares", conta Evandro.
Em entrevista ao g1, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que o governo vai estimular o plantio de produtos básicos da alimentação brasileira no próximo Plano Safra – que deve ser anunciado neste mês – através de contratos de opções (entenda aqui como funciona).
No último ano, contudo, o Rio Grande do Sul expandiu em 4% a sua área plantada, de olho no aumento do preço da saca de arroz – que subiu 37% em um ano, segundo o Cepea –, mas também na expectativa de que o El Niño prejudicaria o andamento da safra.

Arroz no mundo
No mundo, o preço do arroz começou a subir em julho do ano passado, quando a Índia parou de exportar o grão, no intuito de reduzir os seus preços internos. O mercado indiano responde por 35% do comércio global de arroz.
"De lá pra cá, o arroz asiático – que é o grande balizador de preço global, já que a Ásia tem 90% da produção – subiu 46,5% e, então, os preços no Mercosul foram na mesma direção. No caso do Paraguai, o preço subiu 71%. E, no caso do Brasil, subiu menos. Do ano passado pra cá, a gente teve uma alta, no varejo, na casa dos 25%", disse Cogo.
"Essa alta de 45% em dólar que houve lá fora foi repassada parcialmente para o Brasil", destaca o analista.
Lá fora, as cotações continuam aquecidas e, agora, o mercado aguarda por novas decisões do governo indiano, que deve anunciar, neste mês, se vai continuar ou não bloqueando as exportações.
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Como enviar mensagem de voz de reprodução única no WhatsApp

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Função, também disponível para imagens e vídeos, faz com que a pessoa do outro lado escute o áudio apenas uma vez, antes de ser apagado. Como enviar mensagem de voz de reprodução única no WhatsApp
Darlan Helder/g1
O WhatsApp começou a liberar o envio de mensagens de voz de reprodução única para mais pessoas no Brasil. O recurso permite que a pessoa que recebe o áudio o escute por apenas uma vez. Depois, ele é excluído da conversa.
A opção, também conhecida como "visualização única", já estava disponível para fotos e vídeos desde 2021. Em todos os formatos, ela aumenta a privacidade de quem envia as mensagens porque impede que o conteúdo seja compartilhado com outras pessoas.
O envio de áudio de reprodução única está disponível tanto para usuários de Android como de iPhone (iOS). A forma de enviar é igual nos dois sistemas. Veja:
Abra uma conversa ou grupo no WhatsApp e toque no ícone de microfone;
Em seguida, deslize o ícone de microfone para cima. Essa ação ativará o modo mãos livres;
Grave o áudio e, antes de enviar, toque no ícone redondo com o número "1" no canto direito para sinalizar a reprodução única;
Por fim, toque no botão verde para enviar.
A pessoa do outro lado que receber a mensagem de voz ouvirá o arquivo apenas uma vez e não conseguirá reencaminhar para outro contato.
Segundo o WhatsApp, todos os conteúdos de visualização única são protegidos por criptografia de ponta a ponta, assim como as mensagens no formato tradicional.
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Governo publica MP que ajuda distribuidora do Amazonas, mas repassa custos milionários aos consumidores de energia

Governo calcula impacto de R$ 500 milhões por ano. Medida também prevê uma transferência de custos de R$ 2 bilhões entre encargos na conta de luz, com mudanças nos contratos de usinas termelétricas. O governo publicou nesta quarta-feira (13) uma medida provisória que muda regras para distribuidoras de energia com problemas financeiros. Pelos critérios do texto, atende ao caso da Amazonas Energia. Contudo, os custos dessa medida devem ser repassados aos consumidores.
O texto transfere para a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) custos que deveriam ser arcados pela distribuidora do Amazonas, cujo equilíbrio econômico-financeiro está comprometido.
É importante ressaltar que, no sistema de energia elétrica, existem diversas contas (fundos) bancadas com dinheiro dos consumidores que pagam a tarifa de energia. O propósito dessas contas é bancar projetos ou políticas públicas consideradas relevantes.
Ao g1, interlocutores do governo afirmam que a medida provisória deve gerar um custo de R$ 500 milhões por ano, pago pela CCC –que, por sua vez, é arcada por todos os consumidores na conta de luz.
Tem ainda uma outra mudança na medida provisória. Ela transfere contratos de usinas termelétricas movidas a gás natural para um contrato na modalidade de reserva de energia. O que isso significa?
Isso quer dizer que o custo das usinas deixa de ser arcado pela Amazonas (que tinha essa obrigação por contrato) e pela CCC, passando a integrar o orçamento da Conta de Energia de Reserva (Coner).
E isso aumenta o valor que cabe aos consumidores de todo o país. Porque a Coner é outra conta paga por todos os consumidores. Antes, pelo menos parte dos custos ficava só com a Amazonas Energia.
"Quando você tira todos os custos das térmicas e coloca na conta de reserva, todos os consumidores pagam. Porque, antes, quando ela estava na CCC, não era o custo integral. Parte dos custos das térmicas ficava com os consumidores da Amazonas Energia", explicou presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), Luiz Eduardo Barata. .
O advogado Henrique Reis enfatiza que o que muda com a transferência dos contratos das usinas é que, hoje, parte desse custo integra a tarifa da distribuidora e a outra parte vai para a CCC.
Quando o consumidor paga sua conta de energia, parte do valor devido é o consumo de energia por parte daquele consumidor. Mas a conta também considera o valor da energia vendida –é aqui que entra parte do custo com as usinas termelétricas, repassado pela Amazonas Energia.
A outra parte dessa conta são encargos –dentro dos quais estão a CCC e a Coner.
Redução da conta de subsídios
O cálculo do governo é que a medida geraria uma “economia” de R$ 2 bilhões por ano na CCC –subsídio que está na conta de luz, onerando principalmente os consumidores que compram energia da distribuidora, ou seja, residências e pequenos comércios.
Desses R$ 2 bilhões, o governo subtrai os R$ 500 milhões de custo com a mudança de regras para salvar a Amazonas Energia, que serão arcados pela CCC. Então, o efeito sentido na CCC é de redução da conta, na ordem de R$ 1,5 bilhão.
Contudo, o valor que sai da Conta de Consumo de Combustíveis para a Coner, de R$ 2 bilhões, vai onerar outro encargo pago pelos consumidores.
A diferença na ponta, na tarifa de energia paga por cada um, é sutil. Segundo interlocutores do governo a par do texto, a CCC onera mais o consumidor “cativo”, como famílias e comércios, que compra a energia das distribuidoras estaduais.
Já a Coner representaria um custo igual para a alta tensão –principalmente o mercado livre, onde estão as grandes empresas—e a baixa tensão, onde está o consumidor “cativo”. Pelo governo, a medida é encarada como algo positivo, uma vez que haveria uma divisão de custos entre pequenos e grandes consumidores.
Mas, mesmo que em menor grau, essa quantia continua sendo paga pelo consumidor –uma vez que a energia de reserva também onera a conta de luz. "O custo da Coner, no final das contas, é o consumidor final que arca", afirma o advogado André Edelstein.
"Quem paga a conta de reserva? São os consumidores. A conta de reserva é totalmente arcada pelos consumidores. Quando essa conta ia para a CCC, não ia o todo, ia a parte", afirmou Barata.
De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o orçamento da Coner é composto por repasses de:
distribuidoras, que repassam o custo ao consumidor;
consumidores livres –em geral, grandes e médias empresas;
consumidores especiais, que adquirem energia de fontes incentivadas;
autoprodutores, consumidores que produzem sua própria energia;
geradores de energia com perfil de consumo;
empresas que fazem exportação de energia.
"Para resolver o problema da distribuidora, tem que ser o resolvido, mas não se pode resolver colocando o custo a mais para o consumidor. É isso que eles têm que entender, o consumidor não aguenta mais", disse Barata.
Entenda ajuda à Amazonas Energia
A Amazonas Energia é a distribuidora responsável pelos serviços de energia no estado do Amazonas. A empresa enfrenta uma crise financeira que levou à recomendação de cassação do contrato junto ao Ministério de Minas e Energia.
A Eletrobras detinha a concessão no estado, mas, com a saída da companhia do segmento de distribuição, o contrato foi assumido pelo Consórcio Oliveira Energia em 2019.
"Mesmo após o processo de desestatização e garantido o atendimento aos dispositivos legais, regulamentares e contratuais aplicáveis, a distribuidora não conseguiu atingir níveis sustentáveis do ponto de vista econômico-financeiro", afirma a Aneel em relatório de 2023.
A extinção do contrato chegou a ser recomendada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2023, depois de verificar que a empresa não tem condições financeiras de manter a concessão. A empresa tem uma dívida de R$ 10 bilhões.
O processo segue no Ministério de Minas e Energia, que pode decidir acatá-lo ou não. A flexibilização das regras para a Amazonas Energia, publicada nesta quinta-feira (13), foi uma forma de garantir a continuidade da prestação de serviços à população, ameaçada pela situação econômica da concessão.
Para o advogado Henrique Reis, embora a medida provisória não tenha sido anunciada pelo governo, sua publicação já era prevista pelo setor.
"Não dá para dizer que é algo inédito. Os serviços de distribuição sempre demandam do poder concedente, no caso o governo, alguma medida para tornar atrativo. Não dá para deixar o consumidor ser prestador de serviços, então alguma medida teria que ser tomada", afirmou.

Chuvas no RS: é possível recuperar carros inundados?

Chuvas no RS: é possível recuperar carros inundados?
Veja quais são as condições e o passo a passo para deixar seu automóvel em condições de rodar. 'Cemitério de carros' após enchente no RS
Reprodução/RBS TV
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As enchentes no Rio Grande do Sul impactaram não só casas e comércios, mas também muitos veículos. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) mostram que, com a tragédia, foram registrados 8.216 sinistros de automóveis — um total de R$ 557,4 milhões em indenizações.
Os números finais, no entanto, tendem a ser ainda maiores, uma vez que entram na conta da CNSeg apenas os veículos com seguro. O Detran-RS, responsável pela fiscalização do trânsito no estado, ainda não concluiu seu levantamento sobre os impactos do desastre.
Nesta reportagem, você vai entender como funciona a cobertura dos seguros de automóveis e em quais casos — e de que forma — seu carro pode ser recuperado após ser atingido por enchentes. Veja nos tópicos abaixo:
Meu carro foi atingido. O que fazer?
Quando o carro pode ser recuperado?
Como é feita a recuperação? (passo a passo)
Quanto tempo demora a indenização?
Meu carro foi atingido. O que fazer?
O vice-presidente de Auto da Alper Seguros, Antonio Azevedo, explica que o primeiro passo é saber se a sua apólice contempla a cobertura para danos provenientes de causas naturais, como vento, quedas de árvores e objetos, chuva de granizo, raios, incêndio e deslizamento de terra.
Na maioria dos contratos básicos, a proteção contra eventos climáticos como o do Rio Grande do Sul já está contemplada. Existe uma jurisprudência sobre o tema, e as seguradoras, portanto, são obrigadas a ressarcir perdas nesse cenário, segundo o especialista.
“Quando o cliente contrata o seguro, a assistência já está inclusa, qualquer que seja a situação, inclusive catástrofe. Geralmente, não existe cláusula excludente de assistência”, diz.
Para o ressarcimento, contudo, o condutor precisa ter contratado o seguro total. Planos de coberturas parciais deixam o cliente desprotegido.
Nesse caso, os condutores que optaram apenas por cobertura a terceiros ou incêndio e roubo, por exemplo, não serão ressarcidos.
Quando o carro pode ser recuperado?
Para veículos atingidos por causas naturais, as seguradoras costumam adotar o que está estabelecido em seus contratos.
Caso os danos somem mais do que 75% do valor do automóvel — resultando no conhecido PT (perda total) — o ressarcimento é de 100% do valor da Tabela Fipe (ou outro valor estipulado na apólice).
“Para o carro ser recuperado, o valor dos prejuízos [ou seja, do conserto] não pode ultrapassar 75% do valor do veículo. Se o orçamento da recuperação do veículo ultrapassar esse montante, a seguradora será obrigada a declarar perda total, e nesse caso não haverá possibilidade de recuperar o carro” explica Azevedo.
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Como é feita a recuperação?
Motor com ferrugem após inundação
Alexandre Dias/ Arquivo pessoal
Uma vez autorizada a recuperação do carro, os procedimentos começam pela análise dos danos e pela elaboração de orçamento, explica Alexandre Dias, dono da rede de oficinas Guia Norte Auto Center, que atende clientes de sete seguradoras.
Ainda segundo Dias, a execução do serviço começa somente após a aprovação de um laudo final. Veja abaixo o passo a passo:
1ª checagem: motor
A primeira análise feita no veículo é a do motor. “Quando a enchente sobe até a metade da roda do carro, não tem problema nenhum. O perigo é quando ela passa desse ponto. Quando a água sobe até a altura do volante ou mais, fica muito complicado recuperar”, afirma o mecânico.
No processo, existem dois cenários: se o carro estava ligado ou desligado quando foi tomado pela água. Em caso positivo, “o risco de não recuperação é multiplicado por cem”, diz Dias.
“Isso porque, quando ele está ligado, o propulsor aspira água e pode ocorrer uma trava do motor [conhecido como calço hidráulico]."
Se o carro não estava ligado, o cenário é um pouco melhor. Mesmo assim, é somente na oficina mecânica que se consegue ter a certeza do conserto. Segundo Alexandre Dias, caso já tenha entrado água no sistema, ela se misturará com óleo, causando justamente o calço hidráulico.
Oficina viraliza com vídeos de reparos de carros após enchente no RS
O vídeo acima mostra uma prática criticada por Dias, que também é representante do Comitê Nacional da Bosch Car Service, rede com mais de 300 oficinas no estado de São Paulo.
“Viu que o carro está cuspindo água pelo escapamento? Pare! Isso não pode acontecer de jeito nenhum", diz. "Se ele está soltando água pelo sistema de escape é porque tem água no interior do propulsor. O procedimento correto é abrir o motor antes de ligar e não insistir na partida."
2ª checagem: transmissão
Parte importante do conjunto motriz, o câmbio automático possui um sistema de inteligência que é operado por módulos.
Cada vez mais os carros carregam tecnologias caras e complexas em seus sistemas de transmissão. Por isso, a segunda checagem é feita no câmbio: “Se entrou água, é perda total”, afirma Alexandre Dias, da Guia Norte Auto Center.
Segundo ele, se o motor e o câmbio estiverem em pleno funcionamento, o correto é desmontá-los para limpar e substituir o óleo lubrificante dos dois equipamentos. Além disso, é preciso trocar os filtros de combustível, óleo e ar.
3ª checagem: módulos
Com os automóveis cada vez mais dependentes de tecnologias como módulos e chips, substituí-los é um processo fundamental para que o carro não apresente problemas futuros.
“Tudo começa com a troca do módulo de carroceria. Ele funciona como o nosso cérebro, que dá ordens para que outros módulos funcionem. Quando há morte cerebral, é certeza que os outros órgãos vão parar logo na sequência. O mesmo ocorre com o módulo de carroceria: quando ele está com problema, todos os outros queimam em sequência”, exemplificou Dias.
Módulo de carroceria fica logo abaixo da coluna de direção
Alexandre Dias/ Arquivo pessoal
4ª checagem: parte elétrica
Depois de checar o “módulo-mãe”, chega a hora de testar toda a parte elétrica restante do automóvel (cabos, conectores, chicotes) e, a partir daí, fazer a limpeza do sistema, sem esquecer de lubrificar as conexões, evitando assim, oxidação no futuro.
“Como muitos carros já são dotados de computador de bordo, após a inspeção elétrica, é necessário fazer um diagnóstico com o scanner para saber quais outras falhas o próprio carro já identificou para que possamos reparar", afirma Dias.
5ª checagem: limpeza do interior
Além da parte técnica, outro trabalho que deixa a mão de obra bastante cara é a limpeza de interior: painel de porta, bancos de couro ou tecido, cintos, tecido de teto, carpete. Ou seja, tudo que compõe o interior do automóvel precisa ser profundamente higienizado com produtos químicos para evitar contaminações e odores desagradáveis.
Essa limpeza só pode ser realizada com a desmontagem total das forrações, elevando o tempo e preço do serviço.
Entretanto, segundo Dias — que já recebeu em sua oficina aproximadamente dez carros das enchentes do Rio Grande do Sul —, mesmo fazendo um bom trabalho, é raro deixar o carro como antes.

“O carro nunca mais ficará igual ao que era. É impossível! A espuma dos bancos é grossa e cheia de camadas. Uma hora ou outra o cheiro de lama vai voltar. Soma-se a isso o fato de que existem locais que não tem como limpar por completo, como nos dutos de ar-condicionado ou nas dobradiças das portas."
De acordo com o reparador, todos os carros do Rio Grande do Sul que passaram por sua oficina tiveram a Perda Total decretada.
“Vamos usar um Jeep Compass como exemplo. Esse SUV tem cerca de sete a oito módulos e cada um custa, em média, R$ 8 mil, fora o custo das outras manutenções. É só fazer as contas que dá para perceber que não vale a pena recuperar o veículo”, finalizou.
Quanto tempo demora a indenização?
Antonio Azevedo, vice-presidente da Alper, afirma que o período necessário para a indenização depende da rapidez com que o segurado reúne os documentos necessários.
Nos casos do Rio Grande do Sul, onde muitos perderam essas identificações, é preciso correr: a maioria das apólices exige que o sinistro seja aberto até 30 dias após a ocorrência.
O pagamento, por sua vez, costuma ser mais rápido: “Com prejuízo já apurado acima de 75% e documentação em ordem, o prazo é de até 15 dias para a indenização ser liberada”, conclui.