Lula defende Haddad, ministro diz que fará revisão de gastos do governo e mercado se acalma

Dólar opera em queda, após Haddad falar em revisar gastos; Ibovespa oscila
Governo enfrentou derrota no Congresso esta semana, em meio a pressão para reduzir gastos. Lula estremeceu o mercado ao enfatizar que não vai apartar agenda social de economia, e precisou sair em defesa do ministro. Ministro da Fazenda Fernando Haddad.
TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Os desafios do governo com a pauta econômica têm se acentuado ao longo desta semana, em meio a problemas de articulação no Congresso e dificuldades de arrecadação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, reiterou que não vai abrir mão da agenda social do governo, restando ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a responsabilidade de tentar abaixar temperatura no mercado.
Nesta quinta-feira (13), Haddad afirmou que a equipe econômica do governo vai intensificar a agenda de trabalho em relação aos gastos públicos, e que deve focar, nas próximas semanas, em fazer uma revisão "ampla, geral e irrestrita" das despesas.
"Nós vamos manter um ritmo mais intenso de trabalho nesse mês, porque o mês de julho começa a ser montada a peça orçamentária, e em agosto, como vocês sabem, a peça é encaminhada para o Congresso Nacional. Estamos botando bastante força nisso, fazendo uma revisão ampla, geral e irrestrita do que pode ser feito para acomodar as várias pretensões legítimas do Congresso, do Executivo, mas sobretudo para garantir que nós tenhamos tranquilidade o ano que vem".
Haddad também falou em "rever o gasto primário e cortar privilégios".
"Eu tenho dito isso, queremos também rever o gasto primário, estamos dispostos a cortar privilégios. Já voltaram à tona vários temas que estão sendo discutidos de novo, o que é bom, como supersalários, como correção de benefícios que estão sendo praticados ao arrepio da lei, melhoria dos cadastros, isso voltou para mesa, e nós achamos que é ótimo isso acontecer porque vai facilitando o trabalho de entregar as contas", afirmou.
O ministro tentou colocar "panos quentes" na situação, após uma nova derrota do governo no Congresso, com a devolução da medida provisória do PIS/Cofins (relembre mais abaixo) e depois de o mercado financeiro ter reagido negativamente a falas de Lula.
O chefe do Executivo afirmou na quarta-feira (12) não pensar a economia do país de forma apartada de medidas voltadas ao desenvolvimento social.
Após a declaração, o dólar subiu, avançou 0,86% e atingiu R$ 5,4066, maior patamar desde janeiro de 2023.
Nesta quinta, depois que Haddad falou em revisão de gastos, a moeda interrompeu uma sequência de alta. Às 15h39, o dólar operava em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,3733. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,07%, aos 119.849 pontos.
Com uma maior percepção de risco interno em meio às incertezas com o quadro fiscal, os investidores voltaram a monitorar falas do ministro da Fazenda.
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Ministro tensionado
A situação começou a se complicar ainda na terça-feira (11), quando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), decidiu devolver ao Executivo a medida provisória que muda regras de dedução do PIS/Cofins para compensar a perda deste ano com a desoneração da folha de pagamento de 17 setores.
O texto, defendido por Haddad e secretários, alterava regras do PIS/Cofins para elevar receitas e compensar as despesas com a desoneração da folha de pagamentos. A expectativa era de que a MP fosse gerar aumento de R$ 29 bilhões na arrecadação em 2024.
Pacheco acabou devolvendo a medida sob argumento de que o texto, ao alterar regras sobre tributos, deveria adotar um prazo para que essa mudança passasse a valer. Esse é o princípio da noventena. Antes de ser devolvida, a MP foi muito criticada por empresários, que disseram que o texto geraria inflação.
O movimento foi visto como mais uma derrota para o Executivo e, de com a colunista do g1 Andréia Sadi, Haddad vem recebendo pressão de setores do PT e também tem sido questionado pelo mercado financeiro acerca de sua capacidade para concretizar a agenda econômica do governo.
Coube a Lula, então, sair em defesa do ministro. Em viagem à Genebra, na Suíça, nesta quinta-feira (13), o presidente classificou o titular da Fazenda como "extraordinário" e negou qualquer tensão sobre Haddad.
"Não tem nada com o Haddad, ele é extraordinário ministro, não sei qual é a pressão contra o Haddad. Todo ministro da Fazenda, desde que eu me conheço por gente, ele vira o centro dos debates, quando a coisa dá certo, quando a coisa não dá certo", declarou o presidente da República.
Lula também respondeu sobre a MP do PIS/Cofins e disse que, com a devolução da MP, caberá ao Senado e a empresários encontrar uma alternativa para compensar a desoneração.
"O Haddad tentou ajudar os empresários construindo uma alternativa à desoneração feita para aqueles 17 grupos de empresários. Que nem deveria ter sido o Haddad para assumir essa responsabilidade, mas o Haddad assumiu, fez uma proposta. Os mesmos empresários não quiseram. Então, agora tem uma decisão da Suprema Corte, que vai acontecer. Se, em 45 dias não houver acordo sobre compensação, o que vai acontecer? Vai acabar a desoneração", disse Lula.
"Agora, a bola não está mais na mão do Haddad. A bola está na mão do Senado e na mão dos empresários. Encontrem uma solução, o Haddad tentou. Não aceitaram, agora encontrem uma solução", completou o petista.

Inflação argentina cai pela metade em maio e chega a 276,4% em 12 meses

Dólar opera em queda, após Haddad falar em revisar gastos; Ibovespa oscila
Esse foi o 5º mês consecutivo de desaceleração do índice de preços do país. Bandeira da Argentina
Unplash
A inflação da Argentina ficou em 4,2% em maio, apontou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) do país. Com o resultado, o aumento dos preços chegou a 276,4% em 12 meses.
Esse foi o quinto mês consecutivo de desaceleração. Em relação a abril, quando o índice de preços ficou em 8,8%, a inflação caiu pela metade.
O setor de maior alta no mês foi o de Comunicação (8,2%), devido ao aumento nos serviços de telefone e internet. Na sequência, ficaram Educação (7,6%), Bebidas Alcoólicas e Tabaco (6,7%), Restaurantes e Hotéis (5,5%) e Alimentos e Bebidas Não Alcoólicas (4,8%).
A Argentina, sob o comando do presidente ultraliberal Javier Milei, passa por uma forte desregulação da economia, com cortes de gastos e fim de subsídios.
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Após tomar posse, em dezembro de 2023, Milei decidiu paralisar obras federais e interromper o repasse de dinheiro para os estados, visando reduzir os gastos públicos.
Além disso, deixou de subsidiar tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais — o que, inicialmente, resultou em um aumento expressivo nos preços ao consumidor.
O país já vinha enfrentando uma forte recessão econômica, e o ajuste fiscal permitiu, no primeiro trimestre deste ano, o primeiro superávit desde 2008. O objetivo do governo é alcançar o "déficit zero" para o fim de 2024.
Na quarta-feira (12), o Senado da Argentina também aprovou um amplo projeto de lei que é chave para os planos de reforma econômica de Milei.
Em termos gerais, a "Lei de Bases" dá poderes especiais ao governo por meio de um decreto de estado de emergência pública, além de propor a privatização de algumas estatais. Veja mais detalhes no vídeo abaixo.
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Projeções do Banco Mundial e apoio do FMI
Em relatório publicado na última terça-feira (11), o Banco Mundial mudou suas perspectivas para a economia argentina neste ano.
A instituição passou a prever uma queda de 3,5% para a atividade econômica do país vizinho, uma piora de 0,8 ponto percentual (p.p.) em comparação às estimativas de janeiro, de recuo de 2,7%.
Para 2025, no entanto, as projeções são mais otimistas. A expectativa é que o país volte a se recuperar, "com um crescimento de 5%, à medida que os desequilíbrios econômicos forem resolvidos e a inflação diminuir" no país.
Também no cenário internacional, as medidas de austeridade adotadas por Milei têm rendido elogios do Fundo Monetário Internacional (FMI). No mês passado, a organização internacional anunciou um acordo que permite o desembolso de quase US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhão).
O FMI destacou o "primeiro superávit fiscal trimestral" em mais de 10 anos anos, a "rápida queda da inflação, a mudança de tendência das reservas internacionais e uma forte redução do risco soberano".
Especialista destacam, porém, que o superávit é uma consequência direta da redução dos gastos, e não da elevação das receitas obtidas pelo governo — o que pode não ser sustentável no longo prazo.
Para isso, milhares de demissões ocorreram, assim como os salários e aposentadorias tiveram uma queda importante. A consequência é uma intensificação da crise econômica que assola o país e já colocou 41,7% dos 46,7 milhões dos argentinos abaixo da linha da pobreza, segundo o Indec.
Essas condições econômicas têm impactado os níveis de consumo da população e até as carnes — que representam uma das maiores tradições argentinas, o churrasco — estão perdendo espaço: até março, o consumo de carnes no país estava no menor nível em 30 anos, segundo a Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da Argentina.

Haddad diz que vai apoiar Senado em medidas para compensar desoneração, mas deve insistir em mudança de regras do PIS/Cofins

Dólar opera em queda, após Haddad falar em revisar gastos; Ibovespa oscila
Segundo ministro da Fazenda, MP polêmica, que foi devolvida pelo Congresso, pode ser reencaminhada em forma de projeto de lei. Senadores garimpam propostas para elevar receitas e compensar desoneração. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em imagem de maio de 2024
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (13) que a equipe econômica vai apoiar o Senado na análise de medidas para compensar a desoneração da folha de pagamentos e a redução da contribuição previdenciária de parte dos municípios brasileiros.
O ministro deu as declarações durante entrevista a jornalistas no Ministério da Fazenda. Nesta semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), defensor da desoneração, devolveu ao governo uma medida provisória que mexia nas regras de uso de créditos do PIS/Cofins para fazer a compensação fiscal.
Diante disso, líderes partidários no Senado começaram a garimpar propostas de elevação de receitas para compensar a desoneração.
De acordo com Haddad, caberá ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), a interlocução da equipe econômica com os senadores, na busca por alternativas.
"Recebi a ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e discutimos a nossa relação com o Senado, o apoio que vamos dar ao Senado para a compensação. Todas as propostas vão ser analisadas por nós para medirmos o impacto", declarou o ministro da Fazenda.
Fernando Haddad disse que, em sua visão, será possível chegar a um "denominador rápido" com o Legislativo para compensar a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia e dos municípios.
"Vamos colocar algumas propostas na mesa a partir da semana que vem, mas principalmente as deles [senadores], até para evitar que se dê atraso nisso. Vamos receber deles as propostas que o Senado tem em mente, que aí fica mais fácil tramitar, fica mais fácil calcular, fica mais simples de resolver", afirmou.
O ministro da Fazenda, no entanto, sinalizou que o governo poderá insistir na proposta que altera as regras do PIS/Cofins, enviando ao Congresso um projeto de lei (e não mais Medida Provisória, que tem vigência imediata) para tratar do tema – apesar da grande repercussão negativa da proposta com o setor produtivo.
"Pode ser [enviada como projeto de lei], até no âmbito do relatório do próprio Jacques já que vai haver tempo. Não haveria problema de incluir, mas eu quero esclarecer, assim como eu fiz com o presidente Pacheco, fazer com os demais líderes, porque todos estão sensibilizados. Os líderes da Câmara, de certa forma, já estão um pouco mais familiarizados com o problema e estão dispostos a ajudar", afirmou Haddad.
Ele reiterou a avaliação de que está havendo fraude e mau uso do instrumento de ressarcimento dos créditos do PIS/Cofins por algumas empresas – com impacto negativo na arrecadação federal.
"O dia a dia da Receita é localizar brechas que estão sendo mal utilizadas, o que inclusive corrompe o sistema de concorrência. Porque, se um empresário está fazendo uma coisa e o outro está pagando devidamente, você desequilibra o jogo da concorrência. E o que nós queremos, na economia, é que os mais eficientes é que ganhem espaço no mercado, e não os mais espertos, que estão se valendo de brechas ou de planejamento tributário indevido, para fazer esse tipo de coisa", concluiu.
Senador Jaques Wagner, do PT, conversa com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco
Jefferson Rudy/Agência Senado
Propostas
Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quinta que discutirá com o Ministério da Fazenda sugestões apresentadas por lideranças da Casa para compensar a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia e de municípios neste ano.
Segundo Jaques, as propostas compensatórias serão levadas ao ministro Fernando Haddad para uma avaliação do montante a ser arrecadado pelas medidas.
O senador é relator da proposta que contempla um acordo firmado pelo governo para a manutenção da desoneração das empresas e dos municípios em 2024. Seguindo a negociação, o texto deverá prever uma retomada gradual da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento.
A proposta ainda não recebeu um parecer, que só deverá ser divulgada após um alinhamento entre parlamentares e o governo para as fontes de recursos que vão compensar a medida. Lideranças que participaram da reunião desta quinta dizem que o parecer de Jaques deve ser divulgado somente no início de julho.
A lei que prorrogou, até 2027, a desoneração da folha de pagamentos de empresas e de municípios foi promulgada pelo Congresso no ano passado.
No entanto, este ano o governo ingressou contra a desoneração no Supremo Tribunal Federal (STF) e uma decisão do ministro Cristiano Zanin suspendeu trechos da lei e suspendeu o benefício.
A decisão gerou reação do Legislativo, e o Senado recorreu. Em maio, o ministro Cristiano Zanin manteve a validade da lei e deu o prazo de 60 dias para que o Executivo e o Congresso buscassem uma solução consensual sobre o tema. Jaques disse que pretende utilizar todo o prazo dado pelo STF para discutir um projeto.
No último mês, o Planalto anunciou acordo para manter válida a medida em 2024. A partir de 2025, tanto para as empresas quanto para os municípios terão um aumento gradual da contribuição previdenciária.
No caso das empresas, a desoneração permite substituir a contribuição previdenciária de 20% sobre o total dos salários dos funcionários pelo pagamento de imposto (de 1% a 4,5%) sobre a receita bruta do empreendimento. Em 2025, haverá uma retomada gradual da contribuição previdenciária, que vai atingir 20% em 2028.
Para as prefeituras, até o fim de 2024, haverá uma alíquota reduzida da contribuição previdenciária, de 8%, sobre os salários dos funcionários, paga por municípios com até 156 mil habitantes. Pelo acordo anunciado pelo Planalto, haverá aumento gradual do imposto a partir de 2025, mas os índices ainda não foram informados.
Jaques disse que as possíveis formas de compensação ainda são ideias passíveis de discussão e que novas alternativas ainda podem ser apresentadas.
A Fazenda estima que, para compensar a continuidade da desoneração, seja necessário entre R$ 26 e R$ 29 bilhões. Cálculos feitos por consultores do Senado, no entanto, indicam que o custo da manutenção da desoneração será de cerca de R$ 17 bilhões.
Entre as possibilidades de compensação citadas pelo senador estão:
repatriação de recursos depositados no exterior por brasileiros, mediante pagamento de Imposto de Renda
uma espécie de refinanciamento de multas aplicadas por agências reguladoras
e utilização de recursos depositados em contas judiciais abandonados
“É importante registrar que Pacheco abriu a reunião chamando todo mundo ‘ao feito’. Estamos com uma responsabilidade agora, que não é exclusiva deles e nem só do governo também, evidentemente, é dos empresários também. Acho que terá uma espécie de esforço concentrado para encontrar essas coisas. Ninguém quer deixar ao léu essa falta de compensação”, disse Jaques Wagner.

Após reação negativa do mercado a declarações de Lula, Haddad fala em revisar gastos do governo

Dólar opera em queda, após Haddad falar em revisar gastos; Ibovespa oscila
Dólar subiu depois que Lula disse não pensar economia de forma apertada de medidas sociais. Moeda passou a operar em queda depois da fala do ministro da Fazenda. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em imagem de 2024
Ueslei Marcelino/Reuters
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (13) que a equipe econômica do governo vai intensificar a agenda de trabalho em relação aos gastos públicos, e que deve focar, nas próximas semanas, na revisão de despesas.
O ministro da Fazenda deu as declarações depois de o mercado financeiro ter reagido negativamente a falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que afirmou nesta quarta-feira (12) não pensar a economia do país de forma apartada de medidas voltadas ao desenvolvimento social.
"Eu tenho dito isso, queremos também rever o gasto primário, estamos dispostos a cortar privilégios. Já voltaram à tona vários temas que estão sendo discutidos de novo, o que é bom, como supersalários, como correção de benefícios que estão sendo praticados ao arrepio da lei, melhoria dos cadastros, isso voltou para mesa, e nós achamos que é ótimo isso acontecer porque vai facilitando o trabalho de entregar as contas", declarou Haddad.
Após a declaração de Lula desta quarta, o dólar subiu, avançou 0,86%. Nesta quinta, depois que Haddad falou em revisão de gastos, a moeda interrompeu uma sequência de alta. Às 12h54, o dólar operava em queda de 0,56%, cotado a R$ 5,4066.
Segundo a ministra do Planejamento, Simone Tebet, a revisão dos gastos do governo faz do planejamento para o ano de 2025, cujo projeto de lei orçamentária deve ser enviado em agosto.
"Quando nós estamos falando de gastos tributários, de revisão desses gastos –seja pela ótica da qualidade dos gastos públicos, seja pela ótica do corte de gastos públicos–, nós estamos trabalhando por um futuro que está chegando, que é o ano de 2025", afirmou
Aumento de receitas
Fernando Haddad afirmou que as medidas para reduzir gastos podem ser "administrativas", sem a necessidade de enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional. "Se depender de lei, evidentemente para impactar 2025, tem que ser aprovado esse ano", completou.
Para Tebet, há um cardápio de opções para equilibrar as contas públicas pelo lado das despesas. No entanto, a ministra reconheceu que há poucas opções para aumento de receita. "É óbvio que começa a se exaurir sobre a ótica da receita", declarou.
"Em que pese isso, nós temos um dever de casa agora sobre o lado das despesas. Se os planos A, B, C e D já estão se exaurindo para não aumentar a carga tributária pela receita, sob a ótica das despesas nós temos plano A, B, C, D e E", formulados pela área econômica do governo, disse.
A proposta de cortar os valores mínimos de investimento em saúde e educação, contudo, é um plano que está "no final do alfabeto" de ideias do governo. "A gente tem muita coisa antes aí para trabalhar", disse Tebet.
Haddad e Tebet se reuniram na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, na manhã desta quinta. Estavam na pauta:
a relação com o Senado, após a devolução da medida provisória que limitou a compensação de créditos de PIS/Cofins;
o Orçamento Federal de 2025, que pode incluir a agenda de despesas do governo;
parecer prévio do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as contas do governo em 2023, aprovado com ressalvas na quarta-feira (12).
'Dólar vai cair', diz Alckmin
Em um evento no Rio de Janeiro, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, disse acreditar que o dólar vai cair nas próximas semanas. Ele também declarou que o presidente Lula, que está em viagem ao exterior, tem compromisso com as regras fiscais do país.
“Nós temos absoluta confiança de que o dólar vai cair. Isso é uma coisa momentânea. O governo do presidente Lula tem compromisso com o arcabouço fiscal. Aliás, a questão da medida provisória [que altera regras do PIS/Cofins] é exatamente para, de um lado, cumprir a responsabilidade fiscal, que é compromisso do governo brasileiro", disse

Dólar opera em queda, após Haddad falar em revisar gastos; Ibovespa oscila

Dólar opera em queda, após Haddad falar em revisar gastos; Ibovespa oscila
Na quarta-feira, a moeda norte-americana avançou 0,86%, cotada a R$ 5,4066. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira fechou em queda de 1,40%, aos 119.936 pontos. Dólar
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar interrompeu uma sequência de altas e operava em queda nesta quinta-feira (13), à medida que investidores repercutiam novas falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Após a reação negativa dos mercados vista na véspera, quando o dólar chegou a bater os R$ 5,42 na máxima do dia, o ministro afirmou nesta quinta-feira que a equipe econômica vai intensificar a agenda de trabalho em relação aos gastos públicos e que deve focar na revisão de despesas nas próximas semanas.
"Estamos dispostos a cortar privilégios", afirmou o ministro em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira. (veja mais abaixo)
A decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), sobre os juros do país, divulgada ontem, também seguia repercutindo no mercado.
O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, por sua vez, operava sem direção única nesta quinta-feira.
Real está entre as 10 moedas que mais perderam valor frente ao dólar neste ano; veja ranking
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Às 14h05, o dólar operava em queda de 0,75%, cotado a R$ 5,3662. Veja mais cotações.
Na quarta-feira, a moeda norte-americana subiu 0,86%, cotado a R$ 5,4066, no maior patamar desde janeiro de 2023.
Com o resultado, acumulou altas de:
1,55% na semana;
3% no mês;
11,42% no ano.

Ibovespa
No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,01%, aos 119.949 pontos.
Na quarta-feira, o Ibovespa caiu 1,40%, aos 119.936 pontos.
Com o resultado, acumulou quedas de:
0,69% na semana;
1,77% no mês;
10,62% no ano.
Na terça, o índice encerrou em alta de 0,73%, aos 121.635 pontos.
Entenda o que faz o dólar subir ou descer
DINHEIRO OU CARTÃO? Qual a melhor forma de levar dólares em viagens?
DÓLAR: Qual o melhor momento para comprar a moeda?
O que está mexendo com os mercados?
Com uma maior percepção de risco interno em meio às incertezas com o quadro fiscal, os investidores voltaram a monitorar falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Nesta quinta-feira, o ministro afirmou que a equipe econômica vai apoiar o Senado na análise de medidas para compensar a desoneração da folha de pagamentos e a redução da contribuição previdenciária de parte dos municípios brasileiros.
"Recebi a ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e discutimos a nossa relação com o Senado, o apoio que vamos dar ao Senado para a compensação. Todas as propostas vão ser analisadas por nós para medirmos o impacto", declarou o ministro da Fazenda, em entrevista a jornalistas.
As falas vêm após crescer no mercado a percepção de "fritura" do ministro da Fazenda. Isso porque na última terça-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), havia anunciado a decisão de devolver ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trechos da Medida Provisória do PIS-Cofins que restringiram a compensação de créditos do tributo.
A decisão de Pacheco foi vista como uma derrota para o governo e, em especial, para o ministro da Fazenda, que buscava com a MP cobrir perdas de arrecadação com a manutenção da desoneração da folha de pagamento. A expectativa era de que a MP fosse gerar aumento de R$ 29 bilhões na arrecadação em 2024.
Além disso, Haddad também afirmou, nesta quinta-feira, que a equipe econômica vai intensificar a agenda de trabalho em relação aos gastos públicos e que deve focar na revisão de despesas nas próximas semanas.
"Queremos também rever o gasto primário, estamos dispostos a cortar privilégios. Já voltaram à tona vários temas que estão sendo discutidos de novo, o que é bom, como supersalários, como correção de benefícios que estão sendo praticados ao arrepio da lei, melhoria dos cadastros, isso voltou para mesa, e nós achamos que é ótimo isso acontecer porque vai facilitando o trabalho de entregar as contas", declarou Haddad.
Segundo o analista da Empiricus Research Matheus Spiess disse em entrevista à Reuters, "o governo fracassou em todas as suas tentativas até agora de apresentar um plano crível para a execução do arcabouço fiscal".
"Até que nós tenhamos um vetor claro e confiável de que as coisas vão caminhar de volta para um ajuste, vamos continuar tendo essa pressão", acrescentou o especialista.
Vale lembrar que o mal-estar do mercado em torno da situação fiscal brasileira também foi agravado, na véspera, por falas do presidente Lula, que afirmou que o aumento da arrecadação e a queda das taxas de juros permitirão uma redução do déficit nas contas sem impactar os investimentos.
Na agenda de indicadores, investidores ainda repercutiam novos dados de varejo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas varejistas brasileiras cresceram pelo quarto mês seguido em abril, renovando o maior patamar da série histórica.
Já no exterior, investidores continuam a repercutir a decisão de juros por parte do Fed. Na véspera, a instituição decidiu mais uma vez manter as taxas básicas dos Estados Unidos inalteradas na faixa entre 5,25% e 5,50%, ainda no maior patamar desde 2001.
Além disso, o BC norte-americano também sinalizou apenas um corte de juros em 2024.
Juros mantidos: entenda como decisão do Fed impacta a economia no Brasil
A decisão veio mesmo após a inflação ao consumidor dos EUA ter vindo menor do que o previsto em maio. Segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho norte-americano na quarta-feira, o índice de preços (CPI, na sigla em inglês) ficou inalterado no mês passado, após alta de 0,3% em abril.
A estimativa do mercado era de uma alta mensal de 0,1%. O número foi bem recebido pelo mercado, que elevou as apostas de que o Fed deve fazer o primeiro corte de juros ainda em setembro deste ano.
*Com informações da agência de notícias Reuters