Dólar sobe e fecha a R$ 5,36, no maior patamar desde janeiro de 2023; Ibovespa sobe

Arroz: entenda a polêmica que causou anulação do leilão de importação e demissão no governo
A moeda norte-americana fechou em alta de 0,07%, cotada a R$ 5,3605. Já o principal índice acionário da bolsa de valores brasileira encerrou com um avanço de 0,73%, aos 121.635 pontos. Mulher segura notas de dólar, dinheiro
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar conseguiu virar o sinal negativo visto pela manhã e voltou a fechar em alta nesta terça-feira (11). Com o resultado, a moeda norte-americana segue no nível mais alto desde 4 de janeiro de 2023, quando fechou em R$ 5,4523.
(Correção: o g1 errou ao informar que o dólar fechou no maior patamar desde novembro de 2022. O valor é o maior desde janeiro de 2023. A informação foi corrigida às 19h18.)
Neste pregão, as atenções mais uma vez estiveram voltadas para o cenário de juros norte-americano, com investidores em compasso de espera pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), prevista para amanhã.
No Brasil, o destaque ficou com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, que subiu 0,46% em maio, acima das expectativas do mercado.
O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira (B3), também encerrou em alta.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Ao final da sessão, o dólar avançou 0,07%, cotado a R$ 5,3605, no maior patamar desde janeiro de 2023. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,3731. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou altas de:
0,68% na semana;
2,12% no mês;
10,47% no ano.
Na segunda-feira, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,61%, cotada a R$ 5,3567.

Ibovespa
Já o Ibovespa encerrou com um avanço de 0,73%, aos 121.635 pontos.
Com o resultado, acumulou:
alta de 0,72% na semana;
queda de 0,38% no mês;
perdas de 9,35% no ano.
Na segunda-feira, o índice encerrou em leve queda de 0,1%, aos 120.760 pontos.
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A semana começou, mais uma vez, com juros e inflação no foco. Por aqui, o principal destaque ficou com o IPCA de maio, divulgado nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O índice registrou um avanço de 0,46% em maio, marcando uma aceleração dos preços após a alta de 0,38% vista em abril. O resultado ainda veio acima do esperado pelos analistas, que projetavam um variação positiva de 0,42% no mês.
Com isso, as atenções voltam a mirar o atual cenário de juros no país. Na véspera, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a possibilidade de o mercado de trabalho ainda apertado no país afetar a inflação de serviços continua como uma preocupação da instituição.
"Ainda há essa ideia, embora isso não esteja acontecendo mecanicamente agora, de que em algum momento o mercado de trabalho muito apertado pode afetar a inflação de serviços de uma forma que seria uma ameaça para convergência de inflação no médio prazo", afirmou Campos Neto, em evento virtual promovido pela gestora Constellation.
O Brasil registrou uma taxa de desemprego de 7,5% nos três meses encerrados em abril, marcando o nível mais baixo de desocupação para o período em 10 anos.
O Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, deve decidir sobre a taxa básica de juros do país na próxima semana.
Já no exterior, o foco voltou mais uma vez para os Estados Unidos, com grande expectativa pelos novos dados de inflação e pela decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês).
Os dados de preços ao consumidor, previstos para quarta-feira (12), devem mostrar uma desaceleração. Segundo estimativas de analistas consultados pela Reuters, a previsão é que o índice aumente 0,1% em maio, ante o ganho de 0,3% em abril.
Ainda no mesmo dia, o banco central norte-americano deve manter inalterada sua taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50%, uma vez que as autoridades permanecem cautelosas com a trajetória da inflação de volta à sua meta de 2%, após números mostrarem na semana passada que o mercado de trabalho no país permanece aquecido.
"Ruídos temporários foram responsáveis pela maior parte da performance negativa do real na semana passada. Embora acreditemos que haverá um alívio no curto prazo, o real pode continuar abaixo de seus pares depois da reunião do Fed", avaliou Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.
Ainda no noticiário internacional, a decisão de política monetária do banco central do Japão também fica no radar, bem como as eleições para o Parlamento Europeu, que mostraram, no último final de semana, um forte avanço da extrema-direita em vários dos principais países da União Europeia, como França, Alemanha e Itália.
*Com informações da agência de notícias Reuters

Haddad diz que Fazenda não tem plano B para MP que compensava a desoneração, devolvida pelo Congresso

Arroz: entenda a polêmica que causou anulação do leilão de importação e demissão no governo
MP foi devolvida mais cedo pelo presidente do Congresso e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ao governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a pasta não tem um plano B para a medida provisória que compensaria a perda de arrecadação decorrente da desoneração da folha de pagamento dos 17 setores que mais empregam na economia.
A MP foi devolvida mais cedo pelo presidente do Congresso e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ao governo.
Pacheco, como presidente do Congresso, tem a prerrogativa de não aceitar uma medida provisória se entender que ela não cumpre requisitos legais. Foi o que ele fez.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara no fim de maio de 2024
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Haddad foi questionado por jornalistas sobre a decisão do senador. O ministro disse que se preocupa com o ato, porque a MP ajudaria também, em sua visão, a evitar fraudes no pagamento do PIS/ Cofins, um tributo federal. A MP alterava algumas regras sobre esse tributo (veja mais abaixo).
"Nós não temos [plano B]. Nós estamos preocupados, porque identificamos fraudes nas compensações de PIS/ Cofins. Vamos ter que construir uma alternativa para combate às fraudes", afirmou.
Questionado sobre o que fará daqui para frente a respeito da devolução da MP, o ministro respondeu:
"O Senado assumiu uma parte da responsabilidade para tentar construir uma solução. Foi o que entendi da fala do Rodrigo Pacheco. Nós vamos colocar toda uma equipe da Receita Federal [para resolver fraudes no PIS/ Cofins].
Como funcionaria a MP ?
A MP é foi um meio que o governo elaborou para compensar as perdas fiscais com a desoneração da folha de pagamentos dos 17 setores que mais empregam na economia.
O governo não queria a desoneração, mas, diante das argumentações do Congresso sobre manutenção de empregos, manteve a medida para os setores. Como isso significa perda de arrecadação, a equipe econômica buscou uma solução na MP do PIS/Cofins.
A MP funcionaria assim:
PIS/ Cofins são tributos federais.
Hoje, o pagamento de PIS/ Cofins gera créditos para alguns setores
Esses setores podem usar esse crédito para abater o valor de outros tributos
A MP determina que o crédito só pode ser usado para abater o pagamento de PIS/ Cofins
Mas alguns setores são isentos de PIS/ Cofins na venda de seus produtos. Mas pagam PIS/ Cofins ao comprar de fornecedores
Logo, esses setores saem prejudicados, porque não terão de onde abater o valor pagos nas compras
Entre esses setores estão o do agronegócio, medicamentos e combustíveis. Inclusive, alguns postos chegaram a anunciar aumento no preço do combustível em razão da MP.
Setor prevê alta de combustíveis após MP
Com as ações que alteram regras do PIS/Cofins, o governo espera aumentar a arrecadação neste ano em R$ 29,2 bilhões – valor acima do necessário para compensar a desoneração de empresas e dos municípios (que é de R$ 26,3 bilhões).

Mega-Sena, concurso 2.735: resultado

Arroz: entenda a polêmica que causou anulação do leilão de importação e demissão no governo
Veja as dezenas sorteadas: 47 – 53 – 59 – 46 – 05 – 33. Prêmio é de R$ 35.664.118,39. Aposta única da Mega-Sena custa R$ 5 e apostas podem ser feitas até as 19h do dia do sorteio
Marcelo Brandt/G1
O sorteio do concurso 2.735 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (11), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertarem as seis dezenas é de R$ 35.664.118,39.
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Veja os números sorteados: 47 – 53 – 59 – 46 – 05 – 33
A Caixa Econômica Federal ainda não divulgou o rateio do sorteio.
Entenda como funciona a Mega-Sena e qual a probabilidade de ganhar o prêmio
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal – acessível por celular, computador ou outros dispositivos.
É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para a aposta simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 5, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 15 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 22.522,50, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 10.003, ainda segundo a Caixa.

Azeite de oliva está quase 50% mais caro do que no ano passado, e não deve baratear tão cedo

Arroz: entenda a polêmica que causou anulação do leilão de importação e demissão no governo
Altas temperaturas e seca na Europa, onde estão os maiores produtores de oliveiras, fazem árvores produzir menos azeitonas, que são matéria-prima do produto. Azeite de oliva é ideal para pratos frios e também para ser consumido cru, em pães e pastas, mas também pode ser aquecido.
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O calor e a seca que atingem a Europa continuam afetando o preço do azeite no Brasil, que encareceu quase 50% nos últimos 12 meses até maio, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os principais países que cultivam azeitonas, matéria-prima para o azeite, estão na Europa. O ranking é liderado pela Espanha, responsável por 42% da produção mundial, seguida pela Itália (9,7%) e Grécia (8,2%), aponta o Conselho Oleícola Internacional (COI). Além disso, o azeite é fundamental para a economia de Portugal.
No caso da Espanha, já é a 4° quebra de safra consecutiva das oliveiras.

O Brasil importa a maior parte do azeite que consome. O principal fornecedor é Portugal, que envia 53% de gorduras e óleos vegetas ao Brasil, aponta o Comex Stat, sistema do governo para extração das estatísticas do comércio exterior brasileiro. O levantamento não separa o azeite dos demais óleos.
O segundo maior fornecedor para o Brasil é a Espanha (15%), seguida do Paraguai (9,7%), da Argentina (7,1%), da Itália (5,3%) e do Chile (5%).
Entre 2022 e 2023, a produção de azeite caiu 20% na Europa. Mas o continente não é o único que vem tendo dificuldade, a fabricação mundial caiu em torno de 8% entre 2021 e 2022, aponta dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq – USP).
Com este cenário, o Brasil diminuiu as importações, que já caíram 32% entre outubro de 2023 e março de 2024, segundo o COI.
Calor e seca
Em 2023, as temperaturas na Europa ficaram acima da média em 11 meses do ano, incluindo o setembro mais quente já registrado, aponta relatório do Estado do Clima na Europa, divulgado pelo Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus e pela Organização Meteorológica Mundial, da Organização das Nações Unidas (ONU).
As oliveiras têm origem no Mediterrâneo, por isso são resistentes ao calor, mesmo assim, para gerarem frutos, precisam de temperaturas entre 35°C e 25°C, aponta a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
No ano passado, por exemplo, as temperaturas europeias ultrapassaram 40°C. Com isso, houveram relatos de que as folhas da árvore chegaram a queimar e até mesmo casos de incêndios, que diminuíram a área plantada.
O período de floração é o mais sensível para o desenvolvimento das azeitonas, de onde o azeite é extraído.
Em algumas regiões produtoras, as oliveiras, que normalmente desenvolve 80 kg de azeitona por árvore, estão gerando apenas 25 kg.
Sem perspectiva
Além da baixa de frutos das árvores, algumas oliveiras chegaram a morrer por causa do calor e da seca, aponta o professor Carlos Eduardo de Freitas Vian, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Esalq-USP.
Sem frutos e com o consumo se mantendo alto, os preços não devem baixar.
Na Espanha, por exemplo, o valor ao produtor, apenas entre 13 e 19 de maio, estava 7,85 euros por kg, um aumento de 32,7% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Já na Itália, o crescimento foi ainda maior: no mesmo período, o azeite extravirgem estava 9,65 euros por kg, um aumento de 52,4% comparado ao mesmo período da última safra.
Para Vian, não há perspectiva deste cenário melhorar. Isso porque a oliveira é uma cultura perene, o que significa que uma mesma árvore dá frutos por vários anos durante um mesmo período.
No caso da azeitona, ela é colhida apenas por três meses ao ano, para o fornecimento de azeite pelos 12 meses.
Dependendo da variedade, uma oliveira recém-plantada pode levar 3 anos para dar frutos. Além disso, para abaixar os preços, seriam necessárias mais de uma safra para repor os estoques.
Para Vian, a única perspectiva de uma estabilização dos preços é se o consumo começar a cair, com a troca do azeite de oliva por outros produtos. Ainda assim, o reflexo demoraria para aparecer nas gôndolas dos supermercados.
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Arroz: entenda a polêmica que causou anulação do leilão de importação e demissão no governo

Arroz: entenda a polêmica que causou anulação do leilão de importação e demissão no governo
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disse que há indícios de incapacidade técnica e financeira de algumas empresas vencedoras. Arroz
Reprodução/Freepik
O leilão de importação de 263 mil toneladas de arroz foi anulado pelo governo federal nesta quinta-feira (11) após indícios de incapacidade técnica e financeira de algumas empresas vencedoras. O governo pretende fazer um novo leilão.
O evento também tem sido criticado por ter tido a participação de um ex-assessor parlamentar do secretário de Política Agrícola, Neri Geller, que acabou pedindo demissão para evitar uma escalada do caso. Oposição e associações de produtores alegam que houve favorecimento. O ex-assessor nega.
Em relação à capacidade técnica das vencedoras, o que se tem apontado é que três das quatro vencedoras não são do ramo de arroz ou de importação, o que, segundo analistas de mercado, poderia gerar problemas na operação. Essas empresas receberiam recursos do governo para importar e entregariam o produto em unidades da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Por outro lado, nenhuma companhia tradicional do participou do leilão, segundo uma das bolsas que operou a negociação (veja detalhes abaixo).
O arroz seria vendido em pacotes de 5 quilos por um preço tabelado de R$ 20 e teria o rótulo do governo. Nos supermercados de SP, o pacote de 5 quilos tem sido vendido, em média, por R$ 30.
O governo decidiu importar arroz poucos dias depois do início das enchentes no Rio Grande do Sul para evitar alta nos preços do alimento, diante da dificuldade pela qual o estado passava para transportar o grão para o restante do país.
A decisão contrariou os produtores, que têm afirmado que há arroz suficiente para abastecer o Brasil. O RS é responsável por 70% da produção nacional do grão, mas já havia colhido 80% do cereal antes das inundações.
Entenda a seguir as duas principais polêmicas do leilão que envolvem:
as empresas vencedoras
a demissão de Neri Geller
Sobre as empresas vencedoras…
Três das quatro empresas que venceram o leilão não são do ramo de arroz e de importação grãos. Essas são a Icefruit, uma fábrica de polpas de frutas de SP; a Wisley A de Souza Ltda, uma loja de queijos de Macapá (AP); e a ASR Locação de Veículos e Máquinas, de Brasília;
Todas, no entanto, têm como atividade secundária o comércio de produtos alimentícios;
Por outro lado, nenhuma empresa tradicional participou do leilão, disse o dono da Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) Robson Luiz de Almeida França;
Em relação às empresas vencedoras, uma das principais polêmicas envolve a loja de queijos, que arrematou R$ 736 milhões no leilão, e que alterou, no site da Receita Federal, o seu capital social de R$ 80 mil para R$ 5 milhões dias antes do evento;
"O aumento da Wisley A de Sousa Ltda foi feito em função de seu plano de expansão", disse a empresa ao g1. A reportagem questionou qual seria esse plano de expansão. A companhia não respondeu a esta última pergunta;
A Wisley disse ainda que tem "mais de 17 anos de experiência no comércio atacadista, na armazenagem e na distribuição de produtos alimentícios" e que teve um faturamento de mais de R$ 60 milhões em 2023;
O g1 também procurou o dono da locadora de veículos ASR, Crispiniano Espindola Wanderley, que reforçou que a empresa também atua no comércio de alimentos e que quer aumentar a sua participação em leilões públicos;
"Temos experiência em participar de leilões do governo federal através da bolsa, fomos ganhadores do leilão realizado pela Conab em dezembro do ano passado", disse Wanderley. Na ocasião, eles entregaram 211 mil sacas de milho para a Bahia;
"As pequenas empresas que ganharam o leilão foram surpreendidas. A gente não acreditava que iria ganhar. Eu acredito que houve um boicote do agronegócio porque as grandes empresas de importação do setor não participaram do leilão", ressaltou Wanderley;
O g1 procurou grandes empresas que atuam no mercado de grãos, como a Camil, a Josapar, Bunge, ADM, Cargill e a Dreyfus para saber se essas companhias importam arroz e se cogitaram em participar do leilão. A Cargill e a Bunge disseram que não comercializam arroz. Já as demais companhias não responderam até a última atualização desta reportagem;
A reportagem também busca contato com a IceFruit por e-mail e telefone desde segunda-feira, sem sucesso;
Uma outra empresa que venceu o leilão foi a Zafira Trading, que é mais conhecida no mercado. A companhia também não respondeu a um pedido de entrevista do g1;
Na avaliação de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, a participação de empresas desconhecidas numa operação de importação em grandes volumes poderia gerar problemas. Segundo ele, elas teriam lucro se conseguissem comprar arroz de outros países a um preço mais barato do que o da venda ao governo. "Só que não conheciam o mercado e isso era praticamente impossível", disse;
A Wisley e a ASR disseram que têm capacidade financeira de realizar a operação.
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Sobre a relação de Neri Geller…
Outra polêmica do leilão envolve o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, que pediu demissão nesta quinta-feira;
Seu ex-assessor parlamentar, o advogado Robson Luiz de Almeida França, é dono da Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e da Foco Corretora de Grãos, que intermediaram a venda de 44% de arroz no leilão;
Ele também é sócio de Marcello Geller, filho do secretário, em outras empresas;
Por causa dessa ligação, oposição e associações de produtores apontam que houve favorecimento da empresa de França;
Em entrevista ao g1, o advogado disse que trabalhou com o Neri até meados de 2020 e que "de lá para a frente" foi tocar outros projetos. "Nesse meio tempo, surgiu a oportunidade de criar uma bolsa de mercadorias no estado do Mato Grosso. Eu sou advogado, tenho clientes na área do agronegócio e vi uma necessidade do estado de ter uma representatividade no governo federal";
"Não tem relação nenhuma a criação da bolsa de mercadoria com o período que eu trabalhei com o Neri", disse França. A bolsa de MT foi criada em 2023.
"Não tem impedimento nenhum de eu ser presidente de uma bolsa de mercadoria, de eu ser dono de uma corretora por eu ter trabalhado com um parlamentar", acrescentou.
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Idas e vindas
O governo federal tem enfrentado dificuldades para conseguir concretizar seus planos de importar arroz.
Desde que anunciou essa medida, a União teve um leilão suspenso, no dia 21 de maio, e derrubou oito liminares para conseguir realizar o segundo, no último dia 6, que acabou sendo anulado.
Presidente da Conab anuncia anulação de leilão do arroz