‘Legado importante’, ‘mestra’, ‘grande pensadora’: veja a repercussão sobre a morte de Maria da Conceição Tavares

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Economista e escritora anos morreu neste sábado (8), aos 94 anos. Morre a economista Maria da Conceição Tavares
Morreu neste sábado (8), aos 94 anos, a economista e escritora Maria da Conceição Tavares.Nascida em Aveiro, em Portugal, ela se naturalizou brasileira e dedicou-se a pensar a economia do Brasil.
Defensora do desenvolvimento com justiça social: quem foi Maria da Conceição Tavares
Políticos, economistas e ex-alunos usaram as redes sociais para lamentar sua morte. Veja a repercussão abaixo:
Lula (PT), presidente da República
"Maria da Conceição de Almeida Tavares foi professora, deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores, economista e matemática, uma das maiores da nossa história. Nascida em Portugal, adotou o Brasil e nosso povo com o seu coração e paixão pelo debate público e pelas causas populares. Foi uma economista que nunca esqueceu a política e a defesa de um desenvolvimento econômico com justiça social. Formou gerações de economistas na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Trabalhou no BNDES, em projetos importantes para a industrialização do nosso país e com a CEPAL em defesa do desenvolvimento da América Latina. Escreveu centenas de artigos e muitos livros. Até hoje suas aulas são consultadas pelos jovens em vídeos na internet, pela sua fala sempre franca e direta. Tive o prazer e a honra de conviver e conversar muito com minha amiga ao longo dos anos, debatendo o Brasil e os nossos desafios sociais e econômicos no Instituto Cidadania, em conversas no Rio de Janeiro ou em viagens pelo Brasil. Nesse momento de despedida, meus sentimentos aos familiares, em especial aos filhos, aos muitos amigos, alunos e admiradores de Maria da Conceição Tavares."
O presidente Lula e a economista Maria da Conceição Tavares.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
Marcio Pochmann, presidente do IBGE
"A mestre do desenvolvimento com justiça social que jamais desistiu do Brasil. A professora Maria da Conceição Tavares deixa uma trajetória exemplar de educadora engajada no que de melhor o pensamento crítico gerou no Brasil. Intelectual comprometida com a transformação nacional ousou diuturnamente enfrentar a ditadura civil-militar, constituindo parte integrante do movimento da democratização do país. Apoiou o programa esperança e mudança do PMDB nos anos de 1980 e, posteriormente, contribuiu nos programas econômicos e nos governos do PT.
Foi uma das bases fundamentais da produção teórica-analítica e do ensino formativo de muitos alunos e orientandos, consolidando o pensamento desenvolvimentista latino-americano ancorado na UFRJ e Unicamp. No parlamento, exerceu, com entusiasmo, a representação popular, enfrentando o neoliberalismo de forma corajosa e inteligente."
Silvio Almeida, ministro dos Direitos Humanos e Cidadania
"Hoje o Brasil se despede de Maria da Conceição Tavares. Suas lições permanecem fundamentais para a construção de um Brasil que saiba cuidar do seu povo. Obrigado, professora."
Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras
“A quem quiser entender o tamanho da economista que a Humanidade perdeu hoje, sugiro assistir esta cinebiografia (de José Mariani) sobre A MESTRA Maria da Conceição Tavares! Que tenhamos competência para difundir seus ensinamentos! Obrigado, Professora!”, disse o ex-presidente da Petrobras"
Eduardo Suplicy (PT), deputado estadual em São Paulo
“O Brasil perdeu hoje uma mulher extraordinária. Maria da Conceição Tavares morreu, aos 94 anos, deixando um legado importante para o pensamento econômico brasileiro. Ela tornou-se célebre não só pelo vigor de seu pensamento, mas também pela paixão com que defendeu seus pontos de vista, sempre procurando identificar os interesses da grande maioria da população. Recomendo às novas gerações que conheçam seu trabalho. Meus sentimentos aos familiares e amigos.”
Ivan Valente (PSOL-SP), deputado federal
"Lamentamos a morte da economista, matemática, professora e militante socialista Maria da Conceição Tavares. Trabalhou no plano de metas de Juscelino Kubitschek, lutou contra a ditadura, foi deputada e dirigente do PT. Gratidão por uma vida de lutas. MARIA DA CONCEIÇÃO, PRESENTE!"
Instituto Lula
"Perdemos hoje Maria da Conceição Tavares, economista brilhante e uma grande pensadora dos problemas sociais do Brasil. Seu legado de luta contra a desigualdade e por justiça social jamais morrerá! Obrigado por tanto, professora! 🌹"
Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), senador líder do governo
"Recebi com profunda tristeza a notícia do falecimento da nossa Maria da Conceição Tavares. Nossa querida professora nos deixa um vasto legado sobre pensamento crítico em economia, justiça social, luta contra a desigualdade e, sobretudo, de muita coragem na defesa dos mais vulneráveis. Daqui, seguimos honrando seu maior ensinamento: o de sempre acreditar em um Brasil mais justo e igualitário. Descanse em paz, professora."
Humberto Costa (PT-PE), senador
"Foi com tristeza que soube da morte da professora Maria da Conceição Tavares, que tem uma trajetória acadêmica que nos ajuda a construir e pensar na sociedade e na economia brasileira. Seu legado é gigante. Meus sentimentos a familiares e amigos."
Erika Hilton (PSOL-SP), deputada federal
"Hoje perdemos Maria da Conceição Tavares, aos 94 anos. A economista e ex Deputada Federal pelo PT se destacou por suas contribuições ao pensamento desenvolvimentista e por seu papel na formação de várias gerações de economistas brasileiros, deixou um legado imensurável.
Minha solidariedade aos familiares, amigos e milhares de pessoas que se inspiram e bebem de sua eterna fonte de conhecimento crítico e militância de esquerda."
Emicida, cantor
"Professora Maria da Conceição Tavares. Obrigado, que a terra lhe seja leve🖤"

Quem foi a economista e escritora Maria da Conceição Tavares

Divisão de fortuna: herdeira aguarda decisão de 50 pessoas para distribuir 25 milhões de euros
Portuguesa naturalizada brasileira, Tavares se dedicou a pensar a economia do Brasil. Professora formou gerações de economistas no Brasil. Morre a economista Maria da Conceição Tavares
Uma das mais importantes economistas do Brasil, Maria da Conceição Tavares morreu aos 94 anos, neste sábado (8), em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro. Nascida em Aveiro, em Portugal, ela se naturalizou brasileira e dedicou-se a pensar a economia do Brasil.
Maria da Conceição foi deputada federal entre os anos de 1995 e 1999. Foi também professora-titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora-emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tavares formou gerações de economistas no Brasil.
A professora ficou conhecida na década de 80 como defensora fervorosa do Plano Cruzado e do combate à inflação.
Era também defensora ferrenha do desenvolvimento com justiça social. Em 1995, no primeiro ano de mandato, Tavares deu uma entrevista para a Roda Viva que repercute até hoje nas redes sociais, em que analisa a economia brasileira:
Uma economia que diz que precisa primeiro estabilizar, depois crescer, depois distribuir, é uma falácia, e tem sido uma falácia. Nem estabiliza, cresce aos solavancos e não distribui. E esta é a história da economia brasileira, desde a pós guerra
A carreira de Conceição foi marcada por passagens no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde foi homenageada em março deste ano, e pelo Grupo Executivo da Indústria Mecânica Pesada (Geimape).
A economista Maria da Conceição Tavares em entrevista ao programa Roda Viva, em 1995.
Reprodução/TV Cultura
Fuga de ditadura portuguesa
Maria da Conceição Tavares se formou em Matemática pela Universidade de Lisboa em 1953. No ano seguinte, migrou para o Brasil para escapar da ditadura portuguesa de Salazar.
No Brasil, cursou Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde se graduou em 1960.
Segundo a Universidade de São Paulo, o ensaio “Auge e declínio do processo de substituição de importações”, de 1972, foi um "marco no estudo do processo de industrialização do Brasil e tornou-se clássico na literatura especializada".
No Brasil, enfrentou mais uma vez a ditadura, desta vez a brasileira. A militância em defesa da democracia a levou ao exílio no Chile.
Vida política
Quando retornou ao país, militou no Movimento Democrático Brasileiro, antecessor do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), mas foi pelo Partido dos Trabalhadores (PT) que se elegeu deputada federal em 1994.
Após o fim do mandato, em 1999, se tornou consultora para assuntos econômicos do partido.
Em 2011, a então presidente Dilma Rousseff (PT) entregou o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia a Maria da Conceição, a mais alta condecoração na área. A ex-presidente havia sido aluna de mestrado da economista na Unicamp na década de 80.
A presidente Dilma Rousseff entregou nesta quinta-feira (17) o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011 para a professora de economia, escritora e consultora portuguesa Maria da Conceição de Almeida Tavares, que é naturalizada bra
Roberto Stuckert Filho / Presidência
Nos últimos anos, a economista viralizou nas redes sociais com trechos de entrevistas e aulas.
Um dos trechos compartilhado por milhares de pessoas é uma análise sobre o crescimento da economia sem preocupação social:
"A economia que não se preocupa com justiça social é uma economia que condena os povos. É isso que está ocorrendo no mundo inteiro, uma brutal concentração de renda entre riqueza, o desemprego e a miséria", disse a economista.
A economista Maria da Conceição Tavares, em foto de 2016
Fernando Frazão/Agência Brasil
Confira suas obras publicadas:
Da substituição de importações ao capitalismo financeiro: ensaios sobre economia brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
A economia política da crise: problemas e impasses da política econômica brasileira. Rio de Janeiro: Vozes, 1984.
Uma reflexão sobre a natureza da inflação contemporânea. Rio de Janeiro: Instituto de Economia Política, 1984.
O grande salto para o caos: o Plano Cruzado em posfácio. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.
Problemas de industrialización avanzada en capitalismos tardios y periféricos. Rio de Janeiro: Instituto de Economia Industrial, 1986.
Japão: um caso exemplar de capitalismo organizado. Brasília: IPEA, 1991.
(Des)Ajuste global e modernização conservadora. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.
As políticas de ajuste no Brasil: os limites da resistência. São Paulo: IESP, 1993.
O Estado que nós queremos. Rio de Janeiro: Espaço e Tempo, 1993.
Em defesa do interesse nacional: desinformação e alienação do patrimônio público. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994.
Lições contemporâneas de uma economia popular. Rio de Janeiro: Markgraph, 1994.
Os excluídos: debate entre os autores. Petrópolis: Vozes, 1995. Coautor: Luciano Mendes de Almeida.

Maria da Conceição Tavares, economista e professora, morre aos 94 anos

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Portuguesa de Aveiro, ela se naturalizou brasileira e virou referência no pensamento desenvolvimentista. Foi professora da UFRJ e da Unicamp, deputada federal e conselheira do PT. Morre a economista Maria da Conceição Tavares
A economista Maria da Conceição Tavares morreu em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio de Janeiro, na manhã deste sábado (8). Nascida em Aveiro, Portugal, ela era brasileira naturalizada e tinha 94 anos.
Maria da Conceição foi deputada federal entre os anos de 1995 e 1999 e professora de economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade de Campinas (Unicamp).
Também foi conselheira do Partido dos Trabalhadores (PT) e ganhou prêmios como escritora.
A causa da morte não foi divulgada.
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A economista Maria da Conceição Tavares, em foto de 2016
Fernando Frazão/Agência Brasil
Amigos dela disseram ao g1 que Maria da Conceição "convivia com as vulnerabilidades da idade".
Vida e trajetória
Portuguesa de Aveiro, Tavares se naturalizou brasileira e virou referência no pensamento desenvolvimentista.
Em 1998, venceu o Prêmio Jabuti na categoria Economia por sua significativa contribuição ao pensamento econômico no Brasil.
Foi deputada entre 1995 e 1999 pelo Partido dos Trabalhadores (PT ) no Rio de Janeiro.
Era defensora ferrenha do desenvolvimento com justiça social. Em 1995, no seu primeiro ano de mandato como deputada, Tavares deu uma entrevista para a "Roda Viva" que repercute até hoje nas redes sociais.
"Uma economia que diz que precisa primeiro estabilizar, depois crescer, depois distribuir, é uma falácia, e tem sido uma falácia. Nem estabiliza, cresce aos solavancos e não distribui. E esta é a história da economia brasileira desde a pós-guerra", disse ela.
Em 2012, ganhou o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011 da então presidente Dilma Roussef.
Repercussão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte de Maria da Conceição.
"Tive o prazer e a honra de conviver e conversar muito com minha amiga ao longo dos anos, debatendo o Brasil e os nossos desafios sociais e econômicos no Instituto Cidadania, em conversas no Rio de Janeiro ou em viagens pelo Brasil."
Márcio Porchmann, presidente do IBGE, disse que Maria da Conceição "deixa uma trajetória exemplar de educadora engajada no que de melhor o pensamento crítico gerou no Brasil".
"Intelectual comprometida com a transformação nacional ousou diuturnamente enfrentar a ditadura civil-militar, constituindo parte integrante do movimento da democratização do país."

Cozinheira perde R$ 80 mil em dois meses: relatos de quem perdeu tudo com cassinos online

Divisão de fortuna: herdeira aguarda decisão de 50 pessoas para distribuir 25 milhões de euros
Autônoma começou a jogar para passar o tempo e em pouco tempo estava apostando altas quantias no 'jogo do foguete'. Advogada perdeu R$ 100 mil um ano após chegar a jogo indicado por influenciadora. Patrícia é cozinheira e diz que perdeu mais de R$ 80 mil em jogos de cassino online.
Arquivo Pessoal
"Acordava de madrugada para jogar. Ganhava, mas rapidamente a ganância me dominava e eu não parava até perder tudo".
Esse é um dos muitos relatos de quem tem enfrentado problemas com dependência em jogos no Brasil. Em uma comunidade online, quase 500 pessoas se reúnem para desabafar e buscar apoio para parar de perder dinheiro e retomar o controle de suas vidas.
💸 Duas mulheres que perderam altos valores em pouco tempo em apostas online contaram ao g1 o processo que as levou até esse caminho.
🚨 Em comum, está a vontade de alertar outras pessoas sobre os riscos da dependência.

🎰 Os jogos citados nesta reportagem são do tipo caça-níquel online, que foram autorizados no Brasil pela lei 14.790/2023, a mesma que regulamentou o funcionamento das bets – como são chamadas as plataformas de apostas esportivas. No entanto, eles são diferentes das apostas esportivas que envolvem desempenho de atletas reais.

🎰 Pela lei sancionada, menores de 18 anos não podem fazer apostas. Também é vedada a participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia, que é a compulsão por jogos de azar.

🎰 A lei autoriza que esse tipo de jogo de resultado aleatório seja ofertado exclusivamente online – ou seja, não permite a instalação de máquinas físicas para a realização desse tipo de jogo, e proíbe a veiculação de "afirmações infundadas" sobre as chances de ganhar.
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Nesta reportagem, você vai ver:
Patrícia: cozinheira que perdeu R$ 80 mil em 2 meses
Juliana*: advogada que perdeu R$ 100 mil
Relatos de jogadores
Grupo de Ajuda
Como proteger quem se vicia?

💸🚀Cozinheira perdeu R$ 80 mil em dois meses: "comparo ao crack"
Cozinheira faz alerta sobre vício em cassinos online
O relato que abriu esta reportagem é de Patrícia, cozinheira de 43 anos do interior de São Paulo. Ela disse que entrou no mundo dos jogos online de forma despretensiosa, mas o vício acabou levando todas suas economias.
"A evolução do vício é muito rápida e comparo mesmo ao crack. Eu zerei R$ 80 mil em dois meses sem perceber", disse a cozinheira.
Patrícia é casada, tem quatro filhos e um neto. Ela conta que nunca gostou de apostas por causa de um trauma familiar, já que um irmão havia perdido praticamente tudo em jogos.
Mas, sua relação com os jogos começou a mudar no final de 2020. Um dia, enquanto cuidava do neto doente, ela recebeu uma propaganda no celular de um jogo online que envolvia apostas. Por curiosidade, ala acessou o link e começou a jogar.
"Nessa época eu estava com as minhas contas em dia. Eu trabalho vendendo as minhas marmitas e o negócio ia muito bem. Além disso, eu inha uma reserva no banco", conta.
Patrícia é cozinheira e vende marmitas sob encomenda.
Arquivo Pessoal
A primeira aposta veio no jogo conhecido como crash, ou "jogo do foguete". (Entenda mais abaixo)
"Entrei para passar o tempo. O meu neto logo melhorou e voltou para a creche, mas eu, sem perceber, estava me afundando", recorda.
"Acordava de madrugada para jogar. Ganhava, mas rapidamente a ganância me dominava e eu não parava até perder tudo. Nem percebi o dinheiro saindo da conta, mas lembro que no aniversário do meu neto eu não tinha dinheiro para ajudar na festa", conta.
Desse dia em diante, a vida da Patrícia saiu dos eixos:
💸 começou a pegar empréstimo;
💸 deixou de pagar contas básicas;
💸 vendeu o celular;
💸 emprestou dinheiro com agiota.
Quando decidiu pegar R$ 5 mil emprestados com um agente financeiro informal (agiota), ao invés de pagar as contas atrasadas, a cozinheira tentou lucrar mais uma vez com os jogos online.
"Coloquei tudo no jogo porque, na minha cabeça, eu tinha o controle e poderia fazer R$ 100 por dia e sair desse buraco. Perdi os R$ 5 mil em minutos", recorda.
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💥 'Minha conta explodiu como um foguete'
Imagem ilustrativa mostra mulher acompanhando rede social em telefone celular.
g1
Patrícia conta que o jogo que a viciou é conhecido como "jogo do foguete", mas que também tem em outras versões, como "jogo do aviãozinho", disponíveis em várias plataformas.
Nele, o usuário aposta na decolagem de uma aeronave e é preciso finalizar o lance antes que ela exploda. Quanto mais alto o foguete for, mais o apostador ganha. No entanto, se ele cair antes, todo o dinheiro é perdido.
"Foi nesse jogo que eu mais perdi dinheiro. Minha conta bancária que explodiu como um foguete depois disso. Depois desse jogo, passei a apostar também nos slots, que são os caça-níqueis", relata.
Cerca de um ano após a primeira aposta, o vício da Patrícia foi revelado para a família da pior maneira possível.
"Meu marido vendeu o carro e colocou R$ 10 mil na minha conta, porque não gostava de mexer com banco. [ele] Falou para deixar guardado para dar entrada em outro carro.
No entanto, Patrícia torrou o dinheiro em novas apostas. "Em menos de um mês ele veio falar comigo e precisei contar a verdade. Foi horrível", conta.
Foi após essa conversa que a situação de sua saúde mental se agravou, com um quadro de ansiedade e depressão.
Em 2022 e 2023, Patrícia viveu altos e baixos. No meio do ano passado a situação parecia estar melhorando e, com a venda de marmitas, ela começou a quitar dívidas. Mas, veio a recaída, que é algo com que luta até hoje.
❌ Entre as tentativas de se livrar do vício, está a instalação de um aplicativo que bloqueia os jogos. No entanto, nas crises de abstinência, Patrícia volta a permitir o acesso.
"Hoje eu vendo o almoço para comprar a janta e não tenho condições para pagar uma ajuda profissional. E a ajuda gratuita é demorada. A ajuda tem que ser emergencial, não pode ser uma consulta por semana. Acho que para vencer o essencial é a família, que tem que tirar o celular e o cartão", conta.
Recentemente, a cozinheira conheceu o grupo Jogadores Anônimos em mais uma tentativa de se livrar do vício dos jogos online. A instituição nasceu nos EUA nos anos 1950, quando os jogos eram outros, mas as histórias eram parecidas. (Saiba mais sobre o grupo abaixo).
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💸🐯 Perdi R$ 100 mil em um ano
Em outro grupo de ajuda online, encontramos Juliana*, uma advogada do Paraná que decidiu falar sob a condição de anonimato. Ela conta que viu a vida mudar em pouco mais de um ano por causa de um simples jogo online que acessou em um momento de relaxamento.
“Eu sempre vi os outros falando de jogos e apareceu uma influenciadora dizendo que estavam dando um bom ganho e que daria para tirar uma renda. Eu fiquei dias pensando naquilo e os anúncios foram aumentando, até que eu entrei", recorda.
Jogo caça-níquel Fortune Tiger, conhecido como jogo do tigrinho
Matheus Moreira
O primeiro contato com jogos de aposta online foi com o chamado “jogo do tigrinho”, também disponível em várias plataformas. Ela conta que apostou R$ 30 e perdeu, mas na segunda tentativa apostou R$ 50 e acabou tendo o primeiro lucro. O dinheiro, no entanto, logo começou a ir embora nas apostas seguintes.
"Eu comecei com R$ 30 e acabei perdendo R$ 100 mil com esses joguinhos online", conta ela. As idas e vindas envolveram empréstimos bancários e dívidas com familiares.
"Ganhei um pouco, mas perdi o valor depois. Pensei em recuperar e comecei a apostar R$ 100, depois parti para R$ 500 e foi indo”, disse Juliana.
As apostas foram migrando para outros tipos de jogos com dinâmicas semelhantes, mas com nomes diferentes, como o jogo do coelho, do ratinho e do touro.
As coisas começaram a sair do controle quando ela e o marido planejaram a festa de aniversário da filha. Ele tinha dado R$ 1 mil para Juliana, que seria a parte dele nos gastos, mas ela acabou gastando tudo nas apostas.
Para tentar recuperar esse dinheiro, a advogada se endividou.
“Eu tinha um limite de R$ 20 mil no banco e acabei pegando R$ 5 mil. Mas eu joguei e perdi esse dinheiro todo em um dia, tentando recuperar o dinheiro que o meu marido me deu”, contou.
Após esse episódio, Juliana foi ao banco e conseguiu liberar R$ 30 mil em empréstimo e a tentação do jogo a pegou mais uma vez. Foi quando a bola de neve das dívidas saiu do controle para ela.
Sempre na tentativa de pagar a dívida anterior, a advogada acumulava emrpéstimos e apostava mais e mais dinheiro.
Além do banco, ela acabou pegando dinheiro emprestado com familiares. Quando o salário caía na conta, a média para o valor ir todo embora era de apenas cinco horas.
"Teve um dia que perdi todo o meu salário e o meu marido me viu no banheiro chorando. Ele decidiu me ajudar, emprestando dinheiro. Eu quitei todas as dívidas, mas ao invés de devolver como combinado, acabei jogando tudo novamente".
Assim, a emoção das rodadas ganhas e a frustração do dinheiro perdido tomaram conta da advogada, que agora passava o dia jogando e via a vida familiar e profissional sendo prejudicada.
“Eu não conseguia focar em nada. A minha casa estava de ponta cabeça, não dava atenção para o meu trabalho. Foi quando eu comecei a cair na real e a procurar grupos de ajuda, com pessoas que passam pelo mesmo problema que eu. Poucas pessoas da minha família sabem”, revela.
No início deste ano, Juliana conseguiu parar de jogar, e nesta quarta-feira (5), ela comemorou quatro meses longe das apostas online.
“Estou focando novamente, tentando trabalhar. Estou voltando, pagando as minhas dívidas aos poucos e não pretendo voltar a jogar nunca mais, mas é uma luta muito grande”, conclui.
Contas de 'jogo do tigrinho' inundam Instagram
Jogadores Anônimos
Cláudio* faz parte dos Jogadores Anônimos há 11 anos e está sem jogar há dez . Ele conta que o trabalho do grupo é manter uma porta aberta para acolher quem precisa de ajuda, seja de maneira presencial ou virtual.
“A gente acolhe aquele jogador que está sofrendo lá fora, com qualquer tipo de aposta, seja na bolsa de valores, jogo do aviãozinho, de tigrinho, qualquer tipo de aposta”, diz.
🎲 Ludopatia, ou vício em jogos de azar, é classificada pelos CID-10-Z72.6 (mania de jogo e apostas) e CID-10-F63.0 (jogo patológico).
A Irmandade de Jogadores Anônimos surgiu nos Estados Unidos em 1957 e teve a primeira reunião no Brasil em março de 1993. Segundo Claudio, o grupo tem crescido muito nos últimos anos, com a chegada de muito mais jovens do que antigamente.
"A maioria das pessoas que chega está com esse problema relacionado às apostas online. Considero que essa febre online é o novo crack da sociedade brasileira e o bônus que oferecem para continuarem jogando é uma verdadeira armadilha para amarrar a pessoa dentro do jogo", conta.
Imagem ilustrativa de jogos de aposta online.
Fábio Santos/g1
“Quando atravessa a linha da compulsão, quando uma pessoa perde seu salário em apenas uma hora de jogo, essa pessoa precisa de ajuda… O jogo sempre vai existir, eu é que não posso voltar. Eu não posso mais me castigar dentro do jogo”, fala Cláudio.
A chave para se manter longe das apostas, segundo ele, é tentar controlar os atos. “Não controlo os meus pensamentos. Posso até pensar na primeira aposta, mas eu penso mais no dia de hoje”, diz.
“Hoje eu sou uma pessoa útil à sociedade, sou uma pessoa dentro da minha família, dentro da minha empresa”, completa.
Proteção aos jogadores
A lei sancionada pelo governo federal no fim de 2023 sobre apostas onlines veda a participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia. O g1 procurou a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) para entender como as plataformas protegem pessoas viciadas de retornarem aos jogos.
Segundo o diretor de comunicação da ANJL, Leonardo Benites , a ludopatia é um vício que tem picos seguidos de processos de arrependimento, que gera a sensação de recuperar o que se perdeu, formando um ciclo vicioso.
Para proteger quem passa por essas crises, o setor utiliza uma ferramenta que possilita a exclusão parmanente das plataformas.
"Todos os operadores sérios têm um processo de autoexclusão. Ou seja, no momento do arrependimento o cliente pode logar na plataforma e se autoexcluir e, com isso, não importa o que ele faça, não será aceito novamente. Isso já consegue inibir os picos de mania no momento que ele tem o pico da ludoparia", completa.
Além disso, diz Benites, as plataformas utilizam ferramentas individualizadas para evitar excessos. "Algumas usam gatilhos quando têm grandes perdas. Elas limitam a quantidade de depósitos para conta que tem perdido muito. São limites graduais, então para o jogador poder depositar uma grande quantidade de dinheiro, ele precisa de um tempo", fala.
Ele explica que, por ainda não haver licença estabelecida, há uma variação de ferramentas nas plataformas, mas uma portaria divulgada pelo governo em outubro do ano passado estabelece algumas regras, como a autoexclusão, limitação de tempo, limitação de perdas e período de pausa.
🎯 A Associação Nacional de Jogos e Loterias reúne as empresas GaleraBet/PlayTech, Big Brasil, F12, PagBet, BetNacional, Mr. Jack, Parimatch, BetFast, Aposta Ganha, Liderança Capitalização, ZRO Bank, Okto, Propane, PAAG, Clear Sale e BetBox tv.
Regulamentação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou no fim do ano passado a lei que regulamenta o mercado de apostas esportivas online no Brasil. A lei sancionada tributa empresas e apostadores, bem como estabelece regras para a exploração das apostas e define a distribuição dos recursos arrecadados pelo governo com a atividade.
Para uma empresa de apostas online atuar no país, terá de pagar R$ 30 milhões para obter a licença de operação. Somente podem explorar as apostas esportivas as empresas constituídas segundo a legislação brasileira, com sede e administração no território nacional.
Procurado pelo g1, o Ministério da Fazenda, responsável pela Secretaria de Prêmios e Apostas, não retornou sobre como é feita a fiscalização para impedir que pessoas diagnosticadas com ludopatia possam jogar online.
*Juliana e Cláudio são nomes fictícios. Os entrevistados pediram para não serem identificados.

Divisão de fortuna: herdeira aguarda decisão de 50 pessoas para distribuir 25 milhões de euros

Divisão de fortuna: herdeira aguarda decisão de 50 pessoas para distribuir 25 milhões de euros
A austríaca Marlene Engelhorn, herdeira de um império químico e farmacêutico, selecionou cidadãos aleatórios para definirem qual a melhor forma de distribuir seu dinheiro — com foco em impacto social. Decisão final sobre partilha está prevista para este fim de semana, segundo o jornal La Nación. Marlene Engelhorn faz parte de grupo de herdeiros que defende mais impostos para suas fortunas
Reprodução: Twitter
A bilionária austríaca Marlene Engelhorn, herdeira de um império químico e farmacêutico, está perto de saber qual será o destino de 25 milhões de euros que compõem sua fortuna.
Segundo o jornal La Nación, ocorre neste fim de semana a última reunião do chamado "Bom Conselho". O grupo, composto por 50 pessoas selecionadas aleatoriamente, é o responsável por definir como essa parcela da riqueza de Marlene será distribuída — com foco em impacto social.
Marlene, que tem 32 anos, iniciou em janeiro deste ano a seleção de cidadãos para ajudar no processo de doação. As reuniões do grupo começaram em março. São, no total, seis finais de semana de encontros, todos em Salzburgo, na Áustria.
Ao justificar sua decisão de distribuir a fortuna, a herdeira da multinacional BASF afirmou diversas vezes que "não fez nada" para ganhar o dinheiro e que obtê-lo significa ter tido sorte — o que chama de "loteria de nascimento".
"Herdei uma fortuna e, portanto, poder, sem ter feito nada para isso", disse. "E o Estado nem quer impostos sobre isso", afirmou a bilionária, que faz parte de um grupo de herdeiros que defendem a cobrança de impostos para os mais ricos.
Marlene é descendente de Friedrich Engelhorn, que fundou a BASF, em 1865. Ela herdou 4,2 bilhões de euros quando sua avó, Traudl Engelhorn-Vechiatto, morreu, em setembro de 2022.
Antes mesmo de receber a herança, a jovem bilionária já tinha sido destaque na imprensa internacional ao anunciar que pretendia doar grande parte de sua fortuna.
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Segundo a organização do projeto, o "Bom Conselho" tem a tarefa de "abordar a distribuição da riqueza na Áustria". Nesse caso, os 25 milhões de euros de Marlene estão à disposição para implementar "ideias concretas".
"Para liderar este debate e tomar decisões, especialistas científicos e de campo também são convidados a compartilhar os seus conhecimentos", diz o projeto.
Durante o processo de seleção dos membros do conselho, foram enviados convites a 10 mil endereços aleatórios da Áustria. Outros interessados também puderam fazer inscrições online.
A partir das respostas, foram usados métodos estatísticos para identificar as 50 pessoas "que melhor refletissem a composição da população austríaca". Para a escolha final, foram considerados pontos como idade, origem, escolaridade e local de residência — sendo restrito a moradores da Áustria.
Os selecionados não participam de graça: todos recebem 1,2 mil euros por fim de semana de encontro. Os custos de viagens, refeições, estadia e outras despesas também são cobertos.
Pelas normas da organização, a decisão final sobre como os recursos serão distribuídos deverá contar com amplo apoio. Caso não seja alcançado nenhum resultado que tenha o aval da maioria, o dinheiro será devolvido a Marlene Engelhorn.
A destinação dos recursos deve seguir as seguintes regras:
o dinheiro não pode ir para grupos ou indivíduos nem para atividades inconstitucionais, hostis ou desumanas;
não pode ir para organizações que operam com fins lucrativos;
e o conselho deve seguir sempre o propósito de redistribuição.
Ainda segundo o projeto, é permitido que seja criada uma estrutura temporária, como uma ONG, para redistribuir os recursos, desde que a ideia e o propósito do conselho sejam respeitados.
Uma vez aprovada pelo conselho, a destinação dos recursos não poderá ser vetada por Marlene Engelhorn.
Por fim, a organização do projeto afirma que se compromete a publicar todos os resultados, incluindo como será a distribuição e o que acontecerá com os 25 milhões de euros.
"Haverá um protocolo escrito, que também será acessível ao público, incluindo o orçamento", conclui.
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