PIB: Brasil fica atrás de Turquia e Índia, mas cresce mais do que EUA e Europa

Com enchentes no RS, Ministério da Fazenda prevê desaceleração do ritmo de alta do PIB no 2º trimestre
Números do IBGE mostram que país cresceu mais rápido que EUA e europeus, mas está atrás de alguns emergentes. Inflação não está caindo no Brasil e no mundo no ritmo desejado por economistas
Getty Images via BBC
A economia do Brasil cresceu 0,8% nos primeiros três meses de 2024, na comparação com os últimos meses de 2023, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4/6) pelo IBGE.
Os setores que contribuíram para o crescimento da economia foram serviços (alta de 1,4%) e agropecuária (alta de 11,3%). Ao longo do último ano, o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 2,5%.
Os números do IBGE mostram que a economia brasileira está crescendo ligeiramente mais devagar do que no final de 2023, quando havia crescido 2,9%.
Mas o PIB ainda está em um ritmo acima das previsões para o final deste ano — que é em torno de 2%.
Economistas esperam que no próximo trimestre (abril, maio e junho) a economia brasileira sinta os efeitos das graves enchentes no Rio Grande do Sul.
O índice de 0,8% confirma as previsões de lenta retomada da economia brasileira — e o coloca em linha com diversas economias internacionais.
Em comparação com os demais países do G20 (as 20 maiores economias do planeta), o Brasil teve crescimento superior ao dos países europeus e dos Estados Unidos, mas segue atrás de emergentes como Turquia, China e Índia.
A economia mundial está vivendo um momento de crescimentos desiguais, segundo analistas e entidades internacionais — com alguns países se recuperando mais rapidamente do que outros dos choques econômicos desta década.
Depois dos anos da pandemia de covid e o choque inflacionário que se seguiu a ela (dois fenômenos que foram sentidos em praticamente todos os lugares do planeta), os países estão agora em diferentes momentos da sua trajetória de recuperação.
Os números indicam que o Brasil ainda vive um momento de recuperação — mas com previsões de crescimento mais modestas do que as realizadas nos últimos anos.
Em 2020, o PIB brasileiro contraiu 3,3%, e nos anos seguintes houve recuperação em todos os anos: 5% (2021), 3% (2022) e 2,9% (2023).
Para este ano e para 2025, o governo, o mercado e entidades internacionais projetam uma taxa anual de crescimento em torno de 2%.
“Impulsionadas pelo crescimento robusto do emprego, pelos aumentos do salário mínimo e pela diminuição da inflação, espera-se que o consumo das famílias seja o principal motor do crescimento, especialmente em 2024”, afirma em um relatório recente a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre suas expectativas em relação ao Brasil.
Crescimento desigual: os líderes
Os três países que registraram as taxas de crescimento mais robustas este ano foram a Turquia, a China e a Índia até agora.
A economia turca cresceu 1,6% no primeiro trimestre deste ano. Mas a Turquia está ainda no meio do seu ciclo de aumento de juros, já que o país enfrenta uma das maiores taxas de inflação do mundo – de 75% por ano.
Uma das surpresas desse ano, segundo o FMI, tem sido a economia da China. Na semana passada, o Fundo revisou a previsão de crescimento para 5% — 0,4% a mais do que o projetado anteriormente.
O país vinha sofrendo desaceleração devido a uma crise no mercado imobiliário doméstico. Recentes medidas do governo contra essa crise ajudaram a reverter as expectativas dos economistas.
Outra economia com crescimento robusto é a Índia — uma tendência que já dura décadas. Com exceção dos anos da pandemia, a economia indiana registra crescimentos anuais acima de 5% há 14 anos.
O governo da Índia divulgou apenas dados anualizados (e não em comparação ao trimestre anterior) deste primeiro trimestre de 2024 que indicam um crescimento de 7,8% nos últimos 12 meses. Economistas dizem que o resultado surpreendeu positivamente e as perspectivas para o país são boas.
Analistas preveem que o crescimento econômico vai se sustentar ao longo do ano e que o primeiro-ministro, Narendra Modi, — favorito para vencer as eleições que estão tendo seus votos contados nesta semana — terá US$ 25 bilhões em superávits para gastar em investimentos governamentais.
Crescimento desigual: os demais
Uma das decepções neste primeiro trimestre do ano foi a economia dos Estados Unidos — que é considerada central para recuperação global.
O crescimento econômico veio abaixo do esperado — com taxa anualizada de 1,6%, contra expectativas de 2,4% de economistas e 4,9% no trimestre anterior.
E a inflação não está caindo no ritmo esperado, o que pode prolongar o período de juros mais altos na economia americana (leia mais sobre os EUA mais abaixo nesta reportagem).
A economia com pior desempenho entre os países do G20 é a do Japão. O país enfrentou recessão técnica no final do ano passado (dois trimestres consecutivos de crescimento negativo) e perdeu o posto de terceira maior economia do mundo para a Alemanha (os primeiros lugares são ocupados por EUA e China, respectivamente).
O baixo gasto dos consumidores tem impedido a economia japonesa de crescer. A desvalorização da moeda nacional também teve um papel importante na queda do Japão em relação à Alemanha.
Outro país com perspectivas de baixo crescimento é a Argentina, que ainda não divulgou os dados referentes ao primeiro trimestre deste ano. O país vem passando por um choque de medidas econômicas promovidas pelo novo presidente, Javier Milei, que promete cortar gastos para segurar a inflação, que é recorde no G20.
A inflação mensal argentina caiu para baixo de 9% no mês passado — após ter atingido 25% em dezembro. A OCDE prevê contração de 3,3% da economia argentina este ano, seguida por crescimento de 2,7% no ano que vem.
Na Europa, as principais economias — Alemanha, Reino Unido e França — registraram crescimento de menos de 1% este trimestre.
No Reino Unido, a principal notícia foi a queda da inflação, o que sinaliza que os juros também podem cair, dando início a uma recuperação mais forte. A inflação anualizada em abril foi de 2,4% — depois de ter atingido 11% em outubro de 2022.
A economia é um dos pontos centrais da eleição britânica, que está marcada para 4 de julho.
Já a economia alemã passou por uma revisão drástica de expectativas no começo do ano — com o governo rebaixando sua previsão de crescimento em 2024 de 1,9% para 0,3%. O ministro da Economia, Robert Hadeck, disse que a economia alemã está atravessando "águas turbulentas" e que a recuperação está sendo bem mais lenta do que o antecipado.
A Europa segue com a inflação em lento declínio, e com crescimento econômico modesto. Analistas esperam que o Banco Central Europeu vá promover na quinta-feira (6/6) o primeiro corte na taxa de juros da zona do euro desde 2019.
Quatro países ainda não divulgaram seus PIBs do primeiro trimestre de 2024: África do Sul, Austrália, Argentina e Rússia.
'Otimismo cauteloso' no mundo
Em um relatório de maio, a OCDE diz que a economia global está vivendo um momento de “otimismo cauteloso”.
“Acreditamos que o cenário macroeconômico vai seguir desalinhado [entre os países], com a inflação e as taxas de juros caindo em ritmos diferentes.”
A economia global ainda segue tentando se recuperar dos efeitos da pandemia de covid que abalou todas as estruturas econômicas no começo desta década.
Entre 2020 e 2022, diversos governos do mundo — entre eles o do Brasil — investiram recursos públicos para a criação de programas e benefícios de suporte à economia em um momento em que muitas empresas precisaram fechar suas portas por causa da doença.
Nos anos seguintes, houve dois problemas imediatos enfrentados pelos governantes. Primeiro o aumento da dívida pública dos países, por conta dos gastos realizados durante a pandemia.
Segundo, houve uma crise nas cadeias globais de produção. A pandemia provocou interrupções nas cadeias de diversos produtos — causando atrasos e encarecimento na produção de bens.
Esses dois elementos resultaram em uma disparada da inflação em diversos países do mundo. A situação foi pontualmente agravada em fevereiro de 2022 com a eclosão da guerra na Ucrânia, que causou um choque em preços de commodities e energia.
Nos Estados Unidos e na Europa, a inflação atingiu patamares inéditos em mais de 40 anos.
A resposta de quase todas as autoridades monetárias no mundo foi aumentar as taxas básicas de juros das suas economias para conter a inflação. O temor dos governos e bancos centrais é que uma inflação em alta acabaria provocando crises econômicas mais agudas, já que o poder de compra das pessoas cairia— e todos ficariam relativamente mais pobres.
O aumento das taxas de juros encarece o custo do dinheiro nas economias e serve para segurar os aumentos generalizados de preços. Diversas autoridades monetárias promoveram aumentos radicais nas suas taxas de juros em um curto período de tempo. No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central subiu os juros de 4,25% em julho de 2021 para 13,75% em agosto de 2022.
A esperança era que um “choque de juros” seguraria a inflação.
No entanto, a medida que serve para salvar a economia também tem potencial para provocar outros prejuízos. Se os juros ficam em um patamar elevado por muito tempo, há o risco de eles frearem o crescimento econômico — ou até mesmo de provocarem recessões.
Autoridades monetárias precisam sempre calcular os momentos certos para subir e depois baixar os juros.
Economistas indicam que — depois de anos sofrendo com esses desajustes citados acima provocados pela pandemia — a economia global vive em 2024 um momento delicado, em que a inflação parece estar caindo em alguns países — mas não foi completamente derrotada ainda.
Ou seja, o mundo poderia estar muito perto de uma recuperação econômica, com possibilidade de estabilidade e crescimento.
Mas a economia global ainda não chegou lá.
Uma questão central para o mundo: EUA
Este ano, o debate sobre taxas de juros no mundo está em um momento de indefinição. O ano de 2024 começou com pesquisas mostrando um certo otimismo nos mercados — tanto no Brasil como em outros países.
Nos EUA — país que é central na economia global pela força e dinamismo de seu capitalismo e pelo papel central que o dólar ocupa nas transações internacionais — o mercado saiu de uma situação de pessimismo para uma de otimismo quase exagerado, com recordes nas bolsas de valores.
Até o ano passado, muitos previam que, antes que houvesse uma recuperação plena, a economia americana entraria em recessão. Mas no começo deste ano, o humor mudou nos EUA, e a maioria dos analistas já descartava a recessão, antecipando o fim da inflação e a queda dos juros.
Até o momento, nenhum dos dois cenários — o otimista ou o pessimista — parece ter se consolidado. Economistas já não veem uma recessão americana no horizonte. Mas a queda dos juros e a recuperação plena parecem ter ficado para o ano que vem.
Os rumos da economia americana são importantes, porque a taxa de juros do país pode ter influência direta nos juros e na cotação das moedas de outros países.
Quando os juros sobem nos EUA, muitos investidores internacionais tendem a realocar seus recursos de outros países para títulos do governo americano — enfraquecendo moedas estrangeiras e provocando desequilíbrios.
O problema maior da economia dos EUA neste ano é semelhante ao do Brasil: a inflação não está caindo no ritmo desejado, mesmo depois de tanto tempo com juros mais altos. Por isso, os juros estão ainda sendo mantidos em patamares altos — eles subiram de 0,25% em março de 2022 para 5,5% em julho do ano passado e ainda não caíram.
No Brasil, também houve uma reversão de expectativas nas últimas semanas em relação a inflação e juros, com maior pessimismo.
No começo do ano, o Boletim Focus do Banco Central — que reúne projeções dos principais agentes financeiros do Brasil — indicava que o mercado acreditava que o Brasil terminaria o ano com juro básico de 9%. Hoje essa estimativa subiu para 10,25%.
A OCDE alerta para os perigos que ainda existem na recuperação global.
“Apesar de uma perspectiva de risco mais equilibrada, ainda há preocupações substanciais. As elevadas tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, poderão perturbar os mercados de energia e financeiros, provocando um aumento da inflação e uma diminuição do crescimento.”
“As expectativas de que a inflação continuará caindo de forma constante também podem se provar equivocadas.”

Enel é multada em mais de R$ 13 milhões pela Secretaria Nacional do Consumidor por falhas no fornecimento de energia em SP

Com enchentes no RS, Ministério da Fazenda prevê desaceleração do ritmo de alta do PIB no 2º trimestre
Medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (4). Enel afirma que ainda não foi notificada oficialmente. Na semana passada, diretor-presidente Max Xavier Linds renunciou ao cargo. Funcionário da Enel trabalha para restabelecer energia no Centro de SP. Algumas regiões ficaram 3 dias sem luz
Allison Sales/Fotorua/Estadão Conteúdo
A Enel Distribuidora SP, responsável pelo fornecimento de energia elétrica na capital paulista e outros 24 municípios da região metropolitana, foi multada em R$ 13.067.441,04 pela Secretaria Nacional do Consumidor, órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A penalidade foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (4) e aplicada por conta das falhas na prestação de serviço na capital e Grande SP.
"Interrupção de serviço público essencial e demora no restabelecimento. Serviço inadequado por não atender aos fins legitimamente esperados e às normas regulamentares."
Ao g1, a concessionária disse que ainda não foi notificada oficialmente.
Renúncia de diretor
Na semana passada, a empresa anunciou que diretor-presidente Max Xavier Linds renunciou ao cargo. Max estava na presidência desde novembro de 2018.
Na ocasião, a empresa afirmou que Max não será mais presidente, mas vai continuar no Grupo Enel. Guilherme Lencastre, que atuava como presidente do Conselho de Administração da companhia em São Paulo. assumiu o cargo.
Lencastre está há 26 anos no Grupo e já foi presidente da área de Geração da empresa e diretor de Redes no Brasil. Ele é formado em Engenharia de Produção-Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O presidente da Enel em São Paulo, Max Xavier Lins, em depoimento à CPI da Alesp nesta quarta-feira (29)
Divulgação/Alesp
A renúncia ocorre após uma crise envolvendo apagões registrados em São Paulo. O episódio mais recente é de março deste ano, quando moradores e comerciantes no Centro da capital ficaram mais de uma semana no escuro em razão de problemas na rede subterrânea da empresa. No período, até a Santa Casa de Misericórdia foi afetada.
Em novembro de 2023, quando a cidade sofreu com fortes temporais, moradores e comerciantes de alguns bairros ficaram mais de uma semana sem o fornecimento de luz. Na época, o então presidente Max Xavier Lins, pediu desculpas à população e disse que “sentia a dor” de quem estava mais de 100 horas sem luz.
No dia 1º de abril, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que determinou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a abertura de um processo disciplinar para investigar o que ele chama de “transgressões reiteradas” da concessionária em São Paulo.
Multas do Procon superam R$ 51 milhões
O Procon de São Paulo já multou a Enel em mais de R$ 51 milhões em cinco anos por interrupções no fornecimento de energia elétrica, cobranças indevidas e problemas na leitura do medidor de consumo mensal. É o que aponta um balanço do Procon enviado ao g1 de 2019 a de 2024.
O balanço do Procon aponta que, em cinco anos de serviço, a empresa já recebeu sete multas. A de valor mais elevado, R$ 12,9 milhões, foi aplicada na última quinta-feira (4).
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A notificação mais antiga, de junho de 2019, já entrou em dívida ativa. Outras ainda aguardam recurso (veja mais abaixo).
Procurada, a empresa informou que "a multa aplicada pelo Procon em junho de 2019, embora esteja registrada na Dívida Ativa, encontra-se temporariamente suspensa devido à contestação judicial em andamento. Quanto à sanção recentemente aplicada, em abril de 2024, a Enel foi notificada e deverá responder dentro do prazo estabelecido pelo órgão competente. A companhia ressalta que as demais multas estão em fase de recurso, seja em fase administrativa ou judicial".

Queixas
Além das multas, a concessionária também já recebeu 54.848 reclamações de consumidores por cobranças de atendimento, qualidade de serviço, contrato, informação, saúde e segurança.
Os números são de outro balanço do Procon, enviado ao g1, e foram registrados entre junho de 2021 e março de 2024.
Confira os números:
2021 (de julho a dezembro): 11.219;
2022: 19.061;
2023: 19.272;
2024 (de janeiro a março): 5.296
Copan, no Centro de SP, é atingido pelo apagão.
Reprodução/ TV Globo
Quando a Enel assumiu a gestão?
O processo de privatização da estatal Eletropaulo, anteriormente responsável pela gestão de energia elétrica de São Paulo, começou em 1995, no governo Mário Covas (PSDB), a partir do Programa Estatual de Desestatização.
Com o programa de privatização, a Eletropaulo foi desmembrada em quatro empresas: Eletropaulo Metropolitana, Empresa Bandeirante de Energia, Empresa Paulista de Transmissão e Empresa Metropolitana de Águas e Energia;
A Eletropaulo Metropolitana, então, passou a ser responsável pela distribuição de energia elétrica dos 24 municípios da Grande São Paulo, além da capital;
Em 1998, a empresa foi arrematada em leilão pelo consórcio Lightgás, com participação das empresas: AES Corporation, Electricité de France (EDF), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Reliant Energy;
Em 2001, com a venda das ações da Reliant e da CSN para a AES Corporation, a Eletropaulo passou a ser controlada apenas pela AES Corporation, companhia de origem estadunidense e uma das maiores em energia do mundo;
Em 2018, a multinacional italiana Enel comprou 73,38% das ações da Eletropaulo por R$ 5,55 bilhões em leilão realizado na B3 (bolsa de valores). Com o negócio, a concessionária passou a ser líder em distribuição de energia no Brasil. Somente em São Paulo, 7 milhões de consumidores são atendidos;
Desde novembro de 2018, a Eletropaulo passou a ser chamar Enel Distribuição São Paulo;
Atualmente, a concessionária também atende o Rio de Janeiro e o Ceará.
Rescisão do contrato
A prefeitura voltou a pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Aneel a rescisão da concessão de energia elétrica à Enel na capital paulista. A ação ocorreu após os inúmeros e frequentes problemas de falta de energia na cidade.
Ofício assinado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e encaminhado em 22 de março à Aneel, agência responsável pela fiscalização dos serviços prestados pela Enel, afirma que, “por serem, assim, tão graves as falhas ocorridas e a renitência da concessionária em admiti-las e corrigir sua conduta, o município de São Paulo, mais uma vez, busca que essa agência instaure procedimento com visitas à rescisão da concessão, única medida que se vislumbra capaz de garantir a continuidade de serviço público essencial à vida na maior cidade do país".
Especialistas, no entanto, consideram a suspensão do contrato uma medida tardia, já que a concessão tem apenas mais quatro anos de vigência e haveria dificuldades em encontrar um novo fornecedor neste prazo.
Aneel também já multou Enel
Em fevereiro, a Aneel multou a distribuidora concessionária em R$ 165,8 milhões por falhas relacionadas à demora excessiva no restabelecimento de energia elétrica ao longo dos dois últimos anos na região da Grande São Paulo.
O órgão considerou que a Enel prestou "serviço inadequado" no período, descumprindo uma cláusula do contrato de concessão e uma resolução da Aneel que estabelecem como dever da concessionária "assegurar a regularidade, continuidade, eficiência, segurança" na prestação dos serviços.
Passado mais de um mês do fim do prazo, a concessionária de energia ainda não liquidou a dívida e, de acordo com a agência, há um recurso administrativo interposto pela concessionária em fase de análise.
Desde 2018, a concessionária foi autuada nove vezes pela Aneel por problemas operacionais ou na prestação de serviços em São Paulo. Em pelo menos sete processos, a empresa foi multada. No total, a agência nacional já aplicou R$ 321 milhões em multas na concessionária paulista.
Falta de energia elétrica no centro de São Paulo

PIB do Brasil sobe 0,8% no 1° trimestre de 2024 puxado por comércio, diz IBGE

Com enchentes no RS, Ministério da Fazenda prevê desaceleração do ritmo de alta do PIB no 2º trimestre
Em valores correntes, a economia brasileira acumulou R$ 2,7 trilhões entre janeiro e março, com forte contribuição do setor de serviços. Movimento do comércio em Macapá – Amapá
Instituto Fecomercio/Divulgação
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil subiu 0,8% no primeiro trimestre de 2024, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (4). Em valores correntes, a economia brasileira acumulou R$ 2,7 trilhões entre janeiro e março.
O crescimento foi puxado, sobretudo, pelo setor se serviços, que teve uma alta de 1,4% no período. A agropecuária também cresceu, registrando variação positiva de 11,3%. A indústria, porém, apresentou leve queda de 0,1%.
Dentro do setor de serviços, o destaque do trimestre ficou com o Comércio, que avançou 3% entre janeiro e março. Além disso, os segmentos de Informação e Comunicação e Outras atividades de serviços também tiveram crescimento, de 2,1% e 1,6%, respectivamente.
PIB do Brasil cresce 0,8% no primeiro trimestre de 2024
O resultado veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.
Em relação ao primeiro trimestre de 2023, a economia brasileira cresceu 2,5%, também como uma consequência positiva do setor de serviços.
Em 2023, o PIB cresceu 2,9% e somou R$ 10,9 trilhões, em termos nominais, o que voltou a colocar o Brasil no grupo das 10 maiores economias do mundo.
Variação trimestral do PIB brasileiro no 1º trimestre de 2024
Arte/g1
PIB brasileiro em primeiros trimestres até 2024
Arte/ g1
Demanda interna em alta, setor externo em baixa
Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, "neste trimestre tivemos um crescimento da economia totalmente baseado na demanda interna".
Sobre as atividades que se destacaram na composição do PIB do primeiro trimestre, da ótica da oferta, Rebeca pontua "o comércio varejista e os serviços pessoais, ligados ao crescimento do consumo das famílias, a atividade internet e desenvolvimento de sistemas, devido ao aumento dos investimentos e os serviços profissionais, que transpassam à economia como um todo".
Além disso, pela ótica da demanda, a especialista comenta que o consumo das famílias continua crescendo, como um reflexo da melhora no mercado de trabalho brasileiro, das quedas na Selic, taxa básica de juros, da inflação mais baixa, da continuidade dos programas governamentais de auxílio às famílias, e de uma queda na inadimplência após o Desenrola, programa de renegociação de dívidas do Governo Federal.
Em contrapartida, Rebeca explica que houve uma mudança na contribuição do setor externo para o crescimento da economia nos primeiros meses do ano em relação ao que foi observado nos anos anteriores.
Rebeca destaca que, com as importações (6,5%) bem maiores que as exportações (0,2%), o setor externo está, na verdade, puxando o PIB para baixo. Isso porque, com um dólar mais barato, ficou mais fácil importar, principalmente com os investimentos em bens de capital, enquanto a demanda pelas principais commodities exportadas pelo Brasil tem sido mais baixo em nível global.
"Em 2022 e 2023, o setor externo havia contribuído positivamente, com as exportações crescendo mais do que as importações. Nesse primeiro trimestre essa contribuição virou negativa. Estamos importando muitas máquinas e equipamentos e bens intermediários e o Real se valorizou", afirma.
Já a agropecuária, apesar de ter registrado crescimento no primeiro trimestre, "não está com um desempenho favorável como em anos anteriores, afetando as exportações de 24".
De acordo com Rebeca, a razão para esse pior desempenho é um cenário ruim para a agricultura, que tem um peso de cerca de 70% em toda a agropecuária. Os eventos climáticos, com destaque para o El Niño, são os principais responsáveis pelos impactos negativos no setor.
No trimestre, a taxa de investimento no Brasil foi de 16,9% do PIB, número levemente menor que os 17,1% registrados no mesmo período do ano anterior. A taxa de poupança também caiu, de 17,5% no primeiro trimestre de 2023 para 16,2% agora.
Análise do PIB do 1º trimestre de 2024 pela ótica da oferta
Arte/ g1
Análise do PIB do 1º trimestre de 2024 pela ótica da demanda.
Arte/ g1
Contribuições em valores correntes
O PIB totalizou R$ 2,7 trilhões nos primeiros três meses de 2024, dos quais R$ 2,4 trilhões são referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$ 361,1 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios, explica o IBGE.
Deste total, a maior contribuição (mais da metade) da ótica da oferta vem do setor de serviços: R$ 1,6 trilhão. A indústria contribuiu com R$ 573,7 bilhões para o PIB do primeiro trimestre, enquanto a agropecuária somou R$ 192,2 bilhões.
Já da ótica da demanda, o consumo das famílias totalizou R$ 1,8 trilhão do PIB, enquanto o consumo do governo foi de R$ 442,8 bilhões, e Formação Bruta de Capital Fixo (FCBF) foi de R$ 458,8 bilhões.
PIB veio dentro das projeções, mas deve ter volatilidade nos próximos trimestres
Especialistas do mercado financeiro destacam que, embora o resultado do PIB tenha vindo em linha com o que era projetado, a expectativa é que, nos próximos meses, esses dados possam apresentar maior volatilidade.
"O ritmo é inegavelmente forte no começo de 2024", aponta Leonardo Costa, economista do ASA Investments.
"Para o segundo trimestre, há dois movimentos distintos em ação: os efeitos deletérios da crise do RS (ainda incipientes nos dados de alta frequência) e o ritmo ainda forte do mercado de trabalho. De todo modo, os dados do segundo e terceiro trimestres deste ano conterão mais volatilidade, com redução no curto prazo e reaceleração na segunda metade do ano", comenta Costa.

PIX responde por 39% das transações financeiras em 2023, diz Banco Central

Informação foi divulgada nesta terça-feira (4), por meio das Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil. O PIX, sistema em tempo real, concentrou 39% das transações financeiras em 2023.
Ao mesmo tempo, as operações com cartões (crédito, débito e pré-pago) tiveram uma participação de 41% no volume de transações no último ano.
As informações foram divulgadas pelo Banco Central nesta terça-feira (4), por meio das Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil.
Campinas passa a receber pagamentos de impostos municipais via PIX
"O crescimento da quantidade total de transações (excluídas aquelas em espécie) observado em 2023, em comparação ao ano anterior, se deu, principalmente, pelo uso intenso do PIX pela sociedade – crescimento de 75%", informou o BC.
Em termos financeiros, o PIX movimentou R$ 17,18 trilhões em 2023, novo recorde.
Veja outros destaques dos meios de pagamento em 2023, segundo o BC:
No mercado de cartões, destaca-se o crescimento do pré-pago no ano de 2023, respondendo por 23% da quantidade total de transações com cartões (representavam 19% em 2022) e apresentando um ticket médio de R$ 26, valor inferior aos dos cartões de crédito e débito, em torno de R$128 e R$61, respectivamente.
O percentual de transações com cartões de crédito realizadas pela forma de captura por aproximação (contactless) elevou-se substancialmente, correspondendo a 32,3% na quantidade transacionada no último trimestre de 2023, ante 22,5% atingido no mesmo período de 2022. Na função débito, observou-se crescimento similar, com as transações contactless respondendo por 38% das transações realizadas nessa modalidade no último trimestre de 2023, ante 24,5% no mesmo período do ano anterior.
Em 2023, as operações de saques em espécie apresentaram redução de cerca de 27% na quantidade de transações e de 5% no volume de recursos sacados em comparação com o ano anterior. Quando comparado com o ano de 2019, momento anterior à pandemia de Covid-19 e à introdução do PIX, a queda na quantidade de saques em espécie foi de 36%; e, no volume de recursos, de 27%.

Com enchentes no RS, Ministério da Fazenda prevê desaceleração do ritmo de alta do PIB no 2º trimestre

Segundo Secretaria de Políticas Econômicas do Ministério, agropecuária e indústria de transformação devem ser atividades mais afetadas pela calamidade. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda informou nesta terça-feira (4) que a expectativa é de desaceleração no ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano "repercutindo a calamidade no Rio Grande do Sul".
"A agropecuária e a indústria de transformação devem ser atividades especialmente afetadas, uma vez que são proporcionalmente mais importantes no PIB do estado que no PIB nacional", avaliou o Ministério da Fazenda.
"No setor de serviços, atividades como transportes e outras atividades de serviços também devem ser impactadas pela calamidade, repercutindo a piora da mobilidade e as restrições no provimento de serviços pessoais, de alimentação e de alojamentos", completou.
Crescimento do PIB do Brasil deve movimentar setor de logística em Jundiaí
Mais cedo nesta terça, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB subiu 0,8% no primeiro trimestre de 2024. O crescimento foi puxado, sobretudo, pelo setor se serviços, que teve uma alta de 1,4% no período. A agropecuária também cresceu, registrando variação positiva de 11,3%. A indústria, porém, apresentou leve queda de 0,1%.
O Ministério da Fazenda acrescentou que medidas de auxílio fiscal e de crédito "devem auxiliar a mitigar os impactos negativos desse episódio [enchentes no RS], mas seus efeitos devem se diluir ao longo deste e dos próximos trimestres."
"Dessa maneira, mesmo com o resultado positivo e similar ao projetado pela SPE no primeiro trimestre de 2024, restam incertezas a respeito da estimativa de crescimento para 2024", acrescentou o Ministério da Fazenda.