‘Catálogo da Terra inteira’, o livro revolucionário que inspirou Steve Jobs e outros pioneiros da internet

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O livro 'Whole Earth Catalog' era, em parte, um manual de instruções e, em parte, uma enciclopédia da contracultura. O 'Whole Earth Catalog' influenciou toda uma geração de idealistas e pioneiros
Getty Images via BBC
"Quando era jovem, havia uma publicação assombrosa chamada Whole Earth Catalog ('Catálogo da Terra inteira', em tradução livre), que era uma das bíblias da minha geração", contou Steve Jobs.
A fala ocorreu em seu emblemático discurso na Universidade de Stanford, na Califórnia (EUA), em 2005.
"Era como o Google em versão de papel, 35 anos antes que o Google chegasse", explicou o venerado cofundador da Apple e pioneiro da computação pessoal. "Era idealista, repleto de ferramentas bem projetadas e grandes ideias."
A publicação também mudou a vida do eminente médico epidemiologista Larry Brilliant, que leu o livro no final da década de 1960. Brilliant também é filantropo e especialista em tecnologia.
"A internet, para nós, naquela época, antes que existisse a internet, era o Whole Earth Catalog", declarou ele à BBC.
Brilliant estava começando sua carreira em Medicina em Detroit, nos Estados Unidos, quando chegou à Califórnia em 1967. Ele foi envolvido pela onda de ativismo político e pelo "Verão do Amor" daquele ano, em São Francisco.
Ele conheceu Steve Jobs aos 19 anos, em um ashram indiano. Os dois se tornaram amigos para o resto da vida.
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Steve Jobs
Associated Press
Brilliant foi detido junto com Martin Luther King, enquanto marchava em defesa dos direitos civis. E também ajudou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a erradicar a varíola.
Em toda parte ao seu redor, as pessoas falavam em revolução e os hippies experimentavam a vida comunitária. Mas havia um grande problema, como detectou o ícone da contracultura da época, Stewart Brand.
Brand vivia em uma comunidade cuja aspiração era "reinventar a civilização, o que era corajoso e admirável", recordou ele, em entrevista ao Museu Victoria & Albert de Londres. Mas ninguém "sabia fazer nada, cultivar um jardim ou construir uma casa… nada de nada."
Brand quis ajudar esses hippies idealistas.
"Como eu havia me formado como cientista, minha perspectiva foi tentar fornecer a esse movimento o respeito por fazer as coisas", afirma ele.
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Stewart Brand, em foto de 1975, foi o autor do livro
Getty Images via BBC
'Somos como deuses'
Brand passou anos viajando pelos Estados Unidos coletando informações que poderiam ajudar essas comunidades. E reuniu todas essas informações em um livro redigido com máquina de escrever e encadernado com cola e tesoura.
O Whole Earth Catalog era, em parte, um manual de instruções e, em parte, uma enciclopédia da contracultura.
Além do subtítulo "acesso a ferramentas", a capa continha uma imagem da Terra, que foi resultado de uma campanha do próprio Brand em 1966. Ele queria que a Nasa publicasse uma foto do planeta inteiro, visto do espaço.
Abrindo-se o livro, sua introdução começava dizendo: "Somos como deuses e é melhor nos acostumarmos com isso."
Seguia-se uma coleção de resenhas, guias práticos e manuais sobre o libertarismo anárquico, análises culturais e comentários sarcásticos, tudo impresso em páginas com denso conteúdo.
E por que esse livro foi tão importante?
"Foi importante porque não tínhamos internet", explica Brilliant. "Não tínhamos acesso aos grandes livros. Não tínhamos acesso às coisas de fora da nossa comunidade local. Não tínhamos contato com tanta gente."
"O catálogo nos uniu e foi essencialmente um guia para o consumidor sobre as melhores ferramentas para viver, empoderar-se e fazer parte de alguma coisa. Se você quisesse saber qual era o melhor canivete suíço ou qual a melhor ferramenta para escavar latrinas, se fosse ficar muito tempo na floresta, você consultava o livro."
Brilliant disse, ainda: "Era como o Google, mas sem a parte do motor de busca, de forma que era preciso revisá-lo cuidadosamente".
Um coletivo de arte de São Francisco colocou quase todas as edições do catálogo na internet
Whole Earth Index via BBC
O coletivo de arte de São Francisco (EUA) Grey Area, em conjunto com a organização cultural Long Now Foundation e o Internet Archive, recentemente colocou quase todas as edições do catálogo no website wholeearth.info.
Atribui-se à publicação a união do movimento hippie dos anos 1960 com a revolução da informática nas décadas de 1970 e 80 – o casamento da contracultura com a cibercultura.
Por isso, para uma geração de pessoas que cresceram na Califórnia na década de 1960 e se tornariam os pioneiros da informática moderna, aquele era o livro mais importante que eles já haviam lido.
Sua mensagem ficou gravada na mente de pessoas como Jobs: não seriam os protestos, nem a política, nem o lobby – o que mudaria o mundo seria o acesso à informação.
Naquela época, a ideia de que a informação poderia ser liberada para empoderar as pessoas era revolucionária. Mas, quando Jobs lançou o primeiro computador pessoal no mercado de consumo em 1984, ele disse a Brilliant que aquela era a nova contracultura.
"Certa vez, brincando, perguntei a ele se, ao entrar no mundo dos computadores, ele estaria abandonando os valores que tínhamos nos anos 1960 e 70, o movimento rumo à igualdade", recorda Brilliant.
"Ele respondeu: 'Enquanto muitas pessoas levantam os punhos e gritam: 'poder para o povo', eu desenvolvo um Apple [ou, naquela época, um Macintosh] e coloco nos seus escritórios a um preço acessível. Assim, estou literalmente dando poder às pessoas", disse. "Ele realmente acreditava nisso."
Larry Brilliant era amigo de Steve Jobs e ganhou um dos primeiros computadores da Apple
Getty Images via BBC
O poço
Naquela época, o idealismo hippie já havia desaparecido. Mas Brilliant se perguntou se as novas e estranhas máquinas que Jobs e outros pioneiros estavam desenvolvendo seriam a peça que faltava na visão de Stewart Brand.
O Whole Earth Catalog só conseguia atingir um número limitado de pessoas. E se os computadores pudessem conectar a nós todos, oferecendo acesso a ferramentas e nos transformasse em deuses?
Brilliant então ligou para Brand. No princípio, ele duvidou.
"Era um negócio e nenhum de nós havia realmente dirigido um negócio", contou ele. "Mas, durante um almoço, surgiu a ideia de reunir online as pessoas que haviam ficado fascinadas com o catálogo."
Brilliant ficou intrigado com o que havia visto nas poucas comunidades virtuais que havia naquela época.
"Algumas daquelas primeiras conversas eram mágicas", relembra ele. "As pessoas se conheciam e não se sabiam se o outro com quem conversavam era negro ou branco, homem ou mulher, alto ou baixo, norte-americano ou estrangeiro…"
"Era como o que Martin Luther King havia dito – que as pessoas seriam conhecidas não pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Isso acontece quando você não pode ver a outra pessoa."
Assim foi criada The Well (o poço, em tradução livre). Era a sigla em inglês de Whole Earth 'Lectronic Link (Link eletrônico da terra inteira, em tradução livre), o irmão gêmeo do livro de Brand, em forma digital.
Chamado à insensatez
Em meados da década de 1990, The Well havia se tornado o lugar mais importante da internet.
Quase ninguém estava online naquela época, mas as poucas pessoas conectadas conheciam The Well.
"Passou Imediatamente a ser um lugar a que você podia recorrer se quisesse manter uma conversa interessante", relembra Brilliant.
"Tivemos muita sorte porque [a banda de rock] Grateful Dead fazia parte do nosso mundo, já que, em certo momento, 30 a 40% da nossa receita vinha dos [seus fãs] Deadheads tentando conseguir entradas", brinca ele.
The Well reuniu hackers, hippies e escritores de toda a região da baía de São Francisco. Eles conversavam online sobre tudo, desde tecnologia e política até o sentido da vida.
Depois de se conhecerem online, eles acabavam promovendo festas – um sinal precoce de que os mundos real e virtual poderiam se fundir.
"Diferentemente do Facebook, nós nos conhecíamos online antes de nos conhecermos pessoalmente", conta o escritor Howard Rheingold.
Ele foi um membro influente de The Well e cunhou a expressão comunidade virtual.
"Muitas das comunicações pessoais se tornaram relações. As pessoas se conheceram e se casaram, os casamentos foram desfeitos, as pessoas recebiam apoio quando ficavam doentes, recebiam ajuda quando alguém morria", contou Rheingold ao jornalista Rory Cellan-Jones, da BBC, em 2011.
O website e o livro compartilhavam uma visão de mundo radical.
As velhas hierarquias controlavam a informação. Os poderosos magnatas da televisão e dos jornais decidiam o que as pessoas comuns liam e viam.
O conhecimento estava encerrado em velhas bibliotecas empoeiradas. As pessoas de fora do bairro eram consideradas alienígenas.
O livro de Brand tratou de mudar tudo isso – e a internet completaria sua missão.
Para muitos, The Well é a primeira rede social do mundo, o ancestral direto do Facebook, Twitter, Instagram e do TikTok.
Não foi apenas uma tecnologia, mas uma revolução social, construída com base em uma ideia maluca: que deveríamos ter acesso a tudo e a todos, todo o tempo.
O livro de papel deixou de ser publicado em 1972. A capa da última edição mostrava uma fotografia tirada pela missão Apolo 4, com a Terra parcialmente na sombra.
Na contracapa da publicação, estava a mensagem que Steve Jobs disse ao final da sua palestra em Stanford: "Stay Hungry. Stay Foolish" (Continue com fome. Continue sendo tolo, em tradução livre).
"Sempre desejei isso para mim", disse.
Ouça no site BBC Sounds (em inglês) o episódio "We are as Gods", da série da BBC Rádio 4 "The Gatekeepers", que deu origem a esta reportagem. A série tem autoria do escritor especializado em tecnologia Jamie Bartlett e é produzida por Caitlin Smith.

‘Um rastro de destruição sem precedentes’: empresários gaúchos relatam falta de caixa, perda de produtos e prejuízos milionários

Governo marca leilão de compra de arroz importado para o dia 6 de junho; alimento deve chegar até setembro ao consumidor
Além da dificuldade na retomada e na expectativa por novas medidas empresariais por parte do governo, setor privado ainda enfrenta aluguéis em disparada nas regiões mais elevadas do RS e cita temor de 'êxodo' e de falta de mão de obra. Empresários sinalizam dificuldade na retomada após tragédia no RS
Os empresários gaúchos já começaram a contabilizar os prejuízos, em meio ao cenário de devastação deixado pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
Com instalações e maquinário destruídos, e a perda de todos os produtos e matérias-primas, a maior parte do setor produtivo do estado ainda tenta avaliar quais serão os próximos passos.
De um lado, a falta de caixa e o difícil acesso ao crédito com taxas atrativas tem impedido a projeção de retomada daqueles que terão que reconstruir suas fábricas. A situação é ainda pior nos casos de empresas que já estavam endividadas antes dos prejuízos.
De outro, os aluguéis em disparada nas regiões mais elevadas do estado e a dificuldade em achar interessados nos terrenos que foram atingidos pelas enchentes, também podem minar as oportunidades de recomeçar do zero em outro lugar.
Ao g1, empresários gaúchos — que passaram não só por essa, mas também por duas enchentes recentes que afetaram o estado no último ano — dizem que parte das reservas financeiras que possuíam foi queimada nas outras cheias, e, agora, precisa se reinventar para voltar a caminhar com as próprias pernas.
“Um rastro de destruição sem precedentes”
Dono de hortigranjeiro em Cruzeiro do Sul, RS, tem prejuízo de mais de R$ 1 milhão
Não foi a primeira enchente que o empresário Fabio Scheibel, 41, enfrentou. Dono de um hortigranjeiro na cidade de Cruzeiro do Sul (RS), ele viu suas terras serem inundadas pelas águas do Rio Taquari outras duas vezes. Ambas no ano passado, uma em setembro e outra em novembro.
Em setembro, o Rio Grande do Sul havia sido atingido por um ciclone extratropical que inundou cidades e deixou mortos. Fabio conta que os estragos foram mais controlados, já que apenas a área em que mantinha suas plantações tinha sido afetada.
“Agora, a gente só saiu com a roupa do corpo. A água baixou, mas deixou um rastro de destruição sem precedentes. É coisa de se ver em filme. A gente nunca acha que vai passar por uma coisa dessas”, disse o empresário.
Ele, que morava no mesmo terreno em que mantinha o hortigranjeiro, conta que a propriedade foi completamente atingida. Na área de plantio, antes coberta por folhas verdes da plantação, só resta lama. Os veículos, tanto os de passeio quanto os utilizados para colheita, ficaram embaixo da água e foram perdidos, assim como a maior parte de seus bens materiais.
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“Nem se vê mais o que estava plantado lá. A correnteza tirou todo o solo, deixando apenas areia em outras partes do terreno. A infraestrutura que tínhamos, os tratores, o galpão… foi tudo embora. Só sobrou duas residências, uma dos meus pais e outra que eu ainda estava construindo”, contou Fabio.
O empresário conta que apesar de sempre ter tentado deixar um colchão financeiro de emergência, voltado para imprevistos, precisou queimar toda a sua reserva nas duas primeiras cheias no estado, usando os recursos para refazer o plantio que havia sido perdido.
“Agora ficou complicado, não temos mais caixa nenhum. Mais do que nunca o governo vai ter que mostrar a que veio, porque se não tivermos algum tipo de incentivo ou opções de financiamento, vai ser bem difícil pensar em um horizonte”, afirmou o empresário.
Fabio diz que ainda não conseguiu colocar todas as perdas na ponta do lápis, mas estima que o prejuízo total ultrapasse R$ 1 milhão, considerando a plantação, a estrutura e os bens materiais perdidos.
No momento, ele está com sua esposa e sua filha de quatro anos na casa de amigos. Já houve um consenso na família de que não voltarão a morar no antigo terreno, tanto pelo perigo das enchentes quanto pelas memórias deixadas nas últimas semanas.
Fabio Scheibel e sua família
Arquivo pessoal
“Parecia um cenário de guerra. Demorou três dias até sermos resgatados, tivemos que subir no telhado para o helicóptero ajudar a gente. Não queremos ficar mais lá, mas a terra, a lavoura, não tenho como vender agora. Quem vai querer comprar uma área em que a enchente chega tão facilmente?”, questiona o empresário.
“Se desse, a gente não voltaria nem a plantar lá, mas não é tão simples. É um custo muito alto fazer essa mudança, já que cada pedacinho de terra aqui onde não dá enchente está supervalorizado”, acrescenta.
“A força da água arrebentou a parede e levou toda a nossa mercadoria”
A empresária Regina Mallmann, 57, também vai precisar de ajuda para recomeçar. Ela é dona de uma fábrica de brinquedos junto com seu marido, Alberto Mallmann, 58, situada em Estrela (RS).
O maquinário de produção ficou inutilizado após a enchente deste mês, e a empresa perdeu todos os seus produtos e matérias-primas.
Regina Mallmann e seu marido, Alberto Mallmann, donos da Brinquedos Piá.
Arquivo pessoal/ Regina Mallmann
“A nossa empresa ficava em dois prédios. Aquele em que fabricávamos os brinquedos foi totalmente tomado pela água, e as máquinas ficaram todas dentro da lama. No outro, que era um depósito, a força da água arrebentou a parede e carregou toda a nossa mercadoria. Fixamos a zero”, conta a empresária.
Regina também vivenciou as enchentes do ano passado, e diz que só conseguiu se reerguer porque negociou um prazo maior de pagamento com fornecedores e conseguiu vender o restante das mercadorias que ainda possuía nas festas de fim de ano.
Agora, o rombo no orçamento é bem maior. Segundo a empresária, se antes o prejuízo havia sido por volta dos R$ 500 mil, hoje as perdas já somam mais de R$ 1 milhão.
Fábrica e depósitos da Brinquedos Piá, em Estrela, no RS, foram inundados pelas enchentes.
Arquivo pessoal/ Regina Mallmann
“Estamos esperando algum recurso do governo federal ou algum crédito melhor, porque os juros dos financiamentos estão inviáveis, e até agora não conseguimos fazer nada. Tivemos até que demitir alguns funcionários porque teremos que começar pequenos de novo”, afirma.
A empresária conta, ainda, que também pensa em mudar para um local mais elevado, longe das encostas do rio Taquari.
“Mas está muito difícil procurar um lugar mais alto. Os preços das coisas, os aluguéis, tudo disparou porque tem muita gente que precisou sair de onde estavam para buscar lugares melhores. Ainda estamos procurando e, até lá, vamos ter que ficar com a atividade parada”, comenta.
“O dinheiro que eu tomei de empréstimo para investir foi para o lixo”
Além das perdas materiais trazidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul, empresários gaúchos também precisam enfrentar a falta de caixa para pagar dívidas de créditos tomados antes da tragédia.
O empresário Ângelo Fontana, 63, dono de uma empresa de produtos de limpeza e higiene localizada em Encantado (RS), conta que a companhia vinha em uma onda de investimentos voltados para a expansão antes das enchentes de maio.
Fachada do prédio da Fontana S/A em Encantado, no RS.
Arquivo pessoal/ Ângelo Fontana
A empresa havia aprovado, há cerca de três anos, o projeto de uma nova fábrica em Goiás. Atualmente, passava por um processo de consolidação da companhia em Encantado, com atualização de equipamentos, máquinas e embalagens, antes de começar os preparativos da expansão para o Centro-Oeste.
“Nós nos alavancamos porque o projeto estava caminhando dentro dos conformes. Peguei um empréstimo para atualizar equipamentos e, nesse ano, o foco era para ser a instalação em Goiás. Mas com essa enchente, como fica o meu equilíbrio? Dos R$ 60 milhões que tomei [emprestado], perdi R$ 32 milhões. O dinheiro que eu tomei de empréstimo foi para o lixo” afirma o empresário.
Ele, que também é presidente da Câmara da Indústria e do Comércio do Vale do Taquari (CIC VT) e diretor da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), conta que tem conversado com diversos empresários do estado.
“Muitos estão sem rumo, se questionando o que fazer agora”, explica Fontana.
“Desde a segunda cheia tem muita gente ainda tentando pegar fôlego para continuar. Mas, agora, sem estoque e sem maquinário, alguns terão que ficar meses sem produzir. E isso é ainda pior porque, sem fornecer produto para o varejo, perde-se espaço de prateleira, perde-se contatos. É um prejuízo intangível que é difícil de medir”, completa.
Empresa de Encantado, no RS, tem prejuízo de R$ 32 milhões após cheias do Rio Taquari
À espera de realocação e medidas financeiras
Fontana afirma, ainda, que há grande expectativa do setor privado para o cumprimento das medidas anunciadas pelos governos federal e estadual e que muitos empresários ainda esperam por novas iniciativas, voltadas para crédito e emprego.
O executivo reforça que há temores entre os empresários de que haja um “êxodo” de pessoas do estado. “As pessoas que perderam tudo, vão continuar aqui? Será que vamos conseguir atrair mão de obra?”, questiona o empresário.
“Por isso, as medidas precisam envolver tanto o lado público quanto o lado das entidades, porque não é só limpar a casa ou a fábrica. Reconstruir as companhias e manter mão de obra é uma tarefa que também é importante”, acrescenta Fontana.
O empresário Luis Felipe Soares, 30, que tem uma barbearia localizada em Taquari, RS, afirma que apesar de ter contratado um seguro total para seu comércio e residência, ambos atingidos pelas cheias, ainda não conseguiu nenhum ressarcimento por parte da seguradora — que, por sua vez, afirma que a apólice contratada não teria cobertura contra enchentes.
Empresa Fontana S/A, em meio às enchentes causada pela alta do Rio Taquari.
Arquivo pessoal/ Ângelo Fontana
"Cheguei a ir atrás de auxílios, mas o dinheiro ainda está sendo direcionado para as pessoas que têm renda menor. Acho que nós seremos os últimos a receber algo", disse Soares.
Para Fontana, mesmo que parte dos empresários queira continuar no Rio Grande do Sul, muitos já começaram um planejamento para tentar um recomeço em outro lugar.
“Precisamos pensar na realocação das companhias, porque tem muitas entidades que não podem ficar onde estão. Temos que realocar na região ou no estado. Se não, realocaremos fora dele”, conclui.

Imposto de Renda 2024: mais de 6 milhões de contribuintes ainda não entregaram a declaração

Quem não entregar a declaração a tempo está sujeito ao pagamento de uma penalização mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido. O prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda 2024 termina nesta sexta-feira (31), e cerca de 6,5 milhões de contribuintes ainda não fizeram a prestação de contas.
A Secretaria da Receita Federal informou que espera receber 43 milhões de declarações do ano-base 2023. De acordo com a última atualização do site da Receita Federal, cerca de 36,5 milhões de contribuintes haviam concluído o processo.
Pouco mais de 40% dos contribuintes utilizaram a declaração pré-preenchida. A utilização do modelo pré-preenchido ou a opção pela restituição via PIX têm novamente direito a prioridade no recebimento das restituições.
▶️ NÃO ATRASE: A recomendação dos especialistas é a de cumprir o prazo estipulado pela Receita Federal. Ou seja, é melhor entregar incompleta e fazer as correções necessárias posteriormente.
Isso porque quem não entregar a declaração dentro do prazo está sujeito ao pagamento de multa — e, dependendo do caso, pode até ficar com o nome sujo e ter o CPF apontado como irregular pelo Fisco. (saiba mais abaixo)
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Imposto de Renda 2024: Saiba como evitar cair na malha fina
Por que não entregar atrasado?
Quem entregar a declaração incompleta pode, depois, fazer as alterações necessárias sem ser penalizado. Basta reenviar com os dados corretos por meio da chamada declaração retificadora.
Nesse caso, o contribuinte precisa apenas selecionar essa opção na ficha de Identificação do Contribuinte, informando o número do recibo encontrado na declaração enviada inicialmente.
Modelo não pode ser alterado
Mas é preciso cuidado para um detalhe: depois do final do prazo de entrega, o contribuinte não pode mais alterar o modelo de declaração – simples ou completa.
A declaração no modelo completo é mais indicada para quem tem muitas deduções a incluir, como dependentes e gastos com saúde. Já a simples é mais vantajosa para os contribuintes que não têm essas deduções.
O contribuinte pode corrigir a declaração enviada quantas vezes julgar necessário sem ter de pagar multa.
O que acontece se eu não declarar?
Segundo informações do Fisco, no caso de envio da declaração após o prazo previsto ou da não apresentação do documento, o contribuinte que é obrigado a declarar fica sujeito ao pagamento de multa por atraso, calculada da seguinte forma:
Multa de 1% ao mês ou fração de atraso, calculado sobre o valor do imposto devido na declaração, ainda que integralmente pago, até um teto de 20%;
Multa mínima de R$ 165,74 (apenas para quem estava "obrigado a declarar", mesmo sem imposto a pagar)
Além disso, o CPF pode ficar irregular, o que pode impedir a liberação de empréstimos, tirar passaportes, obter certidão negativa para venda ou aluguel de imóvel e até prestar concurso público até a regularização da situação.
Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda em 2024
quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 em 2023. O valor é um pouco maior do que o da declaração do IR do ano passado (R$ 28.559,70) por conta da ampliação da faixa de isenção desde maio do ano passado;
contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado;
quem obteve, em qualquer mês de 2023, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto;
quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias;
quem teve, em 2023, receita bruta em valor superior a R$ 153.199,50 em atividade rural (contra R$ R$ 142.798,50 em 2022);
quem tinha, até 31 de dezembro de 2023, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil (contra R$ 300 mil em 2022);
quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2023;
quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física;
Possui trust no exterior;
Deseja atualizar bens no exterior.

A dois para fim do prazo, quase 14 mil contribuintes do Acre ainda não declararam Imposto de Renda 2024

Governo marca leilão de compra de arroz importado para o dia 6 de junho; alimento deve chegar até setembro ao consumidor
Ao todo, 95.772 contribuintes já cumpriram suas obrigações com o fisco federal até esta quarta (29). São esperadas 109.683 declarações no estado este ano. Prazo para entregar declaração acaba na sexta (31)
Jornal Nacional/ Reprodução
Quase 14 mil contribuintes do Acre ainda não entregaram a declaração do Imposto de Renda 2024. Os dados, divulgados pela Receita Federal, estão atualizados até o final da tarde desta quarta-feira (29). O prazo se encerra às 23h59 da próxima sexta (31).
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Veja como fazer a declaração
Veja quem é obrigado a declarar
Veja como baixar o programa
Veja o calendário dos lotes de restituição
A 15 dias do fim do prazo, mais de 27 mil contribuintes do AC ainda não entregaram a declaração do Imposto de Renda
Ao todo, 95.772 contribuintes já cumpriram suas obrigações com o fisco federal. São esperadas 109.683 declarações no estado este ano.
Já na 2ª Região Fiscal, composta pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, 1.736.470 contribuintes cumpriram a obrigação.
Quem não entregar a declaração até o prazo final terá que pagar uma multa. O valor da multa cobrada é de 1% ao mês, sobre o valor do Imposto de Renda devido, limitado a 20% do valor do Imposto de Renda. O valor mínimo é de R$ 165,74.
Este ano, o número previsto pelo Fisco prevê aumento de 4% em relação ao volume de declarações recebidas no ano passado, que foram de 104.968 no Acre. Em todo o país a expectativa é de receber 43 milhões de declarações.
Veja o calendário da restituição do IR 2024
A Receita Federal incluiu 20.852 contribuintes do Acre no primeiro lote de restituição do Imposto de Renda 2024. O montante de mais de R$ 37 milhões deve ser pago na próxima sexta (31).
A consulta ao lote foi aberta no último dia 23 pelo órgão através do portal da Receita Federal. (Veja como fazer a consulta no final da reportagem)
Os pagamentos das restituições do IR 2024 serão feitos em cinco lotes, segundo informações da Receita. O prazo para entrega das declarações começou no dia 15 de março.
Segundo a instituição, na 2ª Região Fiscal, que contempla os estados do Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima, além do Acre quase 572 milhões devem ser pagos a mais de 289 mil pessoas.
Em todo o país, 5,5 milhões de contribuintes devem receber a restituição no lote de abertura que inclui ainda montantes residuais de anos anteriores. Ao todo devem ser pagos R$ 9,5 bilhões, o que segundo a Receita é o maior valor já pago na história.
Veja as datas dos pagamentos:
1º lote: 31 de maio
2º lote: 28 de junho
3º lote: 31 de julho
4º lote: 30 de agosto
5º lote: 30 de setembro
Imposto de Renda 2024: Saiba como evitar cair na malha fina
Como fazer a consulta?
Assim que a consulta estiver disponível, o contribuinte deve acessar a página da Receita na internet e clicar na opção "Meu Imposto de Renda". Em seguida, basta clicar em "Consultar a Restituição".
A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações.
A Receita Federal lembrou que disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF.
Malha fina
Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina".
Para saber se está na malha fina, os contribuintes também podem acessar o "extrato" do Imposto de Renda no site da Receita Federal no chamado e-CAC (Centro Virtual de Atendimento).
Ao fazer o login, selecione a opção “Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF)”. Na aba “Processamento”, escolha o item “Pendências de Malha”. Lá, você poderá verificar se sua declaração está na malha fina e verificar qual o motivo pelo qual ela foi retida.
Para acessar o extrato do IR, é necessário utilizar o código de acesso gerado na própria página da Receita Federal ou certificado digital emitido por autoridade habilitada.
As restituições de declarações que apresentam inconsistência (em situação de malha) são liberadas apenas depois de corrigidas pelo cidadão, ou após o contribuinte apresentar comprovação de que sua declaração está correta.
Até o dia 16 de maio, 77.442 contribuintes no Acre já haviam entregado suas declarações ao Fisco. Para este ano, a Receita Federal espera 109.683 declarações no Acre este ano.
Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda em 2024
quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 em 2023. O valor é um pouco maior do que o da declaração do IR do ano passado (R$ 28.559,70) por conta da ampliação da faixa de isenção desde maio do ano passado;
contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado;
quem obteve, em qualquer mês de 2023, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto;
quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias;
quem teve, em 2023, receita bruta em valor superior a R$ 153.199,50 em atividade rural (contra R$ R$ 142.798,50 em 2022);
quem tinha, até 31 de dezembro de 2023, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil (contra R$ 300 mil em 2022);
quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2023;
quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física;
Possui trust no exterior;
Deseja atualizar bens no exterior.
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Governo marca leilão de compra de arroz importado para o dia 6 de junho; alimento deve chegar até setembro ao consumidor

Governo marca leilão de compra de arroz importado para o dia 6 de junho; alimento deve chegar até setembro ao consumidor
Serão adquiridas 300 mil toneladas. Em coletiva de imprensa, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, disse que governo ainda irá avaliar se novas compras serão necessárias. Arroz na colheitadeira
Celso Tavares / g1
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, informou que o leilão público para compra de arroz importado vai acontecer no dia 6 de junho, às 9h. Nesta data, o governo pretende adquirir 300 mil toneladas de arroz. O edital do leilão foi publicado nesta quarta-feira (29).
O preço será tabelado e o pacote terá o rótulo do governo. O quilo será vendido por R$ 4 e o arroz deve chegar ao consumidor até setembro.
O governo vai importar o "Arroz Beneficiado, Polido, Longo fino, Tipo 1", o mesmo produzido pelo Brasil.
"Temos uma grande procura por informações, tanto do Mercosul, como de outros países", disse Pretto, em coletiva de imprensa nesta quarta. "O governo tomou a decisão da retirada da TEC [tarifa de importação] para que outros países possam também entrar nesse leilão de igual para igual com os países do Mercosul, que já têm tarifa zero", disse Pretto.
Tailândia vendeu arroz para o Brasil recentemente
O presidente da Conab reforçou que a decisão do governo de importar o grão tem o objetivo de garantir preços mais em conta ao consumidor. "Vocês sabem que, nos últimos dias, especialmente nos últimos 30 dias, nós tivemos um aumento entre 30% e 40% no preço do arroz".
Segundo ele, após as enchentes no Rio Grande do Sul, os preços do arroz começaram a subir no Brasil e, depois, no Mercosul, como disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ao g1.
O Rio Grande do Sul é responsável por 70% da produção nacional deste grão.
"Nós não queremos que essa compra importada venha a competir com a nossa produção nacional. Nós estamos comprando as primeiras 300 mil toneladas e vamos avaliar conforme será o comportamento do mercado. Se nós percebemos que essa medida já equilibrou os preços, o governo vai avaliar se haverá necessidade ou não de fazer um novo leilão", disse Pretto.
Ao longo deste mês, o governo federal liberou R$ 7,2 bilhões para a compra de até 1 milhão de toneladas de arroz importado. Segundo o presidente da Conab, essa deve ser a quantidade de arroz que foi perdida nas enchentes do Rio Grande do Sul, somando as perdas no campo e o grão que está em armazéns.
"Nós tivemos algumas dificuldades para ir a campo fazer um levantamento. O próprio setor chama a atenção que, em torno de 600 mil toneladas de arroz [que ainda estavam no campo], foram perdidas", disse.
"Nós não conseguimos dimensionar a parte que estava nos armazéns e que foi atingida pelas águas. Mas, o que nós estamos imaginando, conforme disse o setor: 600 mil toneladas, mais o que pode ser atingido nos armazéns, o que nós estamos propondo, de até 1 milhão de toneladas, é o que se estima que foi perdido no Rio Grande do Sul", destacou.
Antes da tragédia, a previsão da Conab era de que o estado colhesse, no total, 7,4 milhões de toneladas de arroz. A estatal deve publicar uma nova estimativa no próximo dia 13.
Segundo dados do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), o estado já colheu 90% da sua área plantada, um total de 6,8 milhões de toneladas de arroz. O instituto prevê que, ao fim da safra, o RS deve colher 7,1 milhões de toneladas.
"O número é bem próximo ao registrado na safra anterior, de 7,239 milhões de toneladas – o que comprova que o arroz gaúcho é suficiente para abastecer o mercado brasileiro, sendo desnecessária a importação do grão", disse o Irga, em nota, na semana passada.
Preço do arroz subsidiado
Questionado sobre por que o governo decidiu vender o arroz por, no máximo, R$ 4 o quilo, o diretor-Executivo de Política Agrícola e Informações da Conab Silvio Porto disse que o produto tem sido um dos componentes que tem contribuído para elevar a inflação de alimentos.
"Se nós pegarmos os parâmetros de preços do varejo, antes do problema climático no Rio Grande do Sul, o que nós podemos dizer é que estava em torno de R$ 25 a saca de 5 quilos, de uma forma média no mercado, pegando as marcas mais comuns. Nós estabelecemos um deságio [desconto] de 20% a partir desse parâmetro e chegamos a esse valor de R$ 4 por quilo", explicou.
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