ES é o maior produtor e exportador de gengibre do Brasil; expectativa é de 84 mil toneladas em 2024

As pessoas que querem ter celulares menos inteligentes – e por que empresas não querem mais fabricá-los
Espírito Santo exporta para mais de 100 países. Raiz se adaptou melhor em cidades na região serrana do estado. ES é o estado que mais produz e mais exporta gengibre no país
O Espírito Santo é o estado do Brasil que mais produz e exporta gengibre no Brasil. Maio marca o início da colheita, e a expectativa esse ano é que a produção no ano de 2024 chegue a 84 mil toneladas.
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Cerca de 90% do gengibre plantado no estado está nos municípios de Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina e Domingos Martins.
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A raiz se adaptou bem à região montanhosa. No início a cultura foi chegando devagar, nos anos 90, e hoje é cultivada por mais de 3.500 famílias.
"A gente começou com a produção pequena, hoje como aqui a maioria é tudo família que faz parte da cultura do gengibre, então a gente hoje planta em média de 15, a 18 até 20 mil quilos. A gente já tem que pegar as melhores sementes, pegar umas áreas novas de terra, e isso no final você evita muita doença. No final a gente sempre deseja chegar em um ponto de colher um gengibre bom também e tentar vender com um preço justo de mercado", disse o produtor rural, Erineu Plaster.
Produção de gengibre no Espírito Santo é a maior do país
Reprodução/TV Gazeta
O amarelamento das folhas é um sinal de que o gengibre pode começar a ser colhido. Na propriedade do Erineu, em Santa Maria de Jetibá, a melhor colheita vai acontecer entre junho e julho. O tombamento das folhas é sinal que o gengibre está maduro e pode ser colhido.
"Aqui na propriedade a gente tem priorizado colher um pouco mais no começo. A gente faz um intervalo, faz mais uma colheita no meio do ano, lá para o mês sete, oito e em novembro, dezembro, a gente costuma tirar o resto. A gente não sabe o preço final, aí a gente pega essas três alternativas. A gente pega o preço no começo da colheita, no meio e no final", explicou o produtor.
A caixa com 13,6 quilos deve ser vendida no mercado nacional entre R$ 50 e R$ 60. O gengibre capixaba se destaca também no mercado internacional.
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Os produtores de gengibre do espírito santo são orientados pelo Incaper, Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural.
"Inicialmente a gente só colhia a partir de maio, que é o período em que o gengibre começa a amadurecer. É que o rizoma começa a apresentar as características de amadurecimento. Concomitante a isso, o período em que a gente começa a mandar nosso produto por via marítima. O produto após maduro ele consegue ter um tempo de prateleira maior e suportar a viagem de navio, que dura aí de 18 a 24 dias, dependendo do destino. E nesse outro período, que a gente chama de entre safra, que vai de janeiro a abril, a gente comercializa o produto ainda verde, que esse ano estava em um tamanho muito bom, e permitiu que a gente conseguisse enviar esse produto de forma mais evidente, em maior quantidade, porque os preços no início do ano estavam bastante atrativos. Só que esse produto, por estar verde, ele vai para fora do país de avião", pontuou o extensionista do Inpcar, Galderes Magalhães.
Colheita de gengibre começa em maio no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Os produtores conseguem fazer o manejo correto, o que gera um gengibre de qualidade e de tamanho maior do que o produzido pela China e Peru, principais concorrentes do produto brasileiro.
" A gente teve boas chuvas de verão que fizeram com que as plantas absorvessem bastante nutrientes. Aqueles produtores que fazem o seu manejo produtivo adequadamente conseguiu fazer com que essas plantas se desenvolvessem perfeitamente e atingissem o tamanho de mercado já no mês de fevereiro", comentou o extensionista.
Estados Unidos, Cadaná, Europa, Oriente Médio. São mais de 100 países que consomem o gengibre produzido aqui no Espírito Santo. É também uma tradição em família. O Hiago deu continuidade à exportação que o pai começou.
" A gente precisava desse feedback de como essa mercadoria estava chegando lá fora para poder a gente fazer a correção no que sai daqui no Brasil. A gente mandou um dos donos morar na Holanda e ele recebia toda a mercadoria no período da safra, que são seis meses. Ele recebia toda essa mercadoria e, a partir disso, ele trazia informações do que tinha que ser melhorado na expedição aqui no Brasil, que é a qualidade, questão da seleção, a mercadoria bem seca, dentro do peso, sem doenças", contou o exportador Hiago Santana.
Espírito Santo importa gengibre para Estados Unidos, Oriente Médio dentre outros países
Reprodução/TV Gazeta
Para marcar a abertura oficial da colheita do gengibre, um evento o reuniu cerca de 70 produtores em uma propriedade em Santa Maria de Jetibá.
A Raquel Bremenkamp é produtora iniciante e disse que vai aplicar na propriedade o que aprendeu no encontro de produtores.
"Melhoramento genético, seleção melhor de mudas, trato melhor no pós colheita para exportação não rejeitar o produto da gente… Pra gente que tá iniciando agora, isso é essencial. De ter uma boa cultura e também uma boa pós colheita", disse Raquel.
Tanto exportador, quanto produtor estão sempre aprendendo e atualizando as técnicas.
"O Brasil tem conseguido alcançar um patamar de qualidade maior a cada ano, e isso tem trazido um benefício para o produtor, que é a valorização da mercadoria", finalizou Hiago.
Gengibre se adaptou em algumas cidades no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
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Condomínios podem negar ponto de recarga de carros elétricos; saiba o que pode ser feito

As pessoas que querem ter celulares menos inteligentes – e por que empresas não querem mais fabricá-los
Prédios precisam de aval de engenheiro eletricista e técnico, e orientação é que haja aprovação em assembleia dos demais moradores para fazer instalação de carregadores. Regulamentação de segurança proposta pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo pode dificultar ainda mais a questão. Carros elétricos
Divulgação
A venda de carros 100% elétricos tem ganhado força no mercado automotivo brasileiro e gerado debate em outros setores da economia.
Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o volume de novos emplacamentos de veículos elétricos subiu mais de 1090% em abril deste ano em relação a igual mês de 2023.
O crescimento, no entanto, ainda vem de uma base baixa e o segmento ainda é bem pequeno quando comparado ao setor automotivo como um todo. Foram 6.705 emplacamentos de veículos elétricos em abril — número que responde por apenas 3% do mercado total, desconsiderando motos e implementos rodoviários.
Ainda que seja uma fatia pequena, é um fenômeno que não se pode mais ignorar. É cada vez mais comum ver empreendimentos imobiliários mais novos e estabelecimentos comerciais adotarem postos de recarga próprios, como forma de atrair compradores e clientes.
Mas há um outro lado, que causa polêmica: condomínios mais antigos não têm o preparo para receber carregadores, e têm inclusive negado a instalação de tomadas aos moradores, mesmo que eles se proponham a fazer as adaptações necessárias.
Além disso, um novo debate sobre a segurança desses pontos de recarga em garagens de condomínios residenciais e comerciais, aberto por uma regulamentação proposta pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo para vagas de elétricos, também traz alguns pontos de atenção. (entenda mais abaixo)
Nessa reportagem você vai entender:
Quais os efeitos da venda de carros elétricos no mercado imobiliário?
É possível fazer a adaptação de um condomínio que não possua posto de recarga?
Como ficam os aspectos de segurança?
Quais os direitos do condomínio e do morador na instalação de postos de recarga?
Quais os efeitos da venda de carros elétricos no mercado imobiliário?
Tanto os veículos 100% elétricos como os híbridos plug-in precisam de pontos de recarga na garagem para que a bateria seja carregada quando o morador está em casa. Com o mercado em expansão, algumas construtoras já anunciam lançamentos imobiliários com postos de recarga instalados — hoje, um diferencial de mercado.
Segundo o vice-presidente de negócios da Gafisa, Luis Fernando Ortiz, por exemplo, a empresa já coloca pontos de recarga em todos os seus empreendimentos desde 2020.
"A energia é proveniente da área comum do condomínio; contudo, os condôminos terão a autonomia para definir, junto à futura administradora, o melhor modelo para aferição e cobrança", diz.
O mesmo acontece com a Cyrela. Segundo o gerente-geral de negócios da companhia, Alexandre Dentes, "todos os empreendimentos já são projetados para que parte ou a totalidade das unidades possam instalar carregadores próprios em suas vagas". Nesse caso, o pagamento é feito por uso (pay per use).
E a tendência também chega aos empreendimentos comerciais. De acordo com o presidente da HBR Realty, empresa irmã da Helbor que atua com malls e fachadas ativas, Alexandre Nakano, três projetos da companhia já foram pensados com vagas rotativas para recarga de carros elétricos.
“À medida que os veículos elétricos vêm se tornando cada vez mais populares, a demanda por infraestrutura de recarga aumenta. E os empreendimentos estão respondendo a essa demanda para atrair esses clientes”, afirma a gerente do centro de atendimento técnico da Lello, Raquel Bueno.
Juros mais baixos e alta de emplacamentos: vai ficar mais fácil comprar um carro zero?
É possível fazer a adaptação de um condomínio que não possua posto de recarga?
Segundo especialistas consultados pelo g1, é possível, sim, que um condomínio mais antigo faça a adaptação de suas estruturas para oferecer um posto de recarga de carros elétricos para seus moradores.
Para isso, no entanto, são necessários:
Um debate sobre uma possível adaptação entre os moradores. O tema deve ser levado a uma assembleia qualificada (com quórum de 50% + 1) do condomínio – ou simples, se for acordado com os condôminos – e ter a aprovação da maioria dos moradores; e
Uma análise de um engenheiro eletricista ou de um perito técnico especializado para avaliar se a estrutura elétrica pode receber um posto de recarga e qual a sua capacidade.
“O projeto técnico ainda precisa ser aprovado pelo síndico, porque é ele que também responderá caso a obra seja malfeita e venha a prejudicar algum morador”, explica o especialista em direito imobiliário e sócio da Tapai Advogados, Marcelo Tapai.
Outro ponto levantado pelos especialistas é a discussão sobre qual será a energia utilizada para a recarga desses veículos.
“O que pode ser feito nessas situações é: depois que as pessoas conseguem a autorização do condomínio para colocar uma tomada em sua vaga de garagem, essa tomada é ligada dentro do seu relógio de energia elétrica. E é tudo pago pelo próprio morador”, diz o advogado especialista em direito imobiliário e professor na Uninove Alessandro Azzoni.
Para driblar o problema, as próprias montadoras também oferecem carregadores portáteis para veículos elétricos como alternativa aos seus clientes. Há casos de venda à parte ou já incluindo na compra do carro.
Na BYD, por exemplo, todos os modelos comercializados já vêm, de forma promocional, o wallbox (equipamento de uso fixo para recarga, normalmente instalado nas garagens) e também um carregador portátil que pode ser conectado em qualquer tomada de 110V ou 220V.
O mesmo acontece com os carros elétricos vendidos pela BMW e da GWM. Já a Volvo faz a venda à parte do wallbox.
Wallbox da BYD vem de forma promocional na compra do carro.
Divulgação/ BYD
O síndico profissional Rodrigo Lobo, que exerce a profissão em diferentes condomínios de São Paulo, afirmou que já existe uma demanda crescente por parte dos moradores — principalmente naqueles condomínios que já conseguiram fazer a instalação de um ou mais pontos de recarga.
"O síndico tem que ter a habilidade e as facetas de conhecimento de como colocar esse ponto de carregamento no edifício, de maneira a atender o condômino sem prejudicar toda a massa condominial e a segurança", afirma.
Ele conta o caso específico de um condomínio. Após receber a solicitação de um morador, Lobo chamou um engenheiro elétrico para fazer a análise do edifício, que constatou que o prédio não teria uma capacidade ampliada para o abastecimento de carros elétricos — conseguindo instalar o ponto de recarga em apenas dez vagas do prédio, que tem 266 unidades.
"Além disso, esbarramos em outro problema, que é a conta de consumo dessa energia e como fazer a aferição disso em larga escala. […] Nesse caso, então, optamos por uma companhia terceirizada, que fez todo o processo de vistoria de responsabilidade técnica e disponibilizou um aplicativo, por meio do qual conseguimos acompanhar todo o consumo mensal", explica.
Como o número de vagas é limitado, no entanto, novas soluções precisarão ser pensadas caso surjam mais demandas de condôminos para a instalação de pontos de recarga no prédio.
"Nesse caso, se mais gente pedir, ou precisaremos fazer um revezamento entre as vagas de recarga ou teremos que fazer uma reforma em todo o quadro elétrico do condomínio", disse.
Caso a última opção seja escolhida, uma assembleia com quórum simples precisará ser feita para aprovação da medida. "Alguns condôminos podem se sentir lesados em pagar um aumento de tecnologia de infraestrutura do condomínio. Mas como isso acaba sendo uma benfeitoria", diz Lobo.
"Minha recomendação é que se leve para assembleia e, se a maioria aceitar, o custo será repassado para todos os proprietários", completa.
Como ficam os aspectos de segurança?
Junto com a questão do consumo de energia do condomínio, os debates também se estendem à segurança desses pontos de recarga em garagens de prédios residenciais e comerciais.
No início de abril, por exemplo, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de São Paulo divulgou uma minuta em que traz propostas para regulamentar a instalação e o funcionamento de ponto de recarga elétrica para veículos.
A iniciativa visa aumentar as medidas de segurança contra incêndio em carros elétricos, principalmente devido ao potencial risco de ignição das baterias de íons de lítio, que podem aumentar consideravelmente a carga de incêndios em estacionamentos.
A minuta traz uma série de propostas como forma de mitigar os riscos de incêndio, e deve ficar em consulta pública até o começo de agosto — prazo já prorrogado pelo Corpo de Bombeiros.
Veja alguns dos pontos abaixo:
Instalação de um ponto de desligamento manual de cada estação de recarga com vigilância permanente;
Sinalizações de emergência;
Distância de pelo menos cinco metros entre as vagas de recarga elétrica em áreas externas;
Proteção mínima de dois extintores de incêndio a uma distância de no máximo 15 metros;
Sistema próprio de detecção de incêndio e instalação de chuveiros automáticos em cada vaga automotiva com base de carregamento, entre outros.
Para o síndico profissional Rodrigo Lobo, apesar de algumas das medidas serem importantes para aumentar a segurança, alguns pontos podem acabar inviabilizando a adequação do prédio e a instalação de pontos de recarga — principalmente em condomínios que possuem um espaço restrito de garagem.
"Tem muita discussão sobre o tema, justamente porque hoje a legislação referente às vagas dos edifícios, inclusive em São Paulo, é muito restrita e antiga. Se em muitos lugares você mal consegue abrir a porta do seu carro se ele tem outro veículo na vaga lateral, imagine falando em um carro elétrico, se for o caso de precisar ter duas vagas de recuo? […] Isso praticamente impossibilita qualquer tipo de adequação", diz.
Caso a medida seja aprovada nesses termos, o síndico profissional acredita que a saída seria fazer um ponto de recarga transitório. "Vai depender do condomínio que tiver espaço para fazer ao menos um ponto de carregamento, precisando ser transitório. Mas isso ainda é um debate que está acontecendo", completa.
Quais os direitos do condomínio e do morador na instalação de postos de recarga?
Segundo os especialistas em direito imobiliário, ainda não há uma jurisprudência que determine a obrigação dos condomínios em adaptar suas estruturas para receber um posto de recarga de carros elétricos.
“O condomínio não tem obrigação nenhuma em instalar essas tomadas porque não há a obrigatoriedade de ter um sistema de abastecimento de energia dentro do prédio”, explica Azzoni.
Algumas regiões, no entanto, já começam a trazer normas para incentivar a instalação em novos empreendimentos. Em São Paulo, por exemplo, já existem normas que regulamentam soluções de recarga para carros elétricos, bem como no Rio de Janeiro, no Distrito Federal e em outras regiões.
“Em muitas regiões estão sendo implementadas leis e regulamentações que incentivam ou até exigem a instalação de infraestrutura de carregamento elétrico em novos empreendimentos”, diz Bueno, da Lello.
Já do lado do consumidor, os especialistas reiteram a necessidade de avaliar cuidadosamente os ônus e os bônus de comprar um carro elétrico antes mesmo de pensar em instalar um posto de recarga na residência.
“Direito de pedir [a instalação do posto de recarga], o condômino sempre tem. Mas a questão sobre o condomínio querer ou não instalar não é tão simplista assim”, pondera Tapai.
Segundo o advogado, o primeiro problema em que essas situações esbarram é o econômico-financeiro, de quanto custa para fazer a instalação e quais as eventuais limitações técnicas que o prédio possa ter.
“Mesmo que o condômino garanta que vai pagar tudo o que for necessário para a instalação da tomada, é preciso entender a capacidade elétrica do prédio”, diz Tapai, explicando que, principalmente em condomínios mais antigos, uma instalação que exceda a demanda calculada do prédio pode até provocar incêndios, trazendo riscos de segurança para a estrutura própria e as vizinhas.
O advogado ainda reitera que o morador que comprar um carro elétrico não pode fazer a instalação do posto de recarga por conta própria. Caso isso aconteça, o síndico é o responsável por intervir na situação e os demais moradores podem entrar com uma ação tanto contra o síndico como contra o condomínio.
“No meu entendimento, o melhor caminho para se chegar a um acordo é sempre a conversa. É complicado chegarmos ao extremismo do ‘cada um com seus problemas’, mas se a edificação for imprópria, se for inviável ou se a maioria dos moradores não quiser, infelizmente o dono do carro vai precisar buscar outro imóvel para conseguir ter um posto de recarga”, completa Tapai.

Mega-Sena, concurso 2.729: prêmio acumula e vai a R$ 75 milhões

As pessoas que querem ter celulares menos inteligentes – e por que empresas não querem mais fabricá-los
Veja as dezenas sorteadas: 47 – 54 – 20 – 41 – 27 – 53 Aposta única da Mega-Sena custa R$ 5 e apostas podem ser feitas até as 19h
Marcelo Brandt/G1
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O sorteio do concurso 2.729 da Mega-Sena, de R$ 47.628.974,41 milhões, foi realizado na noite deste sábado (25), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 75 milhões.
Os números sorteados foram: 47 – 54 – 20 – 41 – 27 – 53
5 acertos – 59 apostas ganhadoras: R$ 62.041,66
4 acertos – 3.760 apostas ganhadoras: R$ 1.390,75
O próximo sorteio da Mega será na terça-feira (28).
Mega-Sena
Reprodução
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Entenda como funciona a Mega-Sena e qual a probabilidade de ganhar o prêmio
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal – acessível por celular, computador ou outros dispositivos.
É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para a aposta simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 5, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 15 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 22.522,50, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 10.003, ainda segundo a Caixa.

ICQ vai sair do ar após 28 anos

As pessoas que querem ter celulares menos inteligentes – e por que empresas não querem mais fabricá-los
Serviço de mensagens deixa de funcionar no dia 26 de junho. Programa foi bastante popular nos anos 2000 e chegou a ter mais de 100 milhões de usuários no mundo. Mensagem em inglês no site do ICQ anuncia o fim do serviço
Reprodução
"Uh-oh". O som do ICQ, popular nos computadores dos brasileiros no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, vai soar pela última vez em 26 de junho, informou a VK, dona do serviço de mensagens instantâneas.
A VK, da Rússia, disse no site do mensageiro que "o ICQ vai parar de funcionar em 26 de junho. Você pode usar o VK Messenger para falar com seus amigos e o VK WorkSpace com seus colegas de trabalho".
O ICQ foi um dos primeiros serviços de mensagens instantâneas para o computador, junto com o Microsoft MSN Messenger e o AOL Instant Messenger.
O programa foi criado em 1996 pela companhia israelense Mirabilis e vendido para a AOL em 1998.
O chat chegou a registrar 100 milhões de usuários em todo o mundo em 2001. Ao longo do tempo, o serviço perdeu relevância e foi substituído por mensageiros mais modernos, como o WhatsApp.
Em 2010, o programa foi vendido para a Digital Sky Technologies, dona do serviço VK, um clone russo do Facebook. Atualmente, o ICQ tinha versões para a web, computadores e celulares Android e iOS.
Tela do ICQ mais recente em um celular
Reprodução
Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual

As pessoas que querem ter celulares menos inteligentes – e por que empresas não querem mais fabricá-los

As pessoas que querem ter celulares menos inteligentes – e por que empresas não querem mais fabricá-los
Autoproclamados neo-luditas (pessoas que rejeitam tecnologias), algumas pessoas estão buscando celulares com menos recursos. Especialistas da indústria apontam margens de lucro precárias e um mercado instável em torno dessa necessidade específica. Alguns consumidores estão voltando a usar dispositivos mais antigos e simples
Getty Images/Via BBC
O iPhone completa 17 anos este ano. O lançamento do dispositivo com controle por tela sensível ao toque (touchscreen) marcou um momento que definiu nossas expectativas em relação aos smartphones desde então.
Quase uma geração inteira cresceu sem conhecer a vida sem um smartphone.
Tempo suficiente se passou para que as pessoas aprendessem sobre os benefícios e malefícios desses dispositivos em suas vidas, seja por inúmeros estudos científicos, seja por suas próprias experiências.
📱Muitas pessoas estão agora cientes dos custos de ter o mundo ao alcance dos dedos. E estão rejeitando as maneiras como esses telefones podem prejudicar a concentração, afetar o sono e agravar problemas de saúde mental.
Existem várias maneiras relativamente simples de lidar com essas questões, como instalar aplicativos que limitam o tempo de tela.
No entanto, algumas pessoas estão decidindo ir mais longe, voltando a um tempo antes da conexão constante.
➡️Elas estão migrando para dumbphones (em oposição ao smartphone), um termo abrangente para celulares com funções básicas, como chamadas, mensagens de texto e alarmes.
Alguns dumbphones lembram os celulares flip dos anos 90. Outros são produtos de nicho, de alto padrão, que proporcionam uma experiência de smartphone simplificada a um custo surpreendentemente alto.
Em alguns casos, pais preocupados estão optando por esses dispositivos como uma forma de manter seus filhos longe das distrações de um smartphone.
Mas o mercado também inclui:
idosos que desejam algo simples;
trabalhadores em indústrias pesadas, como construção civil ou agricultura, que precisam de aparelhos resistentes;
e usuários comuns que não podem pagar o preço médio de um smartphone, muitas vezes acima de US$ 500 (R$ 2.040), sendo que os smartphones topo de linha podem custar até US$1.600 (R$ 6.630). No Brasil, o valor de um iPhone pode chegar a cerca de R$ 14 mil.
Abandonar esses dispositivos também se tornou uma tendência: adolescentes desesperados para escapar das redes sociais estão se autoproclamando neo-luditas.
Eu sabia que precisava tentar também. Crescendo em uma casa sem consoles de videogame no início dos anos 2000, jogava Halo e Borderlands na casa de amigos até ficar tonto e desorientado.
Mais tarde, como repórter de jornal, absorvia a enxurrada de informações do Twitter entre os prazos de entrega e depois passava horas rolando notícias quando chegava em casa.
Durante a pandemia, abandonei o Twitter, mas sucumbi ao Instagram Reels. A sensação de estar sempre conectado corroía meu bem-estar. Sair do universo dos smartphones parecia perfeito para mim.
No entanto, fazer isso, na prática, foi um pouco mais difícil do que eu esperava.
Primeiro, tive dificuldade para conseguir um dumbphone.
Havia poucas opções e menos recomendações ainda, um contraste gritante com os milhões de análises de smartphones na internet.
Finalmente encontrei um site do escritor e defensor dos dumbphones Jose Briones, que oferece um "localizador de dumbphones".
Acabei escolhendo um CAT-S22, um celular flip semi-inteligente, que tem acesso a aplicativos como Google Maps. Custou US$ 69 (R$ 352) e termina qualquer chamada com um estalido satisfatório.
Quanto mais aprendia sobre dumbphones, mais percebia que a falta de análises não era necessariamente o motivo pelo qual eu estava tendo dificuldade em encontrar um aparelho.
Apesar da demanda crescente, entendi que os fabricantes de celulares têm pouco ou nenhum interesse em oferecer esses dispositivos.
Com os smartphones representando a grande maioria de todas as novas vendas de celulares, os gigantes da tecnologia têm pouco incentivo econômico para continuar produzindo novos dumbphones ou atualizando suas linhas existentes.
Economia precária
Embora pequeno, existe um mercado para os dumbphones.
➡️Nos EUA, dados de agosto de 2023 da Counterpoint Research mostram que os feature phones (ou telefone básico inteligente) – um tipo de dumbphone básico com capacidades reduzidas – compõem apenas 2% do mercado de celulares. Isso representa apenas uma pequena fração, mas ainda são muitos dispositivos.
➡️A Counterpoint estimou que as vendas de feature phones nos EUA chegariam a 2,8 milhões até o final do ano.
"Os feature phones permanecem consistentes nos EUA, pois seu design simples, acessibilidade e resistência ainda atendem a públicos específicos", segundo a empresa.
"Embora não haja um aumento significativo no mercado de feature phones, existem necessidades constantes que criam uma demanda estável para esses aparelhos em um mercado dominado pelos smartphones."
Jim Roberts, professor de Marketing na Hankamer School of Business da Universidade Baylor, no Texas (EUA), afirma que uma proporção surpreendente dos dumbphones do mundo é vendida nos EUA – ele estima cerca de 20%, embora os dados de mercado variem consideravelmente.
"[Os consumidores] estão percebendo que não estão mais felizes, ou estão menos felizes, do que gostariam de estar", diz Roberts. "E eles passam tanto tempo em seus smartphones que estão vendo o celular como o culpado."
De acordo com o Statista Market Insights, o mercado global total de feature phones deve gerar uma receita de US$ 10,6 bilhões (R$ 54 bilhões) este ano.
No entanto, embora os fabricantes de telefones obtenham somas notáveis com as vendas de feature phones, eles têm dificuldade em lucrar com o hardware simplificado.
E geralmente não vale a pena, economicamente, tentar melhorar esse negócio, especialmente porque os telefones costumam ser apenas uma pequena divisão de suas empresas como um todo.
Muitas dessas gigantes da tecnologia geralmente geram receita com software ou hardware altamente especializado, pelo qual os consumidores estão dispostos a pagar preços elevados. Elas também têm fontes de receita muito diversificadas.
A Samsung, por exemplo, ganha bilhões todos os anos com sua divisão de semicondutores.
➡️Simplesmente, essas empresas têm pouco incentivo para atender aos usuários de dumbphones, cujo potencial de receita é relativamente pequeno – isso se conseguirem sequer tornar a fabricação desses dispositivos economicamente viável.
Além disso, especialistas dizem que a enorme quantia que as gigantes da tecnologia podem cobrar pelos smartphones sugere que elas não darão prioridade aos usuários de feature phones tão cedo.
Briones, que deixou de usar smartphones em 2019, explica que as grandes empresas de tecnologia não querem que os dumbphones superem seus modelos mais chamativos e caros.
"As grandes empresas de tecnologia não querem nada que reduza o uso de smartphones, pois não ganham dinheiro com o hardware do dispositivo", diz ele.
Uma alternativa viável?
Para as empresas que ainda oferecem dumbphones, Thomas Husson, vice-presidente e principal analista da Forrester Research, não espera que muitas delas consigam sobreviver – ou pelo menos continuar fabricando esses dispositivos a longo prazo.
Além das margens de lucro precárias, há também o problema de que a tecnologia que sustenta esses dispositivos se tornará tão obsoleta que eles não poderão mais funcionar.
Por exemplo, os usuários de dumbphones em todo o mundo ficarão sem sorte se as redes 2G e 3G que garantem sua funcionalidade desaparecerem completamente. Além disso, muitos empregos – mesmo em posições de baixa remuneração – exigem que os funcionários possuam celulares com capacidades de aplicativos.
No fim das contas, pode não haver clientes suficientes para sustentar mesmo o modelo de negócios mais inteligente.
No entanto, pode haver uma maneira para as empresas de dumbphones sobreviverem.
Para serem economicamente viáveis, argumenta Husson, as empresas poderiam "desenvolver uma marca premium de nicho para alcançar esses segmentos".
De fato, algumas startups estão tentando capturar esse mercado especializado e encontrar sucesso econômico – oferecendo uma espécie de releitura moderna do feature phone.
A Light, sediada em Nova York, cria "Light Phones" customizáveis que minimizam a exposição à internet, redes sociais e outras distrações.
"O que estamos tentando fazer com o Light Phone não é criar um dumbphone, mas sim um telefone mais intencional – um telefone premium e minimalista – que não é inerentemente anti-tecnologia", disse Joe Hollier, cofundador da Light, à CNBC em 2023.
O dispositivo atualmente custa US$ 299 (R$ 1.525) – comparável a modelos de smartphones de baixo ou médio custo. É um preço alto para um telefone simplificado, mas a única maneira para a empresa tornar um produto de nicho economicamente viável.
Ao contrário dos feature phones, que geralmente são vendidos por seu baixo custo ou robustez, os telefones da Light são destinados a usuários conscientes que buscam um detox digital e desejam alguma conectividade sem sacrificar estilo ou funcionalidade.
O Light Phone de Briones faz chamadas, envia mensagens de texto e tem funções básicas de aplicativos, tudo visualizado através de uma tela de tinta eletrônica (e-ink) semelhante a um e-reader. Ele também pode ter um calendário, obter direções, transmitir podcasts e música e fazer anotações.
"É um bom conjunto de funcionalidades com o qual aprendi a viver", diz ele.
No início deste ano, a marca suíça Punkt também lançou um smartphone simplificado por US$ 750 (cerca de R$ 3.825).
Eles apostam que consumidores de alto padrão se interessarão por um hardware que se assemelha aos smartphones a que estão acostumados.
A Punkt se voltou para a abordagem de dumbphone de luxo; em 2015, a empresa ofereceu um feature phone que se parecia com um iPhone, mas que só fazia chamadas, enviava mensagens de texto e tinha um calendário e um relógio. Não deu certo.
Esses novos dispositivos também terão que competir com outros modelos de negócios destinados a atrair usuários que desejam reduzir sua dependência digital, mas que podem querer fazer isso de uma maneira mais suave do que uma transição completa de hardware.
Essa é a estratégia da Ghost Mode, uma empresa sediada nos EUA. Em vez de vender seu próprio telefone, a empresa reprograma essencialmente um smartphone Google Pixel 6a de acordo com as especificações do cliente, com todos os aplicativos necessários.
Depois disso, a Ghost Mode bloqueia o telefone nessas configurações. Como a maioria desses produtos de nicho, esse serviço não é barato, custando US$ 600 (cerca de R$ 3 mil), mas pode atrair consumidores de alto padrão mais do que a opção de abandonar seus smartphones completamente.
Apesar desses novos participantes e do interesse crescente por telefones mais simples, o sucesso ainda é incerto.
A Bullitt, fabricante licenciada do CAT S-22 que comprei, fechou as portas um dia antes de meu telefone chegar. Apesar das notícias, experimentei o hardware por cerca de uma semana.
Ele me permitia fazer chamadas, enviar mensagens de texto e usar alguns aplicativos que eu usava para manter contato com amigos e familiares. Meu uso total da internet caiu para apenas uma hora por dia.
Eu conseguia me concentrar melhor no meu entorno, em livros e em música. Mas senti falta do meu aplicativo de biblioteca.
Então, voltei para o meu Samsung Galaxy A32 bastante desgastado – com uma ressalva. Instalei o Minimalist Phone, um aplicativo que elimina os ícones chamativos de aplicativos e fundos em favor de uma interface em preto e branco.
Mantive o Messenger, WhatsApp e Discord para manter contato, mas quase todos os outros aplicativos não essenciais foram descartados. Não sinto falta deles.
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