‘Palavra intervencionismo é completamente inadequada na Petrobras’, diz Alexandre Silveira

Desemprego de longa duração é o menor para o 1º trimestre desde 2015, mas deve frear junto com a economia; entenda
Conselho da companhia aprovou a saída de Jean Paul Prates. No seu lugar, a engenheira Magda Chambriard deve assumir o posto. Ministro de Minas e Energia diz que não será 'uma mudança abrupta' na empresa, e que a Petrobras continuará atrativa para os investimentos. Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
Reprodução
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta terça-feira (21) ao Em Ponto, da GloboNews, que a "palavra intervencionismo é completamente inadequada na Petrobras". O posicionamento acontece quase uma semana após o Conselho da companhia aprovar a saída de Jean Paul Prates do comando da empresa.
Prates travou embates com os integrantes do Conselho de Administração da petroleira e com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Um deles foi o pagamento de dividendos extraordinários da Petrobras, que se tornou a gota d'água na relação entre todos.
Prates foi indicado para o cargo antes mesmo de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomar posse, em dezembro de 2022.
Para o seu lugar, a indicada de Lula é a engenheira Magda Chambriard, que também assessorou a comissão interministerial para estudar as regras de exploração e produção das reservas de petróleo e gás na área do pré-sal.
Magda tem 66 anos e foi convidada por Lula para a presidência da estatal
Silveira justificou que a indicação de Magda não é "uma mudança abrupta na Petrobras, […] para que ela (Petrobras) continue sendo atrativa para os investimentos". O ministro afirmou ainda que o foco com a estatal é continuar com o plano de investimentos.
No último mês, a companhia informou que projeta investir US$ 73 bilhões em atividades de exploração e produção, sendo que parte dos recursos será destinada para demandas relacionadas à indústria naval e offshore.
De acordo com a petroleira, os projetos relacionados a essas demandas contemplam, entre outros pontos, plataformas de petróleo, navios de apoio marítimo, embarcações de cabotagem e destinação sustentável de unidades.
A estimativa da empresa é criar até 100 mil empregos diretos e indiretos com essa demanda, no prazo estimado para os projetos.
O ministro afirmou ainda que o investidor não precisa se preocupar com o novo nome e que não terão surpresas na gestão da companhia. Magda já passou por todas as etapas formais de aprovação interna da companhia.
Como as regras da Petrobras determinam que o presidente deve ser integrante do Conselho de Administração da Petrobras, a indicada deve ser aprovada pelo conselho e depois pela assembleia de acionistas.
De acordo com a colunista Ana Flor, o Conselho deve se reunir na próxima sexta-feira (24) para analisar o nome da engenheira.
Petrobras perde R$ 34 bilhões em valor de mercado após demissão de Jean Paul Prates; Bruno Carazza comenta

Conselho da Petrobras vai analisar nome de Magda Chambriard na próxima sexta-feira

Desemprego de longa duração é o menor para o 1º trimestre desde 2015, mas deve frear junto com a economia; entenda
Foto de arquivo – Magda Chambriard durante oitiva em 26/22/2014 , quando era diretora-geral da ANP
Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados
Fontes da Petrobras informaram ao blog que o Conselho de Administração da petroleira se reúne na próxima sexta-feira (24) para analisar o nome da engenheira Magda Chambriard para a presidência da empresa.
Magda foi indicada pelo presidente Lula, em substituição a Jean Paul Prates, e já passou por todos as etapas formais de aprovação interna da companhia.
Atualmente, quem ocupa interinamente a presidência é a economista Clarice Coppeti.
O currículo de Magda precisou passar pela burocracia interna da Petrobras, que analisa potenciais conflitos de interesse e preparo para o cargo.
Como as regras da Petrobras determinam que o presidente deve ser integrante do Conselho de Administração da Petrobras, a indicada deve ser aprovada pelo conselho e depois pela assembleia de acionistas.
Contudo, com a renúncia de Prates, o caminho é encurtado. Nesse caso, depois de ter o currículo avaliado, Magda precisa apenas da maioria dos votos no Conselho de Administração – composto por 11 cadeiras.
Com o aval, ela já pode assumir a presidência e ter o seu nome referendado pela próxima assembleia de acionistas.
Perfil
Formada em engenharia civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Magda Chambriard é mestre em engenharia química. Ela também tem especializações em engenharia de reservatórios e avaliação de formações, além de produção de petróleo e gás.
A engenheira começou a trabalhar na Petrobras em 1980, atuando na área de produção por mais de 20 anos. Em 2002, assumiu a assessoria da diretoria de Exploração e Produção da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Em 2008, Magda assessorou a comissão interministerial criada pelo presidente Lula para estudar as regras de exploração e produção das reservas de petróleo e gás na área do pré-sal.
Já em 2012, ela assumiu a diretoria-geral da ANP, onde permaneceu até 2016. Enquanto esteve no cargo, liderou estudos técnicos que resultaram na primeira licitação do pré-sal.
Desde 2021, a engenheira atua na Assessoria Fiscal Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ela também é sócia da empresa Chambriard Engenharia e Energia.

Ashley Madison: o mega hackeamento que expôs dados de milhões de casados infiéis (e o que aconteceu com a empresa)

Desemprego de longa duração é o menor para o 1º trimestre desde 2015, mas deve frear junto com a economia; entenda
A promessa era do mais estrito sigilo, mas o site de namoro para homens e mulheres com companheiros acabou abalando os alicerces de milhões de relacionamentos. Ashley Madison: o mega hackeamento que expôs dados de milhões de casados infiéis (e o que aconteceu com a empresa)
PA
"A vida é curta. Tenha um affair."
Com este slogan, a empresa Ashley Madison seduziu pessoas casadas de todo o mundo dispostas a encontrar fora da família a paixão que já sentiram nas relações amorosas.
Mas tudo acabou mal quando hackers misteriosos revelaram os dados pessoais e alguns dos segredos mais escondidos de cerca de 32 milhões de assinantes do serviço.
Desde casamentos desfeitos e marginalização social até suicídios, as consequências foram devastadoras para muitos dos usuários da plataforma.
A Netflix estreou esta semana a minissérie documental Ashley Madison: Sexo, Mentiras e Escândalo, dirigida por Toby Paton.
Confira nesta reportagem o que aconteceu com a plataforma de relacionamentos mais transgressora da História.
O que é Ashley Madison
Ashley e Madison são dois nomes femininos comuns nos EUA que inspiraram o nome da plataforma
GETTY IMAGES
Quando a internet se instalou no cotidiano das pessoas, o canadense Darren J. Morgenstern viu que homens e mulheres ávidos por aventuras fora do casamento poderiam ser um bom nicho de mercado.
Em 2002, ele fundou a Ashley Madison, um portal onde esses usuários podiam compartilhar informações pessoais, fotos e preferências sexuais para se conectarem com potenciais amantes nas proximidades.
De acordo com o modelo de negócio, as mulheres podiam iniciar conversas com outros membros gratuitamente, enquanto os homens tinham que comprar créditos para fazer o mesmo.
Depois de resultados relativamente discretos nos primeiros anos, a chegada de Noel Biderman como novo CEO da empresa em 2007 impulsionou o número de usuários por meio de uma estratégia de marketing hábil, agressiva e controversa.
A maioria das redes online recusou-se a transmitir anúncios da Ashley Madison, então Biderman recorreu às redes de TV dos Estados Unidos com mensagens inovadoras e escandalosas — como, por exemplo, dizer que a infidelidade poderia ter efeitos positivos nos relacionamentos.
Soma-se a isso uma campanha intensa e provocativa com mensagens em sites, meios de comunicação e outdoors que não deixaram ninguém indiferente.
'Sua esposa é gostosa… Mas as nossas também!', diz um pôster que é exemplo da campanha publicitária transgressora do site Ashley Madison
GETTY IMAGES
Depois de atrair forte atenção da mídia, a plataforma se expandiu para diversos países e, no auge, afirmava ter 37 milhões de usuários, além de gerar lucros milionários.
Em decorrência disso, o site tornou-se alvo de críticas iradas de um grande número de detratores, que o consideravam imoral e uma ameaça aos valores familiares tradicionais.
Isso não incomodou os donos do negócio. "Não existe publicidade ruim. Toda publicidade é boa", afirma um deles na série recém-lançada.
O hackeamento
O portal prometia discrição absoluta, estrita confidencialidade e os mais elevados padrões de segurança na proteção dos dados pessoais dos usuários.
No entanto, como reconhecem ex-funcionários da empresa no documentário da Netflix, essa era uma promessa falsa e a empresa náo tinha proteções satisfatórias.
Em 2015, um grupo que se autodenomina The Impact Team ("A Equipe de Impacto", em tradução livre) invadiu os sistemas da Ashley Madison e extraiu quase todas as informações dos servidores.
O grupo disse à empresa que, caso não encerrasse definitivamente os negócios em 30 dias, publicaria as informações pessoais de todos os usuários na chamada dark web.
Existe uma teoria de que o The Impact Team pode ser uma única pessoa. Talvez um ex-funcionário irritado, um fanático religioso, um concorrente ou um cônjuge traído?
GETTY IMAGES
Após várias tentativas fracassadas de encontrar o responsável pelo hackeamento — e apesar da contratação urgente de hackers de alto nível para realizar essa tarefa —a empresa não concordou com a chantagem, nem conseguiu impedir que o The Impact Team concretizasse a ameaça.
Os dados de cerca de 32 milhões de pessoas vazados na dark web incluíam nomes, fotografias, endereços, e-mails e preferências sexuais.
Posteriormente, um novo compartilhamento de dados envolveu imagens íntimas, números de cartão de crédito e mais informações privadas dos usuários.
'Caça às bruxas'
O conteúdo migrou rapidamente da dark web para as páginas da internet mais acessíveis ao público. A partir daí, bastava simplesmente inserir um e-mail para revelar se o dono daquele endereço havia usado o Ashley Madison.
Nos Estados Unidos, o principal mercado da plataforma, o vazamento deu origem a toda uma "caça às bruxas". Milhões de pessoas passaram a procurar e apontar suspeitos de infidelidade, desde maridos e parentes a vizinhos, pastores de igrejas, políticos e celebridades.
Foi o caso dos famosos YouTubers americanos Sam e Nia Rader, que são o fio condutor do documentário da Netflix.
O casamento aparentemente perfeito que eles tinham entrou em colapso quando se descobriu que Sam havia buscado aventuras extraconjugais no Ashley Madison.
O vazamento de dados da Ashley Madison mudou a vida de Sam e Nia Rader
Netflix
Embora não existam dados concretos, sabe-se que a publicação de informações de usuários da Ashley Madison desfez muitos casais e casamentos nos EUA e em diversos outros países.
Alguns desses episódios tiveram um fim trágico, como foi o caso de John Gibson, pastor e seminarista de Nova Orleans que enfrentou a rejeição em sua comunidade depois que a presença dele na plataforma foi revelada.
Gibson acabou se suicidando, segundo o relato da esposa dele.
Na contramão, outro casal afirmou ter experimentado boas experiências com o site de namoro, o que os inspirou a estabelecer um relacionamento aberto.
A publicação da lista de possíveis traidores e infiéis também revelou indícios de fraude por parte da empresa.
Embora afirmasse que cerca de 40% do público era formado por mulheres, descobriu-se que elas representavam apenas uma pequena parte dos usuários.
Além disso, existiam muitos perfis falsos ou robôs supostamente criados pela própria empresa para atrair homens e fazê-los comprar créditos.
A plataforma ainda permitia que os usuários excluíssem permanentemente as contas e os dados pessoais por US$ 19 (cerca de R$ 97). Mas esse apagamento das informações era falso, visto que muitos dos clientes que contrataram o serviço tiveram dados vazados mesmo assim.
O The Impact Team também publicou e-mails privados do CEO Noel Biderman, que expuseram várias infidelidades, apesar de ele sempre alegar em entrevistas — muitas vezes ao lado da esposa — que era estritamente monogâmico.
O que aconteceu com a Ashley Madison
Ilustração promocional da Netflix sobre a série
Netflix
Biderman, que não esteve envolvido no documentário, deixou o cargo de CEO em 2015 após a crise em torno do hackeamento.
Os tribunais foram inundados com queixas de fraude e danos contra a Ashley Madison, que desembolsou um total de 11 milhões de dólares (cerca de R$ 56 milhões) a várias vítimas.
Mas a plataforma não desapareceu completamente.
Ele mudou de proprietário, se promove como "o aplicativo de namoro para casados ​​número um" do mundo e afirma ter hoje mais de 80 milhões de usuários em vários países.
O diretor do documentário, Toby Paton, afirma que tentou abordar a história da forma mais equilibrada possível, para evitar qualquer posicionamento moral sobre a questão.
"Em vez de repreender as pessoas que estavam no Ashley Madison, queríamos saber por que eles foram atraídos para o site. O que eles procuravam? O que acontecia nos relacionamentos deles?", questiona Paton, no material divulgado pela Netflix.
"Todos sabemos que a infidelidade pode ser incrivelmente destrutiva e dolorosa, mas, ao mesmo tempo, o fato de a Ashley Madison ter 37 milhões de membros nos diz outra coisa que todos sabemos: comprometer-se com uma pessoa para o resto da vida é algo realmente difícil", reflete ele.
Até hoje não se sabe quem foi o autor (ou os autores) do hackeamento que abalou os alicerces de milhões de casais pelo mundo.
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Abono Salarial, FGTS, restituição do IR: veja como pedir os benefícios anunciados pelo governo ao RS

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A Caixa Econômica Federal é responsável pela maioria dos pagamentos às pessoas atingidas pela tragédia. Entre os benefícios, estão o auxílio de R$ 5,1 mil para compra de móveis e a antecipação do Bolsa Família. Morador de Lajeado, no Rio Grande do Sul.
Fábio Tito/g1
Ao longo das últimas semanas, o governo federal anunciou uma série de medidas para dar apoio às famílias afetadas pelas chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul. Até esta segunda-feira (20), a tragédia tinha deixado 157 mortos e mais de 650 mil pessoas fora de casa.
Nesta reportagem, você vai ver o passo a passo para solicitar ou ter acesso aos benefícios disponibilizados pelo governo.
São eles:
Auxílio Reconstrução
Saque Calamidade do FGTS
Antecipação e ampliação do Bolsa Família
Antecipação do Abono Salarial
Parcelas adicionais do Seguro-Desemprego
Antecipação da restituição do Imposto de Renda
Moradia e financiamento habitacional
Auxílio Reconstrução
O governo federal anunciou o pagamento de R$ 5,1 mil às famílias, em parcela única, para ajudar na compra de móveis e eletrodomésticos. A transferência será feita pela Caixa Econômica Federal, via PIX.
Terão direito ao benefício as famílias que ficaram desalojadas ou desabrigadas por conta das cheias. Antes de receberem, no entanto, os beneficiários deverão passar por uma triagem das prefeituras.
Segundo o governo, o pagamento será limitado a uma pessoa por família. Os critérios do benefício e os prazos para o início dos pagamentos ainda serão detalhados.
A estimativa é de que cerca de 240 mil famílias sejam beneficiadas.
▶️ Como vai funcionar?
De acordo com o governo, aqueles que perderam seus documentos vão precisar apenas do número de CPF para solicitar o benefício via aplicativo, com uma autodeclaração.
Para quem não puder comprovar o endereço, serão checadas informações em cadastros já existentes nos sistemas do governo federal. Após a conferência dos dados, o pagamento será feito automaticamente.
Nesta quarta-feira (22), as prefeituras começam a enviar ao governo as listas das áreas atingidas. A partir da próxima segunda-feira (27), as famílias afetadas terão que acessar o portal gov.br e confirmar os dados passados pelas prefeituras.
Apenas quando esses dados forem confirmados e validados, segundo o governo, a parcela será transferida. O cadastramento para o Auxílio Reconstrução vai acontecer da seguinte maneira:
As prefeituras realizam o cadastro das famílias desalojadas ou desabrigadas, com informações pessoais e de endereço, no sistema do governo federal;
Responsável pela família beneficiária confirma informações pela conta do gov.br;
Caixa Econômica Federal realiza o pagamento em uma conta já existente ou abre uma nova conta para o beneficiário, que acessará o dinheiro com o aplicativo Caixa TEM
A data do pagamento depende do envio das informações pelos municípios, do processamento dos dados e da confirmação desses dados pelas famílias. Veja aqui perguntas e respostas sobre o Auxílio Reconstrução.
Saque Calamidade do FGTS
Os trabalhadores atingidos pelo desastre no Rio Grande do Sul e que tenham saldo no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) podem recorrer ao Saque Calamidade.
O valor do saque será o saldo disponível na conta do FGTS, na data da solicitação, limitado à quantia de R$ 6.220,00 para cada evento caracterizado como desastre natural. O intervalo entre um saque e outro não pode ser inferior a 12 meses.
Têm direito ao benefício os moradores de áreas afetadas por desastres naturais, que tiveram seus imóveis atingidos ou interditados, identificados pela Defesa Civil Municipal.
▶️ Como solicitar?
Ao registrar a solicitação, é possível indicar uma conta da Caixa, inclusive a Poupança Digital Caixa Tem, ou de outra instituição financeira para receber os valores, sem nenhum custo.
Veja o passo a passo para solicitação do Saque Calamidade pelo app FGTS:
Acesse o aplicativo FGTS e vá em "Meus Saques";
Escolha "Outras Situações de Saques";
Selecione "Calamidade Pública";
Informe o município de residência e clique em "Continuar";
Escolha a forma de receber o FGTS (crédito em conta bancária ou saque presencial);
Anexe os documentos requeridos;
Confirme a solicitação.
Veja quais os documentos obrigatórios para solicitação do Saque Calamidade pelas agências da Caixa:
Comprovante de residência em nome do trabalhador (emitido nos 120 dias anteriores à decretação da emergência);
Sem um comprovante de residência, o titular da conta do FGTS poderá apresentar uma declaração com nome completo, data de nascimento, endereço residencial e número do CPF do trabalhador, emitida pelo governo municipal, em papel timbrado, atestando que o trabalhador é residente na área afetada;
Documento de identificação do trabalhador ou diretor não empregado.
CPF;
CTPS física ou digital ou outro documento que comprove vínculo empregatício.
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Antecipação e ampliação do Bolsa Família
Tradicionalmente, o pagamento do Bolsa Família é feito nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. Com o desastre, no entanto, o governo antecipou para o dia 17 de maio o pagamento do benefício à população do Rio Grande do Sul que se enquadra no programa.
No total, 620 mil famílias tiveram acesso aos recursos, com valor médio de R$ 672,74. Além disso, mais 21 mil famílias do estado que preenchem os requisitos do programa entrarão na folha de pagamento de junho, segundo o governo.
▶️ Como receber?
Segundo a Caixa Econômica Federal, as famílias que recebem o benefício pelo app CAIXA Tem podem continuar movimentando os recursos pelo aplicativo, sem precisar comparecer a uma agência.
Também é possível usar o cartão do Bolsa Família para compras em estabelecimentos comerciais por meio da função de débito e realizar saques nos terminais de autoatendimento, unidades lotéricas, correspondentes CAIXA Aqui, além das agências da CAIXA.
O beneficiário ainda pode fazer transferências via PIX e realizar o pagamento de contas.
Para quem não conseguir usar os canais digitais, a Caixa informa que tem mais de mil pontos de atendimento, entre agências e lotéricas, funcionando em todo o Rio Grande do Sul.
▶️ Problemas com a documentação?
Para beneficiários do Bolsa Família que têm conta na Caixa e perderam o cartão, é possível receber em uma agência ou em um caminhão de atendimento do banco apresentando documento com foto.
A opção para quem perdeu o cartão e o documento com foto é utilizar o app CAIXA Tem. Com ele, é possível fazer PIX e pagar contas. Além disso, quem já tem a digital cadastrada no banco consegue receber nas agências, nos terminais de autoatendimento e nas lotéricas com máquina de biometria.
Para beneficiários do Bolsa Família que não têm conta na Caixa e perderam o cartão do benefício, basta ir a uma agência ou a um caminhão de atendimento e apresentar documento com foto.
Já os que perderam o cartão e o documento com foto precisam procurar pela gestão do Bolsa Família de seu município. A partir daí, será emitida uma declaração especial de pagamento, com a qual será possível receber em uma agência ou em um caminhão da Caixa.
Antecipação do Abono Salarial
O pagamento do Abono Salarial 2024, referente ao ano-base 2022, foi antecipado para o dia 15 de maio aos trabalhadores do Rio Grande do Sul.
A antecipação do crédito contempla aqueles que nasceram entre julho e dezembro. Para os nascidos em maio e junho, essa já era a data prevista inicialmente.
Os valores do abono variam de acordo com a quantidade de dias trabalhados durante o ano-base. Para ter direito ao benefício, os trabalhadores devem atender aos seguintes critérios:
estar cadastrado no programa PIS/Pasep ou no CNIS (data do primeiro emprego) há pelo menos cinco anos;
ter trabalhado para empregadores que contribuem para o Programa de Integração Social (PIS) ou para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep);
ter recebido até 2 salários-mínimos médios (no valor em vigor no ano-base) de remuneração mensal no período trabalhado;
ter exercido atividade remunerada durante pelo menos 30 dias, consecutivos ou não, no ano-base da apuração (2022);
ter os dados informados pelo empregador (pessoa jurídica ou governo) corretamente na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) ou no eSocial do ano-base considerado para apuração (2022).
▶️ Como sacar?
Os trabalhadores que têm conta corrente ou poupança na Caixa receberão o crédito automaticamente em sua conta do banco. Os demais beneficiários receberão os valores por meio da Poupança Social Digital, que pode ser movimentada pelo app CAIXA Tem.
O aplicativo permite pagar contas, efetuar transferências, pagar na maquininha e realizar compras com o cartão de débito virtual.
Caso o trabalhador não consiga abrir a conta digital, o saque poderá ser feito com o Cartão Social e senha nos terminais de autoatendimento, unidades lotéricas, correspondentes CAIXA Aqui ou nas agências da Caixa.
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Parcelas adicionais do Seguro-Desemprego
De acordo com o governo, serão pagas duas parcelas adicionais do Seguro-Desemprego a quem já estava recebendo o benefício antes da decretação de calamidade.
▶️ Como receber?
O valor será liberado após o pagamento da última parcela comum recebida do Seguro-Desemprego. A transferência será feita na conta informada pelo trabalhador no momento da solicitação do benefício ao Ministério do Trabalho e Emprego.
A movimentação dos valores pode ser realizada pelo app CAIXA Tem e em agências da Caixa, casas lotéricas e terminais de autoatendimento.
Antecipação da restituição do Imposto de Renda
Os contribuintes do estado do Rio Grande do Sul receberão R$ 1,1 bilhão em restituições do Imposto de Renda 2024, ano-base 2023.
▶️ O que se sabe sobre a antecipação?
Segundo a Receita Federal, a medida vai beneficiar mais de 900 mil declarantes do estado no primeiro lote. Os valores serão pagos em 31 de maio, último dia de declaração para a população geral.
Vale lembrar que, para os atingidos no Rio Grande do Sul, o prazo de entrega das declarações foi estendido para o dia 31 de agosto. O pagamento de tributos federais, incluindo parcelamentos, também foi estendido.
Em nota enviada ao g1, a Receita Federal informou que os contribuintes gaúchos foram inseridos na faixa de preferência após as prioridades legais e antes daqueles que optaram pelos modelos de pagamento via PIX e pela declaração pré-preenchida, também prioridades na restituição. Ainda não há data certa para a consulta do primeiro lote.
A Receita não deu detalhes sobre os prazos de restituição para os contribuintes do Rio Grande do Sul que ainda não conseguiram concluir a entrega da declaração.
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Moradia e financiamento habitacional
O governo federal também informou que vai comprar casas nas regiões atingidas para dar às famílias que perderam suas residências.
Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, famílias que perderam suas casas na enchente e se encaixam nas faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida terão novos imóveis 100% garantidos pelo governo federal.
Ainda de acordo com o ministro, o governo pretende comprar imóveis usados e em construção para a entrega às famílias, além de propriedades que iriam a leilão. Pretende ainda aproveitar propostas não utilizadas no MCMV e fazer novas seleções na iniciativa. Ainda não há prazos divulgados.
Em outra frente, o governo anunciou a suspensão, por seis meses, das parcelas mensais de residências adquiridas pelo programa MCMV ou financiadas por meio do FGTS. Aumentou também, de seis para 12 meses, o prazo para uso do FGTS com fim de pagar parcelas atrasadas.
▶️ Como solicitar?
A Caixa Econômica Federal informou que o cliente poderá solicitar a pausa de seis meses nos contratos de crédito imobiliário através do Alô CAIXA, pelos números 4004-0104 (em capitais e regiões metropolitanas) e 0800 104 0 104 (nas demais regiões), ou procurar uma agência do banco.
Segundo a instituição, as prestações vencidas ou pausadas são incorporadas ao saldo devedor e diluídas no prazo remanescente dos contratos habitacionais, respeitando a taxa de juros e o prazo contratados originalmente.

Desemprego de longa duração é o menor para o 1º trimestre desde 2015, mas deve frear junto com a economia; entenda

Desemprego de longa duração é o menor para o 1º trimestre desde 2015, mas deve frear junto com a economia; entenda
Dados do IBGE indicam que, nos primeiros três meses deste ano, 1,9 milhão de brasileiros procuravam trabalho há mais de dois anos. Mas o indicador agrega trabalhadores com pouca capacitação, que ficam fragilizados quando o mercado de trabalho começa a arrefecer. Carteira de Trabalho
Reprodução
Com a melhora do mercado de trabalho nos últimos três anos, o número de trabalhadores que busca emprego há mais de dois anos caiu ao menor patamar para um 1º trimestre em nove anos.
Dados divulgados na sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicaram que a chamada "taxa de desemprego de longa duração" ficou em 22,2% no primeiro trimestre deste ano, com 1,9 milhão de pessoas desocupadas há dois anos ou mais.
Em comparação:
Esse número é 6,1% maior do que o observado no trimestre imediatamente anterior, mas representa uma queda de 14,5% em comparação ao mesmo período de 2023.
No primeiro trimestre de 2015, eram cerca de 1,4 milhão de desocupados há mais de dois anos.
Em geral, o trabalhador que fica mais tempo sem trabalhar tem baixa qualificação, seja pela falta de experiências profissionais ou de formação acadêmica. É uma camada mais vulnerável, que dificilmente consegue aplicar e ser escolhido para vagas melhores, de remuneração mais alta.
Por isso, esse recuo é uma mostra de força do mercado de trabalho brasileiro desde o impacto da pandemia de Covid. Por outro lado, especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a desaceleração econômica prevista para este ano e, agora, a perspectiva de juros mais altos do que o esperado devem reduzir essa onda positiva.
A recomendação dos analistas é que o segmento procure investir em estudo e qualificação, para enfrentar um cenário de mudanças que deve se estabelecer nos próximos anos.
Nesta reportagem você vai entender:
O que é e como está a taxa de desemprego de longa duração?
Qual a qualidade do emprego e o rendimento médio desses trabalhadores?
Por que o mercado de trabalho deve desacelerar à frente?
Mercado de trabalho segue forte mesmo com aumento do desemprego
O que é e como está a taxa de desemprego de longa duração?
A taxa de desemprego de longa duração é aquela que representa o percentual de pessoas que estão desocupadas há dois anos ou mais no país.
Desde o terceiro trimestre de 2021, o indicador vem em plena queda. Foram cinco trimestre seguidos de queda, uma pequena interrupção no primeiro trimestre de 2023, e mais três quedas nos períodos seguintes.
Veja abaixo.

Na mesma base de comparação, aproximadamente 4 milhões de pessoas (46% dos desocupados) buscavam emprego entre um mês a menos de um ano. Esse grupo aumentou 5,5% em relação ao trimestre anterior e caiu 6,5% ante igual período de 2023.
O movimento acompanha o quadro positivo para o mercado de trabalho geral — que, por sua vez, tem se beneficiado da resiliência que a economia brasileira tem demonstrado nos últimos meses, trazendo maior confiança e recursos para os empresários.
“Nenhuma variável explica melhor o cenário do emprego se não o próprio desempenho da economia. O que temos notado é que a atividade doméstica está mais aquecida do que se esperava e o mercado de trabalho está acompanhando isso”, afirma o assessor econômico da FecomercioSP Jaime Vasconcellos.
O economista ainda destaca influência da política fiscal expansionista do atual governo — ou seja, um aumento de gastos para estímulo da economia —, que também acaba se refletindo nos números do mercado de trabalho.
“Estamos em um cenário de emprego retroalimentando emprego. Isso significa que o emprego que é gerado impulsiona o consumo das famílias, que por sua vez se transforma em receita das empresas e gera mais emprego”, acrescenta Vasconcellos.
E esse cenário mais otimista, dizem especialistas, é observado mesmo nos períodos de sazonalidade (que considera eventos que acontecem regularmente em uma determinada época).
É o caso das festas de fim de ano, por exemplo. Nesse período, é normal acontecer uma melhora do mercado de trabalho, já que uma série de empresas fazem contratos temporários com novos trabalhadores para atender à demanda da época.
Esse evento também reflete no indicador do começo do ano, período em que há um aumento do desemprego em meio ao fim desses contratos temporários.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua referentes a março, por exemplo, indicam que apesar de a taxa de desocupação ter aumentado 0,5 ponto percentual (p.p.) em relação ao quarto trimestre de 2023, de 7,4% para 7,9%, houve uma queda de 0,9 p.p. em comparação ao mesmo período do ano passado.
E o bom desempenho geral do mercado de trabalho ao longo dos últimos trimestres tem melhorado também a taxa de desemprego de longa duração.
“Quando olhamos a desocupação de longo prazo, ela vem caindo ao longo dos trimestres, porque o país continuou gerando vagas. E quando o mercado de trabalho está muito aquecido, ele acaba conseguindo incorporar as pessoas que normalmente têm maior dificuldade de acesso ao emprego”, explica o economista da LCA Consultores Bruno Imaizumi.
Taxa de desemprego cresce e chega a 7,9%
Qual a qualidade do emprego e o rendimento médio desses trabalhadores?
No geral, a melhora do mercado de trabalho também tem se refletido nos indicadores de renda. Dados da Pnad de março, por exemplo, indicam que o rendimento real habitual teve uma alta de 1,5% em relação ao trimestre anterior e passou a R$ 3.123. No ano, o crescimento foi de 4%.
Para os trabalhadores que estavam há muito tempo procurando emprego, no entanto, os especialistas destacam que a média tende a ser menor.
“A qualidade das vagas geradas para esse pessoal que estava em um desemprego mais longo tende a ser de menor qualidade, com uma renda menor”, diz o pesquisador da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Daniel Duque.
Nesse sentido, especialistas destacam a importância da qualificação profissional, principalmente pela leitura de que o trabalhador sem experiências e estudos fica fragilizado quando o mercado de trabalho começa a arrefecer.
E esse cenário já começa a fazer parte das projeções de economistas para os próximos anos.
Por que o mercado de trabalho deve desacelerar à frente?
Apesar do quadro ainda positivo para o emprego no Brasil, a sinalização dos economistas há algum tempo é que haja uma desaceleração na geração de vagas ao longo dos próximos anos, acompanhando os sinais de desaceleração da economia e juros mais altos.
“Alguns dos limitadores do mercado de trabalho são as condicionantes de comércio e consumo, que são inflação e juros. Se tivermos uma inflação maior e se os juros não caírem tanto quanto esperamos, isso afeta o consumo das famílias. E isso tudo reduz a capacidade de crescimento da economia e se reflete no emprego”, afirma Vasconcellos.
O economista também destaca que parte desses indicativos já começa a ser visível nos próprios números do Produto Interno Bruto (PIB).
Os últimos dados de atividade, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de março e referentes ao último trimestre de 2023, indicam que houve uma queda de 3% dos investimentos feitos no país.
“No curto prazo, o emprego até está melhor do que o esperado, mas há um risco no longo prazo porque os investimentos não crescem e isso também tende a limitar o crescimento da atividade. Não é só através de demanda que o emprego e a economia se sustentam”, diz Vasconcellos, reiterando, no entanto, que os sinais de desaceleração do mercado de trabalho só devem vir ao longo dos próximos anos.
Além disso, outro ponto de atenção fica com o cenário internacional. Isso porque além das indicações de inflação e juros elevados em economias desenvolvidas, os especialistas também já consideram, em suas projeções, a sinalização de uma desaceleração econômica mundial.
“Nossas projeções para o mercado de trabalho já consideram um cenário de desaceleração da economia global impactando a geração de vagas, especialmente na indústria. A perspectiva é que o setor de serviços siga como o principal motor na criação de vagas do país”, diz o economista sênior da Tendências Consultoria Lucas Assis.