Chuvas no RS: birôs de crédito suspendem negativação de dívidas em todo o estado

Medida vale por 60 dias, a partir do dia 1º de maio. A associação não descarta uma prorrogação, caso necessário. A Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) informou nesta quinta-feira (16) que as empresas associadas vão suspender os pedidos de negativação de pessoas físicas e jurídicas no estado do Rio Grande do Sul, em virtude das enchentes no estado.
A medida vale por 60 dias, a partir do dia 1º de maio. A associação não descarta uma prorrogação, caso necessário. Os birôs de crédito participantes são:
Equifax | Boa Vista;
Quod;
Serasa Experian;
SPC Brasil.
"O setor postergará a inclusão de dívidas que já estejam em processo de comunicação no banco de dados e cancelará a exibição de apontamentos inscritos após a decretação da calamidade pública", informa a ANBC.
Com as medidas, a informação de inadimplência estará indisponível para consulta ou utilização até o fim do prazo. A ideia é proporcionar o tempo adequado para as renegociações entre os credores e os consumidores de crédito.
“A ideia é que, com essa suspensão, credores, consumidores e empresas sejam capazes de conversar e renegociar seus créditos de forma responsável para que a economia e o bem-estar social possam se restabelecer de forma sustentável no estado”, afirma em nota Elias Sfeir, presidente da ANBC.
Anteriormente, em abril de 2020, frente às consequências econômicas da pandemia, o setor de birôs de crédito ampliou o prazo de negativação de consumidores e empresas. A ação teve impacto positivo, ao trazer estabilidade ao processo de crédito e estimular a negociação entre credor e devedor durante a crise de saúde.
Governo antecipa benefícios
Lula volta ao Rio Grande do Sul para anunciar ajuda e ministério extraordinário
Na quarta-feira (15), o governo anunciou uma série de medidas para famílias afetadas pela chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul. Também foi criada uma secretaria extraordinária, com status de ministério, para coordenar a reconstrução do estado, sob comando do ministro Paulo Pimenta.
Entre as medidas, estão um auxílio de R$ 5,1 mil para compra de móveis e eletrodomésticos, além de saque de até R$ 6,2 mil do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e inclusão de 21 mil famílias no Bolsa Família.
Veja abaixo:
Auxílio Reconstrução de R$ 5,1 mil:
Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o dinheiro será transferido pela Caixa Econômica Federal via Pix para a compra de móveis e eletrodomésticos. Costa afirmou que a confirmação do direito ao benefício será feita por meio do endereço, se o local foi afetado pela chuva.
De acordo com o ministro, os interessados devem manifestar o interesse no benefício e a checagem do endereço será feita pelas autoridades. A expectativa do governo é conceder o valor a 200 mil famílias. O montante destinado à medida é de R$ 1,2 bilhão.
Saque do FGTS:
O governo anunciou que moradores dos locais atingidos, em que houve declaração de estado de calamidade ou emergência, poderão fazer um saque de até R$ 6.220 do FGTS.
O ministro Rui Costa informou que também foi derrubada a obrigatoriedade de intervalo de 1 ano entre os saques. Isso porque famílias da região do Vale do Taquari, por exemplo, foram afetadas pelas chuvas há poucos meses e, com a regra, ficariam impedidas de fazer uma nova retirada.
Antecipação e ampliação do Bolsa Família:
O governo anunciou que vai pagar, em 17 de maio, o Bolsa Família para os atingidos pela tragédia no estado. Antes, o pagamento estava previsto para ocorrer entre 17 e 31 de maio.
Além disso, mais 21 mil famílias que preenchem os requisitos do programa no Rio Grande do Sul entrarão na folha de pagamento de junho, segundo o governo. O Ministério do Desenvolvimento Social afirma que seguirá identificando outras famílias que cumpram os requisitos.
Antecipação do abono salarial:
O governo vai antecipar para maio o pagamento do abono salarial 2024 para trabalhadores que tenham direito ao benefício, de até um salário mínimo. Geralmente, o valor é liberado ao longo do ano, de acordo com a data de nascimento do beneficiário.
Para ter direito à antecipação, é preciso que o estabelecimento empregador do trabalhador esteja nos municípios com reconhecimento federal de calamidade ou emergência.
Liberação de duas parcelas adicionais do Seguro-Desemprego:
Segundo o governo, as duas parcelas extras serão disponibilizadas para desempregados que já estavam recebendo o benefício na data do reconhecimento federal de calamidade pública.
Antecipação da restituição do Imposto de Renda:
Segundo o governo, os moradores do Rio Grande do Sul vão receber a restituição do Imposto de Renda em 31 de maio, no primeiro lote de pagamentos. A estimativa é que a liberação atinja R$ 1,1 bilhão.
Moradia:
O governo afirmou que vai comprar casas nas regiões atingidas para dar às famílias que perderam suas residências.
"O presidente Lula está garantindo que as casas que foram perdidas na enchente, aquelas que se encaixam dentro do perfil do Minha Casa Minha Vida 1, Minha Casa Minha Vida 2, dentro do mesmo padrão de renda, 100% destas famílias terão suas casas garantidas de volta pelo governo federal", afirmou o ministro Rui Costa.
Segundo o ministro, o governo pretende comprar imóveis usados e em construção para entregar às famílias, além de propriedades que iriam a leilão. Também pretende aproveitar propostas não utilizadas no programa Minha Casa, Minha Vida, além de fazer novas seleções na iniciativa.
Financiamento habitacional:
O governo anunciou a suspensão, por seis meses, das parcelas mensais de residências adquiridas pelo programa Minha Casa, Minha Vida ou financiadas por meio do FGTS. Também disse que vai aumentar, de 6 para 12 meses, o prazo para uso do FGTS com fim de pagar parcelas atrasadas.

Silvio Luiz, Antero Greco e Apolinho: relembre a trajetória de ícones do jornalismo esportivo no Brasil

A medida de Biden contra os veículos elétricos chineses que intensifica guerra comercial
Os narradores Silvio Luiz e Antero Greco faleceram em São Paulo, com algumas horas de diferença. Washington Rodrigues, também conhecido como Apolinho, morreu na quarta-feira (15) no Rio. Os jornalistas Silvio Luiz, Antero Greco e Apolinho
Antônio Chahestian/Record – Leonardo Soares/Estadão Conteúdo – Reprodução
O Brasil perdeu nesta semana três ícones da crônica esportiva. Os narradores Silvio Luiz e Antero Greco faleceram em São Paulo nesta quinta-feira (16), com algumas horas de diferença. E o radialista e comentarista esportivo Washington Rodrigues, também conhecido como Apolinho, morreu na quarta-feira (15) no Rio.
Criador de bordões como "Olha no lance" e "Pelo amor dos meus filhinhos", Silvio Luiz estava internado no Hospital Oswaldo Cruz desde o dia 8 de maio, deixando os três filhos e a esposa.
Antero Greco tratava de um tumor no cérebro desde 2022, e faleceu aos 69 anos nesta quinta (16), no Hospital Beneficência Portuguesa. O apresentador da ESPN ficou conhecido pelo bom humor e pela parceria com o jornalista Paulo Soares, que é conhecido como Amigão.
Já Apolinho criou uma das expressões mais usadas em goleadas até hoje, "chocolate, além das expressões “Geraldinos e Arquibaldos”, “Pau com formiga”, “Pinto no lixo” e “Briga de cachorro grande”, entre outras. Ele também lutava contra um câncer agressivo.
Relembre abaixo a trajetória dos jornalistas esportivos.
Silvio Luiz
Foto de arquivo de 15/08/1995 do narrador Silvio Luiz, que morreu nesta quinta-feira, 16 de maio de 2024, aos 89 anos, em decorrência de falência de múltiplos órgãos.
ÁLVARO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO
Silvio Luiz foi um dos maiores nomes do jornalismo esportivo brasileiro.
O narrador eternizou diversos bordões no mundo do futebol, como: "Olho no lance", "Pelo amor dos meus filhinhos" e "Foi, foi, foi, foi, foi ele". Outra marca de Silvio foi ter deixado as transmissões esportivas mais leves. Ele protagonizou o primeiro palavrão da televisão no país.
A ligação com o futebol foi além das telas e dos rádios: aos 31 anos, se formou como árbitro na Federação Paulista de Futebol e apitou partidas durante cinco anos.
Silvio imortalizou pelo menos 10 bordões que, entre 2011 e 2016 foram utilizados no jogo de videogame Pro Evolution Soccer (PES) narrando e comentando as partidas online.
Mais recentemente, a voz do narrador dava orientações de trânsito no aplicativo Waze de direção, utilizado por motoristas.
Foi vencedor de dois prêmios Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), um como narrador de TV, em 2015, e outro como indicação da diretoria do concurso, em 2010.
Em 2012, venceu o Prêmio Comunique-se como melhor locutor esportivo.
Silvio também foi ator. No final da década de 1980, fez dois papéis em novelas da TV Record.
Antero Greco
Jornalista Antero Greco
Leonardo Soares/Estadão Conteúdo
Antero era formado em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Começou sua carreira profissional no início dos anos 70, no Estadão, onde foi editor de Esportes.
Também atuou como editor e colunista no então Diário Popular. No início dos anos 90, foi comentarista de futebol na Rede Bandeirantes.
O jornalista teve uma passagem marcante pela ESPN Brasil, onde foi um dos primeiros contratados da emissora na década de 1990. A dupla que formava com Paulo Soares, a quem se referia como "Paulo Amigão", ficou conhecida pelo entrosamento e risadas marcantes no programa de fim de noite "SportsCenter".
Apolinho
Radialista e ex-técnico do Flamengo Washington Rodrigues, o Apolinho
Reprodução
Carioca do Engenho Novo, Washington Rodrigues nasceu no dia 1º de setembro de 1936 e é um dos mais conhecidos jornalistas esportivos no rádio.
Começou sua carreira em 1962 na Rádio Guanabara, atual Rádio Bandeirantes, no programa “Beque Parado”, que falava sobre futebol de salão. Trabalhou em todas as grandes emissoras de televisão e rádio da cidade, entre elas, Globo e Nacional.
Conhecido pela imparcialidade, foi um dos poucos comentaristas com grande aceitação pelas quatro grandes torcidas cariocas. Era também reconhecido na profissão, tendo recebido todos os prêmios já criados para homenagear um jornalista esportivo.
O apelido Apolinho surgiu por usar, quando repórter da Rádio Globo, um microfone sem fio que era utilizado pelos astronautas da Missão Apollo 11, de 1969.

Android terá ‘modo ladrão’ que bloqueia tela do celular caso alguém o arranque de sua mão

A medida de Biden contra os veículos elétricos chineses que intensifica guerra comercial
Chamado de 'Theft Detection Lock', recurso usa IA para identificar movimentos que possam indicar roubo. Segundo a empresa, ele estará disponível ainda este ano em smartphones com Android 10 ou superior. Homem com celular na mão na região central de São Paulo
Celso Tavares/g1
O Google anunciou um recurso para o Android que funciona como uma espécie de "modo ladrão". A novidade, criada para combater roubos, poderá bloquear a tela do celular ao identificar que alguém arrancou o aparelho de sua mão abruptamente.
Chamada de "Theft Detection Lock" ("bloqueio de detecção de roubo"), a novidade foi revelada durante o Google I/O, evento anual da empresa para desenvolvedores, e estará disponível ainda este ano em dispositivos a partir do Android 10, segundo a empresa
"Esse recurso usa a inteligência artificial do Google para detectar se alguém arranca seu telefone de sua mão e tenta correr, andar de bicicleta ou ir embora", explica a gigante das buscas.
Com isso, o "Theft Detection Lock" será útil em casos como o da "gangue da bicicleta", em que criminosos atacam pedestres distraídos para roubar aparelhos celulares. A ação se tornou frequente especialmente na região central da cidade de São Paulo.
Também no evento, a empresa anunciou mais medidas contra roubo e furto do smartphone. A tela do dispositivo passará a será bloqueada quando o sistema identificar muitas tentativas de autenticação sem sucesso.
O acesso aos conteúdos do celular também será trancado caso o criminoso tente desconectar o aparelho por várias vezes seguidas.
Android terá 'modo ladrão' que bloqueia tela do celular caso alguém o arranque de sua mão
Reprodução/Google
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Argentina deixa de ter maior juro nominal do mundo após BC reduzir taxa de 50% para 40%; veja ranking

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A liderança é ocupada agora pela Turquia, com uma taxa a 50%. Já o Brasil está na sexta posição, com o referencial na casa dos 10,50% ao ano. Placa em casa de câmbio na Argentina.
Tomas Cuesta/Reuters
O banco central da Argentina anunciou na última quarta-feira (14) a redução da taxa básica de juros do país de 50% para 40% ao ano. Com o corte, o país deixou de ter o maior juro nominal (sem descontar a inflação) do mundo.
A queda na taxa argentina deu espaço para a Turquia, agora líder da lista com juro básico na casa dos 50%. Os dados constam em levantamento do MoneYou, que divulga periodicamente um ranking com as maiores taxas de juros do mundo.
Na lista, o Brasil ocupa a sexta posição, com uma taxa de 10,50% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir o juro do país em 0,25 ponto percentual (p.p.) no último dia 20 de maio.
Veja o ranking abaixo.

Quando considerado o juro real, a Argentina continua com a menor taxa do mundo, em -42,36%. O saldo é negativo porque o país enfrenta uma inflação altíssima, que chegou a 289,4% no acumulado de 12 meses, em abril.
O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal do país subtraída a inflação prevista para os próximos 12 meses.
Nessa lista, a liderança é da Rússia, com juro real de 7,79%. O Brasil ocupa a segunda colocação desde dezembro, quando deixou o topo do ranking, com uma taxa real de 6,54%.
Veja o ranking abaixo.

Os juros na Argentina
A redução da taxa de juros da Argentina foi anunciada logo após o país divulgar que sua inflação ficou em 8,8% em abril — quarto mês consecutivo de desaceleração. Além disso, pela primeira vez em seis meses, o índice mensal ficou na casa de um dígito.
Esse também foi o quarto corte da taxa de juro do país em pouco mais de um mês. Em 11 de abril, por exemplo, a taxa foi reduzida de 80% para 70%. Desde então, foram anunciados outros três cortes de 10 pontos percentuais.
A queda da taxa ocorre em meio a um crescente otimismo do banco central argentino quanto à redução da inflação. Vale lembrar que a elevação dos juros é uma das principais ferramentas utilizadas pelos bancos centrais para tentar combater a alta dos preços.
Elogios do FMI e cenário de pobreza
Na esteira do cenário econômico, o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem feito elogios ao governo do presidente argentino Javier Milei.
Desde que tomou posse, em dezembro de 2023, mandatário lançou mão de uma ambiciosa desregulação da economia, com o objetivo de alcançar o "déficit zero" para o fim de 2024. Os ajustes fiscais resultaram, no primeiro trimestre deste ano, no primeiro superávit desde 2008.
Na última segunda-feira (13), o FMI também anunciou um acordo que permite o desembolso de quase US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhão) ao país.
A organização destacou o "primeiro superávit fiscal trimestral em 16 anos, a rápida queda da inflação, a mudança de tendência das reservas internacionais e uma forte redução do risco soberano".
Por outro lado, especialistas alertam que o superávit foi conseguido com cortes de gastos que não são sustentáveis no tempo: milhares de demissões, paralisação de obras públicas e deterioração de salários e aposentadorias em um país com a metade de seus 47 milhões de habitantes na pobreza.
A crise econômica tem feito, inclusive, os argentinos abrirem mão do churrasco, um de seus símbolos nacionais. O consumo de carne bovina por habitante caiu 18,5% no país em um ano, atingindo o menor nível em 30 anos.
Argentinos estão comendo menos carne

A medida de Biden contra os veículos elétricos chineses que intensifica guerra comercial

A medida de Biden contra os veículos elétricos chineses que intensifica guerra comercial
Na terça-feira (14), o governo de Biden anunciou a imposição de tarifas elevadas sobre a importação de vários produtos chineses Os veículos elétricos chineses estão rapidamente ganhando participação de mercado na União Europeia.
Getty Images via BBC
Esta é a mais recente batalha na guerra comercial entre Estados Unidos e China nos últimos anos.
O governo do presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou nesta terça-feira um substancial aumento nas tarifas sobre carros elétricos, painéis solares, aço e outros produtos de fabricação chinesa.
A Casa Branca disse que as medidas, que incluem um imposto de 100% sobre carros elétricos provenientes da China, eram uma resposta a políticas comerciais injustas e tinham como objetivo proteger os empregos americanos.
A China já criticou os planos, que foram anunciados antecipadamente.
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Os analistas disseram que as tarifas eram em grande parte simbólicas e visavam ajudar na reeleição em um ano eleitoral difícil.
As medidas chegam precedidas por meses de duras críticas do ex-presidente Donald Trump, o virtual concorrente de Biden na corrida pela Casa Branca, que afirmou que o apoio de seu rival aos carros elétricos "mataria" a indústria automobilística americana.
As tarifas anunciadas nesta terça-feira afetarão importações no valor estimado de US$ 18 bilhões, segundo a Casa Branca.
Além de um aumento de 25% para 100% nos impostos de importação de veículos elétricos, as tarifas sobre os painéis solares aumentarão de 25% para 50%.
As taxas sobre certos produtos de aço e alumínio triplicarão para 25%, em comparação com os atuais 7,5% ou menos.
'Comércio desleal'
O governo de Joe Biden afirma que as tarifas visam objetivos específicos para proteger a economia dos EUA.
Getty Images via BBC
As medidas anunciadas pela Casa Branca se somam às tarifas que os Estados Unidos impuseram aos produtos chineses durante o governo Trump, citando práticas comerciais desleais.
Durante a revisão das medidas pela administração Biden, o governo recebeu quase 1.500 comentários, a grande maioria de proprietários de empresas que argumentavam que as tarifas estavam aumentando os preços para os americanos comuns e pediam sua eliminação.
A decisão de Biden de manter as tarifas em vigor e expandi-las para novas áreas – apesar da inflação persistente nos Estados Unidos ter afetado suas taxas de aprovação – é uma indicação da mudança dramática nas posturas sobre comércio tanto dos democratas quanto dos republicanos nos Estados Unidos, que há muito tempo defendiam os benefícios do comércio global.
Wendy Cutler, ex-funcionária de comércio dos Estados Unidos e agora vice-presidente do Asia Society Policy Institute, disse que acredita que os americanos estão dispostos a aceitar carros com preços mais altos em troca de ajudar a proteger as empresas e os empregos americanos.
"Já vimos esse filme antes: com energia solar, com aço e [alumínio], e quando se tratam de carros e outros produtos, os Estados Unidos precisam se antecipar", disse. "Trata-se de fazer concessões e talvez a curto prazo os carros fiquem mais caros, mas a longo prazo queremos ter uma indústria competitiva aqui", apontou.
Em uma reunião com jornalistas, funcionários da Casa Branca negaram que a política interna dos Estados Unidos tenha influenciado na decisão.
Disseram que as medidas são uma resposta às práticas comerciais de Pequim que prejudicam os Estados Unidos, por exemplo, ao forçar empresas ocidentais que operam na China a compartilhar informações, para depois se apropriarem desse conhecimento.
Também afirmaram que as medidas visavam objetivos específicos e não esperavam que inflação aumentasse, contrastando seu enfoque com o de Trump.
O ex-presidente, que em algum momento se autodenominou um "homem das tarifas", fez campanha com uma proposta de aumento geral de 10% nas tarifas sobre as importações, que subiria para 60% para produtos provenientes da China.
Também atacou Biden por promover veículos elétricos, medida que, segundo ele, destruirá as empresas automobilísticas americanas, empregadores-chave em estados como Michigan, que serão campos de batalha importantes nas eleições de novembro.
Um olhar sobre as novas tarifas:
Semicondutores: de 25% para 50% até 2025
Certos produtos de aço e alumínio: de 7,5% para 25% até 2024
Veículos elétricos: de 25% para 100% até 2024
Baterias de lítio e minerais críticos: de 7,5% para 25% até 2024
Painéis solares: de 25% para 50% até 2024
Guindastes de barco a terra: de 0% para 25% até 2024
Luvas médicas e cirúrgicas de borracha: de 7,5% para 25% até 2026
Aguardando a Europa
A acessibilidade de seus preços torna os carros elétricos chineses altamente competitivos.
Getty Images via BBC
Os Estados Unidos já estão impondo altas tarifas sobre os veículos elétricos fabricados na China, o que resultou em vendas insignificantes desses automóveis.
No entanto, Washington tem observado com cautela o aumento das vendas das empresas chinesas na Europa e em outros países.
Autoridades da Casa Branca afirmaram que garantir que as tecnologias verdes não sejam dominadas por um único país é fundamental para uma transição energética bem-sucedida e sustentável a longo prazo.
Embora as medidas direcionadas aos veículos elétricos provavelmente tenham um efeito prático mínimo, o mundo empresarial está aguardando para ver se a Europa tomará medidas semelhantes, disse Natasha Ebtehadj, da Artemis Investment Management.
A União Europeia e o Reino Unido estão debatendo medidas para conter as importações de carros elétricos fabricados na China, mesmo que isso possa desacelerar sua adoção.
"Não é realmente uma surpresa para os investidores ou para as empresas chinesas, especialmente no período anterior a uma eleição em que ambos os candidatos não são realmente favoráveis à China", disse Ebtehadj.
"Dado o volume relativamente pequeno de importações para os EUA, talvez seja mais interessante ver o que acontecerá a seguir na Europa", acrescentou.
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Os Estados Unidos e a China estão envolvidos em uma guerra comercial desde 2018, quando Trump impôs tarifas sobre cerca de dois terços dos bens importados da China, no valor estimado de US$ 360 bilhões na época.
Essas medidas provocaram retaliações de Pequim, um conflito que terminou em um alívio no início de 2020, quando Trump reduziu as taxas de alguns impostos, enquanto a China se comprometeu a aumentar suas compras dos Estados Unidos.
No entanto, essas promessas não foram suficientes, e desde então as tarifas resultaram em mais de US$ 200 bilhões em novos impostos de fronteira para o governo dos EUA, além de causar uma significativa reorganização nos padrões do comércio global.
Grande parte desse montante foi sustentada pelos americanos comuns, na forma de preços mais altos para móveis, calçados e outros bens.
No entanto, a Oxford Economics descreveu as últimas medidas como "mais um rosnado simbólico do que uma mordida". A empresa afirmou que provavelmente aumentariam a inflação em apenas 0,01 ponto percentual, ao mesmo tempo em que afetariam o crescimento de forma semelhante.