Ações da Petrobras tombam em Nova York após demissão de Prates

Petrobras terá seu sexto presidente em três anos após a demissão de Jean Paul Prates
Queda chegou a 8% nas ADRs, os recibos de ações negociados nos EUA. Resultado ocorre no after market, período após o fechamento do mercado. Fachada do prédio da Petrobras, no Centro do Rio
Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo
As ações da Petrobras despencaram na Bolsa de Nova York após o anúncio da demissão do presidente da empresa, Jean Paul Prates, nesta terça-feira (14). Segundo o blog da Natuza Nery, Magda Chambriard foi convidada para ser a substituta de Prates e já aceitou assumir o cargo.
A queda nas ADRs (American Depositary Receipts, ou recibo de ações negociados na Bolsa dos EUA) da empresa chegou a 8%. O resultado ocorre no after market, período após o fechamento do mercado.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, explica que, normalmente, a movimentação no mercado norte-americano dá sinalizações sobre como será a abertura do pregão da bolsa brasileira no dia seguinte.
"Podem acontecer mudanças nas próximas horas. Agora, o mercado vai assimilar indicação da ex-diretora da ANP Magda Chambriard. A partir disso, os investidores podem manter sua aversão ao risco ou atenuar a queda registrada no after market de Nova York", diz.
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Para o economista André Perfeito, o efeito de curto prazo é justamente a queda no preço corrente das ações da companhia. "Tanto é que já aconteceu", diz, observando a queda das ADRs.
"Justamente hoje, o mercado havia se acalmado após a leitura da ata do Copom [Comitê de Política Monetária], que foi certeiro em pacificar a decisão da semana passada", diz. "Mas, provavelmente, amanhã veremos nova rodada de realizações, e o dólar pode estressar mais uma vez."
Ainda segundo o economista, os efeitos de curto prazo, como a queda nas ações, não podem ser confundidos com os de prazo mais longo.
Demissão de Prates
Prates foi demitido pessoalmente por Lula. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, estavam presente.
A avaliação do governo é que a situação de Prates ficou insustentável.
A informação foi inicialmente publicada pela coluna da Malu Gaspar, do jornal "O Globo", e foi confirmada pelo blog da Natuza Nery.
Segundo fontes, Lula decidiu pela demissão de Prates já há algum tempo após uma sequência de desentendimentos com o governo. O agora ex-presidente da Petrobras não se entendia com Silveira havia muito tempo.
De acordo com o blog da Andréia Sadi, Prates citou "intrigas palacianas' após ser demitido. O argumento usado é o de que Jean Paul não estaria entregando resultados da Petrobras na velocidade em que o governo esperava. Ao blog, Jean disse que respeita a decisão, mas afirmou que não pode deixar de dizer que presidente foi levado a adotar a medida por uma intriga palaciana.
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A Petrobras publicou fato relevante na noite desta terça-feira, anunciando o "encerramento antecipado de seu mandato como Presidente da Petrobras de forma negociada". "Adicionalmente, o Sr. Jean Paul informou que, se e uma vez aprovado o encerramento indicado, ele pretende posteriormente apresentar sua renúncia ao cargo de membro do Conselho de Administração da Petrobras."
A próxima presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no governo Dilma Rousseff (PT). Ela também é consultora na área de óleo, gás e biocombustíveis e trabalhou na Petrobras por mais de 20 anos.
Jean Paul Prates
Pilar Olivares/Reuters
Indicação de Prates
Prates foi indicado para o cargo antes mesmo de Lula tomar posse, em dezembro de 2022. O então presidente eleito comunicou a indicação por meio de uma postagem em rede social.
"Gostaria de anunciar a indicação do Jean Paul Prates para a presidência da Petrobras. Advogado, economista e um especialista no setor de energia, para conduzir a empresa para um grande futuro", dizia a mensagem.
Advogado e economista, Prates também atuou como empresário e dirigente sindical. Na década de 80, participou da assessoria jurídica da Petrobras Internacional (Braspetro) e trabalhou na regulação dos setores de petróleo, energia renovável, biocombustíveis e infraestrutura nos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula.
Ele também foi secretário de Estado de Energia e Assuntos Internacionais do Rio Grande do Norte e, em 2014, foi suplente na chapa de Fátima Bezerra (PT), eleita ao Senado. Em 2019, após a senadora ser eleita governadora do Rio Grande do Norte, Prates assumiu o mandato como titular até 2022, quando foi indicado para o cargo.

Novo nome para a Petrobras passa por conversas com Dilma e Mercadante

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao nome de Magda Chambriard para substituir Jean Paul Prates no comando da Petrobras depois de conversas com a ex-presidente Dilma Rousseff e com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
O nome de quem vai comandar a empresa não tinha sido anunciado oficialmente.
A reação dos mercados ao anúncio foi ruim, com as ADRs (American Depositary Receipts, ou recibo de ações negociados na Bolsa dos EUA) da empresa nos EUA caindo, e a previsão que as ações da Petrobras caiam na abertura do mercado, nesta quarta-feira (15).
Lula já procurava um nome para a Petrobras desde o fim do ano passado, segundo relatos de ministros ao blog.
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Prates, indicado ao cargo pela bancada do PT no Senado, não tinha proximidade com o presidente. Ele foi se inviabilizando a partir da relação ruim com o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, que já era complicada na época da transição e só piorou.
As posições de Prates criaram atritos também com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Em abril, depois de Prates defender que a Petrobras distribuísse metade dos dividendos extraordinários, a situação dele no cargo foi considerada insustentável. Naquele momento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, havia sido sondado para o cargo.
O novo nome, o da ex-diretora geral da ANP, surgiu ao longo das últimas semanas, com as conversas de Lula e a indicação do perfil que ele queria para a posição – o de um aliado do Planalto que tivesse linha direta com o presidente.
Exatamente essa visão de que a troca é uma intervenção do governo na empresa aumentou a desconfiança de investidores e já levou à queda dos papéis fora do Brasil.

Inflação argentina fica em 8,8% em abril e chega a 289,4% em 12 meses

Petrobras terá seu sexto presidente em três anos após a demissão de Jean Paul Prates
Esse foi o 4º mês consecutivo de desaceleração do índice de preços do país. Bandeira da Argentina
Unplash
A inflação da Argentina ficou em 8,8% em abril, apontou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) do país. Com o resultado, o aumento dos preços chegou a 289,4% em 12 meses.
Esse foi o quarto mês consecutivo de desaceleração e o primeiro índice de um dígito em um semestre. O dado foi comemorado como "uma goleada" pelo presidente ultraliberal Javier Milei, embora economistas alertem que isso corresponde à queda do consumo.
O setor de maior aumento em abril foi habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (35,6%), devido à suspensão dos subsídios e aos aumentos das tarifas.
Na sequência, ficaram comunicação (14,2%), pelos aumentos nos serviços de telefonia e internet, e vestuários e calçados (9,6%), pela mudança de temporada.
As duas seções que registraram os menores aumentos foram alimentos e bebidas (6%), bens e serviços (5,7%) e bebidas alcoólicas e tabaco (5,5%).
"Estamos goleando a inflação", comemorou Milei nesta terça, pouco antes da divulgação do primeiro registro de um dígito mensal desde outubro do ano passado, quando a inflação ficou em 8,3%.
O presidente impulsiona uma ambiciosa desregulação da economia com o objetivo de alcançar o "déficit zero" para o fim do ano.
A Argentina vive uma forte recessão econômica e um ajuste fiscal que permitiu, no primeiro trimestre do ano, o primeiro superávit desde 2008.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) parabenizou o governo Milei por exceder suas metas e anunciou, na segunda-feira (13), um acordo que permite o desembolso de quase US$ 800 milhões (R$ 4,1 bilhão).
A organização multilateral destacou o "primeiro superávit fiscal trimestral em 16 anos, a rápida queda da inflação, a mudança de tendência das reservas internacionais e uma forte redução do risco soberano".
Contudo, especialistas alertam que o superávit foi conseguido com cortes de gastos que não são sustentáveis no tempo: milhares de demissões, paralisação de obras públicas e deterioração de salários e aposentadorias em um país com a metade de seus 47 milhões de habitantes na pobreza.
Recuo do consumo
"O superávit fiscal foi alcançado com cortes nos gastos, não por maiores receitas fiscais. A inflação cai por uma queda na demanda, não por uma oferta maior", destacou o economista independente Salvador Di Stefano.
As manifestações são diárias por parte de sindicatos, universitários, empresários de pequenas e médias empresas, aposentados, pacientes que deixam de receber seus medicamentos oncológicos do Estado e outros setores afetados pelas políticas de ajuste e desregulamentação econômica.
"Alguns preços caíram um pouco, mas porque não há consumo, as pessoas não compram. Acho que estamos pior do que estávamos antes", disse à AFP Liliana Segovia, uma trabalhadora de segurança privada de 44 anos.
Neste sentido, a consultoria Focus Market estimou em um relatório divulgado na segunda-feira que o consumo recuou em abril 20,4% na comparação interanual, e 17,1% em relação a março.
"Abril foi um mês complexo para o bolso dos argentinos. O aumento das tarifas de serviços públicos, apesar da desaceleração da alta do preço dos bens, deixa pouco excedente para manter o gasto em valores constantes", disse seu diretor, Damián Di Pace.
Embora a inflação em 12 meses chegue a quase 290%, categorias não específicas que não se enquadram em alimentos ou vestuário registraram muito maiores: por exemplo, habitação, água, eletricidade e gás, 311,6%; saúde, 341% e transporte, 325%.
"Evidentemente, vamos para próximos meses em que a correção dos preços relativos da economia, como tarifas de serviços públicos e privados, começa a erodir a capacidade de gastos de muitos lares argentinos", explicou Di Pace.
Por outro lado, a contração industrial (21% em 12 meses até março) é a maior desde abril de 2020, quando a atividade estava parcialmente paralisada pela pandemia de covid-19.
* Com informações da Agência France Presse
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Mega-Sena, concurso 2.724: resultado

Petrobras terá seu sexto presidente em três anos após a demissão de Jean Paul Prates
Veja as dezenas sorteadas: 11 – 21 – 24 – 26 – 42 – 54. Prêmio é de R$ 2.575.304,59. Aposta única da Mega-Sena custa R$ 5 e apostas podem ser feitas até as 19h
Marcelo Brandt/G1
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O sorteio do concurso 2.724 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (14), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertarem as seis dezenas é de R$ 2.575.304,59.
Veja os números sorteados: 11 – 21 – 24 – 26 – 42 – 54
A Caixa Econômica Federal ainda não divulgou o rateio do sorteio.
Mega-Sena, concurso 2.724
Reprodução/Caixa
Entenda como funciona a Mega-Sena e qual a probabilidade de ganhar o prêmio
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal – acessível por celular, computador ou outros dispositivos.
É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para a aposta simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 5, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 15 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 22.522,50, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 10.003, ainda segundo a Caixa.

Petrobras terá seu sexto presidente em três anos após a demissão de Jean Paul Prates

Petrobras terá seu sexto presidente em três anos após a demissão de Jean Paul Prates
Dança das cadeiras começou no governo de Jair Bolsonaro (PL) por conta do preço dos combustíveis. Agora, tem como plano de fundo a gestão da empresa, que deixou de pagar dividendos extraordinários e abriu cisão com o governo federal. Presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, durante primeira coletiva de imprensa à frente da estatal, em 2 de março de 2023.
Tomaz Silva/Agência Brasil
Com a demissão do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, a empresa terá seu sexto presidente em pouco mais de três anos. Segundo o Blog da Natuza Nery, Magda Chambriard foi convidada para ser a substituta de Prates e já aceitou assumir o cargo.
A dança das cadeiras da petroleira começou no governo de Jair Bolsonaro (PL), em uma tentativa de combate à subida dos preços dos combustíveis.
Agora, tem como pano de fundo a gestão financeira da empresa, que deixou de pagar dividendos extraordinários em sua última apresentação de resultados, e gerou uma cisão entre a diretoria e o governo.
O ex-presidente Bolsonaro demitiu o economista Roberto Castello Branco em fevereiro de 2021. De lá para cá, foram outros quatro nomes oficiais, além de dois interinos e um indicado que nunca assumiu.
Relembre abaixo a cronologia dos presidentes da estatal.
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Histórico de demissões
Cerimônia de posse de Roberto Castello Branco como presidente da Petrobras, no Edifício Sede da companhia, no Rio de Janeiro
Leo Correa/AP
1️⃣ ROBERTO CASTELLO BRANCO: O economista foi o primeiro a assumir o comando da Petrobras, indicado pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes logo após as eleições.
Castello Branco foi nomeado para cargo em janeiro de 2019, para dar continuidade à condução da empresa nos moldes instalados pela presidência de Pedro Parente, no governo de Michel Temer (MDB).
Com Parente, teve início a política de paridade de importação (PPI), em que o receituário oficial de preços dos combustíveis era orientado pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pela cotação do dólar.
Com o dólar ainda em patamares elevados após o estouro da pandemia de Covid-19 e o valor crescente das commodities conforme a economia foi reabrindo, houve uma injeção de alta no preço dos combustíveis no Brasil, pressionando a inflação.
Castello Branco acabou demitido em fevereiro por Bolsonaro, que alegou estar insatisfeito com os reajustes nos preços de combustíveis durante a gestão do economista.
RELEMBRE O CASO
Bolsonaro demite Roberto Castello Branco e indica general Joaquim Silva e Luna para a presidência da Petrobras
Joaquim Silva e Luna discursa em sua cerimônia de posse como presidente da Petrobras
Paulo Belote/Agência Petrobras
2️⃣ JOAQUIM SILVA E LUNA: o nome indicado por Bolsonaro para substituir Castello Branco foi o general Joaquim Silva e Luna. O militar tomou posse do cargo em abril de 2021.
Diante da tensão crescente após o estouro do conflito entre Rússia e Ucrânia, a Petrobras ficou 57 dias sem reajustes enquanto estudava a escalada de preços de commodities no mundo. Mas a demora a obrigou a fazer um severo reajuste nos preços de uma só vez, com aumento de 18,8% no litro da gasolina e de 24,9% no litro do diesel para as refinarias.
Na bomba, a gasolina chegou a uma média de R$ 7,210, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foi o bastante para que o presidente Bolsonaro voltasse a fazer uma série de críticas públicas à empresa, mirando tanto o PPI como o lucro (até então) recorde da empresa em 2021, de R$ 106 bilhões.
Foram 343 dias no cargo. Acabou demitido em abril por ter mantido a lógica de mercado para definição dos preços em meio à explosão do preço do petróleo, como havia feito o antecessor Castello Branco.
RELEMBRE O CASO
Por que Silva e Luna foi demitido da Petrobras e o que isso muda nos preços dos combustíveis
José Mauro Ferreira Coelho discursa como novo presidente da Petrobras
André Ribeiro / Agência Petrobras
3️⃣ JOSÉ MAURO COELHO: Em abril, o governo indicou José Mauro Coelho para assumir o comando da estatal. O executivo assumiu a presidência da Petrobras no dia 14 daquele mês.
Após a saída de Silva e Luna, o governo chegou a indicar os nomes do economista Adriano Pires e do empresário Rodolfo Landim para assumir o comando da estatal e a presidência do Conselho de Administração, respectivamente. No entanto, ambos informaram que não poderiam assumir os postos.
Terceiro executivo a comandar a estatal no governo Jair Bolsonaro, José Mauro Coelho pouco teve tempo de mostrar serviço. Ficou no cargo por 68 dias — o segundo menor período de gestão da empresa desde o fim da ditadura militar.
Durante sua gestão, Bolsonaro chegou a pedir — aos gritos, durante uma transmissão ao vivo por redes sociais — para que a Petrobras não voltasse a aumentar o preço dos combustíveis no Brasil. O ex-presidente afirmou que os lucros registrados pela empresa eram "um estupro", beneficiavam estrangeiros e que a população brasileira é quem pagava a conta.
Sem uma reversão do PPI, Coelho foi pressionado a se demitir.
RELEMBRE O CASO
Caio Paes de Andrade, chega ao Ministério da Economia para participar de uma reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes.
Wilton Junior/Estadão Conteúdo
4️⃣ CAIO PAES DE ANDRADE: Para o lugar de Coelho, foi indicado um auxiliar do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Paes de Andrade ocupava o cargo de secretário de Desburocratização.
A posse foi oficializada em junho de 2022, e a expectativa do governo Bolsonaro era de que não fossem autorizados novos reajustes de preços de combustíveis até as eleições. O ex-presidente ainda sofria pressão dos preços de combustíveis, mas a essa altura havia articulado medidas de renúncia fiscal com o Congresso para controlar os valores.
Após a derrota eleitoral de Bolsonaro, Andrade foi convidado ainda em dezembro pelo governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, para integrar a gestão estadual como secretário de Gestão e Governo Digital.
O então diretor-executivo de Desenvolvimento da Produção, João Henrique Rittershaussen, foi nomeado presidente interino.
RELEMBRE O CASO
Petrobras formaliza renúncia de Caio Paes de Andrade e nomeia Rittershaussen como interino
Jean Paul Prates, do PT, foi indicado pelo governo Lula para presidir a Petrobras
Adriano Machado/Reuters
5️⃣ JEAN PAUL PRATES: Então senador da República, Prates já era apontado como o principal cotado para o comando da Petrobras desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para o terceiro mandato.
Durante a transição, Prates foi o coordenador de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e era o responsável por dar declarações sobre o futuro da Petrobras. Em sua gestão, a Petrobras realizou o movimento mais marcante dos últimos anos, ao encerrar a política de paridade de importação (PPI).
Desde a campanha, Lula falava em "abrasileirar" o preço dos combustíveis. O que, de modo geral, significa criar mecanismos para reduzir o impacto dessas oscilações internacionais do petróleo nas bombas dos postos. Na prática, a Petrobras passou a "segurar" nos preços dos combustíveis em meio às flutuações.
O presidente da estatal, porém, sempre teve relação complicada com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Segundo o blog da Ana Flor, as duas autoridades se desentendem desde o início do governo, e essa queda de braço é vista atualmente por ministros e assessores próximos de Lula como fator de instabilidade.
No dia 7 de março, a Petrobras informou ao mercado seus resultados de 2023 e publicou um comunicado de que não pagaria dividendos extraordinários aos acionistas, que ficariam retidos para uma reserva da estatal. A decisão causou um derretimento das ações da empresa, conforme investidores se decepcionaram com o pagamento de dividendos abaixo do previsto.
A diretoria da estatal, sob a batuta de Prates, vinha trabalhando para reter apenas 50% dos dividendos extraordinários. O entendimento, inclusive, vinha sendo passado ao mercado financeiro. A decisão de reter 100% e distribuir apenas os dividendos ordinários foi tomada sob influência dos conselheiros indicados pelo Ministério de Minas e Energia e pela Casa Civil.
Por esta razão, o próprio Prates se Jean Paul Prates absteve na votação, para marcar posição contra a retenção dos dividendos. Prates balançou no cargo, mas ganhou uma sobrevida ao receber apoio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Um mês depois, as especulações sobre uma saída voltaram a ganhar força depois de uma entrevista do ministro de Minas e Energia repetiu críticas ao presidente da Petrobras. Segundo assessores de Prates contaram ao blog do Valdo Cruz, o ministro teria quebrado um acordo ao voltar a criticá-lo, já que os dois tinham acertado com Lula que cessariam o fogo amigo.
O blog também mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a sondar o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, para assumir o lugar de Prates.
Mercadante indicou que, se for convocado, assumirá. Ele chegou inclusive a procurar Prates para avisá-lo que não estava por trás de nenhuma operação para tirá-lo do cargo, mas que foi sondado para possivelmente substituí-lo.