Web Summit pode dobrar público em 2024 e injetar R$ 33 milhões por dia na economia do Rio; nas 6 edições, previsão é de R$ 1,5 bilhão

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Estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Econômico do Rio de Janeiro mostra o impacto econômico do maior evento de tecnologia do mundo em setores como hotelaria e alimentação. Levantamento também faz projeção para as próximas edições que acontecerão no município até 2028. Maior feira de tecnologia do mundo, Web Summit Rio
Globoplay/Reprodução
A Prefeitura do Rio de Janeiro está bastante otimista com a segunda edição do Web Summit Rio esse ano na cidade. A expectativa é que o maior evento de tecnologia do mundo possa injetar na economia local cerca de R$ 33 milhões por dia de encontro.
O evento, que acontece entre 15 e 18 de abril, no Riocentro, na Zona Oeste do Rio, reúne startups de tecnologia e potenciais investidores de todo o mundo, além de nomes de destaque do mercado, que vão falar sobre suas experiências e novidades do setor.
A projeção do município sobre o impacto econômico do evento aponta para um total de R$ 1,5 bilhão, somando as seis edições do Web Summit já previstas no calendário do Rio, entre 2023 e 2028.
O estudo “Potenciais Impactos Econômicos do Web Summit Rio (2024-2028)”, elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Econômico do Rio de Janeiro também fala sobre a projeção de público nos próximos anos. O município espera ver o número de pessoas presentes no evento o dobrar, na comparação entre a 1ª e 2ª edições.
“No ano passado foram cerca de R$ 17 milhões por dia inseridos na economia da cidade, pela presença de turistas que vem fazer negócios no Rio de Janeiro e dos cariocas. Esse ano a gente espera que tenha pelo menos R$ 33 milhões de impacto na economia", comentou o secretário Chicão Bulhões.
De acordo com a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, a realização de um megaevento como Web Summit fortalece o ecossistema de tecnologia e inovação carioca. "Este é mais um importante passo na direção de transformar o Rio na capital da tecnologia e inovação na América Latina, principalmente pelas conexões que um evento desse porte proporciona".
40 mil pessoas por dia
Se a edição de estreia do Web Summit no Rio de Janeiro, em 2023, teve ingressos esgotados e um total de 63 mil pessoas (21 mil ingressos vendidos para cada um dos três dias de evento), a expectativa para esse ano é de 40 mil pessoas por dia. Os três dias de evento podem atrair mais de 120 mil pessoas para as palestras que acontecerão no Riocentro.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano e Econômico do Rio, Chicão Bulhões, esse volume de pessoas interessadas no evento é que alavancar o impacto na economia local.
"A vinda do Web Summit para o Rio, um dos maiores eventos de inovação e tecnologia do mundo, têm como objetivo tornar a cidade a capital de inovação da América Latina, fortalecendo o desenvolvimento econômico do Rio, movimentando a economia e gerando emprego e renda para os cariocas", disse Bulhões.
O estudo da prefeitura fez uma projeção de público para os próximos anos do Web Summit no Rio. O município acredita que as edições seguintes vão crescer gradativamente, até chegar em 2027 com 70 mil pessoas por dia, mantendo esse nível em 2028.
Nesse sentido, a estimativa de público no acumulado das seis edições do evento é de 933 mil pessoas presentes.
R$ 191 milhões em 2024
O estudo também apresenta números detalhados por setores e as áreas que serão positivamente afetadas pela realização do evento na cidade. Além disso, o material aponta a evolução do impacto entre os seis anos de Web Summit no Rio.
O impacto econômico diário do evento em todos os setores da economia carioca pode passar de R$ 17,5 milhões em 2023, para R$ 33,3 milhões em 2024. Em 2026, a prefeitura espera que esse número ultrapasse os R$ 50 milhões por dia de evento.
Só o setor de hotelaria, o mais beneficiado pela presença do Web Summit no Rio, pode sair dos R$ 9 milhões de impacto diário, da edição de 2023, para R$ 17,2 milhões, esse ano. A projeção do município indica que até 2028 esse número ultrapasse os R$ 30 milhões por dia.
Web Summit deve injetar R$ 1,5 bilhão no Rio em 6 anos
Arte g1
Já o impacto diário no setor de alimentação, com bares e restaurantes, pode chegar a R$ 11,5 milhões, em 2028. O valor do impacto no setor, em 2023, foi de 3,5 milhões por dia. A expectativa para esse ano é de uma injeção de R$ 6,6 milhões no setor por cada dia do evento.
De acordo com os estudos da prefeitura, o impacto econômico de todo o evento em 2023 foi de R$ 100,5 milhões. Em 2024, a projeção geral é de R$ 191,4 milhões.
Em 2028, último ano dos seis eventos já programados para acontecer no Rio, o município espera um impacto total superior aos R$ 300 milhões.
Somando as seis edições do Web Summit já previstas no calendário do Rio, entre 2023 e 2028, a projeção do município aponta para um total de R$ 1,5 bilhão de impacto econômico na cidade.
Aumento de arrecadação do ISS
Além da injeção de R$ 1,5 bilhão na economia carioca, a prefeitura também aposta em um crescimento na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS).
Em 2023, o Rio arrecadou R$ 409,5 milhões de impostos (ISS) do setor de tecnologia, o que correspondeu a 7,1% da arrecadação total. Segundo a prefeitura, esse foi o quinto maior pagador de imposto da cidade no ano passado.
O ISS de Tecnologia, no período entre 2017 e 2022, foi responsável pela arrecadação de R$ 2,7 bilhões para os cofres municipais. A expectativa para os seis anos seguintes, entre 2023 e 2028, é de aumentar a arrecadação total do ISS de Tecnologia no período para R$ 3,6 bilhões.
Para esse aumento, o estudo considera a forte presença do Web Summit na cidade, com suas edições anuais, mas também destaca a inauguração do Porto Maravalley, o maior hub de inovação e educação do país, além de programas e projetos como o IMPA Tech, Sandbox.Rio, Programadores Cariocas, ISS Tech, ISS Neutro, entre outros.
'Point de selfie' no Web Summit Rio, no Riocentro
g1 Rio
Para o prefeito Eduardo Paes (PSD), o Web Summit e os projetos na área da tecnologia e inovação fazem parte do plano do atual governo municipal para transformar a cidade na "capital da inovação na América Latina".
"Queremos atrair cada vez mais empresas e startups para cá. O Rio vem se transformando, de olho nas oportunidades, para se posicionar como um protagonista no mapa global do mercado de tecnologia", explicou Paes.
Investimento no setor
Ainda nesta quinta-feira (18), o prefeito participa da inauguração do Porto Maravalley, o maior hub de inovação e educação do país, na região portuária da cidade.
Em construção desde novembro de 2022, o Porto Maravalley tem como objetivo reunir empresas, startups, investidores, academias e centros de pesquisa em um mesmo espaço, proporcionando conexão e negócios entre os diversos agentes desse ecossistema.
O espaço também contará com uma área voltada para a formação e capacitação de profissionais de tecnologia. Esse lado acadêmico será administrado pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), instituição de educação superior inaugurada em dezembro de 2023.
O Porto Maravalley conta com uma área de 10 mil m2, onde o município investiu cerca de R$ 37 milhões para a realização das obras e compra de mobiliário.
"O Web Summit é parte de uma estratégia maior da prefeitura. Ele traz as pessoas para a cidade, os estrangeiros e pessoas de todo o Brasil. E também serve para os cariocas fazerem negócios. Mas o mais importante é quando eles chegarem aqui, eles verem os projetos que estão acontecendo na cidade. Até porque, no final do dia, o que a gente quer é que mais empresas invistam no Rio e estejam aqui no Rio abrindo esses negócios ou investindo também em empresas cariocas", comentou Chicão Bulhões.
Sobre o Web Summit
Com o intuito de reunir startups de tecnologia e potenciais investidores de todo o mundo, o Web Summit, o maior evento de tecnologia e inovação do mundo, chega ao Rio de Janeiro para sua segunda edição na próxima segunda-feira (15).
O evento de 2023, primeiro a ocorrer fora da Europa, contou com mais 100 horas de palestras, com 300 palestrantes convidados, e mais de 700 startups.
Web Summit deve injetar R$ 1,5 bilhão no Rio em 6 anos
Divulgação
A conferência tecnológica que teve seu primeiro evento em Dublin, na Irlanda, em 2009, costuma atrair especialistas e interessados nas indústrias: fintechs, auto techs, energy techs, venture capital, soluções de software empresariais, comércio eletrônico, deeptech, inteligência artificial, big data, entre outros.
O Web Summit 2024 dará grande destaque para os seguintes temas: aplicação da inteligência artificial e ações dos governos para efetivar sua regulamentação, além da interferência da geopolítica na tecnologia e o uso de matrizes energéticas.
Entre os destaques da edição carioca desse ano estão confirmados: Gilberto Gil, KondZilla, Bianca Andrade, Txai Suruí, Fábio Coelho, Camila Loures, Luccas Neto, Luiza Trajano e a norte-americana Meredith Whittaker, presidente da Signal, que vai participar de uma das mesas mais aguardadas, sobre as diferentes camadas da indústria de IA.

Influencers ganham milhões de visualizações com vídeos que mostram ajuda a pessoas em supermercados e nas ruas

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Fenômeno não acontece só no Brasil. De um lado, há quem defenda o incentivo a fazer o bem; do outro, especialistas em direitos humanos criticam exposição de pessoas em situação de vulnerabilidade. Vídeos com ajuda a pessoas em mercados ganham milhões de visualizações
Uma câmera se aproxima de uma pessoa que está pedindo dinheiro para comprar alimentos em um supermercado. Quem está filmando pergunta: “Topa entrar e comprar tudo o que você quiser?”
A gravação acompanha o indivíduo selecionando, emocionado, os produtos nas prateleiras, e termina com ele agradecendo imensamente pelo auxílio.
📱Esse enredo, com variações, tem se multiplicado nas redes sociais. Os vídeos produzidos a partir de cenas como a descrita acima alcançam milhões de visualizações para os influencers que os produzem.
🤳🏽O g1 encontrou, no Instagram e no TikTok, sete produtores de conteúdo brasileiros que criam vídeos com esse perfil, de vários locais do país, como Curitiba, São Paulo e Maceió. Todos são homens e têm entre 1 milhão e 6 milhões de seguidores (leia mais abaixo). Outras páginas replicam esse material, ampliando o alcance.
🌍 O fenômeno não acontece só no Brasil. Existem vídeos semelhantes em perfis do México, de Portugal e dos Estados Unidos. O maior youtuber do mundo, o americano Mr Beast, dedica uma seção de seu canal a ações do tipo e afirma já ter dado mais de 20 milhões de refeições a pessoas necessitadas. O youtuber também produz vídeos em que mostra doações de alto valor, como uma casa doada de gorjeta a um entregador de pizza.
Em uma versão brasileira, um influencer entregou, de presente, uma moto ao entregador.
Sorteios filantrópicos feitos por influenciadores: o que diz a lei
'Quero que este gesto se multiplique', diz influenciador
Com a divulgação dos vídeos, os produtores de conteúdo dizem que querem influenciar positivamente quem assiste.
“A ideia de divulgar essas ações nas redes sociais tem o propósito de inspirar e motivar outras pessoas a fazerem o mesmo. Quero que esse gesto se multiplique”, disse Felipe Martins, um músico de Maceió que tem as redes sociais como principal fonte de renda.
Perguntado sobre quanto já doou a terceiros, ele não revelou.
“Nunca me interessei em calcular esses valores, pois para mim o gesto de carinho e a ação solidária estão acima de tudo”.
Professor de educação física em Natal, Leandro Pessoa contou que inicialmente ajudava pessoas nas ruas sem filmar. Mas, ao registrar as ações e divulgar, passou a ver o impacto que causava.
"Recebi muitas mensagens lindas dos meus seguidores falando que, através do vídeo, eu mudei o dia deles. Pessoas com depressão, ansiedade, que se sentem outras depois que assistem aos meus vídeos".
Pessoa disse ter gastado mais de R$ 20 mil nos vídeos de ajuda, e que o dinheiro que ganha vem sobretudo das aulas que dá, e não da monetização nas redes.
Empresário e influencer de São Paulo que mescla os vídeos de ajuda com outros de culinária, Alex Granig afirmou já ter doado mais de R$ 100 mil – e outros R$ 500 mil por meio de vaquinhas virtuais que promove em seus canais.
"Hoje a minha renda é diversificada. Tenho imóveis, ações, criptomoedas e diversos canais na internet, além do canal Alex Granig, que é de ajudas sociais. Sou criador de diversos canais, como Nayara Granig (a mulher dele), Bruxinha das Receitas, entre outros, em diversos idiomas", descreveu o influenciador.
'Idolatria, cancelamento… Tudo isso vira engajamento', diz psicanalista
“Minha intenção com os vídeos não é expor a vida de ninguém, mas, sim, ajudar e inspirar você que tá assistindo a fazer o bem pelo próximo também”, justificou-se, em uma postagem, o influenciador Emerson Falkevicz, conhecido como “Emerson Resolve”, de Mafra (SC).
Para o psicanalista e analista de cultura e comportamento Lucas Liedke, este formato de conteúdo, de fato, pode passar uma mensagem positiva, como a de "inspirar algumas pessoas a também fazerem doações para quem está em situação de vulnerabilidade" ou a de "se envolver em algum tipo de trabalho social”.
Contudo, há também quem critique a exposição dos beneficiados, em comentários nas próprias contas dos influenciadores.
Liedke entende que este tipo de conteúdo pode instigar diversas reações – todas elas, entretanto, podem se traduzir em interações com as contas dos influenciadores nas redes sociais.
“É um tipo de conteúdo que é alegre, mas é triste, parece correto, mas parece errado, e isso gera afetos conflitantes em quem está assistindo. Faz as pessoas quererem se posicionar contra ou a favor, gera discussão, desperta idolatria ou tentativas de cancelamento, e tudo isso vira engajamento [nas redes]”.
Ações sociais gravadas podem parecer atitude nobre, mas não são, diz socióloga
Segundo a doutora em serviço social e mestre em sociologia Jucimeri Isolda, os influencers se beneficiam financeiramente com a projeção desses vídeos nas redes. Para ela, há uma exploração da pobreza das pessoas que recebem ajuda.
“É explorada a sua condição de indignidade, de vulnerabilidade extrema, de situação de pobreza, de precarização e de desproteção. Pode parecer uma atitude nobre, mas não é”, afirmou. “Subalternidade é o que tem de pior na condição da vulnerabilidade, porque é essa falta total de protagonismo e autonomia até para dizer ‘não, não quero participar disso’”.
É permitido filmar essas pessoas sem consentimento?
A advogada Luciana Marin Ribas, doutora em direitos humanos pela USP, ressaltou o direito à imagem das pessoas filmadas.
"Se você filma alguém e veicula sua imagem, é necessário ter autorização expressa dessa pessoa", explicou.
Os influencers que responderam à reportagem, Felipe Martins, Leandro Pessoa e Alex Granig, afirmam que solicitam a autorização de imagem de todas as pessoas que aparecem nos vídeos.
Emerson Falkevicz (conhecido como "Emerson Resolve"), Willian Braz (conhecido como "Willian da Bondade"), Iago Felipe (conhecido como "Iago Milionário") e Derick Silverio não responderam aos questionamentos do g1.
Idosa ganhou R$ 500 de influencer e R$ 600 de homem que não a filmou
Isa Nascimento dos Santos, de 74 anos, ou dona Isa, como é conhecida, mora sozinha em uma casa na Zona Leste de São Paulo. Ela é de Jequié, na Bahia, e chegou à capital paulista aos 18 anos.
Trabalhou a maior parte da vida como empregada doméstica e cozinheira, e, nos últimos dois anos, passou a vender panos de prato na rua. Ela tem o sonho de, antes dos 80 anos, voltar para Jequié e comprar sua primeira casa própria.
“A gente fica cansada, mas não pode desistir. Eu não tenho mais idade para isso, mas eu preciso [trabalhar]”.
Neste ano, Isa recebeu ajuda do influencer Willian Braz (“O Cara da Bondade”), enquanto estava sentada na calçada com suas mercadorias.
O influenciador a abordou e deu R$ 500 – valor que a idosa leva, em média, uma semana para conseguir com as vendas. O vídeo da ação no Instagram de Willian rendeu mais de um milhão de visualizações.
Isa Nascimento dos Santos, de 74 anos, vende panos de prato nas ruas de São Paulo.
Paula Paiva Paulo/g1
➡️Ao g1, Isa relatou que não sabia que estava sendo filmada e que não foi solicitada sua autorização. No entanto, ela disse que não vê problema nisso e não se incomodou em ver sua imagem na internet.
“Deus tem posto muitas pessoas boas no meu caminho, outras pessoas também fazem isso”, afirmou.
Ela contou que essa foi a segunda maior ajuda que já recebeu. Em outra ocasião, um homem que passou na rua e pediu seus dados fez um depósito de R$ 600 em sua conta. Neste caso, o gesto não foi divulgado.
Pegadinhas, sorteios e até exigência de ficar pelado
Sorteio promovido por Emerson Falkevicz, também conhecido como Emerson Resolve
Reprodução
Os vídeos apresentam uma variedade de abordagens. Enquanto alguns influenciadores simplesmente documentam a doação, outros condicionam o auxílio a pegadinhas e jogos de alternativas. Veja abaixo:
🔴É o caso de Iago Felipe, que se denomina “Iago milionário” nas redes. Em um vídeo, ele diz a um menino em uma loja de brinquedos: “Se você não falar no microfone, eu compro o que você quiser. Entendeu a brincadeira?”. A criança, então, responde com gestos, "e ganha o direito de escolher os itens da loja.
🔴Em outra situação, o influenciador Willian Braz aborda uma idosa na rua e oferece: "Dez reais ou girar a roleta?". Na roleta, a senhora tem a chance de ganhar até R$ 150 ou não ganhar nada.
🔴Num outro vídeo, Derick Silvério desafia dois grupos a montar quebra-cabeças e realizar gincanas — pelados. O prêmio final é de R$ 1 milhão de reais. “[Você] Se perdeu no conteúdo, mano, antes você ajudava as pessoas sem humilhar elas”, disse um seguidor em um comentário.
🔴Há ainda dois produtores de conteúdo, Emerson Falkevicz e Willian Braz, que promovem sorteios de carros de luxo como BMWs em suas páginas.
Esse tipo de sorteio precisa seguir regras:
deve ser autorizado pelo Ministério da Fazenda, e só pode ser feito por empresas ou organizações da sociedade civil, e não por pessoas físicas;
a venda de números só pode ser feita por instituições filantrópicas que queiram arrecadar fundos.
Os sorteios promovidos pelos dois influenciadores não informam a instituição que receberá o dinheiro ou o número de registro no governo federal.
O g1 perguntou ao Ministério da Fazenda se as empresas Emerson Falkevicz, ligada ao influenciador, e Lorenza Empreendimentos e Desenvolvimento Pessoal Ltda., apontada como organizadora dos concursos de William Braz, tinham autorização para a realização de promoções comerciais. A pasta negou.

Sorteios filantrópicos feitos por influenciadores: o que diz a lei

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Distribuição de prêmios com fins beneficentes precisa de autorização do Ministério da Fazenda e deve cumprir várias exigências. Sorteios identificados pelo g1 não informam seus números de registros nem quais instituições serão beneficiadas. Emerson Falkevicz e Willian Braz
Reprodução/Instagram
As redes sociais têm sido usadas por influenciadores com milhões de seguidores para divulgar vídeos em que fazem doações a pessoas que precisam de ajuda.
Alguns deles, além das doações, fazem sorteios com vendas de números, com a promessa de reverter o valor arrecadado para projetos sociais.
Segundo especialistas, sorteios filantrópicos só podem ser realizados por empresas ou organizações da sociedade civil, e não por pessoas físicas, e dependem de autorização do Ministério da Fazenda.
Quando em desacordo com a lei, essa prática pode ser classificada como uma rifa, considerada uma contravenção penal (como acontece com o jogo do bicho). Isso porque a modalidade envolve pagar para participar de um jogo cujo resultado depende exclusivamente da sorte.
"O problema está no ato de pagar por um número em troca da mera possibilidade de receber um prêmio que você não tem como controlar", explica o advogado Thiago Valiati, especialista em direito administrativo e sócio do escritório Razuk Barreto Valiati.
Influencers ganham milhões de visualizações com vídeos que mostram ajuda a pessoas em supermercados e nas ruas
Quem são os influenciadores que fazem os sorteios?
Entre os criadores de conteúdo que promovem os sorteios estão Emerson Falkevicz, que tem 6,1 milhões de seguidores no Instagram, e Willian Braz, que reúne 1,9 milhão.
Também conhecidos como Emerson Resolve e Willian da Bondade, eles publicam em suas páginas vídeos de doações em dinheiro ou em alimentos a pessoas que encontram nas ruas.
Os dois dizem que os sorteios são usados para arrecadar dinheiro para suas doações. Nas campanhas mais recentes, os influenciadores prometeram distribuir carros e celulares de luxo e oferecem o pagamento em dinheiro.
Os sites divulgados pelos dois influenciadores dizem que os sorteios são baseados nos resultados da Loteria Federal. Ambos afirmam que valor arrecadado será revertido em ações filantrópicas, mas não detalham as instituições que serão beneficiadas.
O g1 perguntou ao Ministério da Fazenda se as empresas Emerson Falkevicz, ligada ao influenciador, e Lorenza Empreendimentos e Desenvolvimento Pessoal Ltda., apontada como organizadora dos concursos de William Braz, tinham autorização para a realização de promoções comerciais. A pasta negou.
O g1 entrou em contato com os dois, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A página promovida por Falkevicz diz ainda que a campanha cumpre a lei por envolver um sorteio filantrópico que destina o que arrecada para "ajudar pessoas necessitadas com alimentos, educação, saúde".
Sorteio promovido por Emerson Falkevicz, também conhecido como Emerson Resolve
Reprodução
Sorteio promovido por Willian Braz, também conhecido como Willian da Bondade
Reprodução
Entenda as regras para sorteios
A realização de sorteios, por si, não é ilegal. Porém, a prática deve cumprir uma série de requisitos estabelecidos pela Lei nº 5.768, de 1971, que trata da distribuição gratuita de prêmios. Entre vários pontos, a lei determina que:
os sorteios precisam de autorização do Ministério da Fazenda por meio do Sistema de Controle de Promoções Comerciais (SCPC), que permite consultar promoções em andamento por meio deste link;
não pode haver distribuição de prêmios em dinheiro;
a distribuição de prêmios só pode ser feita por pessoas jurídicas, como empresas e organizações da sociedade civil, e não por pessoas físicas;
os sorteios com fins beneficentes só podem ser realizados por organizações da sociedade civil que se dediquem exclusivamente a atividades filantrópicas;
os sorteios devem obedecer aos resultados da extração das Loterias Federais.
Os sorteios voltados para causas sociais se enquadram nas chamadas "operações filantrópicas", que têm requisitos mais rígidos, segundo Valiati.
"Por exemplo, deve haver prova de que a propriedade dos bens a sortear tenha se originado de doação de terceiros devidamente formalizada", diz o advogado.
E o recurso arrecadado, necessariamente, precisa ser revertido para a atividade ao qual as entidades foram criadas.
"Não são autorizados sorteios que proporcionem lucros imoderados. E a autorização não pode ser utilizada para explorar de sorteios como forma de renda", diz o advogado Gleibe Pretti, professor da faculdade Estácio.
Em qualquer modalidade de sorteio, é preciso dar informações claras aos participantes.
"A divulgação deve ser ampla e transparente, informando o regulamento, a data e o local do sorteio, e o contato de quem está organizando", afirma Pretti.
A distribuição de prêmios sem autorização ou em desacordo com a regulamentação pode levar à cassação da autorização, à proibição de realização de sorteios por até dois anos e a multa de até 100% do valor total dos prêmios.
Vídeos com ajuda a pessoas em mercados ganham milhões de visualizações

Meta e Google revelam nova geração de chip de inteligência artificial para empresas

Milei se encontra com Elon Musk e oferece apoio para o bilionário em investigações do STF no Brasil
Processadores vão concorrer com semicondutores de IA das gigantes Intel e Nvidia. Além disso, elas entram na disputa com outras big techs que têm seus próprios chips, como Amazon e Microsoft. Meta e Google revelam nova geração de chip de inteligência artificial
AP/Reuters
A Meta, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp, e a Alphabet, controladora do Google, anunciaram nesta semana a nova geração de seus chips (processadores) de inteligência artificial exclusivos para empresas.
Segundo a agência Reuters, a Meta já planejava implementar uma nova versão de um chip de data center para lidar com a crescente quantidade de potência de computação para executar produtos de IA no Facebook, Instagram e WhatsApp. A nova geração, chamada de MTIA, será capaz de alcançar três vezes o desempenho de seu processador de primeira geração, disse a companhia.
Já o Google afirma que o seu equipamento, chamado de Axion, vai ajudar a aprimorar aplicativos, bancos de dados, caches de memória, processamento de mídia e treinamento de IA, de acordo com o Business Insider.
Com esses anúncios, Google e Meta agora podem reduzir a dependência de empresas como Intel e Nvidia, que são grandes fabricantes de semicondutores, segundo o portal de tecnologia The Verge.
Além disso, as big techs passam a concorrer com Intel e Nvidia, mas não só com elas, já que Amazon (Web Services) e a Microsoft (Azure) também têm seus próprios processadores. Veja abaixo detalhes dos novos equipamentos:
Meta MTIA
Meta MTIA
Divulgação/Meta
A taiwanesa TSMC vai produzir a nova geração de chip de IA da Meta. O equipamento é chamado MTIA e foi criado exclusivamente para data centers (ou centros de dados, na tradução para o português). Segundo a empresa, o semicondutor é capaz de fornecer "recomendações de alta qualidade aos usuários".
Ele faz parte de um amplo esforço no processo de desenvolvimento de chip de silício personalizado da empresa, que inclui também olhar para outros sistemas de hardware.
O equipamento ajudará a Meta a reduzir sua dependência dos chips de IA da Nvidia e a reduzir seus custos de energia em geral.
Além de construir os chips e hardware, a Meta tem feito investimentos significativos no desenvolvimento de software necessário para aproveitar o poder de sua infraestrutura da forma mais eficiente.
A empresa disse que possui vários programas em andamento "que visam expandir o escopo do MTIA", incluindo o suporte a cargas de trabalho ainda mais complexos.
Google Axion
Google Axion
Divulgação/Google
Produzido pela britânica Arm, o processador da gigante das buscas também foi desenvolvido para data centers e pode lidar com qualquer atividade, desde anúncios no YouTube até fazer análise de big data, dentre outras, segundo o Washington Post.
"O Axion oferece desempenho e eficiência energética líderes do setor e estará disponível para clientes do Google Cloud ainda este ano", disse a empresa.
"Os clientes poderão usar o Axion em muitos serviços do Google Cloud, incluindo Google Compute Engine, Google Kubernetes Engine, Dataproc, Dataflow, Cloud Batch e muito mais", completou.
Eles são uma das poucas alternativas viáveis aos avançados processadores da Nvidia, embora os desenvolvedores só possam adquiri-lo por meio da plataforma de nuvem do Google e não comprá-los diretamente.
A empresa disse que ele tem desempenho superior aos chips x86 e aos chips Arm de uso geral na nuvem.
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Milei se encontra com Elon Musk e oferece apoio para o bilionário em investigações do STF no Brasil

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Não ficou claro como esse apoio poderia acontecer. Após ameaças de Musk, dono da plataforma X, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, Moraes solicitou a investigação do bilionário pela Justiça brasileira. Milei se encontra com Elon Musk em 12 de abril de 2024.
Reprodução/redes sociais
O presidente da Argentina, Javier Milei, e o dono da rede social X (antigo Twitter), Elon Musk, se encontraram no Texas, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (12).
Milei ofereceu apoio a Musk nos processos da Justiça brasileira em que o bilionário está sendo investigado, disse o porta-voz do presidente argentino, Manuel Adorni. (Leia mais abaixo)
Não ficou claro como esse apoio de Milei a Elon Musk poderia acontecer.
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Nos últimos dias, Elon Musk teve desavenças com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nas redes sociais, em que o bilionário dono do X utilizou sua plataforma para atacar Moraes e ameaçar reativar contas desativadas em processos movidos pelo tribunal.
Segundo Adorni, Milei e Musk também prometeram trabalhar juntos para promover soluções de livre mercado.
Após ameaças de Musk a Moraes, o ministro determinou a investigação do bilionário americano e ordenou que a rede X não desobedeça a ordens judiciais dadas pelo STF. (Leia mais abaixo)
Saiba quem é Elon Musk, bilionário americano dono da rede social X
Relembre o histórico do embate entre Musk e Judiciário brasileiro
Ataques a Moraes
Desde o último domingo (7), Elon Musk vem atacando Alexandre de Moraes e ameaçando reativar perfis de usuários bloqueados na rede social X pela Justiça brasileira no âmbito de dois inquéritos que Moraes é relator no STF:
o das milícias digitais: que investiga ações orquestradas nas redes para disseminar informações falsas e discurso de ódio, com o objetivo de minar as instituições e a democracia.
o do 8 de janeiro: que investiga a tentativa de golpe no Brasil por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Por que você está exigindo tanta censura no Brasil?", questionou Musk, em inglês.
No curso das apurações dos inquéritos, ao longo dos últimos anos, Moraes determinou que as redes sociais bloqueassem a conta de alguns investigados. De acordo com o ministro, eles usavam as plataformas para o cometimento das práticas irregulares, que estão sendo investigadas.
Investigação
Após as ameaças e ataques de Elon Musk a Alexandre de Moraes, o ministro do STF determinou que a conduta do empresário seja investigada em novo inquérito.
Moraes também incluiu Musk entre os investigados no inquérito já existente das milícias digitais.
O ministro ordenou ainda que a rede X não desobedeça a nenhuma ordem da Justiça brasileira. E estipulou multa de R$ 100 mil para cada perfil que seja reativado irregularmente.
Para investigar Musk, Moraes afirmou que viu indícios de obstrução de Justiça e incitação ao crime nas atitudes do bilionário nos últimos dias.
A Polícia Federal deve ouvir representantes no Brasil da rede X nos próximos dias.
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Javier Milei, presidente da Argentina, se encontrou com Elon Musk, dono do X (antigo Twitter) no Texas, Estados Unidos, em 12 de abril de 2024.
Reprodução/redes sociais