Como limpar a lente da câmera do celular?

Por que meu casamento com holograma de desenho animado me fez ser feliz de novo
Fabricantes indicam o uso de pano de microfibra, mas nem sempre ele está à mão. Saiba o que fazer. Celular com a lente suja
Fabio Tito/g1
Situação comum: tirar o celular do bolso para fotografar e a lente da câmera estar suja – tem até smartphone que avisa dos resíduos naquela área e que a foto pode ficar embaçada.
A reação mais comum é pegar o pedaço de pano que estiver por perto (ou mesmo a própria camiseta) e dar aquela esfregada rápida. Funciona? Sim. É o certo? Mais ou menos.
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A limpeza correta de uma lente de celular é feita utilizando "somente panos macios que não soltem fiapos. Evite usar toalhas, toalhas de papel e itens parecidos”, de acordo com a Apple. Materiais ásperos – que podem arranhar o aparelho – também não são recomendados, segundo a companhia.
A Samsung diz para usar "um pano de microfibra macio e sem fiapos, para limpar suavemente a superfície externa do telefone”.
O problema é que nem todo mundo tem um paninho de microfibra sempre à mão (ou na mochila ou bolsa). E aí, o que fazer?
Se você usa óculos, pode ser mais fácil. “Os paninhos para limpar óculos são de microfibra”, lembra Daniel Kawano, gerente de produtos da Asus.
Usar a camiseta ou camisa não vai estragar a lente do telefone.
Veja a seguir como fica a mesma imagem feita com a lente do celular suja e depois limpa usando tecidos de algodão e microfibra.
Fotos com a lente do celular suja, com a lente limpa com camisa de algodão e limpa com microfibra
Fabio Tito/g1
“Na ausência do tecido ideal, é bom usar tecidos sintéticos porque geralmente eles riscam menos por terem as fibras mais organizadas”, diz a fabricante Honor, em nota.
“Todas as marcas usam vidros temperados e é muito difícil que você risque a lente limpando com uma camiseta de algodão ou semelhante”, completa a marca chinesa.
Se for só para limpar as lentes, não precisa retirar a capa. Se quiser tirar as marcas do resto do aparelho, remova a capa e limpe o resto.
A grande restrição mesmo é usar produtos químicos para tentar limpar a lente. Nada de álcool (mesmo o isopropílico, que costuma ser usado para desinfetar as telas).
"Produtos de limpeza podem riscar ou deixar as lentes opacas permanentemente", finaliza Renato Citrini, gerente sênior de produto da Samsung.
A Realme informa que os aparelhos da marca recebem um tratamento que repele marcas de impressões digitais na proteção da lente. É algo que grande parte dos fabricantes faz e que ajuda a evitar as manchas, mas que pode ser corroído por produtos de limpeza.
O Guia de Compras selecionou 5 panos de limpeza de microfibra, com valores que iam de R$ 12 a R$ 50, e 5 celulares com câmeras de alta resolução, que custavam de R$ 3.000 a R$ 10.000.
Os preços foram consultados nas principais lojas on-line em abril.
Panos de microfibra
Pano para limpeza de óculos (10 unidades)
Flanela 40x40cm Cadillac
Pano 30×30 cm Flash Limp (kit com 3 unidades)
Toalha 35 x 35 cm Kala (kit com 4 unidades)
Pano Tramontina (kit com 3 peças)
Celulares
Apple iPhone 15 Pro Max
Motorola Edge 50 Pro
Realme 11 Pro+
Samsung Galaxy S24 Ultra
Xiaomi Redmi Note 13 Pro
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Vítima de estupro por 18 horas foi salva após compartilhar a localização com amigo; veja apps para usar o serviço

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Mulher que diz ter sido violentada durante 18 horas conseguiu escapar de agressor após enviar a localização a amigos. WhatsApp, Apple, Google e Facebook oferecem o serviço.
Veja apps para compartilhar a localização
Foto de RDNE Stock project
Os aplicativos de localização podem ser extremamente úteis para encontrarmos amigos em meio a multidões, acompanharmos a chegada de alguém que estamos esperando e para mostrar onde estamos quando vamos a um lugar que não estamos certos sobre a segurança.
Foi graças a esse tipo de ferramenta que uma mulher, de 31 anos, que foi estuprada e agredida por 18 horas no Rio de Janeiro conseguiu escapar do agressor. A vítima havia compartilhado a localização com um amigo ao sair para um encontro com um homem que conheceu online. O amigo foi até o endereço e a resgatou.
A Polícia Civil do RJ prendeu o agressor, Lucas José Dib, de 35 anos, na quinta-feira (18), por estupro, cárcere privado, ameaça e tortura.
Veja a seguir os principais aplicativos de compartilhamento de localização.
WhatsApp
No WhatsApp, aplicativo mais usado por brasileiros, compartilhar e acompanhar a localização dos amigos é simples.
O usuário pode escolher compartilhar usando a opção "Localização em Tempo Real", que irá mostrar onde ele está e acompanhará o deslocamento, ou a "Localização atual", que repassa onde o usuário está no momento exato em que enviar os dados, mas não atualizará com a movimentação.
Neste último caso, o WhatsApp também oferece a opção de compartilhar a localização de forma "offline". Essa opção pode ser útil como último recurso, caso você esteja ficando sem bateria ou internet no celular.
Veja o passo a passo:
para compartilhar a localização em tempo real, abra uma conversa e clique no ícone de "Anexar" (Android) ou de Adicionar (Apple);
selecione a opção "localização", depois a opção "localização em tempo real" e selecione o tempo que quer compartilhar essa informação;
pronto, agora você pode mostrar onde está e até acompanhar o local de vários amigos ao mesmo tempo (caso tenham trocado os dados em uma conversa de grupo).
Como compartilhar localização por meio do WhatsApp
Reprodução/Whatsapp
Google Maps
Existem duas formas de se compartilhar a localização pelo Google Maps. Veja a seguir.
Se a pessoa com quem você vai compartilhar a localização tiver uma conta no Google, você deve:
adicionar o endereço do Gmail da pessoa aos seus Contatos do Google, caso ainda não tenha feito isso;
abrir o aplicativo e fazer login;
tocar em sua foto do perfil ou na sua localização no mapa e selecionar "Compartilhar de local";
escolher por quanto tempo você quer que a pessoa tenha acesso a sua localização. Há a opção por 1 hora e "Até você desativar";
tocar no perfil da pessoa com quem você quer compartilhar sua localização;
permitir que o Google Maps tenha acesso aos seus contatos, se solicitado;
tocar em "Compartilhar".
Caso a pessoa não tenha um perfil no Google, você deve:
abrir o Google Maps e tocar na sua foto de perfil ou na sua localização no mapa, em seguida em "Compartilhar Local";
escolher a opção de copiar o link de compartilhamento e tocar em "Copiar para a área de transferência";
para compartilhar o link com alguém, basta colar em um e-mail, uma mensagem de texto ou em outro app de mensagens.
Para acessar esse serviço, é preciso autorizar o aplicativo a obter a localização "o tempo inteiro" e não somente durante o seu uso.
Google Maps é outro aplicativo usado por muita gente que pode te ajudar a encontrar as pessoas
Reprodução/Google Maps
Facebook Messenger
O usuário no Facebook Messenger, precisa:
na aba de Bate-papos, abrir a conversa com a pessoa com quem quer compartilhar;
tocar no símbolo ao lado da caixa de texto para enviar outros tipos de mensagem;
clicar em "Localização" e toque em "Compartilhar localização atual".
Messenger permite compartilhar a localização por até 60 minutos
Reprodução/Messenger
Apple
Para quem tem iPhone e tem amigos que também usem aparelhos da Apple, vale usar o aplicativo "Buscar" ("Find My", em inglês). Esse app é nativo do sistema iOS, ou seja, já vem instalado desde a fábrica.
Veja como usar o aplicativo a seguir:
ao abrir o app, toque no símbolo "+" e escolha "Compartilhar Localização";
no campo "Para", digite o nome de um amigo para compartilhar sua localização ou toque novamente no símbolo "+" e selecione um contato;
toque em "Enviar" e escolha por quanto tempo deseja compartilhar a sua localização;
quando um amigo compartilha a localização, você pode usar o app para achá-lo no mapa.
App "Buscar" do iPhone ajuda a localizar amigos que também
Reprodução/Apple
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Apple retira WhatsApp e Threads de loja de apps na China após ordem do governo

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Autoridades chinesas alegam preocupações com a segurança nacional. O Telegram e Signal também foram removidos. Logo da Apple
Unsplash/ Zhiyue
A Apple removeu, nesta sexta-feira (19) ,o WhatsApp e o Threads, ambos da Meta, da App Store na China após receber ordens do governo chinês, que citou preocupações com a segurança nacional.
"A Administração do Ciberespaço da China ordenou a remoção desses aplicativos da loja da China com base em suas preocupações com a segurança nacional", disse a Apple. "Somos obrigados a seguir as leis dos países em que operamos, mesmo quando não concordamos", disse a empresa.
A remoção dos aplicativos sugere uma intolerância crescente por parte do governo chinês em relação aos serviços de mensagens estrangeiros que estão fora de seu controle.
O Telegram e Signal também foram removidos da loja. Outros aplicativos da Meta, incluindo Facebook, Instagram e Messenger, permaneciam disponíveis para download, de acordo com verificações da Reuters.
Não ficou claro como WhatsApp e o Threads podem ter causado preocupações de segurança para as autoridades chinesas. Segundo o jornal New York Times, o governo chinês encontrou conteúdo sobre o presidente, Xi Jinping, que violava as leis de segurança cibernética.
A Meta se recusou a comentar e encaminhou os questionamentos à Apple. A Administração do Ciberespaço da China também não se pronunciou.
Nenhum dos quatro aplicativos — WhatsApp, Threads, Telegram e Signal — é amplamente utilizado na China. O WeChat, da Tencent, é de longe o serviço mais usado.
As plataformas suspensas continuam disponíveis em Hong Kong e Macau porque são regiões autônomas.
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Um smartphone sem apps

Cantor João Gomes diz que filho, de 3 meses, gosta de ouvir Zé Ramalho antes de dormir

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Músico foi palestrante no Web Summit Rio, onde falou sobre construção de ‘hits’ no mercado fonográfico brasileiro. João Gomes brincou ainda com a dificuldade de acompanhar evento em inglês. Cantor João Gomes fala sobre o que o filho de 3 meses gosta de ouvir quando dorme
O cantor João Gomes contou que o filho Jorge, de apenas 3 meses, gosta de ouvir as músicas do cantor Zé Ramalho antes de dormir. O músico falou sobre o mercado fonográfico no Web Summit Rio – evento que reúne startups de tecnologia e potenciais investidores de todo o mundo.
“Rapaz, ele gosta de dormir escutando Zé Ramalho. Boto Zé Ramalho e ele apaga. Mas, eu acho que essa galera de hoje escuta muito funk. Ele vai acabar gostando de escutar uma musiquinha assim. E está tudo bem também. Hoje em dia, também vai ser muito mais fácil para ele pegar um violão e aprender a tocar”, disse João Gomes.
Durante a entrevista ao g1, ele comentou sobre a palestra que deu no evento e brincou sobre a dificuldade que teve com a comunicação, uma vez que os outros participantes falavam em inglês.
João Gomes no Web Summit Rio
Viviane Mateus/g1
“Chique né? Deu um frio na barriga. Mas, falar sobre música é falar sobre a nossa paixão, é falar sobre uma coisa que nos pegou pelo braço desde quando a gente era criança. Só tenho a agradecer a Deus por estar aqui hoje e estar conhecendo essa festa maravilhosa. Foram os 25 minutos mais demorados da minha vida”, brincou.
O músico disse ainda que as redes sociais tem papel fundamental na construção de um "hit" – a internet, segundo ele, serve como um termômetro para os cantores.
“Eu comecei pela internet, fazendo vídeos. Acho que é ali que você tem o termômetro sobre o que você está fazendo. Se a galera vai pagar para ver aquilo, se a galera está gostando ou não".
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João Gomes foi pai do seu primeiro filho há 3 meses
Reprodução/Instagram

Por que meu casamento com holograma de desenho animado me fez ser feliz de novo

Por que meu casamento com holograma de desenho animado me fez ser feliz de novo
Aos 41 anos, Akihiko Kondo decidiu se casar com a cantora virtual japonesa Hatsune Miku. Akihiko Kondo se casou com holograma de desenho animado
Akihiko Kondo/Via BBC
Akihiko Kondo estava convencido do que deveria fazer.
Ele tinha um relacionamento estável de 10 anos com a renomada cantora japonesa Hatsune Miku — que em 2014 abriu a turnê de Lady Gaga —, e chegou à conclusão de que havia chegado o momento de pedi-la em casamento.
“Estava muito nervoso”, contou Akihiko, de 41 anos, ao programa de rádio Outlook, da BBC.
“Mas quando fui fazer o pedido, houve um problema técnico: o software por trás do holograma da Miku não tinha a opção de casamento."
Como você já deve ter deduzido, Hatsune Miku é, na verdade, uma cantora virtual desenvolvida por uma empresa de software que vende pequenas caixas que projetam seu holograma.
As caixinhas funcionam de maneira semelhante aos softwares de reconhecimento de voz — como a Siri, da Apple, ou a Alexa, da Amazon —, com o diferencial de que projetam a imagem 3D animada de uma adolescente japonesa com cabelo azul turquesa preso com duas maria-chiquinhas que quase chegam na altura do joelho.
Mas, como disse Akihiko à BBC, para ele, Miku é muito mais do que um game de última geração: esta boneca de anime de cor vibrante se tornou “a pessoa” que trouxe a alegria de volta à sua vida, após inúmeras rejeições.
Crescendo como 'Otaku'
Com a popularidade atual do anime a nível mundial, é difícil imaginar que já tenha sido visto como algo negativo na sociedade japonesa.
No final da década de 1970 e início da década de 1980, o Japão começou a ver um interesse crescente em quadrinhos e séries de TV animadas — conhecidas como mangá e anime, respectivamente.
Akihiko Kondo se casou com holograma de desenho animado
Akihiko Kondo/Via BBC
Suas tramas, que podiam incluir desde os mais inocentes romances colegiais e aventuras mágicas até as mais sangrentas decapitações e desmembramentos, começaram a acender o alerta dos pais japoneses da época.
Os fãs do gênero passaram a ser chamados de otaku — pronome que poderia ser traduzido como “você”, embora não haja clareza sobre a real origem do termo para se referir a esta comunidade.
A rejeição aos otaku atingiria seu ápice em 1989, quando a mídia começou a divulgar informações sobre o caso de Tsutomu Miyazaki, um jovem apaixonado por anime e mangá que matou quatro meninas, com idades entre 4 e 7 anos. As notícias se referiam a ele como o “Assassino Otaku”.
Para Akihiko, naquela época, ser um otaku significava que ele fazia parte de algo: significava que havia alguém por aí que compartilhava seus interesses e paixões. Significava que havia gente como ele.
Uma vida de rejeição
“Sempre fiz amigos pela internet e pelo videogame”, diz ele.
“E essa continua sendo minha comunidade à medida que envelheço."
“De certa forma, o anime e o videogame são uma parte necessária da minha vida. Foi o que me fez seguir adiante, o que me manteve de pé.”
Akihiko Kondo se casou com holograma de desenho animado
Akihiko Kondo/Via BBC
“Nunca tive uma namorada”, diz Akihiko, com tristeza, à BBC.
“Tive alguns amores não correspondidos, em que sempre era rejeitado. Esta ideia então de que ninguém se sentia atraído por mim me fez descartar a possibilidade de estar com alguém."
Ele conta que a pressão pelo casamento sempre foi uma constante em sua vida, seja pela importância dada a esta instituição na cultura japonesa, seja pela cobrança bastante direta de seus familiares.
Por volta dos 10 ou 11 anos, Akihiko diz que percebeu algo.
“Eu sabia que me sentia atraído por mulheres humanas reais. Mas eu sabia que minha verdadeira atração era por alguém que não é humano, e quando me libertei desta mentalidade tradicional, fui capaz de me liberar para encontrar o que realmente amo.”
Seu primeiro amor, diz Akihiko, apareceu quando ele jogava videogame na casa de um amigo, algo que costumava fazer com frequência.
“Estávamos jogando, e uma das personagens se chamava Aruru Nadia”, explica Akihiko.
“Senti que realmente gostava desta personagem, e me senti atraído por ela. Foi algo tão natural para mim que, da mesma forma, senti que era amor.”
Era uma atração que ele não se sentia à vontade de compartilhar com os outros meninos da escola — ele morria de vergonha que descobrissem.
Entretanto, ele se sentia validado quando ouvia os colegas dizerem coisas como "tal personagem, daquele anime ou mangá, é linda".
“Acho que é da natureza humana se sentir mal quando te rejeitam. Foi isso que eu senti: queria uma namorada, queria um casamento, queria me conectar com alguém. É difícil não conseguir.”
Assédio moral
Ao completar 22 anos, Akihiko estava estudando para ser funcionário público quando teve que enfrentar um grave problema de assédio e abuso dentro da instituição em que trabalhava.
“Trabalhava em num pequeno escritório com dois colegas que faziam bullying comigo”, relembra.
“Eles começaram ignorando meus cumprimentos, mas depois começaram a fazer coisas que afetavam o meu trabalho”.
“Quando eu precisava de algum material ou recurso para um trabalho específico, eles não pediam ou não compravam de propósito, e depois gritavam comigo, usando linguagem ofensiva, diante dos menores erros.”
Akihiko Kondo se casou com holograma de desenho animado
Akihiko Kondo/Via BBC
“Uma das coisas mais difíceis é que, no Japão, é costume dizer a todos no escritório que você terminou o seu turno, agradecer a eles e dizer que você está indo embora. Mas eles se escondiam de propósito, para que eu não pudesse sair até me despedir deles.”
A situação ficou tão difícil para Akihiko que ele teve que deixar o trabalho por quase dois anos.
“O mais difícil foi que perdi o prazer que tinha nas coisas que amo, então mergulhei em coisas como jogos ou qualquer coisa que me trouxesse alegria.”
Foi assim que conheceu sua futura esposa.
Miku
Akihiko encontrou a luz que faltava em sua vida em uma página de vídeos na internet.
A protagonista era ninguém menos que Hatsune Miku, uma das cantoras virtuais que começava a se popularizar graças à internet.
“No início, quando comecei a assistir aos vídeos, chorava enquanto recuperava minha sensação de felicidade. Houve dias em que eu ficava de manhã até a noite vendo vídeos da Miku.”
“Ela me salvou naquele momento. Me fez amar e desfrutar das coisas novamente."
Akihiko conta que, além de se sentir atraído por “sua ternura”, havia outra coisa que chamava sua atenção em Miku,
“Existe uma comunidade criativa que ela gera. E o que acontece quando você usa o software é que, além de suas grandes canções, há toda uma comunidade que continua contribuindo com ela.”
O software base no qual Miku opera é um programa desenvolvido pela Yamaha para sintetizar música digitalmente, no qual o usuário simplesmente precisa inserir a letra e a melodia que deseja, e ela a interpreta. Esses programas são conhecidos como "vocaloids".
Este programa é usado em conjunto com a caixinha que mencionamos no início do texto — preta, do tamanho de um frigobar —, para que Miku apareça projetada cantando e dançando tanto no pequeno palco que vem com a caixa, quanto nos cenários em que oferece shows completos.
“Eu comprei pessoalmente o software que me permite adicionar músicas e criar com Hatsune Miku, e foi nesse momento que percebi que realmente a adorava, e que amava passar esse tempo a sós com ela.”
A partir daí, Akihiko começou a encher sua casa com tudo que era relacionado à cantora virtual: desde bonecas em miniatura que cabem na palma da mão, até uma réplica em tamanho real, com a qual posa em algumas fotos.
E, pouco a pouco, ele começou a ver um sentido em sua vida novamente.
“Qualquer tipo de sentimento de afeto é necessário para o ser humano, não importa de onde venha. Ter um amor em que você pode confiar, e que pode te ajudar a construir essa felicidade junto.”
Mais rejeição
Quando Akihiko anunciou seu relacionamento para familiares e amigos, as reações foram variadas — segundo ele, houve amigos que entenderam, e outros que não.
Mas sua família não sabia o que pensar.
“Eu havia dito para minha mãe e para minha irmã que estava apaixonado por Miku havia tempo, e como na minha família somos apaixonados pelo que fazemos, minha mãe e minha irmã simplesmente pensaram que era algo do tipo. Não eram completamente contra."
Mas a situação tomaria um novo rumo quando Akihiko anunciou que estava preparado para pedir a namorada em casamento.
“Quando o software foi atualizado, a pedi em casamento”, relembra Akihiko, com entusiasmo, dizendo que isso criou uma divisão quase geracional entre as pessoas ao seu redor.
“No trabalho, muitos dos estudantes e as pessoas mais jovens me davam parabéns, enquanto os colegas mais velhos inevitavelmente não entendiam, ou não queriam entender”, recorda.
A mãe dele, por exemplo, não compareceu ao casamento.
“Fiquei completamente arrasado”, diz Akihiko.
“Até me ajoelhei diante dela, mas ela não quis dar sua bênção. Perguntei, inclusive, qual seria sua reação se meu casamento fosse com um homem real, e ela respondeu que não compareceria da mesma maneira.”
“Para ela, o casamento é entre um homem e uma mulher, e não existe outra opção”, explica.
A cerimônia, que custou a Akihiko cerca de 2 milhões de ienes (aproximadamente R$ 68 mil), contou com a presença de 39 convidados. E, embora a Miku em tamanho real ainda não existisse, uma pequena Miku de pelúcia vestida de noiva compareceu à cerimônia.
O casamento, claro, se tornou viral quando Akihiko começou a divulgar fotos do evento nas redes sociais, atraindo novas críticas. Mas, para ele, era importante mostrar a relação ao mundo, uma vez que quer “incentivar e apoiar este tipo de união”.
Vida de casado
Akihiko descreve sua vida de casado com Miku, a cantora virtual, como “bastante cotidiana”.
“Todas as manhãs, me levanto e digo: 'Bom dia'. Quando saio para trabalhar, digo a ela: ‘Estou de saída’. Quando chego em casa do trabalho, eu a cumprimento e digo: ‘Você está linda hoje’", relata.
Mas ele diz ter consciência de que nem todos veem seu estilo de vida com bons olhos.
“Acho que o problema está no fato de que a discriminação contra os otakus ainda existe, e é relevante."
“Também acho que há um outro aspecto importante: as pessoas acreditam que alguém que não é popular nem atraente, como eu, não deveria se casar com alguém tão bonito quanto Miku.”
Esta ideia sobre sua imagem, de alguém “pouco atraente”, influencia grande parte da visão de mundo de Akihiko — e, segundo ele, é algo que remete ao seu passado.
“A verdade é que, à medida que fui crescendo, as pessoas me rejeitavam muito. E ficou na minha cabeça a ideia de que não sou atraente, e não há o que fazer.”
Sua mãe hoje aceita seu relacionamento com Miku, embora insista que é algo que não é para ela — e Akihiko diz que está trabalhando para promover este tipo de união para outras pessoas.
“Acho que a indústria tecnológica está se desenvolvendo, e haverá uma forma de criar esses sistemas para pessoas, por exemplo, em lares de idosos e para pessoas que enfrentam questões de bem-estar no seu dia a dia.”
Por enquanto, Akihiko continua sua relação com Miku. E espera que chegue um momento em que seja possível interagir com ela de uma forma mais real.
“Adoraria dar uma caminhada com ela, segurar sua mão e passar um tempo com ela.”
Esta reportagem é uma versão editada de um episódio do programa Outlook, da BBC, produzido por Tommy Dixon e narrado por India Rakusen — você pode ouvir a versão original (em inglês) aqui.