Educação Financeira #280: investimentos no exterior: qual o cenário para começar em 2024

Evergrande, gigante imobiliária chinesa, tem falência decretada pela Justiça de Hong Kong
Podcast desta semana fala sobre qual é o atual cenário de investimentos no exterior e o que pode valer a pena em 2024. O dólar voltou a ensaiar uma subida nos primeiros dias de 2024, mas, entre as comuns oscilações, ainda há muita incerteza sobre qual será o patamar da moeda norte-americana até o fim do ano e como isso pode impactar a economia aqui dentro e lá fora.
Soma-se a isso as expectativas pelo rumo das taxas de juros nos Estados Unidos. As perspectivas são de que haja um ciclo de corte em breve, mas o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) ainda não deixou claro quando isso deve começar.
Neste cenário, os investimentos no exterior podem saltar aos olhos dos investidores – tanto a renda fixa, já que as taxas de juros continuam altas, quanto a renda variável, por conta das projeções para a economia.
Neste episódio do podcast Educação Financeira, dois especialistas falam sobre qual é o atual cenário de investimentos no exterior e trazem dicas do que pode valer a pena em 2024.
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O que são podcasts?
Podcasts são episódios de programas de áudio distribuídos pela internet e que podem ser apreciados em diversas plataformas — inclusive no g1, no ge.com e no gshow, de modo gratuito.
Os conteúdos podem ser ouvidos sob demanda, ou seja, quando e como você quiser!
Geralmente, os podcasts costumam abordar um tema específico e de aprofundamento na tentativa de construir um público fiel.

Salário mínimo com valor reajustado passa a ser pago a partir desta semana

Valor de R$ 1.412 começou a valer em janeiro de 2024, mas só será pago agora, em fevereiro. O novo salário mínimo nacional, de R$ 1.412, passa a ser pago a partir desta quinta-feira (1º), embora já estivesse valendo desde o primeiro dia de 2024. Isso ocorre porque o trabalhador recebe a quantia após um mês trabalhado. O novo valor corresponde a um aumento de quase 7% (R$ 92 a mais) em comparação aos R$ 1.320 válidos até dezembro de 2023.
Assim, quem recebe o salário mínimo (ou múltiplos dele) ou benefícios vinculados a esse valor — como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo — já recebe o total reajustado no contracheque de fevereiro.
Com o novo valor, é possível comprar quase duas cestas básicas, que hoje custam, em média, R$ 772,51 cada uma.
Novo salário mínimo afeta o rendimento de quase 60 milhões de pessoas
Neste ano, foi retomada a política de valorização do salário mínimo, que garante aumento real do salário sempre que economia crescer.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que 59,3 milhões de pessoas no Brasil têm rendimento ligado ao salário mínimo.
Como funciona o salário mínimo?
Como o nome já indica, o salário mínimo é a menor remuneração que um trabalhador formal pode receber no país.
A Constituição diz que trabalhadores urbanos e rurais têm direito a um salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado.
Pela Constituição, o salário mínimo tem que ser reajustado ao menos pela inflação, para garantir a manutenção do chamado "poder de compra". Se a inflação é de 10%, o salário tem de subir pelo menos 10% para garantir que seja possível comprar, na média, os mesmos produtos.
Nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o reajuste do salário mínimo seguiu exatamente essa regra. Foi reajustado apenas pela inflação, sem ganho real.
O salário mínimo também gera impactos indiretos na economia, como o aumento do "salário médio" dos brasileiros e a elevação do poder de compra do trabalhador.
O que muda com o novo salário mínimo?
O novo salário mínimo de R$ 1.412 também aumenta o valor de benefícios e serviços que usam o piso nacional como referência.
Com isso, quem recebe o piso nacional (ou múltiplos dele) ou benefícios vinculados a esse valor já devem receber o total reajustado agora, no início de fevereiro. Assim, devem ter valores maiores:
abono salarial PIS/Pasep;
benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);
Benefício de Prestação Continuada (BPC);
seguro desemprego;
os valores que permitem a inscrição no Cadastro Único;
seguro-defeso;
os montantes pagos no trabalho intermitente;
o teto permitido para ajuizar ações;
contribuições mensais dos Microempreendedores Individuais (MEIs).

Aprenda a escolher frutas, legumes e verduras e reduza risco de doenças crônicas e câncer

Evergrande, gigante imobiliária chinesa, tem falência decretada pela Justiça de Hong Kong
Batata germinando é um bom ou mau sinal? OMS indica consumo de cinco porções de frutas, legumes e verdura por dia. Como escolher frutas, legumes e verduras e reduzir risco de doenças crônicas e câncer
Cada fruta, verdura e legume tem cor, textura e consistência diferentes que podem deixar o consumidor em dúvida na hora de escolher qual levar para cada.
Apertar, olhar e cheirar são práticas comuns para tentar encontrar o produto mais adequado, no entanto, a melhor técnica é conhecer as especificidades de cada alimento. Veja a seguir dicas para escolher frutas e hortaliças:
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Aspectos visuais e texturas são indicadores importantes na hora de escolher frutas e legumes
Divulgação/ Mercado Municipal de Curitiba
Maçã 🍎
Escolha maçãs com uma pele brilhante e sem rugas, pois isso indica frescor. Ao toque, ela deve ser firme, mas ceder um pouco sob pressão. Evite maçãs com cheiro fermentado.
Alface 🥬
Escolha alfaces com folhas crocantes e livres de murcha. Evite aquelas com bordas marrons ou sinais de decomposição. Verifique se os talos estão firmes, isso é um sinal de frescura.
Banana 🍌
Procure bananas com uma cor amarela uniforme. As manchas marrons indicam maturação avançada – que pode ser uma boa escolha para receitas específicas.
Evite bananas com cascas rachadas, pois isso pode indicar danos internos.
Cenoura 🥕
Prefira cenouras com cor viva e sem manchas escuras. Deve ter a superfície lisa e ser firme ao toque.
Abacaxi 🍍
A fruta deve ter um aroma doce e uma estrutura bem firme, mas o segredo para escolher está na coroa de folhas: se você puxar as folhas, e elas se soltarem com facilidade, o abacaxi está maduro!
Brócolis 🥦
Escolha brócolis com cabeças firmes e compactas, e com cor de um verde intenso. Evite aqueles com cabeças soltas, amarelados ou com manchas escuras.
Laranja 🍊
Opte por aquelas com casca brilhante e lisa e por aquelas pesadas em relação ao seu tamanho. Evite laranjas secas, mofadas ou com marcas marrons.
Batata 🥔
Escolha batatas com uma superfície lisa e sem manchas escuras. Evite aquelas com sinais de brotos ou descoloração e, também, aquelas com tons verdes na casca, pois isso pode indicar exposição à luz e produção de solanina, uma substância tóxica.
Ao toque, devem ser firmes e sem áreas moles.
Manga 🥭
Escolha mangas com uma cor vibrante, que pode variar dependendo do tipo da fruta, e com a casca relativamente lisa.
Dê preferência às que têm um aroma doce na extremidade da haste. Ao toque, deve ser firme, mas com alguma elasticidade, indicando que está madura. Evite mangas com manchas escuras ou rachaduras.
Abobrinha 🥙
Prefira abobrinhas com uma pele brilhante e sem rachaduras, pois isso indica frescor. Ao tocar na abobrinha, deve ser firme, mas ceder um pouco sob pressão. Evite abobrinhas excessivamente grandes, pois podem ser uma textura fibrosa.
Melancia 🍉
Uma parte manchada da melancia apenas indica o lado em que ela ficou apoiada no chão, no entanto, essa parte deve ser amarela, e não pode ser branca ou verde.
Escolha uma melancia que seja pesada em relação ao seu tamanho. Isso indica que tem uma boa quantidade de suco.
Para saber se está madura, dê um tapa na fruta, se apresentar um som profundo, está madura, se tiver um som oco, está madura demais.
Maracujá
Quanto mais 'feio' melhor. O maracujá bem amarelo e enrugado, sem manchas escuras, está pronto para consumo.
Tomate 🍅
Opte por tomates com uma cor vermelha brilhante e uniforme, e por aqueles com peso adequado ou mais pesados para o tamanho. Evite tomates com pele rachada, pois isso pode indicar envelhecimento ou condições de crescimento inadequadas.
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Frutas, legumes, verduras e a saúde
Dietas ricas em frutas e vegetais ajudam a reduzir o risco de inúmeras condições crônicas de saúde, como diabetes e doenças cardiovasculares, de acordo com médicos e nutricionistas.
Além disso, a presença de vários antioxidantes também pode proteger contra alguns tipos de câncer.
A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, é o consumo de cinco porções diárias de frutas, legumes e verduras.
A filosofia "5 por dia" pode proporcionar uma vida mais longa, segundo um estudo feito por uma equipe da Universidade de Harvard (EUA).
De acordo com o estudo, a ingestão de cinco porções diárias está associada a um risco 13% menor de morrer precocemente.
Além disso, o hábito diminuiu em 12% a possibilidade de morte por doenças cardiovasculares, 10% por câncer e 35% por problemas respiratórios (a comparação foi feita com pessoas que consumiram duas porções por dia).
Veja também dicas gerais para auxiliar nas escolhas da feira:
Opte por frutas pesadas, pois o peso é um indicativo de suculência.
Confie no aroma: alimentos mais cheirosos geralmente são mais saborosos.
Frutos não-climatéricos não amadurecem mais após colhidos. Alguns exemplos são melancia, morango, abacaxi, e laranja.
Evite alimentos germinados e com brotos. É sinal que o produto está envelhecido.
Verduras devem ser exuberantes e sem furos; se já estão limpas, devem estar refrigeradas.
Escolha hortaliças verdes e sem marcas, evitando folhas amareladas; conserve-as na geladeira e consuma em até três dias.
Evite comprar alimentos descascados, cortados ou picados, pois a parte interna deles já está em contato com o oxigênio, assim, estragam mais rápido.
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Capítulo 11: entenda o que é o mecanismo e a diferença para a recuperação judicial brasileira

Evergrande, gigante imobiliária chinesa, tem falência decretada pela Justiça de Hong Kong
Para especialistas ouvidos pelo g1, a reestruturação financeira na Justiça dos EUA é muito usada por empresas brasileiras pela maior facilidade de negociar dívidas em dólar, menor burocracia processual e pelas categorias de dívida que ficam suspensas durante o processo. Boeings 737 NG e MAX, da GOL Linhas Aéreas.
Divulgação
O Capítulo 11 da Lei de Falências norte-americana, ou "chapter 11", voltou a ser tema do mercado na última quinta-feira (25). O instrumento foi acionado pela Gol Linhas Aéreas, nos Estados Unidos, com o objetivo de reestruturar as obrigações financeiras de curto prazo da empresa e "fortalecer sua estrutura de capital para ter sustentabilidade no longo prazo".
As dívidas da companhia são estimadas em R$ 20 bilhões. O mecanismo é usado para suspender a execução de dívidas e permitir que a empresa proponha um plano de reestruturação sem que precise parar de operar. É semelhante ao processo de recuperação judicial brasileiro, mas com pequenas diferenças.
Nesta reportagem você vai entender:
O que é o Capítulo 11 da Lei de Falências dos EUA?
Qual a diferença entre o Capítulo 11 e a recuperação judicial no Brasil?
Por que algumas empresas optam pelo Capítulo 11 em vez de abrir o processo no Brasil?
O que é o Capítulo 11 da Lei de Falência dos EUA?
O Capítulo 11 da Lei de Falências norte-americana é um mecanismo que pode ser acionado tanto por empresas que estejam com dificuldades financeiras, quanto por seus credores.
O instrumento é usado para suspender a execução de dívidas e permitir que a empresa proponha um plano de reestruturação financeira e operacional, de maneira que a companhia siga operante e consiga mais tempo para pagar seus credores.
Segundo informações do Tribunal dos EUA, a empresa devedora mantém todos os seus ativos, podendo continuar com a operação, negociar um possível adiamento de suas dívidas e, com aprovação judicial, até mesmo conseguir um novo empréstimo.
Um plano de reestruturação deve ser proposto pela empresa devedora e precisa ser aprovado pelos credores. Toda essa negociação é feita sob mediação da justiça.
“A escolha por ingressar com este procedimento visa também, em curto prazo, quitar os credores, bem como fortalecer sua estrutura de capital no longo prazo, com vistas a novos financiamentos”, afirma a advogada especialista em reestruturação empresarial do Luchesi Advogados Camila Crespi.
Gol entra com pedido de recuperação judicial nos EUA
Qual a diferença entre o Capítulo 11 e a recuperação judicial no Brasil?
Segundo especialistas consultados pelo g1, ambos os processos de recuperação são bastante semelhantes — o Capítulo 11, inclusive, inspirou a alteração da lei de recuperações judiciais no Brasil.
Especialistas, contudo, apontam três principais diferenças.
➡️ A primeira delas é o fato de que, no Capítulo 11, tanto as pessoas físicas quanto jurídicas podem buscar esse benefício legal. Por aqui, não.
“No Brasil, apenas as sociedades empresariais — sociedades limitadas, microempresas ou sociedades anônimas — podem ingressar com a recuperação judicial”, afirma Crespi, do Luchesi Advogados.
Ela lembra, ainda, que apenas com uma alteração recente da lei brasileira que se permitiu que o produtor rural que exerce atividade empresarial também pudesse aderir ao processo.
➡️ Segundo, é a exigibilidade dos créditos dentro do Capítulo 11. Nos EUA, os débitos são automaticamente suspensos, incluindo aqueles relacionados a arrendamento e contratos de leasing, por exemplo.
Já no Brasil, créditos relacionados a operações com garantia fiduciária, arrendamento mercantil, compra e venda com reserva de domínio, entre outros, não se submetem aos efeitos da recuperação judicial.
➡️ Por fim, as empresas também preferem a maior fluidez do processo nos tribunais americanos em relação ao observado no Brasil.
Segundo o advogado empresarial e sócio do escritório Morais Advogados, Carlos Yury de Morais, a legislação brasileira foi atualizada com cerca de 30 anos de diferença em relação à atualização feita no país norte-americano.
“Lá [nos Estados Unidos] já existe uma jurisprudência consolidada, o que torna o procedimento bem mais seguro do que aqui. Seguro no sentido de saber que o procedimento já tem regras específicas, segue determinado rito e que ele não vai ter dificuldade, por exemplo”, diz.
36 perguntas para se apaixonar: faça teste do g1
Por que algumas empresas preferem o Capítulo 11 do que a recuperação judicial no Brasil?
A Gol não foi a primeira companhia fora dos Estados Unidos a optar pelo Capítulo 11. Só na América do Sul, por exemplo, outras empresas aéreas – como a Latam e a colombiana Avianca – também já optaram pelo benefício legal proposto pela Lei de Falências norte-americana.
Para especialistas, isso acontece por uma série de fatores, tais como:
A maior facilidade dos devedores em negociar suas dívidas em dólar;
A menor burocracia processual vista no Capítulo 11;
A exigibilidade das dívidas que ficam suspensas durante o processo;
A cultura norte-americana mais voltada para o empreendedorismo; entre outros.
Segundo Fabio Melo, advogado da Goulart Penteado, apesar de o Capítulo 11 exigir um formulário em que alguns requisitos também precisam ser preenchidos, o processo acaba sendo “menos burocrático do que pedir recuperação judicial aqui no Brasil”.
“A cultura norte-americana é diferente da nossa, e a abrangência dos créditos no pedido de recuperação dos EUA é maior”, afirma Melo.
“Lá nos EUA, o pedido suspende automaticamente os créditos, incluindo aqueles de arrendamento e relacionados a contratos de leasing, que é o ponto principal das companhias aéreas como a Gol, por exemplo, porque as aeronaves são arrendadas”, acrescenta.
Com isso, diz ele, a principal parcela da dívida, que é junto aos arrendadores, é suspensa — o que ajuda a explicar a preferência de algumas empresas, principalmente do setor aéreo, em abrir um pedido de recuperação judicial pelo Capítulo 11.
Os especialistas afirmam, no entanto, que o uso do instrumento depende da estratégia de cada empresa. Mesmo após o pedido, a empresa continua a operar normalmente.
“O objetivo desse processo é superar a situação de crise e permitir que a empresa mantenha a operação e preserve seus ativos, conseguindo tempo para negociar com credores em um ambiente supervisionado pelo judiciário. É isso o que vai trazer segurança para a operação”, completa Melo.

Evergrande, gigante imobiliária chinesa, tem falência decretada pela Justiça de Hong Kong

Evergrande, gigante imobiliária chinesa, tem falência decretada pela Justiça de Hong Kong
Justiça entendeu que a empresa não foi capaz de oferecer um plano de reestruturação concreto mais de dois anos após um calote da dívida de mais US$ 300 bilhões. Fachada do China Evergrande Center em Hong Kong.
REUTERS/Tyrone Siu/File Photo/File Photo
A gigante do setor imobiliário chinês Evergrande Group teve um pedido de falência decretada pelo tribunal de Hong Kong nesta segunda-feira (29), em mais um episódio que demonstra a crise do mercado de construção do país.
A juíza Linda Chan decidiu liquidar a incorporadora, que tem mais de US$ 300 bilhões de dívida total. A Evergrande não foi capaz de oferecer um plano de reestruturação concreto, mais de dois anos após dar um calote de sua dívida e depois de várias audiências judiciais.
"É hora de o tribunal dizer basta", disse Chan no tribunal nesta segunda-feira.
A empresa vinha trabalhando em um plano de reestruturação de dívida de US$ 23 bilhões com um grupo de credores conhecido como grupo ad hoc de detentores de títulos há quase dois anos. É possível recorrer da ordem de liquidação, mas o processo continuaria enquanto se aguarda o resultado do recurso.
O mercado avalia que a decisão da Justiça de Hong Kong tenha pouco impacto sobre as operações da empresa, incluindo projetos de construção de casas no curto prazo, já que pode levar meses ou anos para que o liquidante nomeado pelos credores assuma o controle das subsidiárias na China continental — uma jurisdição diferente da de Hong Kong.
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A Evergrande foi fundada em 1996 e alcançou a prosperidade no mercado imobiliário. A empresa assina projetos de construção em 280 cidades, tem uma subsidiária no mercado de veículos elétricos, uma empresa de mídia e até um parque de diversões.
A expansão da Evergrande foi patrocinada por um endividamento sem precedentes, tornando-se o maior do setor e com juros rolando acima da capacidade de pagamento.
Dívida alta costuma ser característica comum em empresas de construção pela própria natureza do negócio. É necessário colocar dinheiro à frente para financiar projetos e aguardar o recebimento aos poucos, conforme os compradores financiam seus imóveis.
Desde 2021, porém, a Evergrande esticou demais o comprometimento de caixa e a crise mundial causada pela pandemia abalou o faturamento previsto.
O que acontece agora?
A decisão prepara o terreno para o que se espera que seja um processo demorado e complicado, com possíveis considerações políticas, já que investidores observam se os tribunais chineses reconhecerão a decisão de Hong Kong. Os investidores internacionais se concentrarão em como as autoridades chinesas tratarão os credores estrangeiros quando uma empresa entra em colapso.
A juíza Linda Chan nomeou a Alvarez & Marsal como liquidante, dizendo que a nomeação é do interesse de todos os credores, pois pode se encarregar de um novo plano de reestruturação para a Evergrande em um momento em que o presidente do conselho de administração, Hui Ka Yan, está sendo investigado por suspeita de crimes.
A decisão de liquidação cria mais incertezas para os já frágeis mercados de capital e imobiliário da China. O presidente-executivo da Evergrande, Siu Shawn, disse à mídia chinesa que a empresa garantirá que os projetos de construção de casas ainda serão entregues, apesar da ordem de liquidação.
"Nossa prioridade é ver a maior parte possível dos negócios retida, reestruturada e permanecer operacional. Buscaremos uma abordagem estruturada para preservar e devolver valor aos credores e outras partes interessadas", disse Tiffany Wong, diretora administrativo da Alvarez & Marsal à agência Reuters.
Edward Middleton, também diretor administrativo da Alvarez & Marsal, disse que a empresa se dirigiria imediatamente à sede da Evergrande.
"Não é o fim, mas o início do prolongado processo de liquidação, que tornará as operações diárias da Evergrande ainda mais difíceis", disse Gary Ng, economista sênior da Natixis, também à Reuters.
"Como a maioria dos ativos da Evergrande está na China continental, há incertezas sobre como os credores podem confiscar os ativos e como será a prioridade de reembolso dos detentores de títulos offshore, e a situação pode ser ainda pior para os acionistas."
População da China encolhe pelo segundo ano seguido
Crescimento morno
Pequim está lutando contra uma economia que, para os padrões da China, está mostrando baixo crescimento.
O mercado imobiliário, que foi um dos principais destaques nos anos de ouro da China, está na pior crise em nove anos. O mercado de ações está perto das mínimas de cinco anos. Um novo golpe na confiança dos investidores pode minar ainda mais os esforços dos formuladores de políticas para uma retomada do crescimento.
A Evergrande argumentou que a liquidação pode prejudicar as operações da empresa e suas unidades de gerenciamento de propriedades e de veículos elétricos, o que, por sua vez, prejudicará a capacidade do grupo de pagar todos os credores.
Antes de segunda-feira, pelo menos três incorporadoras chinesas receberam ordens de liquidação de um tribunal de Hong Kong desde o início da atual crise da dívida, em meados de 2021.
* Com informações da agência Reuters