Pequi sem espinhos: grande procura por fruto surpreende técnicos da Emater

Diplomacia brasileira monitora ‘retrocesso’ nas eleições na Venezuela após candidatura vetada e ameaça dos EUA
Segundo agência, parte das mudas estará disponível em maio e outra no final do ano. Para reproduzir uma muda, se leva em média um ano. Pequis sem espinhos são produzidos em Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
A Agência Goiânia de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) foi pega de surpresa pela grande procura por pés de pequi sem espinhos. De acordo com o órgão, mais de 50 mil mudas foram requisitadas.
“A grande procura só demonstra o quanto as pessoas amam pequi. Ele é diferente de outras culturas, pois o pequi pode ser produzido por qualquer um, e isso aumenta a demanda. Ele pode ser cultivado tanto por uma dona de casa quanto por produtores”, conta Elainy Botelho, pesquisadora da Emater.
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A equipe disse que não há previsão de abrir novas inscrições. Segundo a Emater, uma parte das mudas estará disponível em maio e outra no final do ano.
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Pequi sem espinho, em Goiás
Reprodução/Nivaldo Ferr
O último formulário foi aberto em novembro de 2023 para o público solicitar as mudas de pequi sem espinho. O prazo para se inscrever se encerrou em 10 dias devido à alta procura. Segundo a Emater, as vendas foram suspensas, e eles estão produzindo novas mudas para tentar atender aos pedidos.
O órgão disse que assim que as mudas estiverem prontas os técnicos vão entrar em contato para efetuar a comercialização e agendar o dia e horário de retirada. O valor de cada muda é de R$ 50.
A Emater contou que o espaço só consegue produzir entre 5 a 10 mil mudas do fruto e que, para reproduzir uma muda, leva em média de um ano. Também informou que não possui estrutura física e pessoal para atender a essa quantidade de procura por pés de pequi sem espinhos.
O órgão informou que não possui responsabilidade em atender a essa demanda e que o levantamento foi realizado para saber qual era a procura por este fruto. Também disse que tem como foco a pesquisa. Por isso, tem disponibilizado o material genético para os viveiristas reproduzirem novas mudas para atenderem à demanda de mercado.
Os interessados também podem adquirir as mudas nos viveiros que já têm o pequi sem espinho para fins de multiplicação e comercialização. A lista está disponível no site da Emater. O valor mínimo de cada muda nos viveiros é de R$ 80.
Cultivo de pequi
A pesquisa da Emater em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) resultou em seis variedades de pequi, três com espinhos e outras três sem espinhos. Foram 25 anos de pesquisas para chegar aos resultados.
As variedades foram registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e comercializadas primeiro com viveiristas goianos e com agricultores familiares do estado.
A Emater lançou também cartilhas online com orientações sobre o pequi. Quem se interessar pode acessar os links no portal da Embrapa.
Para dúvidas e mais informações basta acessar o site da Emater ou ligar no telefone (62) 3201-3207.
Pequi sem espinhos: grande procura por fruto surpreende técnicos da Emater
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Mercado financeiro reduz estimativa de inflação para 3,81% em 2024

Números foram divulgados nesta terça-feira (8) pelo BC. Expectativas para o crescimento da economia em 2024 e para 2025 foram mantidas estáveis. Os economistas do mercado financeiro reduziram a expectativa para a inflação oficial, de 3,86% para 3,81% neste ano. Foi a terceira queda seguida do indicador.
A informação consta no relatório "Focus", divulgado nesta terça-feira (30) pelo Banco Central. O levantamento ouviu mais de 100 instituições financeiras, na semana passada, sobre as projeções para a economia.
Com isso, a estimativa dos analistas para a inflação de 2024 se mantém abaixo do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta central de inflação é de 3% neste ano, e será considerada formalmente cumprida se o índice oscilar entre 1,5% e 4,5% neste ano.
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Para 2025, a estimativa de inflação permaneceu estável em 3,50% na última semana. No próximo ano, a meta de inflação é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem, e também em 12 meses até meados de 2025.
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.
Entenda como a inflação é calculada
Produto Interno Bruto
Sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, o mercado financeiro manteve a projeção de crescimento em 1,60% na semana passada.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.
Já para 2025, a previsão de crescimento da economia do mercado financeiro ficou estável em 2%.
Taxa de juros
Os economistas do mercado financeiro mantiveram as estimativas para a taxa básica de juros da economia brasileira para o final deste ano e de 2025.
Atualmente, a taxa Selic está em 11,75% ao ano, após quatro reduções seguidas promovidas pelo Banco Central.
Para o fechamento de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia ficou estável em 9% ao ano.
Para o fim de 2025, por sua vez, o mercado financeiro manteve a projeção estável em 8,5% ao ano.
Outras estimativas
Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:
Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2024 permaneceu em R$ 4,92. Para o fim de 2025, a estimativa continuou em R$ 5.
Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção subiu de US$ 76,9 bilhões para US$ 78,5 bilhões de superávit em 2024. Para 2025, a expectativa para o saldo positivo ficou estável em US$ 70 bilhões.
Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano avançou de US$ 65 bilhões para US$ 68,4 bilhões de ingresso. Para 2025, a estimativa de ingresso ficou estável em US$ 75 bilhões.
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Ibovespa fecha em queda, com Gol tombando 27%; dólar fica estável

Diplomacia brasileira monitora ‘retrocesso’ nas eleições na Venezuela após candidatura vetada e ameaça dos EUA
O principal índice de ações da bolsa de valores brasileira recuou 0,86%, aos 127.402 pontos. Já a moeda norte-americana encerrou a sessão cotada a R$ 4,9454. Mercados aguardam decisões de política monetária
Freepik
O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (30), com destaque negativo para as ações da Gol Linhas Aéreas. Os papéis da companhia recuaram 27% no seu último pregão no índice — perdas que chegaram a mais de 30% ao longo do dia.
A companhia foi retirada dos índices da B3 após ter iniciado seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. (entenda mais abaixo)
O início das reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos e a divulgação de dados econômicos e balanços corporativos de gigantes de tecnologia também ficaram no radar.
O dólar, por sua vez, fechou estável, após passar boa parte da sessão em alta.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
O dólar ficou estável, cotado a R$ 4,9454. Veja mais cotações.
Com o resultado, segue acumulando:
alta de 0,71% na semana;
e ganhos de 1,91% no mês e no ano.
No dia anterior, a moeda norte-americana subiu 0,71%, cotado a R$ 4,9453.

Ibovespa
Já o Ibovespa recuou 0,86%, aos 127.402 pontos.
As ações da Gol Linhas Aéreas caíram 26,97%. Os papéis serão excluídos de todos os índices da B3 a partir de amanhã. A decisão veio após a companhia iniciar seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, na última quinta-feira (25).
Segundo a Gol, o objetivo do processo é reestruturar suas obrigações financeiras de curto prazo e "fortalecer sua estrutura de capital para ter sustentabilidade no longo prazo". As dívidas da companhia são estimadas em R$ 20 bilhões.
De acordo com a B3, "a participação da empresa será redistribuída proporcionalmente aos demais integrantes da carteira com o pertinente ajuste nos redutores".
"A GOLL4 segue negociada normalmente, mas passa a ser listada na B3 sob o título de “Outras Condições” a partir do pregão de 30/1/2024", concluiu a B3.
Com o resultado, acumulou:
recuo de 1,21% na semana;
quedas de 5,06% no mês e no ano.
Na véspera, o índice teve baixa de 0,36%, aos 128.503 pontos.

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A terça-feira contou com algumas divulgações importantes ao longo dia, com destaque para dados de emprego de 2023, medidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
De acordo com o Ministério do Trabalho, a economia brasileira gerou 1,48 milhão de empregos com carteira assinada em 2023, sendo:
23,257 milhões de contratações;
21,774 milhões de demissões.
Os números representam uma queda de 26,3% em relação ao ano de 2022, quando foram gerados 2,01 milhões de postos de trabalho.
O BC também divulgou mais um Boletim Focus, relatório semanal que reúne as projeções de economistas do mercado financeiro para os principais indicadores brasileiros.
Nesta edição, houve uma redução nas expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, caindo de 3,86% na última semana para 3,81% nesta.
Além disso, as expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC também seguem no radar. A decisão sai amanhã.
Embora um novo corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) já seja amplamente esperado pelo mercado, investidores devem ficar atentos à ata do Copom, com as sinalizações que mostram a visão do Comitê sobre a economia e, principalmente, sobre a questão fiscal do país.
No exterior, o mercado também aguarda as decisões de política monetária nos Estados Unidos, à espera de mais detalhes sobre os rumos do Fed em relação aos juros da maior economia do mundo — há muita expectativa para quando a instituição deve iniciar o ciclo de cortes nas taxas.
Ainda lá fora, o mercado repercutiu o relatório Jolts, do mercado de trabalho americano. Em dezembro do ano passado, a maior economia do mundo teve a oferta de 8,79 milhões de empregos, abaixo da expectativa de 8,85 milhões.
Investidores estão na expectativa, também, pelos balanços corporativos de duas gigantes da tecnologia: Microsoft e Alphabet.

‘Somos país da carne, mas só comemos frango’: a crise na Argentina à espera de promessas de Milei

Diplomacia brasileira monitora ‘retrocesso’ nas eleições na Venezuela após candidatura vetada e ameaça dos EUA
A Argentina está dividida sobre os planos do novo presidente, Javier Milei, para solucionar sua crise econômica. Oriana e Samir dizem que ambos votaram no novo presidente da Argentina, Javier Milei
BBC
A Argentina já foi um dos países mais ricos do mundo — mais do que a França ou a Alemanha.
Grande parte dessa riqueza foi obtida por meio das exportações de carne bovina, especialmente para a Grã-Bretanha. Mas isso foi há bem mais de 100 anos.
Agora, graças a uma profunda crise econômica, definha em torno do 70º lugar, segundo os dados mais recentes do Banco Mundial.
E um número crescente de pessoas no país simplesmente não têm condições de comer carne bovina produzida a partir da criação do gado que vagueia pelas pastagens férteis conhecidas como Pampas.
São pessoas como Oriana e Samir, um jovem casal de 20 e poucos anos que mora em um bairro degradado da capital, Buenos Aires.
"É muito difícil", diz Oriana. "Você se pergunta constantemente: 'como vou sobreviver?'. Somos o país da carne bovina, mas só comemos frango porque é mais barato."
Até o frango se tornou um luxo. No ano passado, a inflação disparou para 211%, a taxa mais alta em três décadas. Só em dezembro, os preços subiram mais de 25%.
A família divide um pequeno apartamento com a filha, Chiara, e também com os pais de Samir e seu irmão.
Pagar as contas é uma preocupação constante. Os custos de alimentação, moradia, eletricidade e dos transportes continuam a aumentar constantemente.
Argentinos fazem greve contra as reformas econômicas de Javier Milei
Samir é um motorista de entregas independente, mas a crise econômica fez com que a procura por seu trabalho caísse drasticamente. Seus ganhos não acompanham o aumento dos preços.
Além disso, ele se preocupa com a crescente insegurança nas ruas, à medida que as pessoas ficam cada vez mais desesperadas.
"Podem te matar só por causa do seu celular", diz ele.
Pelo menos 40% da população vive na pobreza, conforme os últimos dados do governo. Mas acredita-se que o percentual real seja ainda maior.
Tanto Oriana quanto Samir votaram no novo presidente da Argentina, Javier Milei, o libertário radical de direita que foi eleito com mais de 55% dos votos.
"Ele entende os problemas das pessoas", diz Samir.
"Acho que ele é exatamente o que a Argentina precisa para lidar com a inflação".
Outros não têm tanta certeza. Claudio Paez era um empresário de sucesso com uma rede de confeitarias e supermercados, com 12 lojas no total.
Agora, ele tem apenas duas, já que os custos de funcionamento das lojas e o colapso da renda dos clientes reduziram drasticamente seus ganhos.
E ele espera que as coisas piorem, não melhorem: "Se os problemas econômicos continuarem por mais três meses, terei problemas e não conseguirei cobrir as minhas despesas".
Cada vez mais pessoas na Argentina têm de improvisar para sobreviver.
Não muito longe de uma das lojas de Cláudio, uma pequena van está estacionada, com o porta-malas cheio de bandejas de ovos.
O preço barato, equivalente a R$ 5 por uma dúzia de ovos, atraiu muita gente.
Javier Milei discursa pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial, em Davos
As ruas de Buenos Aires ainda podem estar repletas da arquitetura ornamentada da bonança vivida pelo país no século 19, mas também estão repletas de vendedores ambulantes, entregadores de aplicativos de entrega e táxis piratas.
A análise dos números oficiais feita pela Universidade Nacional de Salta sugere que o setor informal representa quase metade da força de trabalho na Argentina atualmente.
Somado a isso, poucas pessoas pagam imposto de renda graças a uma lei aprovada pelo governo anterior, pouco antes das eleições.
Isso é uma má notícia para um país que está essencialmente falido e precisar urgentemente gerar receitas.
A Argentina gasta muito mais do que ganha e já deve somas exorbitantes: atualmente, cerca de US$ 44 bilhões (R$ 218 bilhões) ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o que a torna o maior devedor individual da organização.
Milei diz que tem respostas para a crise. Economista de formação, ele acredita piamente em mercados livres irrestritos e em um Estado menor.
Durante a campanha, ele atraiu muita atenção ao agitar uma serra elétrica no ar, para sinalizar seu compromisso com a redução de custos.
Ele também prometeu acabar com o Banco Central e livrar-se completamente da moeda local – o peso – e substituí-la pelo dólar americano.
Ambas as ideias estão atualmente em segundo plano, até porque o próprio governo está muito carente de dólares.
Em vez disso, Milei desvalorizou o peso pela metade para aumentar sua competitividade e reduziu o número de ministérios do governo em uma proporção semelhante.
Com uma série de propostas conhecidas como projeto de lei "Omnibus" atualmente em tramitação no Congresso, agora é a vez dos gastos públicos.
"Nos últimos 30 anos, temos impresso dinheiro como loucos, e é por isso que temos uma inflação tão alta", diz o cientista político Sergio Berensztein. "Agora, pela primeira vez, temos um presidente que entende o problema"
A única solução, diz Berensztein, é tentar equilibrar o orçamento, algo que o governo prometeu fazer até ao final deste ano. Mas vai ser "difícil", acrescenta.
Esta é questão também política, além de econômica.
Milei pode ter um mandato pessoal claro dos eleitores, mas não tem maioria no Congresso. Nem de longe, na verdade.
Seu partido, o Liberdade Avança, conquistou apenas 15% dos assentos nas eleições legislativas de 2021.
Em Davos, Milei afirma que quer ter uma relação 'adulta' com o Brasil
Soma-se a isso a poderosa oposição dos sindicatos do país, que convocaram uma greve geral na semana passada e organizaram grandes manifestações por todo o país.
Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em um protesto ruidoso.
Juan Cruz Díaz, da consultoria Grupo Cefeidas, teme que o impacto das mudanças propostas possa ser muito prejudicial.
"A maioria das pessoas que votaram em Javier Milei queria uma mudança", diz ele. "Mas isso não significa que apoiem esta abordagem libertária em relação à economia e ao Estado."
Na próxima semana, o Congresso votará o plano de Milei. Não há certeza de que passará.
De qualquer forma, não há garantia de que as medidas farão alguma diferença na taxa de inflação.
E, em última análise, essa é a única coisa que importa para a maioria das pessoas no país.
Díaz acredita que o presidente tem apenas "alguns meses" para mudar a situação e para que as pessoas comecem a se sentir melhor. A lua de mel política de Milei deverá ser muito curta.

Diplomacia brasileira monitora ‘retrocesso’ nas eleições na Venezuela após candidatura vetada e ameaça dos EUA

Justiça venezuelana proibiu candidatura presidencial de principal opositora de Maduro; EUA ameaçaram retomar sanções. Brasil acompanha negociações sobre 'transição democrática'. Diplomatas e assessores do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam como "retrocesso" a decisão do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela de vetar a candidatura presidencial de Maria Corina Machado – principal opositora de Nicolás Maduro.
As eleições presidenciais estão marcadas para o segundo semestre deste ano, e os Estados Unidos ameaçaram retomar as sanções econômicas contra a Venezuela caso o Judiciário do país não permita a candidatura de Corina.
As negociações diplomáticas e os recados dos Estados Unidos continuam, enquanto o país aguarda que a Venezuela reverta a decisão.
Os EUA avisaram que não vão prorrogar a licença para que a Venezuela exporte petróleo, em abril, caso o governo venezuelano proíba candidatos à presidência de concorrer neste ano. Os americanos também estão pensando em impor novas medidas.
O Brasil não participa diretamente do debate sobre sanções, mas monitora – e é um ator com papel central nas negociações mais amplas, também envolvendo a chamada “transição democrática” na Venezuela.
EUA ameaçam retomar sanções contra Venezuela após descumprimento de acordo
Em julho do ano passado, com a presença do presidente Lula na reunião dos países europeus e latino-americanos, Brasil, França Argentina e Colômbia fizeram uma declaração sobre a Venezuela pedindo eleições limpas e justas e também pelo fim das sanções internacionais ao país.
Também no ano passado, o Brasil participou de diferentes reuniões sobre o assunto, na própria Venezuela, na Colômbia e em Barbados.
Em outubro, os Estados Unidos aliviaram as sanções ao setor de petróleo – que, quando estavam em vigor, sufocavam economicamente a Venezuela – após o governo Nicolás Maduro assinar acordo com a oposição por eleições presidenciais "livres e justas" em 2024.
No poder desde 2013, Nicolás Maduro se reelegeu em 2018, depois de proibir que os dois principais rivais participassem da eleição.
Naquela disputa, a ONU se recusou a enviar observadores internacionais e a oposição denunciou fraudes e compra de votos. Grande parte da comunidade internacional considerou ilegítima a eleição de Maduro.
Declarações de Lula
Em maio do ano passado, Lula criticou as sanções internacionais impostas ao regime ditatorial comandado por Maduro e afirmou que bloqueios econômicos são piores que a guerra.
O presidente recebeu Nicolás Maduro para uma reunião fechada, em Brasília. Em discurso, defendeu Maduro e disse que as acusações de que a Venezuela é uma ditadura faziam parte de uma "narrativa". A declaração repercutiu mal dentro do próprio encontro de presidentes.
'Hoje começa uma nova época de relação entre os países', diz Maduro em discurso com Lula
Em junho, o presidente do Brasil voltou a comentar o regime de Nicolás Maduro. Em entrevista para a Rádio Gaúcha, Lula disse que o conceito de democracia "é relativo".
Mais tarde, no mesmo dia, Lula precisou baixar o tom, e disse gostar da democracia.
"A gente gosta de democracia, a gente gosta de ter tem gente protestando contra a gente, a gente gosta quando tem greve contra a gente, a gente gosta quando negocia. Nada disso é contra a democracia", disse Lula.