A riqueza na ‘Dubai’ vizinha ao Brasil: ‘É como se país tivesse ganhado na loteria’

Reservas internacionais do Brasil sobem 9,3% em 2023 e chegam a US$ 355 bilhões
A Guiana tinha uma economia baseada na agricultura de subsistência, mineração de ouro e diamantes e extração de madeira. A partir de 2019, no entanto, as receitas do petróleo passaram a turbinar o PIB do país. Marcas de luxo vendidas em shopping center de Georgetown, na Guiana. Dinheiro do petróleo transformou economia do país numa das que mais crescem no mundo
LEANDRO PRAZERES/BBC NEWS BRASIL
Em 1982, os irmãos Shiv e Hemant tinham 19 e 16 anos, respectivamente, quando deixaram a Guiana rumo ao Canadá.
Na época, a dupla deixava para trás um dos países mais pobres do mundo, seguindo os passos de milhares de outros jovens guianenses em busca de uma vida melhor.
Na América do Norte, constituíram família e fizeram carreiras no setor imobiliário e financeiro.
Trinta e nove anos depois, em 2021, eles fizeram o caminho inverso.
"Era hora de voltar", disse Shiv Misir, hoje com 60 anos, à BBC News Brasil.
Os irmãos foram atraídos pelos bilhões de petrodólares que turbinaram a economia do país nos últimos anos.
Eles montaram um escritório de corretagem imobiliária especializado em vender e alugar imóveis de alto padrão na capital do país, Georgetown.
Shiv e Hemant são dois representantes da nova classe média que surgiu (ou que retornou) ao país nos últimos anos desde o início da exploração de petróleo no país.
Iniciada em 2019, essa exploração transformou a antiga colônia britânica em uma das economias que mais cresce no mundo.
A Guiana é um país localizado no norte da América do Sul, entre o Suriname e a Venezuela.
Tem pouco mais de 800 mil habitantes e surgiu como uma colônia inicialmente holandesa para a produção de cana-de-açúcar.
Somente em 1966 o país foi declarado independente do Reino Unido.
Em 2015, a petroleira americana Exxon Mobil anunciou a descoberta de campos de petróleo gigantes e economicamente viáveis na costa do país.
Nos anos seguintes, o consórcio composto pela Exxon Mobil, a também americana Hess e a chinesa CNOOC arrematou poços a pouco mais de 200 quilômetros da costa guianense.
Até o momento, foram descobertas reservas de aproximadamente 11 bilhões de barris de petróleo, mas estimativas mais recentes apontam que esse volume pode chegar a 17 bilhões.
O valor seria maior que todas as reservas provadas de petróleo do Brasil, estimadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) em 14 bilhões de barris.
Até então, a Guiana tinha uma economia baseada na agricultura de subsistência, mineração de ouro e diamantes e extração de madeira.
A partir de 2019, as receitas do petróleo passaram a turbinar o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Em 2020, o então ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, chegou a comparar o país a uma das cidades dos Emirados Árabes Unidos que virou símbolo da riqueza gerada pelo petróleo.
"É a nova Dubai da região, mesmo", disse Guedes.
Os números, de fato, têm chamado atenção.
Como é a fronteira do Brasil com o território na Guiana cobiçado pela Venezuela
'É como se o país tivesse ganhado na loteria'
Hotel da rede norte-americana Best Western sendo construído em Georgetown por empreiteira chinesa
LEANDRO PRAZERES/BBC NEWS BRASIL
Entre 2019 e 2023, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o PIB do país tenha saído de US$ 5,17 bilhões (R$ 27,7 bilhões) para US$ 14,7 bilhões (R$ 68,2 bilhões), um salto de 184%.
Em 2022, o crescimento do PIB foi de impressionantes 62%.
Na mesma proporção, o PIB per capita (divisão da riqueza do país pelo número de habitantes) também cresceu.
Segundo o Banco Mundial, saiu de US$ 6.477 (aproximadamente R$ 31 mil) dólares em 2019 para US$ 18.199 (R$ 87 mil) dólares em 2022.
Para efeito de comparação, esse valor é mais que o dobro do PIB per capita brasileiro, que em 2022 foi de US$ 8.917 (R$ 39,9 mil).
"É como se o país tivesse ganhado na loteria. É uma chance que só aparece uma vez na vida. Há um otimismo muito grande no país", disse à BBC News Brasil Diletta Doretti, representante do Banco Mundial para a Guiana e Suriname, que vive há dois anos em Georgetown.
Na esteira do crescimento gerado pelo petróleo, outros setores da economia do país também cresceram.
De acordo com o FMI, o crescimento do PIB não relacionado ao petróleo como indústria, agricultura e construção civil em 2022 foi de 11,5%.
Os reflexos são visíveis pelas principais cidades do país como a capital, Georgetown.
É possível ver guindastes e operários trabalhando em obras de infraestrutura como hospitais, rodovias, pontes e portos e na construção de hotéis de luxo de redes internacionais como as americanas Marriot e Best Western.
Ao longo das novas rodovias, há dezenas de galpões recém-construídos repletos de tratores, escavadeiras e outros equipamentos para a construção pesada para atender à demanda por obras do país.
Foi por conta desse boom econômico que os irmãos Misir decidiram voltar, ainda que não de forma definitiva, à Guiana.
Desde 2021, a dupla faz viagens frequentes entre Toronto, no Canadá, e Georgetown para tocar os novos negócios.
Ele explica que o dinheiro gerado pelo petróleo vem criando oportunidades tanto para o surgimento de uma nova classe média quanto para a atual elite do país.
"As pessoas se sentem mais seguras. Elas sentem que são parte de algo do que elas podem se beneficiar", diz Misir.
"Há muita gente rica na Guiana que está indo para o ramo imobiliário ou que está atuando na cadeia de suprimentos da indústria do petróleo."
Shiv Misir deixou a Guiana aos 19 anos em busca de uma vida melhor e voltou há dois anos atraído pelos dólares do petróleo
LEANDRO PRAZERES/BBC NEWS BRASIL
Misir afirma que conhece outros imigrantes guianenses que vivem nos Estados Unidos ou no Canadá investindo em imóveis ou terrenos no país na expectativa de lucrarem com o boom do petróleo.
Ao chegarem à Guiana, eles passam a integrar, automaticamente, a nova classe média.
"Há muitos guianenses que estão voltando, e eles procuram viver em condomínios fechados, com segurança e imóveis modernos, com todo o conforto com o qual viviam antes, porque passaram a maior parte de suas vidas em países como os Estados Unidos e o Canadá", diz Misir.
Acostumado a lidar com clientes de alto poder aquisitivo, ele comenta que parte da antiga e da atual elite do país ainda mantém "velhos hábitos" de fazer compras no exterior e que, por isso, ainda não há lojas exclusivas de grifes de luxo no país.
Apesar de ter sido colonizado pelos holandeses e pelos britânicos, o país, assim como vizinhos do Caribe, mantém uma estreita ligação comercial e cultural com os Estados Unidos, a pouco mais de quatro horas de voo.
Segundo ele, a maior parte da elite guianense envia seus filhos para estudar em países como Estados Unidos, Canadá ou na Europa.
Misir diz que esse público aproveita as visitas aos filhos para fazer turismo e aproveitar o "estilo de vida" desses países.
O empresário também diz que, nos últimos anos, o rápido crescimento da economia também encorajou a abertura de empreendimentos focados na elite do país.
"Eles (os ricos da Guiana) vão para os restaurantes de luxo e para os shoppings que foram abertos recentemente. Nossa loja, por exemplo, está em um desses", disse o empresário.
A corretora de imóveis dos irmãos Misir ocupa uma pequena sala no MovieTowne, que foi inaugurado em 2019, mesmo ano em que começou a exploração comercial de petróleo no país.
No mesmo andar, também há adegas vendendo vinhos importados, inclusive do Brasil, e lojas de perfume com marcas famosas como Dior.
Áreas antes usadas para plantar cana-de-açúcar e arroz agora dão lugar a casas de luxo e condomínios fechados nos subúrbios de Georgetown
LEANDRO PRAZERES/BBC NEWS BRASIL
Nos subúrbios de Georgetown, as mudanças dão a dimensão das transformações pelas quais o país vem passando — e de como o novo dinheiro que circula no país está criando novos hábitos e paisagens.
Antigas plantações de arroz e cana-de-açúcar, que antes eram importantes fontes de riqueza do país, agora dão lugar a shopping centers com lojas de franquias globais e condomínios fechados que abrigam tanto a nova elite do país quanto os imigrantes que chegam para trabalhar na indústria do petróleo.
Um desses shoppings é o Amazonia Mall, na margem leste do Rio Demerara, a pouco mais de meia hora de carro do centro da cidade.
À distância, é possível ver a placa de uma das suas principais lojas: uma franquia da Starbucks.
A loja foi inaugurada em abril de 2023, tem mais de 200 metros quadrados e 50 funcionários. Ela fica frequentemente lotada.
Procurada pela BBC News Brasil, a Starbucks disse que a abertura da loja no país se deveu ao fato de que o país é, hoje, "um mercado vibrante".
Canteiro de obras global
Operários chineses e guianenses trabalham em obra de ponte sobre o rio Demerara, na Guiana
LEANDRO PRAZERES/BBC NEWS BRASIL
Há outros sinais que evidenciam a velocidade com a qual a nova riqueza do petróleo chega à Guiana.
O país passou a atrair empreiteiras de diversos países, inclusive do Brasil, em busca de contratos para construção de obras de infraestrutura que o país, há décadas, necessitava.
Dados oficiais apontam que o governo destinou US$ 187 milhões (R$ 925 milhões) em projetos de infraestrutura como rodovias e portos em 2019, o primeiro ano da exploração comercial de petróleo no país.
Em 2023, o valor subiu para US$ 650 milhões (R$ 3,2 bilhões), um crescimento de 247%.
"Moro aqui há quase dois anos. Toda vez que viajo para fora do país, eu percebo a diferença quando retorno", diz Diletta Moretti, do Banco Mundial.
"Há muita infraestrutura sendo construída como rodovias novas e hoteis. Você percebe, também, o grande número de missões de negócios que chegam ao país."
Em meio ao fluxo sem precedentes de recursos, o país se transformou em uma espécie de canteiro de obras global.
A Guiana também passou a ser cortejada por países que oferecem crédito para financiar empreiteiras.
"Temos companhias oriundas do bloco europeu, da China, da Índia, Estados Unidos, Canadá e brasileiras", disse à BBC News Brasil Deodat Indar, que ocupa o cargo equivalente ao de vice-ministro de Obras Públicas da Guiana.
A China aparece nesse tabuleiro como um dos principais jogadores.
Além de expertise em projetos de infraestrutura, o país tem oferecido dinheiro à Guiana para financiar obras contratadas por empreiteiras do país.
Um consórcio de empresas chinesas, por exemplo, venceu a licitação para a construção de uma nova ponte sobre o rio Demerara. A obra foi financiada pelo Banco da China.
O projeto é considerado vital para o desenvolvimento do país, porque a ponte vai substituir uma com mais de 30 anos de uso cujo fluxo é interrompido várias vezes ao dia para a passagem de embarcações pelo rio.
A nova ponte terá uma estrutura pênsil e permitirá o tráfego de navios abaixo dela. O projeto está avaliado em US$ 260 milhões (R$ 1,4 bilhão).
Empreiteiras do país também são responsáveis pela construção de hotéis e de uma série de hospitais contratados pelo governo da Guiana.
Mas a China tem concorrentes. Em 2022, uma empreiteira da Índia ganhou um contrato para a construção de uma rodovia avaliada em US$ 106 milhões (R$ 524 milhões).
Na esteira do crédito internacional, a Áustria também ofereceu crédito para que uma empresa daquele país pudesse construir um hospital público contratado pelo governo da Guiana. O valor do projeto é de US$ 161 milhões (R$ 796 milhões).
Algumas empresas trazem com elas empregados de seus próprios países. É o caso do consórcio chinês que constrói a ponte sobre o rio Demerara. O canteiro de obras do projeto é dividido por operários chineses e guianenses.
A presença do Brasil nesse canteiro global ainda é considerada tímida por diplomatas ouvidos pela reportagem da BBC News Brasil em caráter reservado.
Mesmo assim, uma companhia do país, a Álya Construtora (antiga Queiroz Galvão), ganhou a licitação para a construção de um trecho de 121 quilômetros de uma rodovia que deverá ligar Lethem, na fronteira com o Brasil, e Linden.
A obra de US$ 190 milhões (R$ 939 milhões) não é financiada por entidades brasileiras, mas pelo Banco de Desenvolvimento do Caribe.
Desde 2017, durante as investigações da Operação Lava Jato, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) suspendeu linhas de crédito para o financiamento de obras de infraestrutura a empresas brasileiras no exterior.
No fim de 2023, a Guiana ficou em destaque internacionalmente devido à antiga disputa entre Venezuela e Guiana pela região de Essequibo, depois que o governo venezuelano realizou um referendo para anexar a região.
Essequibo, com aproximadamente 160 mil km² (pouco maior que o Estado do Ceará), representa 70% do território guianês. É uma região rica em minerais como ouro, cobre, diamantes e, recentemente, lá também foram descobertos enormes depósitos de petróleo e outros hidrocarbonetos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem prevista viagem à Guiana para a cúpula da comunidade dos Estados do Caribe (Caricom), em 28 de fevereiro.
Riqueza e desigualdade
David Hinds é guianense e vive entre os Estados Unidos e seu país natal há quase quatro décadas.
Ele é professor da Universidade Estadual do Arizona e especializado em estudos sobre o Caribe e a diáspora africana.
Ele explica que a Guiana é um país com uma divisão social e de classe muito marcada.
Entre os séculos 17 e 19, o país foi colonizado por europeus que utilizaram a mão de obra de africanos escravizados para produzir açúcar no país.
Com a abolição da escravidão, em 1833, o Reino Unido passou a levar imigrantes do Leste Asiático, especialmente da região que hoje é a Índia, chineses e portugueses para o país.
Segundo o governo, 39,8% da população é composta por pessoas de origem do leste indiano, 30% são negros de descendência africana, 10,5% são indígenas e 0,5% são de outras origens como chineses, holandeses e portugueses.
Hinds diz que políticas adotadas pelo então império britânico fizeram com que os imigrantes de origem asiática e os portugueses passassem a atuar em áreas como o comércio e a indústria incipiente do país.
"Os descendentes de indianos e os portugueses fazem parte da elite econômica da Guiana", diz.
Os descendentes de africanos escravizados, por sua vez, explica Hinds, passaram a atuar em empregos com baixa especialização ou no serviço público.
O professor diz que os "novos ricos" da Guiana acabam sendo oriundos da mesma elite econômica que se instalou no país.
"As pessoas que estão aproveitando (o boom econômico) são aquelas que já estão entranhadas na elite da Guiana", diz o professor.
A BBC News Brasil questionou o governo da Guiana sobre a marcante desigualdade social no país, mas não houve resposta.
'Nova Dubai'
O empresário Richard Singh vende carros importados em Georgetown
LEANDRO PRAZERES/BBC NEWS BRASIL
No Centro de Georgetown, o empresário Richard Singh observa seus funcionários polirem com cuidado pouco mais de 20 carros estacionados em sua revendedora de carros.
Fã de carros e tecnologia desde a infância, ele vende automóveis usados, a maioria importados de países como Japão, uma vez que o país, assim como a Guiana, também utiliza a mão inglesa.
Segundo ele, apesar dos dólares oriundos do petróleo, a elite do país continua preferindo carros de segunda mão porque os impostos para a importação de automóveis zero quilômetro são muito altos e porque o país ainda não teria mão de obra e acesso a peças de reposição, o que faria a manutenção desse tipo de veículo praticamente impossível.
Entre BMWs importadas e carros de montadoras japonesas, Singh disse à BBC News Brasil que houve uma mudança em sua clientela desde o início da exploração de petróleo no país.
Sua loja passou a ser frequentada não mais apenas por pequenos empresários locais e profissionais liberais, como médicos empregados pelo governo.
Agora, ela também é procurada por grandes corporações estrangeiras ligadas à indústria do óleo e do gás ou que vieram a reboque e procuram veículos para seus funcionários e executivos.
Conhecedor dos hábitos de consumo da elite guianense, Singh afirma que consegue ver o surgimento de uma espécie de "nova classe média" no país.
"Sim, há uma nova classe média. Ela está posicionada logo acima da antiga classe média da Guiana", avalia Singh.
O aumento nos lucros permite que Singh acompanhe uma das suas paixões: corridas de automóvel.
Em maio do ano passado, por exemplo, ele viajou para Miami para assistir ao Grande Prêmio de Fórmula 1.
Mas o empresário acredita que o tão comentado boom na economia do país ainda não teria chegado ao seu ápice.
"Estou muito otimista. Sinto que a Guiana está aguardando para explodir (economicamente)", diz à Singh.
Entre um carro e outro, Singhs retoma a comparação com Dubai em tom de esperança.
"Sempre vi histórias sobre Dubai. Nos anos 1990, se você fosse lá, era tudo areia e deserto. Agora, você nem reconheceria", diz.
"Eu tenho esperança e ambição de que, em 20 anos, a gente olhe para trás e diga: 'Eu não acredito que aquilo era a Guiana'. Espero que aconteça assim aqui também."
Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy0dzr8nn8do

Taxa média de desemprego cai para 7,8% em 2023, menor patamar desde 2014, diz IBGE

Reservas internacionais do Brasil sobem 9,3% em 2023 e chegam a US$ 355 bilhões
População desocupada média foi de 8,5 milhões de pessoas em 2023, uma redução de 17,6% em relação ao ano anterior. No último trimestre do ano, a taxa de desocupação ficou em 7,4%. Carteira de Trabalho e Previdência Social
Marcelo Camargo/Agência Brasil
A taxa de média de desemprego no Brasil foi de 7,8% em 2023, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre encerrado em dezembro, a taxa foi de 7,4%. (saiba mais abaixo)
Esse é o menor patamar desde 2014, quando a taxa foi de 7%. O resultado também representa uma desaceleração em relação aos números registrados em 2022, quando a taxa média de desemprego foi de 9,3%.
"O resultado anual é o menor desde 2014, confirmando a tendência já apresentada em 2022 de recuperação do mercado de trabalho após o impacto da pandemia da Covid-19", afirmou o IBGE, em nota.
A população desocupada média em 2023 foi de 8,5 milhões de pessoas. Trata-se de uma redução de 17,6% em relação ao ano anterior (10,2 milhões).

Já a população ocupada média chegou a 100,7 milhões de pessoas em 2023, também um recorde da série histórica do IBGE. O resultado representa uma alta de 3,8% em relação a 2022 (96,9 milhões).
O percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — chamado de nível da ocupação — foi estimado em 57,6% em 2023, uma alta de 1,6% em relação ao ano anterior.
Em relação ao tipo de emprego, os empregados com carteira de trabalho assinada tiveram alta de 5,8% no ano, mais um recorde histórico com uma média de 37,7 milhões de pessoas. Os registrados representaram 73,8% dentre os empregados do setor privado, estabilidade contra 2022.
Os empregados sem carteira assinada no setor privado foram 13,4 milhões de pessoas em média, também recorde e com um aumento de 5,9%.
O número de trabalhadores domésticos foram 6,1 milhões de pessoas em média (alta de 6,2%).
Os informais chegaram a uma média de 39,4 milhões de trabalhadores, com taxa de informalidade de 39,2%. Já a população desalentada teve média de 3,7 milhões de pessoas (redução de 12,4%).
Rendimento médio em alta
Depois de dois anos de queda, o rendimento médio real habitual teve alta de 7,2% em 2023, e passou a R$ 2.979.
É o maior valor desde 2020, quando as estatísticas de renda foram distorcidas pela pandemia de Covid-19. Naquele ano, trabalhadores de salários menores foram excluídos do mercado de trabalho, com a destruição de vagas de trabalho presenciais, em virtude do isolamento social.
Já a massa de rendimento real habitual foi estimada em R$ 295,6 bilhões, recorde da série histórica do IBGE. O resultado subiu 11,7% frente ao ano anterior.
‘Estamos vendo uma recuperação do mercado de trabalho’, diz Ana Flor sobre recuo do desemprego
Desemprego no último trimestre
No último trimestre do ano passado, encerrado em dezembro, a taxa de desocupação foi de 7,4%, um recuo de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre imediatamente anterior, entre julho e setembro.
Em relação ao trimestre imediatamente anterior, entre julho e setembro, o período traz redução de 0,3 ponto percentual (7,7%) na taxa de desocupação. No mesmo trimestre de 2022, a taxa era de 7,9%. É a menor taxa trimestral desde janeiro de 2015. Já para um trimestre encerrado em dezembro, desde 2014.
Com os resultados deste trimestre, o número absoluto de desocupados teve queda de 2,8% contra o trimestre anterior, atingindo 8,1 milhões de pessoas. O país chegou ao menor contingente de desocupados em números absolutos desde o trimestre móvel encerrado em março de 2015.

No trimestre, houve crescimento de 1,1% na população ocupada, que chegou ao recorde de 101 milhões de pessoas, maior número da série histórica iniciada em 2012. No ano, o aumento foi de 1,6%, com mais 1,6 milhão de pessoas ocupadas.
Assim, o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — chamado de nível da ocupação — foi estimado em 57,6%, alta de 0,5 p.p. no trimestre. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a alta é de 0,4 p.p.
O número de pessoas dentro da força de trabalho (soma de ocupados e desocupados), teve alta de 0,8% no trimestre, estimado em 109,1 milhões. A população fora da força totalizou 66,3 milhões, uma redução de 0,8% no período.
Veja os destaques de dezembro
Taxa de desocupação: 7,4%
População desocupada: 8,1 milhões de pessoas
População ocupada: 101 milhões
População fora da força de trabalho: 66,3 milhões
População desalentada: 3,5 milhões
Empregados com carteira assinada: 37,9 milhões
Empregados sem carteira assinada: 13,5 milhões
Trabalhadores por conta própria: 25,6 milhões
Trabalhadores domésticos: 6 milhões
Trabalhadores informais: 39,5 milhões
Taxa de informalidade: 39,1%
Com 37,9 milhões de trabalhadores no setor privado com carteira assinada, o contingente foi recorde da série histórica, desde 2012. Houve alta de 1,6% no trimestre e de 3% na comparação anual.
Empregados sem carteira no setor privado (13,5 milhões), trabalhadores por conta própria (25,6 milhões), o de empregadores (4,2 milhões) e o de empregados no setor público (12,2 milhões) ficaram estáveis na medição de dezembro.
Já o número de trabalhadores domésticos (6 milhões) teve alta de 3,8% contra o trimestre anterior e de 3,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

O rendimento real habitual ficou estável frente ao trimestre anterior, e passou a R$ 3.032. No ano, o crescimento foi de 3,1%. "Houve aumento no grupamento Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2%). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa", destaca o IBGE.
Já a massa de rendimento real habitual foi estimada em R$ 301,6 bilhões, mais um recorde da série histórica do IBGE. O resultado subiu 2,1% frente ao trimestre anterior, e cresceu 5% na comparação anual.
* Colaborou Bruna Miato

Desemprego cai a 7,4% no trimestre terminado em dezembro, diz IBGE

Reservas internacionais do Brasil sobem 9,3% em 2023 e chegam a US$ 355 bilhões
Desocupação ainda atinge 8,1 milhões de brasileiros. Por outro lado, população ocupada chegou a mais um recorde histórico, de 101 milhões de pessoas. A média anual de 2023 ficou em 7,8%. Carteira de trabalho
Mauro Pimentel/AFP/Arquivo
A taxa de desemprego no Brasil foi de 7,4% no quarto trimestre de 2023, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média anual de 2023 ficou em 7,8%. (saiba mais abaixo)
Em relação ao trimestre imediatamente anterior, entre julho e setembro, o período traz redução de 0,3 ponto percentual (7,7%) na taxa de desocupação. No mesmo trimestre de 2022, a taxa era de 7,9%. É a menor taxa trimestral desde janeiro de 2015. Para um trimestre encerrado em dezembro, desde 2014.
Com os resultados, o número absoluto de desocupados teve queda de 2,8% contra o trimestre anterior, atingindo 8,1 milhões de pessoas. O país chegou ao menor contingente de desocupados em números absolutos desde o trimestre móvel encerrado em março de 2015.
Entre outubro e dezembro, houve crescimento de 1,1% na população ocupada, que chegou ao recorde de 101 milhões de pessoas, maior número da série histórica iniciada em 2012. No ano, o aumento foi de 1,6%, com mais 1,6 milhão de pessoas ocupadas.

Assim, o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — chamado de nível da ocupação — foi estimado em 57,6%, alta de 0,5 p.p. no trimestre. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a alta é de 0,4 p.p.
O número de pessoas dentro da força de trabalho (soma de ocupados e desocupados), teve alta de 0,8% no trimestre, estimado em 109,1 milhões. A população fora da força totalizou 66,3 milhões, uma redução de 0,8% no período.
Veja os destaques da pesquisa
Taxa de desocupação: 7,4%
População desocupada: 8,1 milhões de pessoas
População ocupada: 101 milhões
População fora da força de trabalho: 66,3 milhões
População desalentada: 3,5 milhões
Empregados com carteira assinada: 37,9 milhões
Empregados sem carteira assinada: 13,5 milhões
Trabalhadores por conta própria: 25,6 milhões
Trabalhadores domésticos: 6 milhões
Trabalhadores informais: 39,5 milhões
Taxa de informalidade: 39,1%

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Carteira assinada bate recorde
Com 37,9 milhões de trabalhadores no setor privado com carteira assinada, o contingente foi recorde da série histórica, desde 2012. Houve alta de 1,6% no trimestre e de 3% na comparação anual.
Os números de empregados sem carteira no setor privado (13,5 milhões), trabalhadores por conta própria (25,6 milhões), o de empregadores (4,2 milhões) e o de empregados no setor público (12,2 milhões) ficaram estáveis na medição de dezembro.
Já o número de trabalhadores domésticos (6 milhões) teve alta de 3,8% contra o trimestre anterior e de 3,5% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Rendimento em alta
O rendimento real habitual ficou estável frente ao trimestre anterior, e passou a R$ 3.032. No ano, o crescimento foi de 3,1%. "Houve aumento no grupamento Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2%). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa", destaca o IBGE.
Já a massa de rendimento real habitual foi estimada em R$ 301,6 bilhões, mais um recorde da série histórica do IBGE. O resultado subiu 2,1% frente ao trimestre anterior, e cresceu 5% na comparação anual.
‘Estamos vendo uma recuperação do mercado de trabalho’, diz Ana Flor sobre recuo do desemprego
Taxa média de desemprego em 2023
A taxa média de desemprego no Brasil em 2023 foi de 7,8%. Esse é o menor patamar desde 2014, quando a taxa foi de 7%. O resultado representa uma redução em relação aos números registrados em 2022, quando a taxa média de desemprego foi de 9,3%.
"O resultado anual é o menor desde 2014, confirmando a tendência já apresentada em 2022 de recuperação do mercado de trabalho após o impacto da pandemia da Covid-19", afirmou o IBGE, em nota.
A população desocupada média em 2023 foi de 8,5 milhões de pessoas. Trata-se de uma redução de 17,6% em relação ao ano anterior.

Já a população ocupada média chegou a 100,7 milhões de pessoas em 2023, também um recorde da série histórica do IBGE. O resultado representa uma alta de 3,8% em relação a 2022.
O percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar — chamado de nível da ocupação — foi estimado em 57,6% em 2023, uma alta de 1,6% em relação ao ano anterior.
Em relação ao tipo de emprego, os empregados com carteira de trabalho assinada tiveram alta de 5,8% no ano, em mais um recorde histórico com uma média de 37,7 milhões de pessoas. Os registrados representaram 73,8% dentre os empregados do setor privado, estabilidade ante 2022.
Os empregados sem carteira assinada no setor privado foram 13,4 milhões de pessoas em média, também recorde e com um aumento de 5,9%. O número de trabalhadores domésticos foram 6,1 milhões de pessoas em média (alta de 6,2%).
Os informais chegaram a uma média de 39,4 milhões de trabalhadores, com taxa de informalidade de 39,2%. Já a população desalentada teve média de 3,7 milhões de pessoas (redução de 12,4%).
Depois de dois anos de queda, o rendimento médio real habitual teve alta de 7,2% em 2023, e passou a R$ 2.979.
É o maior valor desde 2020, quando as estatísticas de renda foram distorcidas pela pandemia de Covid-19. Naquele ano, trabalhadores de salários menores foram excluídos do mercado de trabalho, com a destruição de vagas de emprego presenciais, em virtude do isolamento social.
Já a massa de rendimento real habitual foi estimada em R$ 295,6 bilhões na média de 2023, recorde da série histórica do IBGE. O resultado subiu 11,7% frente ao ano anterior.

Dólar recua na Superquarta; Ibovespa sobe no dia, mas tem pior mês de janeiro em 8 anos

Reservas internacionais do Brasil sobem 9,3% em 2023 e chegam a US$ 355 bilhões
A moeda norte-americana caiu 0,16%, cotada a R$ 4,9373. Já o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira encerrou em alta de 0,28%, aos 127.752 pontos. No mês, acumulou perdas de mais de 4%. Dólar opera em baixa nesta quarta-feira.
Pixabay
O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (31), após a decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e à espera do Comitê de Política Monetária (Copom). (entenda mais abaixo)
Investidores ainda repercutiram os números mais recentes do mercado de trabalho brasileiro e balanços corporativos divulgados na véspera, com destaque para Alphabet (dona do Google) e Microsoft, que superaram as expectativas.
Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, encerrou em alta, puxado pelas empresas de consumo doméstico. No mês, no entanto, o índice acumulou perda de 4,79%, registrando o pior mês de janeiro desde 2016.
Ibovespa cai 4,79% e tem o pior mês de janeiro desde 2016; entenda os 5 principais motivos
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Ao final da sessão, o dólar recuou 0,16%, cotado a R$ 4,9373. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou:
alta de 0,55% na semana;
e ganhos de 1,75% no mês e no ano.
No dia anterior, a moeda norte-americana ficou estável e fechou vendida a R$ 4,9454.

Ibovespa
Já o Ibovespa encerrou com um avanço de 0,28%, aos 127.752 pontos.
As empresas de consumo doméstico, como Grupo Soma, Arezzo, Magazine Luiza e Casas Bahia, lideraram as altas da bolsa, refletindo tanto a melhora nos dados de desemprego quanto as expectativas de queda nos juros.
Uma taxa de desemprego menor e o rendimento real da população em alta contribuem para um aumento da demanda, ao passo que juros mais baixos são benéficos para o consumo.
Com o resultado, acumulou:
recuo de 0,94% na semana;
quedas de 4,79% no mês e no ano.
Na véspera, o índice teve baixa de 0,86%, aos 127.402 pontos.

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O que está mexendo com os mercados?
A Superquarta é marcada pela expectativa dos investidores em relação ao rumo das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (31), o Fed decidiu mais uma vez manter os juros norte-americanos na faixa de 5,25% e 5,50%, ao ano. Esse continua snedo o maior nível das taxas desde 2001. A decisão já era esperada pelo mercado.
Já por aqui, a projeção é de que o Banco Central reduza a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, a 11,25% ao ano. Seria o menor patamar em dois anos.
Na agenda de indicadores, o destaque fica com a divulgação dos dados de mercado de trabalho no Brasil.
Em 2023, o país registrou uma taxa média de desemprego de 7,8%, o menor patamar desde 2014, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Já o valor anual do rendimento real habitual teve um aumento de 7,2% de um ano para o outro, sendo estimado em R$ 2.979. O IBGE destacou que o resultado está próximo do maior patamar já registrado pela pesquisa, de R$ 2,989, também em 2014.
No último trimestre do ano, encerrado em dezembro, a taxa de desocupação foi de 7,4%, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
"O resultado novamente não trouxe surpresas ao mostrar um mercado de trabalho ainda apertado e com renda forte, mesmo que esta naturalmente comece a perder ritmo. No entanto, o emprego continua melhor que o consenso", comenta Maykon Douglas, analista da Highpar.
No noticiário corporativo, alguns resultados referentes ao último trimestre de 2023 ficaram no radar.
O Santander Brasil registrou um lucro líquido recorrente de R$ 2,2 bilhões no último trimestre de 2023, ante R$ 2,729 bilhões no terceiro trimestre e R$ 3,122 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Já nos Estados Unidos, as gigantes da tecnologia ganharam os holofotes. A Alphabet (Google) faturou mais de US$ 86 bilhões (R$ 426,8 bilhões) entre outubro e dezembro, um aumento de 13% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e acima das expectativas de mercado, recuperando o nível de crescimento de 2022.
A Microsoft também teve um resultado melhor que o esperado, com uma receita de US$ 62 bilhões (R$ 307,7 bilhões) no último trimestre do ano.

Reservas internacionais do Brasil sobem 9,3% em 2023 e chegam a US$ 355 bilhões

Reservas internacionais do Brasil sobem 9,3% em 2023 e chegam a US$ 355 bilhões
Ingresso de recursos no país, ausência de venda de dólares e rendimento dos recursos aplicados motivaram alta das reservas no ano passado. Recursos em caixa são considerados como um seguro contra eventuais crises externas.
Getty Images via BBC
O Brasil fechou o ano de 2023 com US$ 355 bilhões em reservas internacionais – uma "poupança" que o governo faz em moedas estrangeiras e que funciona como um seguro contra crises externas.
O número representa um crescimento de 9,3%, ou US$ 30,3 bilhões, em relação ao patamar do ano anterior (US$ 324,7 bilhões).
Reserva internacional ou cambial é o volume de dólares que o país tem em caixa.
A vantagem de ter esses dólares guardados é que isso dá garantias contra eventuais crises no mercado internacional, como a da Rússia em 1998, ou eventuais retiradas de recursos por investidores.
Com os dólares, o país tem mais autonomia e não fica dependente, por exemplo, de empréstimos externos como os do Fundo Monetário Internacional (FMI) – buscados recentemente pela Argentina.
O governo acumula a moeda norte-americana de três formas:
comprando dólares no mercado,
recebendo por suas aplicações (geralmente em títulos do Tesouro norte-americano), ou
fazendo emissões de títulos da dívida pública no mercado internacional.
Crescimento em 2023
O crescimento das reservas cambiais no primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, foi motivado pelo ingresso de recursos no país no montante de US$ 11,5 bilhões.
Além disso, também se deve ao fato de o Banco Central não ter vendido dólares para conter movimentos fortes de retiradas de recursos – como o registrado durante a pandemia da Covid-19, em 2020.
O recebimento de dividendos pelas reservas também ajudou no crescimento dos ativos brasileiros, assim como o retorno de US$ 13 bilhões em um tipo de empréstimo (chamado de leilão de linha) feito ao mercado financeiro anteriormente.
Em 2022, quando as reservas tiveram uma queda de US$ 37,3 bilhões, o BC vendeu US$ 570 milhões em dólares no mercado à vista, e US$ 11,5 bilhões nos chamados leilões de linha. Além disso, US$ 6,46 bilhões deixaram o país por conta de operações comerciais e financeiras.
Brasil viveu 2023 de recordes na economia
Política cambial e BC autônomo
Embora o crescimento tenha ocorrido no primeiro ano do governo Lula, a administração da política cambial (compra e venda de dólares, leilões de linha e intervenções no mercado futuro – entenda as diferenças) é uma atribuição do Banco Central, que possui autonomia legal desde 2021.
Dentro de uma política de livre flutuação do real, a instituição tem esclarecido que intervêm no câmbio somente em momentos específicos: para evitar movimentos bruscos no dólar, quando há uma falta de divisas no mercado ou quando vê algum tipo de distorção na formação de preço, por exemplo.