‘Sephora Kids’ e o alarmante crescimento do mercado de produtos de beleza para crianças

Seringais do noroeste de São Paulo enfrentam falta de mão-de-obra
Consumo de cosméticos por crianças vem aumentando nos últimos anos, influenciado por estratégias de marketing e pelas redes sociais. O consumo de cosméticos por crianças vem aumentando nos últimos anos, influenciado por estratégias de marketing e pelas redes sociais
Getty Images via BBC
Consumidores de produtos de beleza, adultos e adolescentes, vêm se queixando cada vez mais nas redes sociais que meninas com menos de 12 anos de idade estão invadindo lojas de cosméticos de luxo, como a Sephora e a americana Ulta Beauty.
No TikTok e no Instagram, as hashtags #sephora e #sephorakids revelam o conflito com força total.
Elas mostram lojas e balcões de produtos bagunçados e descrevem invasões de jovens consumidoras que teriam sido grosseiras com outros clientes e com os funcionários.
As queixas relatam que as meninas chegam a arrancar produtos das mãos de outras compradoras, como mostrou uma usuária do TikTok.
A marca específica do produto em questão é Drunk Elephant ("Elefante bêbado", em português), que a revista Glamour chamou recentemente de "obsessão entre as meninas de 10 a 12 anos".
Muitas dessas postagens nas redes sociais viralizaram.
Elas demonstram que a Geração Alfa (nascidos a partir de 2010) está comprando produtos que contêm ingredientes como retinol, potentes ácidos esfoliantes, umectantes caros, tinturas e soros projetados para minimizar os efeitos do envelhecimento – ou seja, produtos tradicionalmente destinados a consumidores mais velhos.
O conglomerado japonês Shiseido comprou em 2019, por US$ 845 milhões (cerca de R$ 4,16 bilhões), a marca Drunk Elephant – que se autodefine como "clean beauty" ("beleza limpa", em português), mercado de cosméticos livres de ingredientes como sulfatos, silicone, parabenos e corantes, não testados em animais e com embalagens mais sustentáveis.
A marca reagiu a toda essa atenção explicando no Instagram, em dezembro passado, quais dos seus produtos seriam especificamente recomendados para crianças.
À medida que campanhas de marketing e influenciadores de beleza atraem consumidores para as seções de cosméticos, as crianças estão realmente invadindo as lojas e levando para casa todo o ácido hialurônico que suas mãozinhas conseguem carregar, como sugerem os usuários das redes sociais e a aparente popularidade dos produtos?
"Sim, as crianças não estão só invadindo as lojas da Sephora. Elas estão fazendo muitas compras desses produtos online", segundo o professor de marketing Denish Shah, da Escola de Negócios Robinson da Universidade Estadual da Geórgia, nos Estados Unidos.
"Esta categoria, de forma geral, está observando um enorme aumento das vendas."
Shah cita a marca de cosméticos e.l.f., da Califórnia, nos Estados Unidos.
Ele conta que, como empresa de capital aberto, os preços das ações da e.l.f. têm se mantido "fora dos padrões" nos últimos tempos.
Ao longo do ano passado, o preço das ações da e.l.f. disparou em 203%, segundo o site MarketWatch. E essas cotações elevadas são o resultado direto do enorme crescimento de vendas da empresa.
"As vendas da companhia aumentaram exponencialmente no ano passado e isso é significativo, pois eles se posicionam como cosméticos realmente acessíveis", explica Shah.
"E, se você observar seus esforços de marketing, todos eles se dirigem ao grupo demográfico das crianças de 10 a 12 anos."
A promoção de produtos para um grupo demográfico mais jovem pode estar simplesmente relacionada ao crescimento geral verificado no setor, mas Shah afirma que a conexão existe – e a e.l.f. é apenas um exemplo do fenômeno dos cosméticos e produtos para a pele entre crianças com 10 a 12 anos de idade como um todo.
Muitas empresas do setor de produtos de beleza e cuidados com a pele estão buscando clientes cada vez mais jovens e obtendo com isso um gigantesco volume de vendas, segundo Shah.
Dados do portal Statista mostram que o mercado de produtos para a pele de crianças e bebês deve apresentar uma taxa de crescimento anual de cerca de 7,71% até 2028, quando irá atingir o volume de mercado de US$ 380 milhões (cerca de R$ 1,87 bilhão) em todo o mundo.
No mesmo ano, espera-se que o número de usuários desse tipo de produto atinja 160,7 milhões de pessoas.
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Produtos para bebês
Campanhas de marketing e os influenciadores de beleza levam consumidores cada vez mais jovens para as lojas de cosméticos
Getty Images via BBC
A questão não são apenas as crianças experimentando os cremes das suas mães.
Na verdade, a indústria está se expandindo para atingir consumidores de uma faixa de idade mais ampla.
"O mercado está crescendo com muita rapidez. Existem muitas marcas novas lançando [produtos] especificamente para meninas entre 10 e 12 anos de idade", afirma Jessica DeFino, criadora da newsletter The Unpublishable ("O Impublicável", em tradução livre), dedicada aos bastidores da indústria da beleza.
DeFino cita diversas marcas de cosméticos e produtos para a pele que lançaram produtos específicos, não só para crianças de 10 a 12 anos, mas para grupos demográficos mais jovens, nos últimos anos.
Pais de bebês talvez já tenham ouvido falar da Yawn, uma empresa americana que oferece maquiagem e produtos para a pele para clientes a partir dos 3 anos de idade.
Já a Bubble, que se autointitula o "novo cuidado da pele na escola", oferece produtos de textura para a pele e de combate à acne desde 2020.
Eles são agora vendidos na cadeia americana de lojas de beleza Ulta e em farmácias nos EUA.
A Gryt, lançada em 2023, afirma que seus produtos são destinados a crianças e adolescentes a partir dos 10 anos de idade, mas podem ser usados até por crianças de oito anos.
"Tenho observado uma explosão de produtos para crianças", afirma DeFino.
"Também observo cada vez mais meninas usando produtos para adultos antes da adolescência… Do ponto de vista comercial, o marketing está aí. Essas faixas etárias mais jovens estão sendo ativamente trabalhadas."
E não são apenas as lojas específicas de cosméticos. Redes de farmácias americanas, como a CVS e a Walgreens, passaram por renovações nos últimos anos para colocar os produtos de beleza em posição de destaque.
Estes produtos incluem cosméticos promovidos ativamente para crianças, empregando programas de TV e livros infantis nas suas estratégias de marketing.
Muitas dessas farmácias de produtos gerais são onde as crianças têm suas primeiras experiências de compras com os pais, muito antes de terem idade para visitar lojas especializadas como a Sephora sozinhas.
O marketing das marcas de cosméticos para crianças se apresenta de diversas formas, segundo DeFino.
Além de criar especificamente produtos destinados a atrair consumidores mais jovens, ela afirma que o marketing destinado a esse público vem se proliferando pelas redes sociais.
Isso inclui um número crescente de pré-adolescentes que demonstram como usar esses produtos para seus seguidores. São "skinfluencers", influenciadores de cuidados com a pele.
Legado pós-pandemia
Tudo isso ocorre em um momento em que as crianças passam cada vez mais tempo nas redes sociais, depois de ficarem confinadas durante a pandemia.
Essas crianças estão entre os maiores consumidores de certas plataformas de redes sociais, segundo Shah, que é diretor fundador do Laboratório de Inteligência de Redes Sociais da Universidade Estadual da Geórgia.
Todo este tempo passado nas redes sociais expõe esses jovens usuários a influenciadores pagos por marcas para usar e promover produtos de beleza e para a pele.
E algoritmos cada vez mais sofisticados alimentam essa exposição, apresentando influenciadores e recomendações de beleza aos usuários, depois de algumas poucas pesquisas sobre o tema.
Acrescente-se o fato de que pré-adolescentes e adolescentes se preocupam com a aparência – e temos uma "tempestade perfeita".
"As crianças se preocupam com a aparência pessoal", afirma Shah. "Elas são muito autoconscientes sobre como seus corpos em crescimento irão se transformar e sobre sua identidade pessoal em desenvolvimento."
"Existe muita sensibilidade a este respeito e isso existe há décadas. Estes dois fatores combinados são o que realmente determina as vendas nesses grupos demográficos mais jovens", prossegue o professor.
Mas as lojas Sephora e Ulta estão realmente sendo invadidas por consumidores pré-adolescentes?
As duas marcas se recusaram a comentar o assunto, mas o mercado de produtos dirigidos aos jovens está em expansão – e esses produtos são vendidos nas duas lojas.
Mesmo se os dados sobre o aumento dos consumidores de produtos de beleza não incluírem a idade dos clientes da Drunk Elephant, Denish Shah tem outro argumento muito convincente sobre a mudança do marketing no setor de cosméticos e produtos para a pele. E muitos pais estarão de acordo com ele.
"Minha própria filha foi influenciada. Ela pediu esses produtos de presente e nunca tinha feito isso antes."
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Worklife.

Cidade do ES pioneira no agroturismo no país produz tomate para todo o Brasil, exporta e tem até uma festa dedicada à fruta

Seringais do noroeste de São Paulo enfrentam falta de mão-de-obra
Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana do estado, espera colher 15 mil toneladas da fruta. Cidade já é conhecida pela produção e envia o produto para todas as regiões do país, inclusive para o exterior. Conheça a cidade do ES que produz tomate para todo o Brasil
Uma cidade na Região Serrana do Espírito Santo é tão conhecida pela produção de tomate que há 37 anos realiza uma festa exclusiva para homenagear a fruta que movimenta a economia local. O evento é realizado na comunidade de Alto Caxixe, em Venda Nova do Imigrante, cidade que é a maior produtora da fruta no estado, envia tomate para praticamente todo o país e até exporta.
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A tradicional festa tem eleição da rainha e escolha do melhor tomate, além de shows musicais e exposições agrícolas. A fruta ganha mais importância na cidade graças a produtores como o Luiz Felipe Uliana. Sua família já é a terceira geração de produtores de tomate.
"Veio um japonês de fora e plantou alguns pés de tomate. Meu avô conhecia esse japonês e, ainda bem jovem, esse rapaz chamou meu avô para poder ajudar a manusear o tomate, amarrar, colher, essa coisas. Meu avô já se interessou um pouco com o tomate. E depois disso, meu avô começou a planta alguns pés, pouca coisa, pouca tecnologia, produção baixíssima. Dali para cá só vem aumentando, passando de geração em geração, até chegar na gente", contou o agricultor Luiz Felipe.
Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana do Espírito Santo, tem até festa do tomate
Reprodução/TV Gazeta
A colheita acontece todos os dias. Em média, são 15 mil caixas de 20 quilos por semana.
"A lavoura tá um negócio assim, de tirar o chapéu: alta produtividade, muito bem cuidada. O manejo das pragas, das doenças, foi mais eficiente este ano. Então, você vê que as plantas estão verdes, a planta realiza uma quantidade de fotossíntese maior, consequentemente, a produtividade vai ser maior do que as anteriores", explicou Hélcio Costa, pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
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Luiz Felipe faz todo o plantio em campo aberto, mas pensa futuramente em mudar para o cultivo em estufas, que protegem os pés da chuva, vento ou sol forte.
"O cultivo protegido hoje vem trazendo muita segurança na produção. Então, é uma realidade. Porém, é um processo lento. Mas é uma realidade sim de estar partindo para as estufas", comentou o produtor.
O tomate produzido em Venda Nova do Imigrante é exportado para o país inteiro
Reprodução/TV Gazeta
Em Venda Nova, 70% dos produtores trabalham com o plantio em campo aberto e o tomate mais cultivado é o longa vida, ou tomate de mesa, o mais vendido no mercado. O primeiro tomate longa vida foi lançado em 1989, após 15 anos de estudos em Israel.
A cidade, inclusive, ganhou o título de Capital Nacional do Agroturismo, reconhecido até por lei sancionada pelo presidente Lula.
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Perto dos campos e das estufas de tomates estão os galpões de beneficiamento. Na cidade, boa parte dos produtores conta com um. O agricultor Vanderlei Cesconetti administra um desses galpões e todo tomate colhido nas diferentes lavouras que ele tem na Região Serrana vão para os galpões.
Nos galpões, tomates são separados por cor, tamanho e peso
Reprodução/TV Gazeta
Depois de descarregar os caminhões, os tomates são lavados, separados e classificados de acordo com a cor, tamanho e peso.
"A gente resolveu expandir para outras regiões devido ao clima, para poder ter produção o ano todo. Então, a gente trabalha de 300 a 1.100 metros de altitude para poder conseguir intercalar a produção o ano todo e também para ter mão de obra. O tomate é uma coisa que exige muita mão de obra. E tem regiões que têm mais mão de obra que a nossa aqui para se trabalhar. Há também fatores climáticos. Se a gente sofrer um problema climático em uma região, não afeta a outra, e a gente não fica sem produção, fica o tempo todo produzindo", disse Vanderlei.
Produtores pensam em fazer o cultivo de tomate em estufas
Reprodução/TV Gazeta
O produto embalado no Espírito Santo é enviado para todas as regiões do país. Apenas 2% de tudo o que é produzido em solo capixaba fica no próprio estado.
"A gente investiu em uma logística um pouco mais longe para poder ter menos concorrência. Então, a gente hoje trabalha com câmeras frias, para poder levar uma fruta de qualidade nas maiores distâncias e no menor tempo da colheita ao consumidor. Isso dá pra ter um produto um pouco melhor", contou o agricultor.
A safra vai de agosto de 2023 a agosto de 2024 e a expectativa é colher 15 mil toneladas, 3 mil a mais do que a safra anterior. É uma das maiores dos últimos anos.
De agosto a dezembro de 2023, o clima quente ajudou no desenvolvimento do fruto. Porém, a chuva deste começo de ano destruiu uma pequena parte da produção. Apesar de reduzir um pouco a expectativa de colheita, ainda está a cima da anterior.
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A produção capixaba é enviada para países próximos, por conta da durabilidade do produto. São países como Argentina, Uruguai e Paraguai.
Há quase dez anos, ele usa o sistema de rastreabilidade, com etiquetas contendo informações sobre etapas de produção, transporte, armazenamento e comercialização. Isso facilitou a exportação dos produtos capixabas.
Orgulho do cultivo do pai
Olhando para tudo o que construiu até agora, Vanderlei lembra com orgulho de quando o pai resolveu investir no cultivo de tomate.
"Meu pai começou lá atrás, plantou 2 mil pés de tomate, segundo ele, e hoje tem um volume bastante grande na região. O tomate capixaba ele é muito bem aceito no Brasil inteiro pela qualidade da fruta. Então, pra gente, é um orgulho estar trabalhando com isso o tempo todo, ver uma festa igual a que se formou na região. Pra gente é muito bacana isso", comentou o produtor Vanderlei.
Um cultivo que foi ganhando cada vez mais espaço no mercado.
"O mercado de 2 anos para cá está muito bom por causa da qualidade. A qualidade do nosso tomate, quando você vê na máquina, você fica apaixonado pelo tomate. O pessoal aprendeu a trabalhar com o tomate, muito tempo de convivência. Então, onde chega o tomate do Espírito Santo, muda a realidade de região", pontuou o pesquisador do Incaper.
Pesquisadores apontam que o mercado do cultivo de tomate vem crescendo a cada ano no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
E a cidade se aproveita dessa produção. Tanto que a festa ficou tão famosa que atrai milhares de pessoas. Na edição deste ano, foram mais de 20 mil pessoas.
"Hoje, a festa do tomate é exatamente por isso, para interagir as pessoas para conhecer a região, vem gente de tudo quanto é lugar, outros estados, até gente de fora do Brasil. Isso é importante para o produtor conversar entre eles, ver experiência de cada um. A festa também é para isso, é apra troca de experiência entre os produtores", relatou o pesquisador do Incaper, Hélcio Costa.
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Entenda as dificuldades financeiras das empresas aéreas e soluções estudadas pelo governo

Fundo Nacional de Aviação Civil e garantias do BNDES estão sendo estudados. Soluções, contudo, esbarram na meta de equilíbrio das contas públicas. A situação financeira das empresas aéreas, que até hoje não se recuperaram do período mais agudo da pandemia de Covid-19, tem sido motivo de preocupação dentro do governo.
No fim de janeiro, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o Executivo está "atento" ao momento delicado das aéreas e estuda criar um fundo de até R$ 6 bilhões para reduzir o endividamento.
Em novo sinal das dificuldades do setor, a Gol entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos um dia depois das declarações de Costa Filho. Em anos anteriores, Latam e Avianca também haviam recorrido à Justiça para sanar dívidas.
Para explicar o momento das empresas aéreas e as estratégias do governo, esta reportagem vai abordar:
Por que as finanças das aéreas importam para o governo?
Quais são as soluções estudadas?
Por que as empresas estão envidadas?
Como são compostos os custos do setor
Gol entra com pedido de recuperação judicial nos EUA
Importância das finanças das aéreas para o governo
As finanças das empresas aéreas importam para o governo porque, assim como os demais modais de transporte (ferroviário e rodoviário, por exemplo), o setor de aviação tem relação com o desenvolvimento econômico do país. Além disso, há o impacto que o cancelamento de passagens tem sobre a opinião pública.
“Toda vez que fazemos uma nova operação –abre-se uma base, liga-se destino a outras origens—estamos desenvolvendo com isso não só uma rota aérea, e sim uma série de serviços que são impactados direta e indiretamente por conta do transporte aéreo”, afirma a presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Jurema Monteiro.
Já o professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Alessandro Oliveira afirma que o interesse se justifica pela opinião pública.
“Se uma empresa aérea quebra de uma hora para outra –isso nunca acontece de uma hora para outra, o mercado vai sabendo–, mas pode acontecer de ficarem centenas de milhares de passageiros sem passagem aérea, sem poder viajar. Isso é um problema público, um problema sério para o governo porque vai ter que lidar com a opinião pública”, afirma Oliveira.
O professor frisa que, no momento, esse não é o caso da Gol. Apesar de recorrer à Justiça por causa das dívidas, a empresa mantém suas operações normalmente.
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Quais são as soluções estudadas?
A ideia do governo é criar um fundo que funcionará como garantia para as empresas aéreas na hora de renegociar suas dívidas ou pedir empréstimos. Também se estuda a concessão de empréstimos às empresas.
Interlocutores do setor disseram ao g1 que a proposta ainda não está fechada, mas o governo estuda duas opções:
Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC);
Fundo garantidor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O FNAC conta com R$ 7 bilhões. É um fundo voltado para a infraestrutura portuária, cujas receitas provêm principalmente de aportes das concessionárias de aeroportos.
Contudo, o fundo tem natureza contábil e financeira com aportes em conta única do Tesouro Nacional. Ou seja, os valores estão depositados na conta do Tesouro e se “misturam” aos recursos usados para outras despesas. Ajudam, assim, a compor as receitas do governo para o cumprimento da meta fiscal.
O especialista em Direito Público, Henrique Silveira, explica que, como o fundo é voltado para a infraestrutura, seria necessária uma alteração legal para destinar parte desses recursos para as empresas. Além disso, para conceder empréstimos, por exemplo, seria preciso mudar a lei orçamentária de 2024.
Silveira argumenta que, na pandemia, o FNAC já foi alterado para a garantia ou concessão de empréstimos. Mas isso não foi concretizado porque "os procedimentos necessários não foram estabelecidos e tal utilização não foi prevista na lei orçamentária
Outra medida estudada seria abrir linhas do BNDES. O banco de desenvolvimento já tem fundos para esse tipo de política, mas nenhum voltado para a aviação civil.
Ao g1, o Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que "está trabalhando em conjunto com o Ministério da Fazenda para a construção do melhor modelo de operação visando atacar o problema da dificuldade de acesso a crédito enfrentado pelas empresas aéreas".
A pasta confirmou que a utilização do FNAC é uma das medidas estudadas, mas que elas "não se restringem à utilização do Fundo".
Por que as empresas estão endividadas?
Segundo a presidente da Abear, por causa dos efeitos da pandemia, as empresas aéreas acumulam um prejuízo de cerca de R$ 45 bilhões. Uma ajuda governamental, defende Monteiro, poderia incentivar a retomada dos investimentos e crescimento do setor.
O endividamento é um motor de crescimento e investimento das companhias. “O que acontece é que, como o setor é muito vulnerável a choques na economia, muitas vezes o crescimento esperado não acontece, ainda mais num país emergente como o Brasil”, explica o professor do ITA.
As empresas ainda sentem os reflexos da pandemia de Covid-19. Segundo Oliveira, as companhias tiveram que financiar operações ociosas, como arrendamento das aeronaves e salários, sem uma demanda por passagens aéreas que pudesse arcar com essas despesas.
“Parte da dívida também é advinda de uma expectativa de crescimento em um período [2020], mas aí justamente veio a pandemia. Não houve crescimento algum”, afirmou.
Quais são os custos do setor?
Monteiro, da Abear, afirma que 60% dos custos do setor aéreo estão relacionados ao dólar. Esses custos abarcam o arrendamento e manutenção das aeronaves, além do querosene de aviação (QAV) –que depende da cotação do petróleo no mercado internacional.
“Nesses itens de composição de custo, o item que mais pesa é o combustível”, diz a presidente da Abear.
Questionado por jornalistas na última semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo deve ter uma “discussão rigorosa” com a Petrobras sobre o preço do QAV.
"A Petrobras, por ser quase que a monopolista do QAV no Brasil, a discussão com ela deve ser mais rigorosa", afirmou.
Contudo, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse que a companhia não vai diminuir o preço das passagens para ajudar as companhias aéreas.
Além de uma eventual mudança na precificação da Petrobras, a redução de impostos no QAV também é apontada como uma medida que poderia reduzir o custo das aéreas. Como mostrou o g1, o Ministério da Fazenda não planeja uma nova rodada de desoneração em 2024.
Monteiro também cita o custo de judicialização do setor, que deve ser de mais de R$ 1 bilhão neste ano. A judicialização se refere a ações que as empresas precisam responder na Justiça.
“As empresas têm que prever esse recurso de custo e isso tem impacto”, afirma.

Restaurantes atraem turistas com comida simples na zona rural

Seringais do noroeste de São Paulo enfrentam falta de mão-de-obra
Ecoturismo na região da Cuesta Paulista atrai milhares de pessoas por ano. Além de ser uma opção de passeio, ajuda na geração de renda para os donos das diversas propriedades. Restaurantes atraem turistas com comida simples na zona rural
Reprodução/TV TEM
Para os turistas que gostam de se aventurar em passeios rurais no interior de São Paulo, a comida caipira não pode faltar no roteiro. E começa desde o café da manhã, com uma comida simples e caseira, mas muito saborosa.
Além de agradar o paladar de quem visita as áreas rurais, os restaurantes locais também geram empregos e renda, sem contar que acabam trazendo benefícios para produtores próximos.
Os ingredientes usados para a preparação da comida de um restaurante que fica na zona rural de Bauru (SP) são produzidos na mesma propriedade. A ordenha do leite usado no preparo de sobremesas e queijos começa cedinho.
A vaca é um dos atrativos deste restaurante. As pessoas podem olhar os animais de perto, conhecer a ordenha e até ajudar a tirar o leite.
São 26 anos de história. A estrutura rústica da propriedade foi preservada, assim como o costume de acomodar os clientes debaixo das sombras da árvore.
Veja a reportagem exibida no programa em 04/02/2024:
Restaurantes atraem turistas com comida simples na zona rural
Para receber as 200 pessoas que passam pelo restaurante, além dos integrantes da família, uma equipe de 15 pessoas, dentre elas cozinheiros, preparam com muito cuidado os detalhes de toda a comida, desde as principais, como cupim ao molho e frango ensopado, que não podem faltar no cardápio todos os dias, até as sobremesas, que são cortesia.
Tudo isso para manter o legado da fundadora, muito caprichosa aos detalhes.
Em Marília (SP), o barulho e o estresse da cidade ficam da porteira para fora. O mineiro Marcelo Vieira, cozinheiro de um restaurante caipira, prepara as refeições em uma cozinha simples, que fica do lado de fora da casa, assim como em muitas casas rurais.
Todas as porções e refeições preparadas por Marcelo levam o tempero caseiro, com sabor de "comida de vó". O aroma da comida se espalha pela fazenda, enquanto os clientes desfrutam da natureza, uma forma de sair da agitação do dia a dia na cidade e aproveitar a calmaria do campo.
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Seringais do noroeste de São Paulo enfrentam falta de mão-de-obra

Seringais do noroeste de São Paulo enfrentam falta de mão-de-obra
Desvalorização da matéria-prima fez com que o valor da mão de obra caísse. Seringais do noroeste de São Paulo enfrentam falta de mão-de-obra
Reprodução/TV TEM
Trabalhadores de um setor importante para a economia do Brasil vêm enfrentando uma crise na produção de borrachas naturais, não só no interior de São Paulo, mas em todo o país. Isso porque o preço pago pelo látex, matéria-prima das borrachas, é considerado baixo, refletindo na remuneração dos trabalhadores, e, consequentemente, falta gente para fazer as sangrias das árvores.
Em uma fazenda de Mirassol (SP), o cenário é de abandono. O mato alto tomou conta de boa parte do seringal. Das 95 mil árvores produtivas, 35 mil estão paradas sem sangria, porque falta mão de obra.
Há mais de 30 anos, a propriedade é ocupada por seringueiras que, no total, geram 33 empregos diretos, dentre eles, 27 são de sangradores, responsáveis pela extração do látex da árvore. O proprietário relata que, nas últimas duas safras, dez trabalhadores abandonaram o campo. O motivo? A baixa remuneração.
Ainda nesta propriedade, os donos já derrubaram oito mil árvores de seringueira. O que antes dava lugar a floresta de árvores nos dias de hoje é um pasto para gado de corte. A meta é derrubar mais 24 mil pés até o meio deste ano para colocar cana de açúcar no lugar.
Veja a reportagem exibida no programa em 04/02/2024:
Seringais do noroeste de São Paulo enfrentam falta de mão-de-obra
A estimativa da associação paulista que representa o setor (ABAPOR) é de que no noroeste paulista, que é responsável por 60% da produção nacional de borracha, tenha um déficit de pelo menos três mil sangradores. Hoje a região tem aproximadamente 20 mil trabalhadores nessa função. A escassez de mão de obra deve impactar a safra deste ano.
O proprietário de duas fazendas da região de Mirassol busca mão de obra de sangradores em outros estados. As duas propriedades possuem seringueiras e estão com pelo menos 10 vagas para a função em aberto. Os trabalhadores recebem 40% do faturamento e podem morar nas fazendas sem custo de aluguel, água e luz. Mesmo assim, o produtor rural relata dificuldade em encontrar quem aceite a vaga.
Em busca de amenizar o impacto da falta de mão de obra, o produtor rural resolveu investir em tecnologia: um robô instalado no tronco da seringueira é programado para fazer a sangria automatizada. O aparelho está em fase de teste, mas tem apresentado bons resultados, de acordo com o produtor rural. O desafio é baratear o equipamento, que hoje tem um custo de R$ 229.
O governo adotou algumas medidas para valorizar a matéria-prima nacional e elevar os preços pagos aos produtores, dentre elas a política de subsídio, que fixa o preço mínimo em R$ 4,30 pelo quilo do coágulo virgem, e o aumento da alíquota de importação de 3,2% para 10,8%.
Quem tira o sustento da borracha garante que as medidas não aliviaram a crise. Sangrador há 20 anos, Marivaldo relata que, em todo esse tempo, nunca passou por uma fase tão ruim quanto a dos dias de hoje.
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