Terra valorizada dificulta expansão agrícola perto de áreas urbanas

Rombo das contas externas recua 41% em 2023; gasto de brasileiros no exterior é o maior em 4 anos
Produtores dos municípios de Itupeva (SP) e Jarinu (SP) enfrentam desafios ao tentar produzir perto de núcleos urbanos, onde os espaços são cada vez mais concorridos. Terra valorizada dificulta expansão agrícola perto de áreas urbanas
Reprodução/TV TEM
Aumentar a área de produção não tem sido uma tarefa fácil em muitos lugares, pois a quantidade de terras disponíveis está menor e os preços maiores. A situação é ainda mais desafiadora para quem tenta produzir perto de núcleos urbanos, onde os espaços são cada vez mais concorridos, que é o caso dos produtores da região de Jundiaí (SP).
Nesses municípios, onde a uva e outras frutas se destacam, a soja sempre ficou em segundo plano, mas, em uma fazenda de 48 hectares em Itupeva (SP), por exemplo, está sendo realizada uma plantação de soja neste ano pela primeira vez. A decisão foi acertada, pois toda a produção foi vendida antes mesmo da colheita.
Valorização das terras
As terras estão valorizando muito rápido. Em 2018, o metro quadrado estava custando R$ 80. Agora, chega a R$ 200, que é mais que o dobro, em apenas cinco anos. Essa inflação no preço está relacionada à especulação imobiliária.
Veja a reportagem exibida no programa em 04/02/2024:
Terra valorizada dificulta expansão agrícola perto de áreas urbanas
O proprietário da fazenda em Itupeva é um entre muitos produtores rurais que lidam com o desafio de tocar a produção sem encontrar áreas suficientes para o cultivo. Também é o caso de um outro produtor, de Jarinu (SP), que tem que arrendar terras para cultivar.
Hoje, há quase três hectares de vagem em sua plantação, um legume no qual o ciclo precisa de vários cuidados para que ele cresça bonito e saudável. O produtor sabe que, se quiser aumentar a produção ampliando a área, o arrendamento é a saída. Embora esteja mais caro, é bem menos custoso do que se tiver que comprar.
A zona rural de Jarinu vem sendo "espremida" pelos condomínios, o que também tem sido comum em muitos outros lugares. Por esse e outros fatores, o produtor não está conseguindo mais áreas para plantar e, assim, não consegue atender a toda a demanda. Ele produz três toneladas de vagem por semana, e sempre falta produto.
Então, encontrou uma solução no estado vizinho, comprando o que falta de agricultores de Minas Gerais. O reflexo dessa estratégia é sentido pelo consumidor final. A mercadoria fica, pelo menos, 25% mais cara.
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Focado no aumento da receita, governo vê despesa subir em 2023 e ultrapassar a marca de R$ 2 trilhões

Em busca do déficit zero em 2024, governo tem atuado principalmente em medidas para aumentar a arrecadação. Economistas, entretanto, têm criticado a ausência de ações mais concretas para cortar gastos públicos. A despesa total do governo avançou 12,45% em termos reais em 2023, ultrapassando a marca dos R$ 2 trilhões, algo que só havia acontecido anteriormente em 2020 — ano marcado pela forte expansão de despesas extraordinárias relacionadas com a pandemia da Covid-19.
Ao todo, os gastos governamentais somaram R$ 2,162 trilhões em 2023, contra R$ 1,923 trilhão no ano anterior (valores corrigidos pela inflação).
Com isso, as despesas do governo federal atingiram o segundo maior patamar da série histórica do Tesouro Nacional, que tem início em 1997.
O aumento de gastos em 2023 contribuiu para a piora das contas do governo, que registrou um déficit primário de R$ 230,5 bilhões no último ano.
O déficit primário ocorre quando os gastos do governo superam a arrecadação com impostos –o pagamento de juros da dívida pública não é considerado nesse caso. No sentido inverso, quando as receitas superam as despesas, há superávit.
O resultado, que foi o segundo pior da história (perdendo somente para 2020, durante a pandemia da Covid-19), ficou acima da "meta informal" do governo.
Em janeiro do ano passado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia estimado que o resultado negativo ficaria abaixo de R$ 100 bilhões.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que parte desse aumento de gastos está relacionado com o pagamento de precatórios postergados pela gestão anterior, no valor de R$ 92,4 bilhões.
"O que a gente tem que considerar é que esse resultado [de 2023] é a expressão de uma decisão que o governo tomou de pagar o calote que foi dado (…) Então desses R$ 230 bilhões [de déficit em 2023] , praticamente a metade disso é pagamento de dívida do governo anterior que poderia ser prorrogada para 2027 e que nós achamos que não era justo", disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta segunda-feira (29).
Mesmo com a exclusão das despesas com precatórios do cálculo, os gastos ainda assim, superariam R$ 2 trilhões no ano passado – totalizando R$ 2,07 trilhões. O crescimento, frente ao ano anterior, seria de 7,6% em termos reais.
A taxa média de crescimento real das despesas totais do governo considerando os 26 anos da série histórica do Tesouro Nacional foi de 5,21%. O crescimento de 2023 das despesas totais com precatórios (+12,45%) e sem precatórios (+7,6%) ficou acima da média histórica.
Na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), a despesa total do governo atingiu 19,6% do PIB em 2023. Trata-se do maior patamar desde 2020. Sem contar a pandemia, é o maior valor desde 2016 – quando somou 19,9% do PIB. O Ministério da Fazenda informou que, sem o pagamento dos precatórios, a despesa primária representaria 18,8% do PIB em 2023.
Haddad anuncia pacote para aumentar a arrecadação e zerar déficit no ano que vem
Alta de gastos
O aumento do rombo nas contas públicas no primeiro ano da nova gestão está relacionado, principalmente, com a alta das despesas autorizada por meio da PEC da transição, aprovada no fim de 2022 pelo governo eleito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a mudança, o governo obteve autorização para gastar R$ 168,9 bilhões a mais no ano passado.
Parte do valor foi usado para tornar permanente o benefício de R$ 600 do Bolsa Família. Também foram elevados gastos em saúde, educação, bolsas de estudo e merenda escolar, entre outras políticas públicas.
"A dinâmica da expansão de gastos nessas áreas corresponde ao objetivo anunciado pelo presidente Lula ainda em sua campanha de 'colocar o pobre no orçamento', ampliando os investimentos sociais e as transferências de renda para famílias mais necessitadas. A retomada e inauguração de políticas públicas essenciais para a vida da população de baixa renda marcou a reestruturação da estratégia de política fiscal", informou o Ministério da Fazenda, nesta semana.
Além do pagamento de precatórios postergados pelo governo anterior, outro fator que elevou as despesas foi a decisão do governo Lula de compensar perdas de arrecadação dos estados com a redução da alíquota do ICMS (um tributo estadual), registrada no governo Bolsonaro. A compensação somou R$ 22,5 bilhões até 2023.
Em meados de 2023, o governo federal também aprovou o arcabouço fiscal, a nova regra para as contas públicas, que tornou esse limite maior para despesas permanente.
O mecanismo passou a autorizar um aumento real (acima da inflação) de até 2,5% das despesas por ano – limitado a 70% do crescimento da arrecadação.
O regime fiscal anterior, chamado de teto de gastos, que vigorou entre 2017 e 2022, não permitia crescimento das despesas acima da variação da inflação.
Equipe econômica mira arrecadação
Para tentar evitar uma piora maior das contas públicas, a equipe econômica tem atuado, principalmente, no aumento de arrecadação.
Com esse objetivo, foram aprovadas as seguintes medidas:
Volta da regra que favorece o governo em casos de empate no Carf, órgão colegiado responsável pelo julgamento de recursos de empresas multadas pela Receita Federal – com arrecadação esperada de R$ 54,7 bilhões em 2024.
MP aprovada que altera de tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – com receita esperada de R$ 35 bilhões neste ano.
Mudanças no regime dos juros sobre capital próprio, que consiste em uma forma de distribuição dos lucros de uma empresa de capital aberto (que tem ações na bolsa) aos seus acionistas.
Tributação de "offshores" e dos dos chamados fundos exclusivos;
Taxação do mercado de apostas eletrônicas em jogos esportivos;
Cobrança de impostos de empresas que fazem transferências de mercadorias para companhias parceiras no exterior.
O objetivo do governo é que esse o aumento de arrecadação com estas medidas equilibre o orçamento de 2024, ou seja, que o déficit seja zerado.
Essa meta, que consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias deste ano – aprovada pelo Legislativo, é considerada ousada pelo mercado financeiro. Os analistas estimam um rombo de cerca de R$ 90 bilhões em 2024.
Revisão de despesas
Apesar das medidas de aumento de arrecadação, economistas têm criticado a ausência de ações mais concretas por parte da área econômica para cortar outros gastos públicos.
Entre as medidas propostas, estão uma reforma administrativa, uma nova reforma da Previdência, o fim do abono salarial e mudança nas regras para gastos sociais, entre outras.
O governo tem prometido que cortes de despesas também serão avaliados. Entretanto, nenhuma medida de peso foi enviada até o momento ao Congresso Nacional.
Em meados de janeiro, o Ministério do Planejamento informou ao g1 que o grupo de trabalho de revisão de gastos públicos e renúncias fiscais "está trabalhando dentro dos prazos previstos".
De acordo com o economista Guilherme Tinoco, pesquisador associado do FGV IBRE, a despesa do governo foi "significativamente" aumentada em 2023, e as regras do novo arcabouço fiscal fazem com que ela cresça todo ano.
"E isso coloca um peso muito grande no lado da arrecadação para fazer um ajuste. É o que o governo tem tentado, mas é difícil colocar tudo no lado da receita", acrescentou.
Segundo ele, se a economia brasileira continuar crescendo, a um ritmo de 2,5% a 3% ao ano, será possível continuar fazendo o ajuste das contas públicas por meio do aumento da arrecadação, fechando brechas que reduzem o pagamento de tributos como propõe o ministro Haddad, sem elevar alíquotas para toda população.
"Enquanto a economia internacional estiver indo bem, tiver um movimento de menor aversão ao risco. Enquanto estiver funcionando bem no mundo, essa velocidade mais lenta [do ajuste fiscal, com metas não sendo atingidas, como prevê o mercado] é menos problemática. Mas se tiver uma inversão grande do humor externo, mercado pode ficar um pouco mais tenso com esse déficit (…) O problema é se a economia não crescer. O ajuste fica super difícil", concluiu o economista Guilherme Tinoco.

Revisão do cadastro do Bolsa Família exclui 1,73 milhão de famílias ‘unipessoais’ em 2023

Governo federal anunciou que haveria uma revisão do Cadastro do Bolsa Família em março do ano passado. A atualização do cadastro do Bolsa Família, programa social do governo Luiz Inácio Lula da Silva, excluiu 1,73 milhão de famílias "unipessoais" em 2023, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
De acordo com dados oficiais, havia 5,88 milhões de famílias unipessoais entre os beneficiários do programa social do governo em dezembro de 2022, número que recuou para 4,15 milhões no fim do ano passado.
As famílias unipessoais são aquelas compostas por apenas um membro, inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cadastro Único). Não há restrição a elas, mas, pelas regras, uma vez classificadas como unipessoais, não podem mais dividir a casa com outros familiares.
Bolsa Família vai bloquear benefício por CPF irregular em janeiro
“Como saímos do 'auxílio solteiro' para o Bolsa Família, ampliamos a média de pessoas por benefício. Contemplamos mais crianças e o benefício médio geral cresceu para R$ 681 (…). Então, uma família com casal e três filhos de até 6 anos, recebe um auxílio de R$ 1.160. Por quê? São cinco pessoas recebendo R$ 142 cada uma e mais R$ 450 das três crianças", explicou o ministro Wellington Dias.
O governo federal anunciou que haveria uma revisão do Cadastro do Bolsa Família em março do ano passado. Naquele momento, informou que já tinha identificado indícios de irregularidades em 2,5 milhões de beneficiários, dos quais 1,4 milhão foram excluídos da folha de pagamento de março.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social explicou que os "arranjos unipessoais tiveram um aumento fora da curva e vínculo com a dinâmica demográfica das famílias brasileiras entre o final de 2021 e os últimos meses de 2022".
Esse crescimento aconteceu nos últimos anos da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando o programa de assistência à população carente se chamava Auxílio Brasil. O auxílio médio foi de R$ 405 em 2022, valor que subiu para R$ 600 no último ano com a aprovação da PEC da transição pelo governo eleito.
Em junho do ano passado, o governo federal lembra que publicou uma portaria que alterou os documentos que devem ser apresentados pelas famílias para fazer ou atualizar seus registros, com um "ajuste importante" no procedimento de cadastramento ou atualização cadastral de famílias unipessoais.
"Além de apresentar os documentos obrigatórios, comuns a todos os tipos de composição familiar, elas têm que assinar um termo de responsabilidade, se comprometendo com a veracidade das informações prestadas ao Cadastro Único", explicou a pasta.
A revisão do Cadastro do Bolsa Família, segundo o governo, também buscará atualizar informações sobre o rendimento das pessoas que solicitam o benefício para checar se elas ainda se enquadram nas regras do programa social.
Em abril de 2023, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que o processo de atualização pode gerar uma redução anual de despesas de até R$ 7 bilhões por ano.

Educação Financeira #281: como se proteger contra golpes e roubos no Carnaval

Rombo das contas externas recua 41% em 2023; gasto de brasileiros no exterior é o maior em 4 anos
Neste episódio, o podcast recebe o repórter de economia do g1 André Catto, que fala sobre os principais tipos de golpes no Carnaval, além de trazer dicas de como se proteger e como agir no caso de roubos ou furtos. Mais uma temporada de bloquinhos e desfiles do Carnaval 2024 chegou. Com ela, infelizmente, são comuns os relatos de foliões que sofrem com roubos e furtos de celulares, e de outros itens pessoais.
O momento de grandes aglomerações facilita também a ocorrência de golpes financeiros, como a troca e roubo de cartões, débito de valores diferentes nas maquininhas e simulação de compra para pegar a senha do cliente.
Neste episódio do podcast Educação Financeira, o repórter de economia do g1 André Catto fala sobre os principais tipos de golpes no Carnaval, traz dicas de como se proteger e como agir no caso de roubos ou furtos.
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Rombo das contas externas recua 41% em 2023; gasto de brasileiros no exterior é o maior em 4 anos

Investimentos estrangeiros diretos caíram 17% em 2023, enquanto despesas de estrangeiros com viagens no Brasil bateram recorde histórico. Números são do Banco Central. O rombo das contas externas brasileiras recuou 41% em 2023, divulgou o Banco Central nesta segunda-feira (5). O movimento coincidiu com uma queda de investimentos estrangeiros diretos no país.
Segundo o Banco Central, os gastos de brasileiros no exterior foram os maiores em quatro anos, ou seja, desde antes da pandemia da Covid-19. Já as despesas de estrangeiros no Brasil bateram recorde histórico (veja mais abaixo nessa reportagem).
De acordo com a instituição, as contas externas (transações correntes) registraram um déficit de US$ 28,61 bilhões no ano passado, com queda de 41% na comparação com 2022 (-US$ 48,25 bilhões). Foi o menor resultado negativo desde 2020, ou seja, em três anos.
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior).
De acordo com o BC, a queda no saldo negativo das contas externas, em 2023, está relacionada principalmente com a melhora da balança comercial no período. Pela contabilidade do BC, que é diferente daquela utilizada pelo governo, o superávit da balança somou US$ 80,5 bilhões em 2023, contra um saldo positivo de US$ 44,15 bilhões no ano anterior.
Os bons números da balança comercial compensaram a forte piora na conta de rendas, cujo déficit passou de US$ 56,5 bilhões, em 2022, para US$ 72,4 bilhões no ano passado.
A deterioração na conta de rendas está relacionada com o aumento nas remessas de juros ao exterior, que saltaram de US$ 10,6 bilhões em 2022 para US$ 27,7 bilhões em 2023, e também pelo incremento das remessas de lucros e dividendos pelas empresas (que avançaram de US$ 37,1 bilhões em 2022 para US$ 45 bilhões no ano passado).
Somente mês de dezembro do ano passado, segundo o Banco Central, as contas externas registraram um rombo de US$ 5,83 bilhões, em comparação com um resultado negativo de US$ 7,52 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Investimentos estrangeiros diretos
O BC também mostrou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira recuaram cerca de 17% no ano de 2023.
Os estrangeiros trouxeram US$ 61,95 bilhões em investimentos no último ano, contra US$ 74,6 bilhões em 2022. Essa foi a menor entrada desde 2020 (-US$ 46,44 bilhões).
A queda no ingresso de investimentos estrangeiros diretos, neste ano, acontece em meio a um cenário de forte desaceleração da economia mundial. Para conter a inflação, os bancos centrais elevaram os juros pelo mundo – com reflexos no nível de atividade.
No Brasil, porém, o cenário é de estabilidade no PIB. Após uma alta de 5% em 2021, o PIB brasileiro teve crescimento de 3% em 2022. E a projeção do mercado financeiro para 2023 é uma taxa semelhante expansão.
Somente em dezembro, ainda de acordo com a instituição, os estrangeiros retiraram US$ 369 milhões em investimentos diretos no país, contra uma saída líquida de US$ 479 milhões no mesmo mês de 2022.
Gastos de brasileiros no exterior
Já os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 14,53 bilhões no ano de 2023, com alta de 19,3% frente ao mesmo mês do ano anterior – quando totalizaram US$ 12,18 bilhões.
Trata-se, também, do maior valor de despesas no exterior, para um ano fechado, desde 2019, ou seja, antes da pandemia da Covid-19, quando somou US$ 17,59 bilhões.
As despesas de brasileiros fora do país são influenciadas por fatores como o nível de atividade econômica – que apresentou estabilidade em 2023 -, o nível do emprego e da renda (em alta), e, também, o preço do dólar (usado nas transações internacionais).
Em 2022, a moeda norte-americana fechou em queda de 5,3%, cotada a R$ 5,28. Apesar disso, ainda permaneceu bem acima do patamar de 2019 terminou aquele ano em R$ 4,01. Já no ano passado, o dólar fechou em queda de 8%, cotado a US$ 4,85.
Ao mesmo tempo, os números do BC também mostram um aumento nos gastos de estrangeiros com viagens no Brasil, que somaram US$ 6,9 bilhões no ano passado – batendo recorde histórico. A série histórica para os gastos de estrangeiros no Brasil tem início em 1995.
A alta das despesas de estrangeiros no país foi de 39,5% na comparação com 2022 – quando essa despesa somou US$ 4,95 bilhões. Até então, o maior valor de despesa de estrangeiros no país havia sido registrado em 2014 (US$ 6,84 bilhões).
Nordeste é o destino de 42% dos que viajam pelo país até março; Rio São Francisco atrai turistas
Seis milhões de turistas internacionais
De acordo com dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), o Brasil fechou 2023 tendo registrado, aproximadamente, a visita seis milhões de turistas internacionais.
Segundo o Plano Nacional de Turismo do quadriênio 2024-2027, aprovado no fim de janeiro pelo Conselho Nacional do Turismo (CNT), a meta é chegar aos oito milhões de turistas estrangeiros no país até 2027, com previsão de entrada de US$ 8,1 bilhões naquele ano.
“Quando propomos os oito milhões [de turistas em 2027], levamos em conta a perspectiva de conectividade. Temos que trabalhar com um cuidado técnico, o que os índices permitem ser possível. A marca de oito milhões será uma baita vitória. E trabalhamos com o desafio de dez milhões”, afirmou o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, em janeiro.