Arezzo&Co e Grupo Soma: quais os efeitos práticos da fusão para a nova empresa e para os clientes

Ibovespa sobe mais de 2% e fecha aos 130 mil pontos, com juros brasileiros no radar; dólar cai
Nova companhia terá 34 marcas de moda, com mais de 2 mil lojas próprias e cerca de 22 mil funcionários, fora as franquias. Arezzo&Co e Grupo Soma: efeitos práticos da fusão para a nova empresa e para os clientes
A Arezzo&Co e o Grupo Soma anunciaram, nesta segunda-feira (5), uma fusão entre as duas companhias, em um negócio que vai criar uma gigante do varejo nacional. São mais de 30 marcas de roupas, calçados e acessórios, e um faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões.
A operação vai fazer com que a nova companhia possua mais de 2 mil lojas físicas próprias, cerca de 22 mil funcionários, além das franquias.
Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que a fusão deve consolidar a nova empresa como o principal nome do mercado de moda premium no Brasil. Mas, na prática, tem poucos efeitos diretos sobre o consumidor final.
Analistas não enxergam, por exemplo, a possibilidade de que os produtos oferecidos pelas diferentes marcas tenham mudanças de preço. Também não acreditam que a concentração do megagrupo seja prejudicial para a justa concorrência, uma vez que a receita anual do mercado de moda brasileiro ultrapassa os R$ 200 bilhões.
A grande melhoria para a empresa será o aumento de portfólio, que atenderá por completo o cliente de renda média a alta. Já o grande desafio será conciliar a cultura organizacional dos dois grupos, e encontrar as sinergias entre as marcas sem desorganizar o que já funciona.
SAIBA MAIS
Arezzo&Co e Grupo Soma acertam acordo para formação de empresa de R$12 bilhões
Alexandre Birman, atual presidente da Arezzo&Co, será o presidente-executivo da nova empresa
Divulgação
Concentração de mercado e impactos para o consumidor
Um questionamento comum quando grandes empresas de um mesmo setor se unem é o potencial de prejudicar a concorrência, pensando na grande concentração de uma só companhia no setor. Quando se forma um monopólio, a empresa resultante pode definir os preços do mercado e aumentar valores deliberadamente.
Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que não é o caso da fusão da Arezzo&Co e do Grupo Soma.
Marilia Carvalhinha, coordenadora da pós-graduação em Negócios da Moda da FAAP, destaca que, com uma estimativa de faturamento de R$ 12 bilhões, o novo grupo deteria uma concentração de cerca de 6% do mercado de moda brasileiro.
O percentual resultante é parecido com grandes nomes do setor, como as Lojas Renner. "É uma visão superficial achar que eles vão conseguir subir os preços", diz.
Ao mesmo tempo, é pouco provável também que os preços caíam, já que o principal objetivo da fusão é encontrar sinergia entre as empresas, procurar ineficiências e elevar os lucros. "Não teria porque reduzir o preço de algo que o público está aceitando pagar".
A professora não vê preocupação do novo grupo em bater de frente com os preços de concorrentes de fast fashion, como a Shein e outros gigantes varejistas internacionais. O público-alvo de cada uma das empresas, ela reforça, não é o mesmo.
Benefícios e riscos da fusão
Se por um lado a nova companhia não deve concorrer diretamente com as marcas populares, por outro a expectativa dos envolvidos no negócio é de uma consolidação dos grupos Arezzo&Co e Soma como um único e principal nome do mercado de moda premium no Brasil.
Com os novos arranjos, o novo grupo terá quatro verticais de atuação, segundo fato relevante divulgado pelas companhias:
calçados e bolsas;
vestuário e lifestyle feminino;
vestuário e lifestyle masculino;
vestuário democrático.
Andreia Meneguete, especialista em branding e professora da ESPM, explica que a companhia procura abranger todos os segmentos da moda dentro de seu principal público-alvo, utilizando a expertise individual de cada marca para beneficiar todo o negócio.
"Se uma das marcas de vestuário do grupo percebe uma tendência de mercado específica, esse insight pode ser compartilhado com todo o grupo, e a empresa consegue mudar de direção muito mais rápido", explica Andreia.
Com a integração, a especialista acredita que a empresa tem o potencial de atrair um fluxo importante de investimentos para o negócio, que será distribuído para todas as unidades. A fusão dando certo, seria possível uma integração maior de novas tecnologias, e aprimoramento de processos e produtos.
Lucas Rietjens, analista da Guide Investimentos, destaca que a nova empresa ganha outra vantagem competitiva: o poder de barganha para negociar contratos de aluguel com os shoppings, uma vez que o mesmo grupo alugará diversos espaços dentro de cada centro comercial.
O mesmo é válido para estruturas que podem ser aproveitadas por marcas dos dois grupos, como galpões de centros de distribuição, infraestrutura de e-commerce, entre outras. Em contrapartida, pensando que o objetivo do negócio é otimizar os resultados e enxugar a "gordura", há risco de que demissões aconteçam.
"Por se tratar de uma incorporação, acredito que a reestruturação de pessoal será muito pontual, principalmente pensando em redundância de cargos (posições repetidas entre as duas empresas)", explica Gustavo Biserra, analista da Nova Futura Investimentos.
O especialista diz que esse é um processo que deve acontecer de forma marginal e ao longo do tempo.
Roberto Luiz Jatahy Gonçalves, atual presidente do Grupo Soma, será o responsável pela unidade de vestuário feminino
Divulgação
Desafio é manter a identidade
Para que a fusão seja bem-sucedida, o maior desafio é a integração das diferentes culturas organizacionais, mantendo a identidade das marcas presentes no portfólio.
Andreia Meneguete diz que as estruturas das empresas que compõem cada um dos grupos já são muito bem desenhadas. Cada uma fala para um público, além de ter certa elasticidade entre as faixas de renda.
A Hering e AnaCapri, por exemplo, são focadas na classe média. Já Schutz e Animale são bem aceitas entre clientes de ticket mais alto.
A especialista em branding pontua que cada marca do megagrupo criado precisa ter sua autonomia de liderança se o objetivo for manter seus públicos. A exceção seria se, na fusão, houver alguma mudança de estratégia de determinadas marcas para focar em uma nova clientela.
Mesmo que seja o caso, a companhia precisa conciliar as diferentes visões e formas de trabalhar. É um desafio que pode demorar anos. No mercado da moda e lifestyle, a gigante LVMH é o grande exemplo da integração de inúmeras marcas, unificando seus processos, mas mantendo a identidade de cada uma no mercado de luxo.
No Brasil, a própria Arezzo é um exemplo de sucesso, com a compra da marca de roupas masculinas Reserva. Agora, a expectativa é de manter o padrão para uma fusão bem maior, entre Arezzo e Soma.
Não faltam exemplos em que "o santo não bateu" como deveria. Quando o Itaú Unibanco comprou quase metade da XP Investimentos, a ideia era justamente avançar na inovação e trazer para dentro da base de clientes um novo perfil.
No ano passado, o banco encerrou a venda total de sua participação na antiga corretora. Apesar de um investimento extremamente rentável, uma união entre as empresas nunca aconteceu.
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Cortar pedaço mofado da fruta e comer o resto faz mal? Veja no quiz se você está fazendo certo

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Você sabe quais os perigos de comer uma fruta estragada? E quais os alimentos que criam bolor mais facilmente? Teste os seus conhecimentos. Frutas mofadas
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Aquela fruta mofada na fruteira…será que dá pra cortar uma parte e comer o resto? Uma fruta embolorada estraga todas as outras que estão próximas?
O g1 conversou com dois especialistas em alimentos para tirar essas e outras dúvidas sobre o mofo e a contaminação de frutas.
Um deles é o Uelinton Pinto, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC). E a outra especialista é a Roseane Batitucci Passos de Oliveira, do departamento de Alimentos da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Quando é seguro comer pão, queijo e outros alimentos mofados?
Faça o quiz e veja o que eles responderam.
Pode cortar um pedaço mofado de fruta e comer o restante? Veja se você está fazendo certo
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Ata do Copom: BC vê desaceleração menor para a economia, mas mantém intenção de cortar Selic

Uma economia mais aquecida, em tese, corre maior risco de inflação; juros são um antídoto comum. Copom identificou que queda da Selic se refletiu no crédito e nos juros bancários. O Banco Central avaliou nesta terça-feira (6) que há elementos na economia brasileira que apontam uma "atenuação da desaceleração econômica" – ou seja, um freio menor na economia brasileira em relação aos meses anteriores.
Esse movimento, segundo o BC, é motivado pelo aumento da renda das famílias a partir do reajuste do salário mínimo e da ampliação dos benefícios sociais, além de um mercado de trabalho mais resiliente.
A análise consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada na semana passada. O resultado do encontro foi o corte da taxa básica de juros (Selic) de 11,75% para 11,25%. Foi o quinto corte seguido e, com isso, a taxa chegou ao menor nível em dois anos.
"Notou-se que um mercado de trabalho mais apertado, com reajustes salariais acima da meta de inflação, pode potencialmente retardar a convergência da inflação [para as metas preestabelecidas], impactando notadamente a inflação de serviços e de setores mais intensivos em mão de obra", avaliou o Copom.
Por outro lado, segundo o Banco Central, há fatores em andamento que podem reduzir essa "pressão inflacionária" gerada pelo aumento da renda. O documento cita:
uma "recomposição favorável de preços relativos" (variação menor entre os preços de bens similares);
uma "dinâmica benigna de 'commodities'" (produtos como alimentos, minérios e petróleo);
uma "menor inflação de serviços".
Por fim, o Banco Central reafirmou a indicação da expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões do Copom, marcadas para os próximos meses.
Os membros do comitê avaliaram que esse é o "ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário".
Copom promove novo corte na Selic, que cai para 11,25%
Definição da taxa de juros
A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação. A taxa influencia todas as taxas de juros do país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras.
Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, no sistema de metas de inflação, o BC faz projeções para o futuro.
Neste momento, a instituição já está mirando também para o início de 2025. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
A meta de inflação deste ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.
A partir de 2025, o governo mudou o regime de metas de inflação, e a meta passou a ser contínua em 3%, podendo oscilar entre 1,5% e 4,5% sem que seja descumprida.
Na semana retrasada, o mercado estimou uma inflação de 3,81% para este ano e de 3,50% para 2025.
Na ata do Copom, o BC avaliou que as expectativas de inflação "seguem desancoradas" em relação às metas centrais.
Ou seja: as projeções dos analistas do mercado estão acima do objetivo fixado pelo Conselho Monetário Nacional e, por isso, "são um fator de preocupação".
"O comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira", informou o BC.
Entretanto, acrescentou que "houve um progresso desinflacionário relevante", em linha com o antecipado pelo Comitê, mas ainda há um caminho longo a percorrer para a ancoragem das expectativas e o retorno da inflação à meta, o que exige serenidade e moderação na condução da política de juros.
Copom faz novo corte na Selic e taxa básica de juros cai para 11,25%
Impacto nos juros bancários e no crédito
O Copom também informou que já consegue visualizar a chamada "transmissão do ciclo de afrouxamento monetário", ou seja, da redução da taxa básica da economia, para o mercado de crédito.
Em novembro, a taxa média de juros cobrada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas recuou de 42,6% para 41,8% ao ano. Foi a sexta redução seguida do juro bancário.
"Observam-se sinais de maior concessão de crédito em algumas linhas e redução das taxas de juros correntes de novas concessões, auxiliados também por incipiente aumento do apetite na oferta de crédito em certas linhas por parte das instituições financeiras. Nota-se também um maior dinamismo no mercado de capitais desde a última reunião.
Contas públicas
O BC também reforçou avaliações de que é importante perseverar no ajuste das contas públicas e perseguir as metas fixadas.
"Com relação ao cenário fiscal, tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, o Comitê reafirma a importância da firme persecução dessas metas", reafirmou a instituição.
A instituição avaliou, ainda, que o "esmorecimento" no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.

Juro bancário tem pequena queda em 2023, crédito desacelera e inadimplência sobe, revela Banco Central

A taxa média de juros cobrada pelos bancos em suas operações com pessoas físicas e com empresas registrou queda de 1 ponto percentual no ano de 2023 e chegou a 40,8 ao ano em dezembro. A informação foi divulgada nesta terça-feira (6) pelo Banco Central.
Com isso, os bancos não repassaram integralmente o corte de juros básicos implementado pelo Banco Central non último ano – quando a taxa Selic recuou de 13,75% para 11,75% ao ano. Uma redução de dois pontos percentuais.
O juro foi calculado com base em recursos livres – ou seja, não inclui os setores habitacional, rural e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De acordo com o BC, a taxa média de juros cobrada nas operações com empresas recuou de 23% ao ano, em dezembro de 2022, para 21,1% ao ano no fim do ano passado. A queda foi de 1,9 pontos percentuais.
Já nas operações com pessoas físicas, os juros caíram de 55,7% ao ano, em dezembro de 2022, para 54,2% ao ano no fechamento do último ano. O recuo foi de 1,5 ponto percentual.
Cheque especial e cartão de crédito
No cheque especial das pessoas físicas, a taxa recuou de 132,1% ao ano, em dezembro de 2022, para 128,3% ao ano no fechamento do ano passado. A queda foi de 3,8 pontos percentuais em 2023.
Já a taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo, por sua vez, avançou de 411,9% ao ano, no fim de 2022, para 440,8% ao ano em dezembro do ano passado.
O crescimento do juro do cartão de crédito rotativo foi de 28,9 pontos percentuais em 2023 e a taxa terminou o ano no maior patamar desde outubro de 2023 (444,9% ao ano). A série histórica do BC começa em março de 2011.
O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente.
Essa é a linha de crédito mais cara do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.
No começo deste ano, começou a valer uma mudança nas regras do cartão de crédito rotativo, após uma decisão do Congresso Nacional tomada em outubro de 2023 – e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a mudança, o valor total cobrado pelos bancos em juros no cartão de crédito rotativo não poderá exceder o valor original da dívida.
Crédito bancário
O volume total do crédito bancário em mercado, segundo o Banco Central, avançou 7,9% em 2023, para R$ 5,78 trilhões.
Apesar do aumento, houve desaceleração na comparação com o ano de 2021, quando foi registrada uma expansão de 16,4% (valor ajustado) e também de 2022 – quando avançou 14,5%.
"A desaceleração também foi observada no crédito às empresas (4,5% ante 10,1% em 2022) e às famílias (10,1% ante 17,7% em 2022). Em dezembro, o crédito total variou 1,4%, refletindo aumentos de 2,6% no segmento de pessoas jurídicas e 0,7% no segmento de pessoas físicas", informou o BC.
Ainda segundo o BC:
O crédito livre às famílias atingiu R$ 1,9 trilhão, refletindo crescimento de 7,9% no ano, após variação de 17,5% em 2022. "Destaca-se a expansão das modalidades crédito pessoal não consignado, crédito consignado de servidores públicos e de beneficiários do INSS, aquisição de veículos, cartão parcelado e cartão à vista, bem como a redução no cartão rotativo".
O crédito direcionado às pessoas jurídicas atingiu R$ 809,5 bilhões, elevação de 9,6% no ano, acelerando ante variação de 6,9% em 2022. O crédito direcionado às famílias atingiu R$1,6 trilhão, expansão de 13,0%, desacelerando após crescimento de 18,0% no ano anterior. No mês, o crédito direcionado para empresas variou 0,5% e para famílias 1,1%.
As concessões de crédito acumuladas no ano cresceram 4,7% em 2023, ante 20,7% no ano anterior. As concessões a empresas apresentaram estabilidade (21,8% em 2022), enquanto aquelas com pessoas físicas cresceram 8,7% em 2023 (19,7% em 2022).
Inadimplência em alta
De acordo com dados do Banco Central, a taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito avançou em 2023, fechando o ano passado em 3,3% – contra 3% no final de 2022.
Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência caiu de 3,9% em dezembro de 2022 para 3,7% no final do ano passado.
Já a inadimplência das empresas, porém, subiu de 1,7% no fechamento de 2022 para 2,7% em dezembro de 2023.

Ibovespa sobe mais de 2% e fecha aos 130 mil pontos, com juros brasileiros no radar; dólar cai

Ibovespa sobe mais de 2% e fecha aos 130 mil pontos, com juros brasileiros no radar; dólar cai
A moeda norte-americana recuou 0,38%, cotada a R$ 4,9626. Já o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira teve alta de 2,21%, aos 130.416 pontos, no maior nível desde meados de janeiro. Mercados repercutem ata do Copom
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O dólar fechou em queda nesta terça-feira (6), após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC). A instituição cortou a Selic, taxa básica de juros, em 0,5 ponto percentual na semana passada, a 11,25% ao ano.
No documento, o BC afirmou que deve continuar com ciclo de cortes na taxa de juros, apesar de enxergar uma atenuação nas perspectivas de desaceleração para a economia brasileira.
Já o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa de valores, fechou em alta de mais de 2%, com o noticiário corporativo do radar.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Ao final da sessão, o dólar caiu 0,38%, cotada a R$ 4,9626. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou:
queda de 0,11% na semana;
ganho de 0,51% no mês;
avanço de 2,27% no ano.
No dia anterior, a moeda norte-americana subiu 0,27%, cotada a R$ 4,9817. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,0174.

Ibovespa
Já o Ibovespa encerrou em alta de 2,21%, aos 130.416 pontos, no maior patamar desde meados de janeiro.
Entre os destaques positivos, Natura subiu mais de 6% e liderou as maiores altas do índice, após a empresa informar que avalia uma possível separação entre Natura&Co e Avon. (veja mais abaixo)
As "blue chips" (ações de maior liquidez na bolsa) também ajudaram a impulsionar o índice, com altas nos papéis da Petrobras, Vale e do setor financeiro.
Com o resultado, acumulou:
alta de 2,54% na semana;
avanço de 2,09% no mês;
e queda de 2,81% no ano.
Na véspera, o índice fechou em alta de 0,32%, aos 127.594 pontos.

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Os juros são, mais uma vez, o destaque na sessão de negócios. Nesta terça-feira (6), o Copom divulgou a ata de sua última reunião, feita na semana passada.
No documento, o colegiado afirmou que enxerga elementos na economia brasileira que apontam para uma "atenuação da desaceleração econômica" — ou seja, um freio menor na economia em relação aos meses anteriores.
Esse movimento, segundo o BC, é motivado pelo aumento da renda das famílias a partir do reajuste do salário mínimo e da ampliação dos benefícios sociais, além de um mercado de trabalho mais resiliente.
"Notou-se que um mercado de trabalho mais apertado, com reajustes salariais acima da meta de inflação, pode potencialmente retardar a convergência da inflação [para as metas preestabelecidas], impactando notadamente a inflação de serviços e de setores mais intensivos em mão de obra", aponta a instituição.
Ainda no ambiente doméstico, investidores também acompanharam o noticiário corporativo.
Nesse caso, as atenções continuaram com o anúncio de que a Natura&Co avalia uma possível separação da Natura&Co Latam e Avon em duas companhias de beleza independentes e de capital aberto.
De acordo com fato relevante publicado pela empresa na segunda-feira (5), a possível separação "está em linha com a estratégia da Natura&Co de simplificar sua estrutura corporativa e proporcionar mais autonomia para suas unidades de negócios, após as recentes vendas de Aesop e The Body Shop".
"Essa separação tem como objetivo promover o potencial de ambas as empresas, que possuem abrangências geográficas distintas, atendem diferentes consultores de beleza e consumidores e, juntas, oferecem valor limitado de sinergia sob a estrutura atual", diz o documento.
Ainda segundo a companhia, a estrutura da possível mudança está sendo avaliada. A previsão é que o processo resulte em duas companhias separadas e independentes (Natura e Avon), "com planos de negócios próprios, governança independente e equipes de gestão mais bem preparadas para perseguir estratégias mais direcionadas".
Na agenda de balanços corporativos, o Itaú Unibanco reportou lucro líquido recorrente de R$ 9,4 bilhões no quarto trimestre de 2023. A alta foi de 22,6% em relação ao mesmo período de 2022, em resultado marcado por crescimento de margem financeira e menor provisão para créditos de liquidação duvidosa.
No acumulado de 2023, o lucro líquido recorrente do banco alcançou R$ 35,6 bilhões, alta de 15,7% em relação a 2022.
O banco também divulgou projeções para 2024. O crescimento da carteira de crédito total deve ser de 6,5% a 9,5%. Em 2023, houve expansão de 3,1%.
A margem financeira com clientes crescerá entre 4,5% e 7,5% e margem financeira com mercado, entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões, após terminar o ano passado com expansão de 12,5% na margem financeira com clientes e com R$ 3,3 bilhões em margem financeira com o mercado.
As previsões ainda apontam aumento de 5% a 8% nas receitas de prestações de serviços e resultados de seguros neste ano, quando o custo do crédito deve ficar entre R$ 33,5 bilhões e R$ 36,5 bilhões.
* Com informações da agência Reuters