Juros mais baixos e alta de emplacamentos: vai ficar mais fácil comprar um carro zero em 2024?

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Segmento acredita em crescimento de dois dígitos neste ano, com juros mais baixos para o financiamento automotivo; novo programa 'Mover', do governo federal, é visto com bons olhos. Juros mais baixos e alta de emplacamentos: vai ficar mais fácil comprar um carro zero?
Depois de um ano marcado pelo início do ciclo de corte de juros pelo Banco Central do Brasil (BC) e por medidas de incentivo do governo para reduzir o preço do carro zero em 2023, o setor automotivo projeta um mais um ano de crescimento em 2024. Mas será que vai ficar mais fácil comprar um carro zero neste ano?
Esta reportagem responderá a essa pergunta a partir dos seguintes pontos:
Projeção de mais vendas
O crédito automóvel vai continuar caro?
O que explica esse nível de juros?
O que esperar para 2024?
O governo deve trazer alguma medida para o setor neste ano?
Projeção de mais vendas
A última projeção da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) é de um crescimento de 12% em 2024. O g1 não contabiliza motos e implementos rodoviários. Esse aumento, caso concretizado, significaria aproximadamente 2,6 milhões de unidades emplacadas apenas no mercado interno.
Para automóveis e comerciais leves, a previsão é de um aumento de 12% nesse ano, totalizando 2,44 milhões de emplacamentos.
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Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima um aumento de 6,1% nos emplacamentos em 2024 contra 2023, para 2,450 milhões de unidades.
A produção deve crescer 6,2% neste ano, para 2,470 milhões, com as exportações na casa das 407 mil unidades, alta de 0,7% na mesma base de comparação.

Como os financiamentos representam 41% dos novos veículos emplacados no país, as entidades do setor acreditam que um bom impulso no mercado está ligado a uma melhora no cenário de crédito.
Mas especialistas ouvidos pelo g1 ponderam que o acesso a empréstimos mais baratos ainda chega a passos lentos ao consumidor, mesmo com a recente sequência de quedas da taxa básica de juros do país, a Selic.
O crédito automóvel vai continuar caro?
Apesar de o BC já ter dado início ao ciclo de corte da Selic, especialistas apontam que o movimento de redução das taxas de financiamento de automóveis ainda leva tampo para se refletir nas condições oferecidas aos consumidores.
O repasse da queda da Selic aos juros na ponta tem um período de defasagem, que leva de três a seis meses para ser sentido pela população. A mudança pode ser um pouco mais rápida nas linhas de crédito com garantia, ou por fatores como o tempo de relacionamento com os bancos.
"É difícil dizer quando a queda de juros passa para a ponta consumidora porque há mais de um componente que explica tudo isso: temos a influência da taxa básica [Selic], o risco de crédito e o componente da inadimplência no mercado, por exemplo, além de impostos e outros fatores. Então além de [o repasse] não ser automático, ele também não é feito na íntegra", explica a consultora Tereza Fernandez, da TF Consultores Associados, especializada na avaliação do setor automotivo.
Juros em queda: quando efeito chega no crédito para o consumidor?
Ainda assim, a redução gradual da Selic cria uma tendência positiva de queda para as demais taxas de juros e isso deve, uma hora ou outra, se refletir no segmento automotivo.
“Os juros já começaram a cair. Isso se reflete na cadeia mais lentamente, mas já é um alento”, disse o diretor-executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli.
Dados do BC, por exemplo, indicam que houve uma queda de 3,2 ponto percentual na taxa média de juros cobrados nos financiamentos de automóveis de pessoas físicas em dezembro de 2023 contra o mesmo período de 2022, para 25,5% ao ano.
Setor automotivo espera crescimento para 2024.
REUTERS/Stringer
Mesmo com a retração, o nível de juros continua bem maior do que o observado antes da pandemia. Em dezembro de 2019, a taxa média para os financiamentos era de 19,2% ao ano.
Nos grandes bancos, a média pode ser um pouco mais baixa, a depender do perfil do tomador e do relacionamento do cliente com a instituição. Veja exemplos abaixo.
Itaú Unibanco: em janeiro de 2024, as taxas partem de 1,13% ao mês (ou 14,4% ao ano). No mesmo mês do ano passado, a taxa oferecida era de 1,37% ao mês (17,7% ao ano). Além disso, o prazo para pagamento pode variar entre 6 e 60 meses e o percentual do valor do veículo que pode ser financiado é de até 90%.
Banco do Brasil: as taxas partem de 1,19% ao mês (cerca de 15,25% ao ano). A instituição não informou quanto cobrava de juros em janeiro de 2023. Com prazo médio de 48 meses, o financiamento pode ser de até 100% do valor do veículo.
Procurados, Bradesco e Santander não informaram as taxas de juros nem o prazo médio de pagamento para os financiamentos de veículos em sua carteira de crédito.
Para Fernandez, da TF Consultores Associados, mesmo que a perspectiva seja de que Selic continue caindo pelo menos no primeiro semestre deste ano, esse já é um bom momento para aqueles que pretendem tomar crédito para adquirir um veículo.
"É uma boa aproveitar o atual momento. O cenário está otimista, não temos nenhum impacto lá de fora e é uma boa hora para fazer um financiamento. Até junho, muita coisa pode ou não acontecer. Vai que os Estados Unidos ainda não tenham baixado os juros, por exemplo. Melhor aproveitar o agora", afirmou.
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O que explica esse nível de juros?
Parte desse cenário pode ser explicado pelo nível de calotes observado no setor, que, apesar de ter apresentado uma leve melhora, continua em patamares elevados. Segundo o BC, a inadimplência ficou em 5,2% no crédito para aquisição de veículos em dezembro do ano passado.
O número representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2022, quando era de 5,4%, mas ainda é bem maior do que o observado em dezembro de 2019, quando marcou 3,4%.
"A inadimplência está mais alta do que era, mas está estabilizada. E há um viés positivo porque, além da Selic, que está caindo, outro fator importante é a lei que determina que a retomada do bem quando o consumidor está inadimplente passa a ser extrajudicial. É um processo mais rápido e célere, que melhora a garantia e ajuda o mercado de crédito", avaliou Franciulli, da Fenabrave.
O executivo se refere ao novo Marco Legal das Garantias, sancionado em outubro de 2023. A lei muda as regras para o uso de bens, como imóveis ou veículos, como garantia para empréstimos e facilita a retomada de carros por bancos no caso de inadimplência, entre outros pontos.
A medida fez parte da agenda do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do ano passado, e veio como uma tentativa de reduzir as taxas de financiamento por meio da queda do spread (diferença entre o juro cobrado na captação dos recursos pelo banco e as taxas cobradas para o consumidor).
No caso de uso de veículos como garantia, o texto permite a retomada sem recorrer à Justiça, em caso de inadimplência. O procedimento extrajudicial pode ser tanto em cartórios quanto nos departamentos de trânsito locais.
“O mercado de novos atrai um público com crédito um pouco melhor, então a inadimplência [nesse segmento] é um pouco mais baixa do que a média mostrada pelo BC. Mas, para ambos os casos, a tendência é de um 2024 mais positivo”, diz Paulo Noman, presidente da Associação das Empresas Financeiras e Montadoras (Anef).
Segundo Noman, a estimativa é que o mercado geral de veículos é formado por algo em torno de 2,5 milhões de carros novos e de 14 milhões a 15 milhões de carros usados.
Marco legal das garantias: novas regras permitem que um único imóvel seja usado como garantia para mais de um empréstimo
O que esperar para 2024?
Para os especialistas ouvidos pelo g1, o cenário positivo é uma junção de juros mais baixos, inflação mais controlada, um maior apetite por parte dos bancos e um olhar mais voltado para o setor automotivo por parte do governo (entenda mais abaixo).
Mas o número ainda é baixo perto dos picos atingidos pelo setor, entre 2012 e 2014. Na época, o país chegou a emplacar entre 3,5 milhões e 3,8 milhões de veículos anuais, enquanto hoje as projeções estão na casa dos 2,5 milhões de veículos neste ano.
Na época, além das medidas de redução de impostos sobre produtos industrializados (IPI) e do pacote de estímulos trazidos pelo governo, o país também viveu um bom período de exportações na categoria.
O momento durou pouco, pois a indústria brasileira enfrentou novas crises econômicas — como a de 2015 e de 2016 — e períodos complexos no comércio exterior. Houve queda no volume de produção, de exportações e de licenciamentos.
Desde então, o setor não recuperou os bons números vistos 10 anos atrás. Veja os gráficos abaixo:

Para especialistas, algumas incertezas ainda podem pesar para o segmento automotivo.
“É preciso entender o quanto o componente doméstico e o importado, de juros norte-americanos e no exterior, refletem por aqui”, disse Noman, da Anef.
Além da política monetária ainda restritiva do BC, há influência da crise nas contas públicas brasileiras e de fatores internacionais como as dúvidas a respeito das eleições norte-americanas e de um eventual agravamento da guerra no Oriente Médio.
“Ainda existem algumas interrogações. Quais os efeitos de uma eventual eleição de Donald Trump no Brasil e no mundo, por exemplo? Será que pode afetar o câmbio?”, afirmou a consultora Tereza Fernandez, da TF Consultores Associados, especializada na avaliação do setor automotivo.
“Outro risco é uma eventual piora na guerra no Oriente Médio, que poderia afetar caminho marítimos e fretes, além de trazer possíveis impactos na inflação. É algo para se esperar e ver. Mas, mantidas as condições de temperatura e pressão, o cenário brasileiro é positivo”, completou Fernandez.
O governo deve trazer alguma medida para o setor neste ano?
Se no ano passado um dos fatores que ajudaram o segmento foi o corte de impostos anunciado pelo governo para tentar reduzir o preço de carros de até R$ 120 mil — programa que durou apenas um mês no caso dos automóveis populares, com mais de 125 mil veículos vendidos no período —, neste ano (e nos próximos) o destaque fica com o programa “Mover”.
Uma medida provisória (MP) publicada no final de dezembro do ano passado traz, entre outras coisas, as diretrizes do plano de incentivos para veículos sustentáveis e para a realização de pesquisas voltadas às indústrias de mobilidade.
O programa deve ser custeado pelos recursos arrecadados pelo governo por meio do aumento do imposto de importação incidente sobre veículos elétricos e placas solares. A elevação do tributo será gradual até 2026, e foi pensada como uma forma de incentivar o investimento na produção nacional de veículos elétricos.
Com o aumento do imposto para os veículos importados, a ideia é tornar a mercadoria nacional mais atraente, uma vez que o custo deverá ser menor ao consumidor final.
Para Franciulli, da Fenabrave, o “Mover” é um plano mais abrangente e deve promover uma renovação da frota no Brasil, começando inicialmente por caminhões e ônibus para, depois, abranger toda a cadeia.
“No Brasil, o veículo tem certidão de nascimento, mas não tem de óbito. Temos uma frota enorme registrada no país sendo que, do total, 30% ou 35% não circula”, disse, acrescentando que o setor também precisa trabalhar com o governo para reativar a venda de veículos mais acessíveis. “É esse pessoal que acaba tendo os veículos mais antigos e não tem condição de renovar”, acrescentou.
Franciulli ponderou, no entanto, que “não são medidas isoladas e específicas” que vão trazer novas perspectivas de crescimento para o setor.
“É um conjunto de medidas. Nós precisamos ter um cenário econômico estável e o governo precisa fazer o papel dele no sentido de controlar gasto e promover um equilíbrio fiscal, o que se reflete em uma inflação menor. A ideia é que o consumidor não perca poder aquisitivo”, completou o diretor da Fenabrave.

Haddad diz que governo trabalha em mais ações para garantir ‘déficit zero’, mas ‘política precisa ajudar’

Conselho da Oi aprova novo plano de recuperação judicial
Governo enviou pacote de medidas ao Congresso e, neste ano, quer regulamentar reforma tributária e iniciar reforma do Imposto de Renda. Em março, se dados não estiverem bons, pode ter que começar a bloquear recursos do orçamento. Ministro Fernando Haddad dá entrevista à imprensa em 28 de dezembro de 2023
REUTERS/Adriano Machado
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (6) que a equipe econômica trabalha em novas medidas para atingir o déficit fiscal zero em 2024, que consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) – mas acrescentou que a "política precisa ajudar".
Em 2023, as contas do governo apresentaram um déficit de R$ 230,5 bilhões, o segundo pior da série histórica do Tesouro Nacional, que tem início em 1997. O déficit expressivo foi motivado pela alta das despesas e, também, pela redução da arrecadação.
Para tentar reverter esse rombo, o governo aprovou, no último ano, uma série de medidas para aumentar a arrecadação, como:
tributação de fundos exclusivos e de "offshores";
mudanças nos juros sobre capital próprio;
fim de benefícios à empresas;
retomada do voto de confiança do Carf (espécie de "tribunal recursal" da Receita Federal), entre outros.
Essas medidas, no entanto, talvez ainda não são suficientes para garantir o déficit zero. Ainda há mudanças desejadas pelo governo que precisam do aval do Congresso.
Entre elas, a medida provisória enviada no fim de dezembro que limita créditos tributários das empresas e o programa de estímulo ao setor de eventos no pós-pandemia. O texto também restabelece a tributação da folha de pagamentos de 17 setores intensivos em mão de obra, o que gerou reações negativas do empresariado e dos parlamentares.
"Todo esforço que estamos fazendo é para os três poderes se entenderem. Se isso continuar acontecendo, eu sou muito otimista com a economia brasileira. Mas a política precisa ajudar, precisa continuar aberta para se debruçar sobre os dados, reconhecer a legitimidade desses dados, pedir ajuda externa quando for o caso", disse o ministro, em conferência do BTG Pactual.
Lira diz que Orçamento não pode ser de autoria exclusiva do Executivo
O governo também tenta correr contra o tempo para aprovar, ainda em 2024, medidas que regulamentam a reforma tributária aprovada em 2023 e os primeiros passos de uma reforma sobre a tributação da renda.
Essas medidas não têm impacto direto sobre o Orçamento de 2024, já que as reformas só começam a vigorar nos anos seguintes. A aprovação desse tipo de projeto, no entanto, envia "sinais positivos" ao mercado e pode melhorar as expectativas – ajudando, por exemplo, a reduzir juros e atrair investimentos.
Haddad acrescentou que seu otimismo com o Brasil depende do "nosso otimismo em relação à política". O ministro afirmou, ainda, que a meta de zerar o déficit fiscal depende do Legislativo.
"O resultado primário [das contas públicas] depende de vários fatores, como por exemplo apreciação das medidas que o governo manda ao Congresso. Então o resultado primário depende do Congresso Nacional. A meta pode estar fixada em lei, mas o nosso papel é ir apresentando [a forma de atingí-la] ao Congresso, com uma certa gradualidade", disse o ministro, em conferência do BTG Pactual.
O ministro disse, também, que a área econômica mapeou "custos tributários [e adotou medidas] para conseguir tornar possível, em algum momento do futuro próximo, equilibrar as contas do Estado brasileiro".
Bloqueios de gastos
No evento, Haddad afirmou que o governo federal está trabalhando 24 horas por dia em medidas para ir sanando os problemas, para "arrumar a casa" e "ir fechando o ralo". E que busca evitar bloqueios de recursos dos ministérios neste ano.
"Temos um marco fiscal que pode haver um contingenciamento, margem de 0,5% do PIB, mas não queremos nem usar nada disso. Queremos ir atras do resultado necessário para cumprir a meta, sem contingenciar [bloquear gastos dos ministério no orçamento]. Mas essas medidas precisam receber apoio do Congresso e da sociedade", afirmou o ministro da Fazenda.
Eventuais bloqueios de gastos podem acontecer caso a arrecadação venha abaixo do estimado no Orçamento de 2024, já aprovado pelo Legislativo. Se isso acontecer, o governo precisará cortar gastos para garantir o equilíbrio. Quando maior o desequilíbrio, maior a necessidade de corte.
Analistas avaliam que por trás de uma eventual mudança na meta fiscal, para prever déficit público neste ano, discussão que pode retornar nos próximos meses, ajudaria o governo a minimizar os cortes de gastos para cumprir o prometido.
E, com isso, a reduzir o impacto nos investimentos em infraestrutura, como obras do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em pleno ano de eleições municipais.

Após falas de Lira sobre o Orçamento, reunião entre Haddad e líderes na Câmara é cancelada

Encontro seria nesta terça; líderes dizem que Lira não foi chamado. Na segunda, presidente da Câmara disse que Orçamento não é só do Executivo e cobrou respeito às emendas. 'Tá tudo bem, vai dar tudo bem', diz Haddad após falas de Lira sobre orçamento
O confronto aberto entre Legislativo e Executivo sobre o controle do orçamento federal – agravado por discursos nesta segunda-feira (5) – levou ao cancelamento de uma reunião entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e líderes partidários da Câmara dos Deputados nesta terça (6).
O encontro estava previsto para as 16h30, mas passou a constar como "cancelado" na agenda de Haddad no fim da manhã. Uma reunião similar entre Haddad com líderes no Senado seguia marcada.
Ao g1, interlocutores ligados ao governo e à Câmara afirmaram que, após as falas de Lira, não haveria "clima" para o debate da pauta econômica nesta terça. Segundo líderes, também pesou contra o encontro a falta de um convite para o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Questionado na chegada ao Ministério da Fazenda, no início da tarde, Haddad disse que o pedido de adiamento da reunião veio do líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). Sobre as falas de Lira, disse que "está tudo bem, vai dar tudo bem".
Outros interlocutores do governo também "minimizam" o cancelamento da agenda. Segundo eles, parlamentares que estariam na reunião viajaram para suas bases a fim de acompanhar a entrega simultânea de unidades do Minha Casa, Minha Vida no Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Bahia.
O evento, que teve Lula em Magé (RJ) e Padilha em Santo Antônio da Posse (SP), esvaziaria a reunião, conforme fontes do governo.
Na tarde desta terça-feira (6), o líder do governo na Câmara, José Guimarães, se encontrou com Haddad para falar sobre o cancelamento da agenda.
Guimarães disse que a reunião foi adiada para depois do Carnaval, com a presença de Lira.
"Sempre participará, evidentemente, todas as votações na câmara nós temos que envolvê-lo [Lira]. E a nossa ideia, pós Carnaval, pacificarmos uma reunião com a presença dele, inclusive", declarou.
Falas de Lira
Na segunda, ao discursar na abertura do ano legislativo, Arthur Lira enviou recados ao governo ao dizer que o Orçamento é de todos os brasileiros, não só do Executivo, e não pode ficar engessado por "burocracia técnica" e por quem não foi eleito.
O presidente da Câmara também disse que os parlamentares "não foram eleitos para serem carimbadores" das propostas do Executivo e que o Orçamento da União deve ser construído em contribuição com o Legislativo. Veja abaixo:
Lira diz que Orçamento não pode ser de autoria exclusiva do Executivo
A crítica se dá em meio a um embate entre Executivo e Congresso em relação às emendas parlamentares.
O governo federal vetou, tanto na Lei de Diretrizes Orçamentárias quanto no Orçamento, trechos aprovados por parlamentares que ampliariam os recursos destinados pelo Congresso a suas bases eleitorais, além de acelerarem o pagamento por parte do Executivo.
"O Orçamento da União pertence a todos e todas e não apenas ao Executivo. Se assim fosse, a constituição não determinaria a necessária participação do poder Legislativo em sua confecção e final aprovação”, afirmou Lira na segunda.

Governo anuncia ampliação de investimentos em rodovias e ferrovias para escoamento de grãos; veja obras

Conselho da Oi aprova novo plano de recuperação judicial
Estão previstas melhorias em estradas de todas as regiões do país. Ministério de Portos e Aeroportos também estuda fazer parcerias público-privadas para transporte de carga por rios. Setor de transporte, transporte de carga, caminhoneiro, caminhão
Helena Pontes/Agência IBGE Notícias
O governo federal anunciou nesta terça-feira (6) a ampliação de investimentos em rodovias e ferrovias para o escoamento da safra de grãos até os portos para exportação.
As medidas incluem melhorias em rodovias e a conclusão de obras estruturantes. Os investimentos são divididos entre os chamados "Arco Norte" e "Arco Sul Sudeste":
Arco Norte (estados do Norte e Nordeste): ampliação de R$ 2 bilhões em 2023 para R$ 2,66 bilhões em 2024 (veja as principais obras abaixo);
Arco Sul (estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste): de R$ 1,5 bilhão em 2023 para R$ 2,05 bilhões em 2024 (veja as principais obras abaixo).
O governo tem o objetivo de aumentar a qualidade das rodovias do Arco Norte para 90% com a classificação "bom" no índice do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Já a meta para o Arco Sul Sudeste é de 80% de "bom".
Além disso, segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, entre os leilões para concessão de rodovias previstos para 2024, dez serão de estradas importantes para o escoamento das safras.
Outras seis otimizações de contratos, com R$ 48 bilhões em investimentos previstos, também estão em corredores agrícolas.
Nesta terça-feira (6), o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o governo prevê a realização de parcerias público-privadas para construção de cinco hidrovias para o transporte de carga por rios.
"Já há um conjunto de investidores nacionais e internacionais que querem poder conhecer esses projetos, a gente espera um capex [investimento] entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. E todos esses investimentos, a grande maioria, são no eixo Norte do Brasil, que vai ajudar muito no escoamento da produção, sobretudo também fazendo a interlocução com a América do Sul", disse.
Confira as principais obras do Arco Norte:
Rondônia: Travessias de Itapoã do Oeste, Jaru e Ji-Paraná
Pará: Restauração da BR-158
Maranhão: Duplicação da BR-135
Piauí: BR-330 Ponte sobre o Rio Parnaíba
Bahia: Recuperação da BR-242
Tocantins: Ponte de Xambioá
Ampliação da Frota da VLI em 168 vagões
Retomada das obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO)
Intensificação das obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste 2 (FIOL 2)
Confira as principais obras do Arco Sul-Sudeste:
Minas Gerais: Trevão de Monte Alegre, BR-153/365
Goiás: Ponte de Luiz Alves na BR-080
Paraná: Duplicação da BR-163
Santa Catarina: Duplicação da BR-470 e 280
Rio Grande do Sul: Duplicação da BR-116
Rio Grande do Sul: Duplicação da BR-386
Conclusão da Ferrovia Norte Sul
Intensificação das obras na Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO)

Conselho da Oi aprova novo plano de recuperação judicial

Conselho da Oi aprova novo plano de recuperação judicial
Ao final do processo, segundo a proposta, acionistas atuais da Oi terão 20% do capital da companhia. Sede administrativa da Oi funciona no Leblon, Zona Sul do Rio
Marcos Serra Lima/G1
A Oi anunciou nesta terça-feira (6) que seu conselho de administração aprovou os termos e condições revisados e a nova versão do plano de recuperação judicial, com previsão de captação de um empréstimo em reais ao equivalente a US$ 650 milhões, além da venda de participações em empresas como a V.tal, de fibra ótica.
"A companhia continua em intensas negociações, com os credores financeiros e outros credores quirografários, em relação aos termos e condições específicas de um potencial acordo vinculante de suporte à nova versão do plano de recuperação judicial", disse a Oi em fato relevante.
"Portanto, a nova versão do plano de recuperação judicial está ainda sujeita às negociações com credores, em caso de atingimento das condições para um acordo de suporte ao plano", afirmou a empresa.
A proposta aprovada pelo conselho inclui:
um desconto de até 45% na dívida detida aos credores donos de torres de telefonia usadas pela empresa,
60% na detida por operadores de satélite e
leilão reverso prevendo desconto mínimo de 90%.
Ao final do processo, segundo a proposta, acionistas atuais da Oi terão 20% do capital da companhia.
A companhia já foi tida como uma "campeã nacional" durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas sucumbiu a uma primeira recuperação judicial em 2016, quando foi forçada a vender ativos que incluíram sua rede de telefonia móvel para as rivais Telefônica Brasil, TIM e Claro.
Atualmente a Oi se encontra em seu segundo processo de proteção contra credores.
A Oi divulgou no documento estimativa de que sua operação de fibra ótica, seu principal negócio atualmente, encerrou 2023 com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) negativo em cerca de R$ 1,3 bilhão o que deverá passar, segundo a empresa, a resultado positivo de R$ 125 milhões em 2028.
A empresa projeta sair de uma base de 4 milhões de casas conectadas com fibra ótica em 2023 para 5,6 milhões em 2028, com a receita com fibra avançando de R$ 4,42 bilhões para R$ 6,4 bilhões no mesmo período.
Em termos consolidados, a empresa previu que a "Nova Oi", sairá de uma receita líquida de R$ 9,6 bilhões em 2023 para faturamento de R$ 9,3 bilhões em 2028, com o Ebitda "reportado" passando de negativos R$ 409 milhões para R$ 1,4 bilhão positivo no mesmo intervalo.
Segundo a Oi, o avanço do Ebitda vai se dar "através de maior escala do negócio de fibra, eliminação gradual do legado e iniciativas de eficiência, além do impacto de iniciativas de redução de custos em todas as unidades de negócios".
Os números, porém, não consideram a venda de ativos estratégicos como a ClientCo (Oi Fibra) e a V.tal.
Número de empresas em recuperação judicial sobe no país