Celular pode ser aliado para descobrir câmeras escondidas em quartos; veja como se proteger

Azul e preto ou branco e dourado? Quase 10 anos depois, vestido que viralizou continua gerando polêmica e é motivo de estudos
Especialistas ouvidos pelo g1 sugerem usar smartphone para procurar reflexos e luzes que podem indicar a presença de equipamentos suspeitos em acomodações. Câmera escondida: Veja como se identificar
Não são raras as histórias de turistas que encontraram câmeras escondidas nas acomodações em que se hospedaram. Em um caso recente, um casal descobriu uma embutida na tomada do quarto de um resort em Porto de Galinhas, na cidade de Ipojuca (PE).
Ainda que seja usada para fins de segurança no local, a gravação de imagens sem autorização pode configurar crime. O Código Penal prevê pena de 6 meses a 1 ano de detenção, além de multa, para quem gravar cenas íntimas sem o conhecimento de quem está nelas.
Para quem se hospeda ou aluga um imóvel, não existe uma forma simples de garantir que acomodações estejam completamente livre de câmeras escondidas. Mas o celular pode ser um aliado para diminuir os riscos.
Câmera escondida em resort em Porto de Galinhas
Reprodução
Especialistas ouvidos pelo g1 explicaram que, logo após chegarem à acomodação, turistas podem seguir um passo a passo para checar a segurança de quartos e banheiros e aproveitarem a viagem com mais tranquilidade.
"A pessoa pode verificar a lâmpada, as tomadas, os relógios [para procurar equipamentos acoplados]. Todo equipamento eletrônico que tem energia elétrica ou que não deveria estar naquele lugar pode ser verificado", alerta Alexandre Armellini, diretor na empresa de cibersegurança Cipher.
Confira dicas abaixo.
1ª dica: procure reflexos de lentes de câmeras
Vitória Coelho/Arte g1
Com o quarto mais escuro possível, ligue a câmera do celular com o flash ativado e olhe pela tela para ver se a luz está refletindo pequenos pontinhos em lugares incomuns, como detectores de fumaça ou luminárias – esse reflexo pode revelar a presença de uma lente de câmera.
2ª dica: busque luzes infravermelhas
Vitória Coelho/Arte g1
Ainda no ambiente escuro, com a câmera do celular e o flash desligado, veja se você encontra uma pequena luz roxa piscando no quarto. Ela pode indicar a existência de uma câmera capaz de registrar imagens no escuro.
3ª dica: confira as tomadas
Vitória Coelho/Arte g1
Use equipamentos como o carregador de celular para testar a instalação elétrica do quarto – se as entradas forem do mesmo padrão que o plugue do equipamento e não for possível conectá-lo à tomada, ela possivelmente foi adulterada.
4ª dica: verifique os espelhos
Vitória Coelho/Arte g1
Aponte a lanterna do celular para espelhos em busca de pontos transparentes. Toque nos vidros para conferir, pelo barulho, se eles estão ocos, o que pode ser um indício de que existam equipamentos embutidos – essa técnica de espionagem exige um espaço considerável atrás dos espelhos, então, diz respeito aos que estão colocados em molduras ou caixas que os distanciam da parede.
O que fazer além disso?
Na busca por câmeras, concentre-se em locais em que elas poderiam, de fato, ser escondidas. É o caso de pontos mais altos e nos cantos do quarto, bem como os que estão próximos a tomadas e que possam ficar "camuflados" atrás da decoração, por exemplo.
Também é importante checar acessórios que possam ser emprestados pelo estabelecimento, como carregadores de celular. Eles podem ter uma pequena luz, onde é possível manter uma câmera acoplada.
Mas, ainda que as câmeras sejam discretas, elas não chegam a ser microscópicas. As lentes podem caber no buraco da tomada, mas, por trás, elas chegam a ter o tamanho de uma moeda, explica Hugo Bernardes, professor e mestre em engenharia eletrônica do Instituto Mauá de Tecnologia.
"Não existem câmeras muito pequenas de fácil acesso. As câmeras minúsculas custam muito caro. Então, o que se encontram são câmeras um pouco maiores com um circuito de alimentação. Podem até existir câmeras com bateria, mas elas duram pouco", afirma.
Segurança, mas sem paranoia
É possível ir ainda além e usar ferramentas que identifiquem dispositivos que estão usando o Wi-Fi ou comprar acessórios como detectores de radiofrequência para buscar câmeras escondidas. Mas, como os métodos podem conter informações técnicas, eles podem mais confundir do que ajudar.
A busca por emissões de frequência também pode ser prejudicada pela presença de outros aparelhos, diz Bernardes. "O seu celular já emite radiofrequência, bem como um notebook, uma lâmpada inteligente, o Wi-Fi e o próprio rádio".
E, apesar das medidas de segurança, a orientação é evitar que a preocupação estrague o momento de lazer. Isso porque não é possível ter 100% de certeza de que a acomodação ou qualquer outro espaço público esteja sendo vigiado.
"Temos que tomar muito cuidado para não ir para o lado da paranoia. Senão, ninguém mais tem vida", diz Armellini.

TV desatualizada? Como transformar sua televisão em smart

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Dispositivos de streaming servem para “salvar” as TVs conectadas da falta de atualização de sistema e apps dos fabricantes. Guia de Compras: dispositivos para streaming
Veronica Medeiros/g1
As smart TVs compradas alguns anos atrás nem sempre têm acesso aos serviços de streaming mais recentes.
Isso ocorre porque, como nos celulares e computadores, as TVs precisam de atualização dos aplicativos e do próprio sistema operacional.
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E nem sempre os fabricantes atualizam os modelos para os apps e sistemas mais novos, independentemente da resolução ou do tamanho da tela.
Em um caso desses, vale mais comprar um dispositivo de smart TV e economizar do que investir em um televisor novo.
O Guia de Compras selecionou sete aparelhos que, ao serem conectados à TV, trazem recursos novos e aplicativos atualizados para se divertir com filmes, séries e muito mais.
É só conectar o dispositivo direto ao televisor, no caso dos modelos que lembram um pen drive (como os da Amazon e da Xiaomi), ou o cabo HDMI nos aparelhos em formato de caixa (como os da Apple e da Roku), e curtir os serviços favoritos.
Os preços dos equipamentos variavam de R$ 210 a R$ 2.400 nas lojas on-line consultadas no final de janeiro.
Veja a lista a seguir, dividida entre aparelhos para telas 4K e Full HD. Ao final da reportagem, leia no que prestar atenção na hora da compra e instalação.
Resolução Full HD
Amazon Fire TV Stick
Roku Express
Xiaomi Mi TV Stick
Resolução 4K
Amazon Fire TV 4K
Apple TV 4K
Aquário STV-3000 4K
Roku Express 4K
No que prestar atenção na hora da compra:
📺 CHECAR OS APPS: nem todos os serviços de streaming estão disponíveis nos produtos da lista ou demoram a ser lançados. Verifique no site do fabricante os aplicativos disponíveis.
⚠️ VELOCIDADE DE INTERNET: Para ver streaming em 4K, o indicado é ter uma conexão mais veloz em casa, de pelo menos 25 Mbps. A velocidade da sua internet pode ser testada em sites como speedtest.net e fast.com.
📡 WI-FI MAIS RÁPIDO: A rede de 5GHz, presente na maioria dos roteadores de internet sem fio domésticos, é mais recomendada para transmissão de vídeos, pois têm uma velocidade maior de transmissão de dados.
A conexão dos dispositivos de streaming à internet é feita por wi-fi, porém alguns modelos também oferecem a opção de conectar utilizando um cabo de rede padrão Ethernet.
Vale notar que a configuração do produto é auxiliada por um controle remoto que vem junto na caixa do produto ou app para smartphone (iOS ou Android), que ajudam a digitar na tela, para senha da rede sem fios e de login dos serviços de streaming.
📱 CELULAR NA TV: grande parte dos aparelhos de streaming também permite espelhar a tela do smartphone na TV com poucos toques, ótimo para mostrar fotos e vídeos para a família.
Busque pelos termos Chromecast (para enviar de celulares Android) e AirPlay (para transmitir do iPhone e outros produtos da Apple).
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‘Neuralink’, de Elon Musk, faz 1º implante de chip cerebral em humano

Empresário afirmou que o paciente está se recuperando bem. Objetivo é fazer com que humanos possam controlar dispositivos eletrônicos apenas com o pensamento. Empresa de Elon Musk implanta chip em cérebro humano pela primeira vez
Um paciente humano recebeu o primeiro implante de chip cerebral da "Neuralink", empresa do bilionário Elon Musk, no domingo (28). O anúncio foi feito pelo próprio empresário em uma rede social na noite desta segunda-feira (29).
Os estudos com implantes cerebrais em humanos foram autorizados pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla inglês) em maio de 2023. Quatro meses depois, a empresa abriu inscrições para voluntários.
No "X" (antigo Twitter), Musk escreveu que o primeiro produto da Neuralink foi chamado de "Telepathy" (Telepatia). O dispositivo permite que humanos controlem dispositivos eletrônicos, como computadores e celulares, apenas com o pensamento.
"Os primeiros usuários serão aqueles que perderam o uso dos membros. Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido do que um digitador rápido ou um leiloeiro. Esse é o objetivo", afirmou.
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De acordo com Musk, o paciente que recebeu o primeiro implante está se recuperando bem. Ele disse ainda que os resultados iniciais mostram uma detecção promissora de picos de neurônios.
O estudo conduzido pela Neuralink utiliza um robô para introduzir um implante de Interface Cérebro-Computador (BCI) por meio de um procedimento cirúrgico. O dispositivo é instalado em uma região do cérebro que controla a intenção de movimento.
Neste primeiro teste, a empresa quer avaliar a segurança do implante e do próprio robô que fez o procedimento cirúrgico.
Até a publicação desta reportagem, a Neuralink não havia fornecido mais detalhes sobre o paciente e o procedimento feito no domingo.
Quando a empresa abriu inscrições para voluntários, o recrutamento era voltado para pessoas com paralisia decorrente de lesão da medula espinhal cervical ou esclerose lateral amiotrófica.
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O primeiro computador Mac faz 40 anos – e continua em uso

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Em 24 de janeiro de 1984, o computador pessoal Apple Macintosh 128K foi apresentado ao mundo. Quarenta anos depois, ele ainda conta com fãs e usuários. O lançamento do Macintosh 128K acaba de completar 40 anos
Alamy via BBC
David Blatner preserva até hoje praticamente todos os computadores Macintosh que já comprou. Mas um deles merece destaque: o primeiro.
Ele se lembra da forma da disposição da tela; do volumoso manual; e dos tutoriais em fitas cassete, ensinando como usar a máquina. Era tudo o que ele achava que um computador devia ser.
Ele já havia observado versões anteriores de computadores pessoais quando era criança.
Blatner costumava ir de bicicleta até o Centro de Pesquisa da Xerox em Palo Alto, na Califórnia (Estados Unidos), onde seu padrasto trabalhava nos anos 1970. Ali, ele conseguiu operar os primeiros computadores pessoais, como o Alto, que tinha uma interface gráfica e um mouse.
"Um computador que funcionaria para uma única pessoa — a própria ideia era extraordinária", lembra Blatner.
Hoje, ele é presidente do portal CreativePro Network, dedicado a profissionais da área de criação.
Mas Blatner precisou esperar ainda mais uma década até conseguir seu próprio computador, com a chegada do Macintosh da Apple.
No dia 24 de janeiro de 1984, um homem chamado Steve Jobs (1955-2011) subiu em um palco e retirou uma caixa bege de uma maleta de transporte. Ele introduziu um disco flexível na caixa e ficou esperando.
Ao som da música-tema de Carruagens de Fogo, a palavra “Macintosh” varreu a minúscula tela daquele computador e surgiu uma série de imagens monocromáticas. A plateia formada por acionistas da Apple ficou encantada e enlouquecida.
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Pelos padrões da tecnologia atual, a tela minúscula, o formato de caixa e os elementos gráficos rudimentares do Macintosh original parecem ridículos.
Aquele aparelho não foi nem mesmo o primeiro computador pessoal. Mas, sem dúvida, foi o primeiro a mudar o mundo.
O pomposo lançamento feito por Steve Jobs no Centro Flint em Cupertino, na Califórnia, passou a servir de modelo para suas muitas apresentações posteriores de aparelhos da Apple, incluindo o iMac e o iPhone.
Hoje, o Mac 128K — assim chamado porque vinha com 128 KB de RAM (na sigla em inglês, memória de acesso aleatório) — é uma peça de museu. A Apple deixou de produzir o aparelho em outubro de 1985 e suspendeu sua assistência de software em 1998.
Mas um punhado de obstinados admiradores ainda usa seus computadores Mac 128K até hoje, apesar das frustrações. Afinal, essas máquinas são extremamente limitadas devido à sua pouca capacidade de memória.
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Steve Jobs queria que o Macintosh fosse um computador pessoal acessível, usado por qualquer pessoa
Getty Images via BBC
Criativo e duradouro
Mesmo com sua memória diminuta, gráficos rudimentares, ausência de modem e sem possibilidade de conexão à internet, existe uma comunidade de ávidos fãs que se divertem operando esse equipamento aparentemente antiquado.
O historiador da computação David Greelish, da Flórida (EUA), lançou em janeiro um documentário sobre o predecessor do 128K, o Apple Lisa.
Ele destaca a criatividade da placa-mãe original do 128K.
"Ela tem tudo: ROM, RAM, processador e todas as entradas e saídas", conta.
"Tudo está ali em uma pequena e bela placa quadrada integrada. Para 1984, era incrível."
O preço do Macintosh original ainda pode chegar a valores similares aos de um computador moderno.
E, para os colecionadores, ele é uma parte da história da computação, com as assinaturas da equipe que o construiu inscritas na parte de trás do gabinete de plástico, no lado interno.
Mas alguns donos de Mac 128K usam suas valiosas máquinas para jogar games curiosos, como Frogger ou Lode Runner — tudo em preto e branco. O Macintosh II, primeiro Macintosh com tela colorida, só foi lançado em 1987.
O Centro da História da Computação de Cambridge, no Reino Unido, é uma das muitas coleções que apresentam um 128K funcionando.
"Ele tem 40 anos de idade e ainda funciona", conta a diretora do centro, Lisa McGerty.
Ela se lembra do lançamento dos computadores Macintosh como um desenvolvimento "de massa" para pessoas do setor editorial e gráfico. A impressora gráfica da Apple, ImageWriter, foi lançada pouco antes do 128K.
Adrian Page-Mitchell, colega de McGerty e responsável pelas coleções, afirma que nem sempre é fácil manter esses antigos Macintoshes funcionando.
Ele conta que um outro 128K que ficou em exibição por muito tempo no Centro da História da Computação acabou quebrando e "não pôde ser consertado".
Às vezes, os Macs demonstram sua idade de formas estranhas.
O YouTuber e colecionador de computadores Steven Matarazzo conta que um dos capacitores da máquina, às vezes, pode se degradar com o tempo. Com isso, a tela do 128K não irá funcionar corretamente — ela irá parecer levemente comprimida.
Em 2023, ele postou um vídeo no YouTube sobre um aparente protótipo do 128K. Ele não estava funcionando e seu dono pediu a Matarazzo que desse uma olhada no aparelho. Em pouco tempo, Matarazzo fez o computador voltar a funcionar.
Ele estudou detalhadamente cada centímetro daquele Mac. E ficou entusiasmado com as minúsculas diferenças entre aquele aparelho e a versão que chegou ao mercado.
Havia no protótipo, por exemplo, pequenos logos da Apple impressos sobre os pés de borracha, que não estavam presentes no design final. Essas descobertas são um pouco como uma arqueologia dos aparelhos eletrônicos.
"Você tenta juntar as peças: qual era o processo aqui, qual a idade disso, qual a idade daquilo", explica ele. "É isso que, especialmente para mim, é realmente interessante."
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'Tudo o que um computador deveria ser'
O Apple II e o Apple Lisa, lançados antes do 128K, também pretendiam ser aparelhos intuitivos com alta capacidade. Mas cada um deles tinha suas próprias falhas ou limitações.
O Apple II, por exemplo, não tinha uma interface gráfica de usuário ou mouse. Já o Lisa era muito mais caro que o 128K.
Na época do lançamento do 128K, Blatner estava no final do ensino médio. Ele procurava um computador para levar para a faculdade que tivesse a mesma capacidade das máquinas que ele havia visto na Xerox anos antes.
Seus pais o levaram às compras e eles logo encontraram um 128K à venda em uma loja no centro de Palo Alto.
"Ele tinha menus, tinha pastas, tinha uma interface gráfica de usuário, tinha um mouse", relembra ele. "Era tudo o que eu achava que um computador deveria ser."
Blatner ainda guarda a nota fiscal da compra. Seus pais pagaram pelo aparelho, em 1984, US$ 2.495.
Na faculdade, Blatner logo estaria mostrando o aparelho para seus colegas. Eles costumavam formar filas atrás dele no dormitório, aguardando uma chance de usar o computador.
"Tenho um arquivo com todas aquelas coisas malucas que imprimíamos na faculdade", ele conta. "As pessoas simplesmente adoravam."
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Não foi por coincidência que aquela tecnologia refletiu as experiências anteriores de Blatner com computadores na Xerox.
Jef Raskin, que começou o projeto do Macintosh — e deu ao computador o nome da sua variedade preferida de maçã —, também havia observado a mesma tecnologia da Xerox, que serviu de inspiração.
Mais do que isso: em dezembro de 1979, Jobs e um grupo de engenheiros da Apple visitaram diversas vezes a Xerox. Eles conseguiram ideias que, mais tarde, seriam usadas no Lisa e no Macintosh.
Em troca dessas importantes demonstrações, a Xerox recebeu uma grande quantidade de ações da Apple, que foram rapidamente vendidas. A empresa perdeu a possibilidade de ganhar bilhões de dólares se tivesse mantido as ações em seu poder.
Como se sabe, Jobs acabou assumindo o projeto do Macintosh iniciado por Raskin, depois de ser excluído da equipe do Lisa. Naquela época, ele já havia desenvolvido a visão do computador pessoal acessível e decidiu que o Macintosh o ajudaria a tornar esse aparelho uma realidade.
Um dos pontos que diferenciava o Macintosh era sua apresentação. Ele não era apenas um computador pessoal — ele tinha personalidade.
A designer gráfica Susan Kare criou ícones que pareciam sair de desenhos animados e que praticamente qualquer pessoa conseguiria compreender. Ela também colaborou com a coleção de fontes digitais do Macintosh.
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O Macintosh 128K ocupa até hoje um lugar especial no coração dos primeiros funcionários da Apple que trabalharam na época do seu desenvolvimento
Getty Images via BBC
Mas grande parte do impacto causado pelo Mac foi alimentado pelo marketing e pela propaganda.
O cineasta e historiador Jason Scott trabalha no Internet Archive, uma plataforma de arquivo digital sem fins lucrativos. Ele se lembra de ter visto o anúncio original do Mac 128K na televisão quando era adolescente.
A estranha propaganda foi dirigida por Ridley Scott e ilustrava um futuro distópico inspirado pelo romance de George Orwell, 1984.
O que nos salvaria daquele futuro sombrio? O Mac 128K, é claro!
"Aquele comercial começou a passar e parecia algo totalmente vindo de Marte", relembra Scott. "Alguma coisa estava acontecendo, mas eu não entendia muito bem o quê."
Não muito tempo depois, Scott testou um Macintosh pela primeira vez e ficou maravilhado. Era, segundo ele, como observar outro mundo por um telescópio.
Ainda assim, o Mac não foi o sucesso de vendas que alguns esperavam.
"Ele não foi vendido para pessoas de negócios, como Steve acreditava que seria", relembra Andy Cunningham, que trabalhou na campanha de marketing do aparelho.
"Foi por isso, em última instância, que Steve acabou sendo despedido da Apple."
Jobs saiu da empresa em 1985, mas retornou no final dos anos 1990.
Foi apenas em 1988 que o total de vendas dos aparelhos Macintosh, incluindo diversas de suas versões posteriores, superou o do Apple II, lançado em 1977.
Macintosh SE usado entre 1988 e 1994 por Steve Jobs, cofundador da Apple
Reprodução
Mas os Macs realmente chamaram a atenção de muitas pessoas, especialmente jovens e profissionais de áreas criativas.
Cunningham e sua colega Jane Anderson ajudaram a impulsionar a publicidade do Macintosh original. Eles ofereceram seis horas com pessoas da Apple, incluindo Jobs, a jornalistas individualmente — e fizeram diversas demonstrações do aparelho para ter certeza de que eles compreenderiam o objeto das suas reportagens.
"Observei todos eles brincando com o computador e seus olhos simplesmente brilhavam", relembra Cunningham.
Seria errado afirmar que o Mac 128K era um computador perfeito. Na verdade, ele tinha sérias limitações e seu sucesso comercial inicialmente foi limitado. Mas ele deixou uma marca indelével.
A ascensão do computador pessoal, sem dúvida, foi um divisor de águas. Os computadores com gabinetes ridiculamente grandes, que você só conseguia conectar com um terminal desajeitado, agora parecem irremediavelmente antiquados.
Hoje em dia, temos máquinas portáteis, divertidas e acessíveis, que quase qualquer pessoa consegue usar.
Mas o engraçado é que a era dos computadores individuais iniciada pelo Macintosh original, de certa forma, está chegando ao fim.
No século 21, estamos ficando cada vez mais dependentes de fazendas de servidores, processamento em nuvem, grandes volumes de dados e sistemas em rede. Os computadores de outras pessoas são cada vez mais indispensáveis para podermos operar o nosso próprio equipamento.
"Estamos agora do outro lado", reflete Blatner. "Nós realmente precisamos desse período de 40 anos para capacitar e empoderar as pessoas."
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.
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Azul e preto ou branco e dourado? Quase 10 anos depois, vestido que viralizou continua gerando polêmica e é motivo de estudos

Azul e preto ou branco e dourado? Quase 10 anos depois, vestido que viralizou continua gerando polêmica e é motivo de estudos
Vídeos sobre o caso continuam fazendo sucesso no TikTok e no X (ex-Twitter). Fatores ambientais e as nossas vivências passadas explicam a 'confusão' de cor, dizem especialistas. Quase 10 anos depois, vestido que viralizou continua gerando polêmica
Para alguns, azul e preto. Para outros, branco e dourado. Você certamente se lembra de uma das maiores polêmicas de 2015: o famoso vestido (#TheDress, como ficou conhecido) que agitou a internet gerando debates sobre a real cor dele.
Quase 10 anos depois, muitas pessoas ainda têm curiosidade no assunto e as discussões em torno do vestido seguem movimentando comunidades de neurociência, além de posts no X (ex-Twitter) e no TikTok, que nem existia na época do viral.
Mas por que até hoje o tal vestido promove embates? 👗
O g1 conversou com um oftalmologista, uma neurocientista e um especialista em redes sociais. Eles afirmam que, passados todos esses anos, o caso ainda é estudado e o fenômeno está mais relacionado com nossas vivências.
"O entendimento de cor dos seres humanos tem relação com questões biológicas e também com suas experiências", explica Flavio Mac, que é oftalmologista e diretor da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).
Nesta reportagem, você saberá:
Como tudo isso começou? 🤔
Então, qual é a cor oficial? 🤯
O que explica a divergência de cor? 🤷‍♀️
Como tudo isso começou? 🤔
Postagem no Tumblr que iniciou a discussão sobre a cor do vestido
Reprodução/Tumblr
O rolo todo se iniciou na Escócia. Na loja do vestido, uma mulher chamada Cecilia Bleasdale enviou imagens para sua filha de algumas opções de roupa que ela poderia usar no casamento da jovem.
Bleasdale tirou três fotos, de três peças diferentes. "A terceira fotografia que enviei foi a do vestido infame", disse ela em entrevista à BBC.
Referindo-se ao modelo que depois se tornou viral, a noiva então disse: "Este é lindo, mãe. O branco e dourado". Cecilia, que enxerga azul e preto, estranhou a mensagem da filha e foi confirmar a cor com o marido, Paul Jinks, que também estava na loja.
Para a sua surpresa, Jinks não conseguiu observar nada de azul e preto ali, deixando a cabeça da esposa ainda mais confusa.
No dia da cerimônia, muitos dos convidados concordaram que o vestido realmente era azul e preto. Obviamente, não era uma unanimidade.
A filha de Cecilia, então, resolveu publicar a imagem da peça no Facebook. Já Caitlin McNeill, que fazia parte de uma banda de folk e tocou no tal casamento, também postou a foto no Tumblr, uma plataforma de blog (veja na imagem acima).
Em 48 horas, a postagem no Tumblr recebeu mais de 400 mil comentários, segundo o Know Your Meme, um portal on-line considerado a Wikipédia dos memes.
Depois dessas postagens, a polêmica escalou. No dia 26 de fevereiro de 2015, #PretoeAzul e #BrancoEDourado tomaram conta da internet, sendo um dos assuntos mais comentados no Brasil e no mundo no Twitter.
Até as estrelas Taylor Swift, Lady Gaga, Justin Bieber, Demi Lovato e Kim Kardashian se posicionaram, defendendo o que enxergavam ali.
Então, qual é a cor oficial? 🤯
Identificado como "Royal-Blue Lace Detail Bodycon Dress", o vestido original é azul e preto. Ele foi produzido pela marca inglesa Roman Originals e custava 50 libras (algo em torno de R$ 300 hoje).
O g1 verificou que a roupa não está mais disponível para compra, mas a empresa mantém em seu site uma página exclusiva para tratar do assunto.
"O fenômeno revelou diferenças na percepção humana das cores que têm sido objeto de investigação científica contínua em neurociência e ciência da visão. Fizemos até uma versão #WhiteandGold (branco e dourado) que foi leiloada para caridade", diz a Roman na página especial.
Segundo eles, após viralizar, em 48 horas, 3.622.960 pessoas acessaram sua loja on-line para ver o vestido e todas as unidades disponíveis foram vendidas em apenas 34 minutos. A #thedress foi usada em 2.214.343 postagens nas redes sociais.
Vestido Azul, dourado, preto, branco – 3 Cores
Reprodução/Tumblr
João Finamor, professor de marketing digital da ESPM e especialista em redes sociais, diz que é natural que de tempos em tempos a discussão volte na internet e que seja estimulada por uma geração mais nova que só ficou sabendo da polêmica agora.
"Além disso, também há pessoas que relembram a história e vão para as redes defender o que enxergam", afirma.
O caso do vestido não é o único a gerar debates. O Know Your Meme relembra que, em julho de 2015, a imagem de um sapato ao lado de dois esmaltes de tons de violeta gerou enorme repercussão nas redes por causa da cor.
Naquela ocasião, uma usuária do Twitter publicou a imagem (veja aqui) perguntando qual esmalte combinaria melhor com os sapatos. Mas algumas pessoas não enxergavam tons diferentes naqueles frascos, revivendo a polêmica das cores.
Caso do esmalte de cores diferentes também viralizou em 2015
Reprodução/Twitter via Wayback Machine
O que explica a divergência da cor? 🤷‍♀️
Para o oftalmologista e diretor da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), Flavio Mac, o caso do vestido é complexo porque envolve a percepção de cor pelas pessoas. E essa visão é subjetiva e não objetiva, explica.
A neurocientista Cláudia Feitosa-Santana conta que o efeito do #TheDress é inédito porque mostra que a nossa calibração de cor nem sempre funciona da mesma forma.
Cláudia pesquisa sobre o fenômeno do vestido desde o início e revela em seu livro "Eu controlo como me sinto: Como a neurociência pode ajudar você a construir uma vida mais feliz" (2021) que a divergência de cor tem mais a ver com fatores ambientais do que genéticos, segundo estudos.
"Existem pesquisas que levam a crer que a exposição com mais sol ou menos sol pode influenciar na nossa percepção de cores. E esses resultados também indicam que provavelmente a exposição a um céu azulado ou mais acinzentado pode modular a forma como percebemos as cores", disse Cláudia em entrevista ao g1, em 2018.
Em um artigo para o Hospital Albert Einstein, a profissional exemplifica: se você nasceu em uma região em que a luz natural costumava ser mais quente, como amarelada ou alaranjada, então muito provavelmente você enxergará o vestido como azul e preto.
Flavio Mac concorda: "O histórico de vida da pessoa tem muito a ver. Por exemplo, o quanto ela foi exposta a ambientes mais ou menos iluminados. O quanto ela esteve exposta a cores diferentes na infância também vai influenciar na interpretação de cores na vida adulta", diz o oftalmologista.
"O local onde a pessoa viu a foto interfere, mas não só isso. A idade, o humor da pessoa no momento da visualização, a memória e suas experiências passadas também contam", completa.
Ao g1, Cláudia Feitosa-Santana conta que até hoje o vestido é analisado em grupos de neurociência. "Recentemente, tanto em Oxford quanto no Castle of Rauischholzhausen, na Alemanha, falamos sobre esse viral e continuamos estudando", disse.
"A mensagem principal é aprender a respeitar que o outro pode ver de forma diferente e a percepção dele é tão válida quanto a nossa, pois a maneira como vemos é resultado da nossa história que engloba genética e ambiente de forma muito ampla", finaliza a profissional.
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