Piloto de drone tem salário de até R$ 10 mil; veja as oportunidades no agro

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Profissionais podem atuar com pulverização ou monitoramento de lavouras. Quem opta por ser aplicador de agrotóxicos, é obrigado a fazer curso para manusear químicos e se proteger. Salários vão de R$ 2 mil a R$ 10 mil e variam muito por ainda ser uma profissão nova. Piloto Adrien Michelmann realiza uma demonstração de condução de drone agrícola. Neste momento, ele não estava realizando uma aplicação de agrotóxicos, que requer equipamentos de proteção;
Arquivo pessoal
Piloto de drones é um dos cargos que estará em alta em 2024, segundo uma pesquisa divulgada pelo Linkedin, que classificou as profissões que cresceram de forma acelerada nos últimos cinco anos.
A agricultura apareceu como um dos setores mais comuns onde se encontram essas oportunidades, que, basicamente, oferecem vagas em duas áreas (algumas empresas vão exigir que um mesmo piloto cumpra ambas as funções):
na pilotagem e configuração de drones pulverizadores, que aplicam agrotóxicos, defensivos biológicos, sementes e adubos nas plantações;
na condução de drones que mapeiam as lavouras para que, dessa forma, a fazenda consiga planejar a colheita, prever rendimento e perdas, além de detectar pragas e doenças.
📚 Mas é preciso estudar…
Na área de pulverização, o piloto precisa, obrigatoriamente, ser aprovado no Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR), onde ele vai aprender a configurar drones e a manusear agrotóxicos (saiba tudo mais abaixo);
Já os profissionais de mapeamento costumam ter graduação em Agronomia, Geologia, Engenharia Civil e Florestal.
➡️Quem emprega? Fazendas, usinas, empresas de máquinas agrícolas e de aplicação de agrotóxicos.
➡️Como são os contratos? O profissional pode ser autônomo ou empregado. Há empresas que contratam pilotos por tempo indeterminado, incorporando-os em seu quadro de funcionários. Outras preferem contratar temporários ou prestadores de serviços.
➡️Quanto ganha? Por ser uma profissão recente e ainda pouco regulamentada, a média salarial do piloto de drone agrícola varia muito, indo, em média, de R$ 2 mil a R$ 10 mil.
"As vagas que pagam mais são vagas 'premium', que exigem mais formação dos pilotos", relata Josué Andreas Vieira, agente de Desenvolvimento Regional do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag).
"O problema é que a maioria das pessoas não tem formação suficiente para alcançar esses cargos com salários mais altos. Tanto é que está faltando piloto no mercado", ressalta Vieira.
Entrevistas do g1 com profissionais do setor apontaram diferentes remunerações ⬇️.
De R$ 2 mil a R$ 3 mil fixos, com uma comissão de 5% a 10% sobre hectare pulverizado, segundo donos de empresa e pilotos consultados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag);
De R$ 5 mil a R$ 7 mil, com comissões por hectare que, no final do mês, podem proporcionar uma remuneração total de R$ 10 mil, de acordo com consultas a alunos feitas pelo Instituto de Tecnologia Aeronáutica Remotamente Controlada (ITARC);
De R$ 5,5 mil a R$ 9 mil, segundo a Recrutadora Robert Half, com base nas vagas fechadas e em andamento na empresa.
A seguir, você vai ler…
Onde está a demanda por pilotos;
Como trabalhar com pulverização;
Como é o curso obrigatório de aplicador agrícola.
🧑🏾‍✈️️Onde está a demanda por pilotos
Vieira, do Sindag, diz que a maior demanda do mercado brasileiro, hoje, está na área de pulverização.
"Já existem muitas empresas que fazem o serviço de mapeamento. Mas ainda não tantas capazes de realizar uma pulverização que seja compatível com esse mapeamento, sabe?", explica o integrante do Sindag.
Contudo, há exceções. "Na nossa região, o mapeamento está crescendo mais que pulverização", conta o piloto João Eder Naimeg, que trabalha no município mineiro de Patrocínio (MG), onde há muitas lavouras de café.
João Eder Naimeg trabalha no mapemaneto de lavouras, em Patrocínio (MG).
Arquivo Pessoal
"Uma coisa que acontece muito aqui é que, como a região não é muito plana, o produtor planta, fica esperando a chuva e, quando ela vem, leva tudo".
Neste caso, o mapeamento consegue gerar, por exemplo, imagens e dados capazes de evitar esses desastres, simulando fatores como nível chuvas e altitude do terreno.
"Ao simular as chuvas, a gente faz curvas de nível ou terraços para evitar a erosão, o escoamento das sementes", explica.
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🥽Como trabalhar com pulverização
Pode parecer óbvio para alguns, mas, para trabalhar nessa área, não adianta só saber pilotar o drone (algumas vezes, o profissional nem pilota e você vai entender por que mais abaixo). O que é exigido mesmo é que ele entenda de agronomia e, principalmente, sobre os cuidados no uso e manuseio dos agrotóxicos.
Oitenta por cento dos alunos que chegam aqui, chegam sem fazer ideia da parte agronômica
Em 2021, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria exigindo que o aplicador de agrotóxicos via drone:
seja aprovado num Curso para Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR) que seja homologado pelo Ministério da Agricultura, e ofertado por uma escola que esteja registrada no mesmo órgão;
tenha uma frequência mínima de 80% e nota superior a 7 na prova do CAAR;
seja maior que 18 anos;
auxilie e acompanhe o piloto durante as operações com drone de pulverização.
Ou seja, a normativa não exige que o profissional com CAAR seja o piloto do drone ou saiba pilotar um, mas, na prática, o mercado tem se direcionado para cobrar dos profissionais as duas funções.
"Como a norma estipula que esse profissional deve estar presente no campo durante as operações, algumas empresas acabam direcionando os pilotos de drone para realizar esse curso", disse o Ministério da Agricultura ao g1. "É importante acrescentar que a norma permite que o piloto acumule ambas as funções", complementa.
Apesar de tantos detalhes, nem sempre as operações tomam o cuidado devido.
"Na verdade, o que ainda é muito comum é você encontrar pessoas trabalhando com o drone sem essa certificação do Mapa e, inclusive, sem curso de drone", critica Calixto.
"É por isso que um dos nossos trabalhos é criar conscientização. Todo o desenvolvimento do mercado vai depender da seriedade com a qual estamos levando essa atividade", acrescenta o coordenador de treinamento.
Piloto Adrien Michelmann realiza uma demonstração de condução de drone agrícola. Neste momento, ele não estava realizando uma aplicação de agrotóxicos, que requer equipamentos de proteção;
Arquivo pessoal
O piloto de pulverização Adrien Michelmann, de 26 anos, é um dos que levam a sério essa nova profissão. Além de ser formado em Técnico de Agricultura de Precisão, ele foi aprovado no CAAR, e conta que a empresa onde trabalha exigiu tanto essa habilitação do Ministério da Agricultura, como o conhecimento da pilotagem.
"Eles exigiram isso até porque o equipamento é muito caro e você não pode deixar ele cair", conta Michelmann, que trabalha em uma usina de cana-de-açúcar, no município de Novo Horizonte (SP).
Além da pulverização, ele também faz o mapeamento das plantações para saber em qual área exatamente o agrotóxico deve ser aplicado.
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➡️Como é o curso para aplicador agrícola
A exigência do Ministério do curso de aplicador é importante porque qualquer pulverização errada ou o não uso equipamentos de proteção podem levar a perdas ambientais, na produção, além de intoxicação humana.
Não é só voar e pulverizar. A gente precisa garantir que esse agrotóxico vá para o alvo correto e não para a região ao redor, para outros plantios, porque isso pode causar um prejuízo
É por esse cuidado que a maior parte da grade curricular dos cursos de CAAR é sobre os agrotóxicos. Há matérias obrigatórias sobre a legislação desses produtos químicos, a preparação deles, toxicologia e ecotoxicologia de cada um, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), entre outras.
Calixto explica que há também aulas sobre como funcionam os drones, mas reforça que o foco principal é o especialista ter base para parametrizar (ou seja, configurar) o equipamento para que ele faça a aplicação da forma mais segura possível.
"O aplicador precisa aprender, por exemplo, qual é o melhor tamanho das gotas que serão dispersadas, a altura ideal que o drone deve ficar de acordo com a velocidade e direção do vento. Então tem algumas técnicas que vão envolver mais um conhecimento agronômico que de pilotagem", ressalta.
O geólogo Reinaldo Baldotto, também está realizando o curso do CAAR, e pretende atuar como empreendedor nesse setor.
Arquivo pessoal
O geólogo Reinaldo Baldotto é um dos profissionais que está realizando curso do CAAR. Ele conta que outras matérias obrigatórias tratam do preparo da calda do agrotóxico, dos fatores meteorológicos que influenciam nas aplicações, além da legislação e dos componentes de um drone de pulverização.
Ele, que é assessor da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia no Espírito Santos (CREA-ES), já tem formação na área de mapeamento, mas quer agregar a área de pulverização por entender que essa é uma área em crescimento.
Para isso, ele tem buscado mais especialização. "Terminei recentemente o mestrado em Agroquímica Ambiental, onde estudei as condições dos solos e métodos de correções, então com o curso de Aplicador Aeroagrícola consigo estar apto às aplicações", conta.
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Biohacking: como e por que seres humanos estão implantando chips no próprio corpo

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Conceito é usado para se referir ao conjunto de técnicas digitais que alteram a biologia humana. Elon Musk anunciou 1° implante cerebral de chip em humano, para controlar equipamentos eletrônicos por pensamento. Um raio x mostrando um chip implantado na mão
WALLETMOR
O biohacking pode ser entendido como a prática de intervir no corpo humano usando um conjunto de tecnologias para melhorar ou expandir a capacidade humana em uma determinada atividade. Nesta terça-feira (30), o bilionário Elon Musk divulgou que foi feito o primeiro implante de chip cerebral em um humano por sua empresa Neurolink.
Esse tipo de intervenção no corpo humano pode ser usado para armazenar dados, ampliar a sensibilidade de uma parte do corpo e até facilitar em ações dia a dia, como pagamentos.
O biohacking pode envolver tecnologias que não exigem implantes, como "óculos inteligentes" que ajudam pessoas com deficiência visual a ter mais independência no dia a dia.
Mas, em muitos casos, o conceito envolve implantes de microchips no corpo. Esses dispositivos têm circuitos eletrônicos e uma peça para se comunicar com outros aparelhos por ondas de rádio.
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Não há legislação no Brasil sobre o biohacking, e a tecnologia gera debates em relação à segurança digital (saiba mais abaixo).
Veja baixo alguns usos para os implantes de chips no corpo:
Pagamento
Controle de eletrônicos por pensamento
Armazenamento de dados
Magnetismo
Afinal, o que são microchips?
💳 Pagamento
Na Holanda, já há pessoas que usam a tecnologia para efetuar pagamentos.
Elas não precisam usar dinheiro, cartão de banco ou celular para pagar. Em vez disso, basta colocar a mão próximo do leitor de cartão para concluir a transação (veja no vídeo abaixo).
A Walletmor, empresa holandesa que trabalha com a tecnologia, diz que o chip é seguro, tem aprovação regulatória no país e funciona imediatamente após ser implantado. Também não requer bateria ou outra fonte.
Entenda: microchips que permitem pagamento com a mão
🧠 Controle de eletrônicos por pensamento
No caso divulgado por Elon Musk de implante de microchip cerebral pela Neuralink, o item, chamado "Telepathy" (Telepatia), permite que humanos controlem dispositivos eletrônicos, como computadores e celulares, apenas com o pensamento. O paciente, segundo Musk, está bem, mas não foram dados detalhes sobre ele nem sobre o procedimento feito.
O estudo conduzido pela Neuralink utiliza um robô para introduzir um implante de Interface Cérebro-Computador (ICC) por meio de um procedimento cirúrgico. O dispositivo é instalado em uma região do cérebro que controla a intenção de movimento.
Neste primeiro teste, a empresa quer avaliar a segurança do implante e do próprio robô que fez o procedimento cirúrgico.
🗂️ Armazenamento de dados
O implante de microchips também serve para guardar informações, como dados médicos ou o crachá do trabalho.
"Normalmente, olham estranho pra você porque não é um negócio muito trivial", diz o especialista em segurança cibernética Thiago Bordini, que conversou com o g1 sobre a experiência de ter um chip em cada mão (veja o vídeo abaixo).
"Tem algumas pessoas que têm curiosidade e pedem pra ver. Porque, se você passa o dedo em cima, você o sente. As pessoas querem saber o que é sentir, é bem curioso", afirma.
Ele contou que o principal motivo para realizar o implante foi a vontade de conhecer mais a tecnologia e como ela poderia ser utilizada para facilitar coisas do dia a dia.
Conheça outros brasileiros que usam a tecnologia
Como é ter um microchip implantado na mão
🧲 Magnetismo
O implante de pequenas pastilhas de ímãs na ponta dos dedos funciona para que pessoas tenham uma sensibilidade extra: sentir campos magnéticos ao seu redor.
Para Luli Radfahrer, professor e diretor do laboratório de pesquisa acadêmica Interfaces Digitais, Experiências e Inteligências Artificiais (IDEIA), o procedimento não muda o corpo humano de forma significativa.
"Com isso [a implementação do ímã], a pessoa sente no tato alguma mudança. As pessoas dizem que têm um sexto sentido porque elas sentem as variações magnéticas. Isso é puramente estético", afirma Radfahrer.
Uma das empresas que produzem o equipamento é a Grindhouse Wetware, startup de biotecnologia com sede na Pensilvânia. A organização se concentra em experimentar tecnologia para aumentar as capacidades humanas.
Exemplo de como funciona o implante para atrair o magnetismo
Magtek, Divulgação
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Afinal, o que são microchips?
O microchip é um conjunto de circuitos eletrônicos com módulos. Esses dispositivos costumam ser capazes de armazenar e transmitir informações.
Eles podem funcionar através de ondas de rádio, sensores integrados ou sinais elétricos. O chip pode ser implantado no corpo em poucos minutos e o processo geralmente acontece em estúdios de aplicação de piercing.
O microchip possui uma espécie de vidro que é biocompatível, ou seja, não cria reação alérgica ou outra reação imunológica, disse ao g1 Fernanda Matias, Dra. em biotecnologia pela Universidade de São Paulo (USP). No Brasil, não há leis que regulamentam os implantes.
O assunto gera debates sobre até que ponto a tecnologia deve ser integrada ao corpo humano, levando a discussões sobre segurança digital.
"O risco de segurança de dados é iminente num país onde tudo é clonado. Tem gente que põe a entrada e o controle de casa ou dados de cartão nesses dispositivos. Se clonam cartão, clonam esses chips", diz Fernanda Matias.
Mas os microchips não são encontrados tão facilmente, explica Luli Radfahrer. "Comprar chips de biohacking é igual comprar anabolizantes. Não é impossível de encontrar, porém é difícil".
Como funciona o chip implantado na mão
Arte/g1
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Como é o chip cerebral implantado pela empresa de Elon Musk em uma pessoa

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Primeira experiência do tipo pela Neuralink começou a ser realizada no último domingo (28). Segundo a empresa, o implante Telepatia vai processar ondas cerebrais para pacientes sem mobilidade controlarem celulares, computadores, etc, com o pensamento. Chip (ou Interface Cérebro Computador) da Neuralink.
Divulgação/Neuralink
A empresa Neuralink, do bilionário Elon Musk, realizou no domingo (28) o seu primeiro implante de chip em um cérebro humano. O objetivo é fazer com que, no futuro, pessoas com limitações motoras possam controlar dispositivos eletrônicos, como computadores e celulares, apenas com o pensamento.
Biohacking: como e por que seres humanos estão implantando chips no próprio corpo
🧠Mas como isso é possível? Segundo a empresa, o chip, chamado de Telepathy ("Telepatia"), processa ondas cerebrais que são decodificadas por um aplicativo da Neuralink que, por sua vez, conseguiria comandar aparelhos eletrônicos de acordo com os desejos dos pacientes.
A Neuralink não divulgou em qual parte do cérebro do paciente o Telepathy foi implantado. Especialistas consultados pelo g1 sugerem que ele pode ter sido inserido no cerebelo, que é a parte responsável pela coordenação motora (saiba mais abaixo).
Musk tem a ambição de, mais à frente, usar o chip para alcançar a telepatia, mas especialistas adiantam que a prática não é viável.
Arte/g1
➡️Quando foi feito o implante? No domingo (28), mas o anúncio aconteceu na noite de segunda-feira (29). O próprio Elon Musk fez a divulgação, em sua rede social X (antigo Twitter).
➡️Qual o objetivo? O primeiro estudo clínico com pacientes humanos deve durar seis anos. Inicialmente, a Neuralink quer avaliar a segurança do implante e do robô que fez o procedimento cirúrgico. Em alguma etapa futura, a ideia é que o implante seja usado, então, para controlar dispositivos como computadores e celulares.
Musk já disse que esses dispositivos também poderiam ajudar no tratamento de doenças, como a obesidade, e de transtornos mentais.
O bilionário também tem a ambição de, mais à frente, usar o chip para alcançar a telepatia. Ele diz que isso ajudaria a humanidade a prevalecer em uma suposta guerra contra a inteligência artificial, mas especialistas adiantam que a prática não é viável.
"Você poderá salvar e reprisar memórias…O futuro vai ser estranho", disse Musk, em 2020.
➡️Quem é o paciente? Essa informação também não foi divulgada, mas, de acordo com Musk, a pessoa está se recuperando bem. Resultados iniciais mostram uma detecção promissora de atividade dos neurônios, postou o bilionário, sem dar mais detalhes.
➡️Quem mais vai testar o chip? Quando a empresa abriu inscrições para voluntários, o recrutamento era voltado para pessoas com tetraplegia decorrente de lesão da medula espinhal cervical ou esclerose lateral amiotrófica (ELA).
"Os primeiros usuários serão aqueles que perderam o uso dos membros. Imagine se Stephen Hawking pudesse se comunicar mais rápido do que um digitador rápido ou um leiloeiro", disse Musk, no X.
➡️Implante cerebral é autorizado? Sim. Os estudos com implantes cerebrais em humanos pela Neuralink foram liberados pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla inglês) em maio de 2023. Quatro meses depois, a empresa abriu inscrições para voluntários.
➡️É algo inédito? Não, outras empresas já implantaram chips semelhantes, com o objetivo de ajudar pacientes com síndromes graves a se comunicar através das ondas cerebrais.
O nicho em que a Neuralink compete é chamado de BCI, sigla para "Brain computer interface" (interface em cérebro e computador).
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Implantes cerebrais para restabelecer a fala têm grandes avanços
A Neuralink já tinha implementado um tipo semelhante de seu chip em animais. Um macaco conseguiu jogar games com o cérebro. Clique aqui para assistir o vídeo.
Onde o chip pode ter sido implantado?
Apesar de a Neuralink não ter divulgado essa informação, é possível deduzir que o Telepathy tenha sido inserido no cerebelo, justamente por ser uma região do cérebro responsável pela coordenação motora.
É o que afirma Fernanda Matias, Dra. em biotecnologia pela Universidade de São Paulo (USP), que não teve contato com o estudo da Neuralink. Ela reitera que é uma suposição, levando em consideração aspectos técnicos.
Mas como ocorre a comunicação?
Luli Radfahrer, professor e diretor do laboratório de pesquisa acadêmica Interfaces Digitais, Experiências e Inteligências Artificiais (IDEIA), explica que o cérebro é um órgão que trabalha com impulsos elétricos.
Numa pessoa que tem mobilidade, o cérebro recebe, constantemente, informações sensoriais sobre a posição e o estado dos músculos, articulações e outros aspectos do corpo.
Para fazer algum movimento físico, o cérebro envia impulsos elétricos para os membros. Eles os recebem e os transformam em informações sensoriais, executando algum movimento. Segundo Radfahrer, a troca de impulsos elétricos e informações sensoriais é constante.
Mesmo em pessoas que perdem algum movimento físico (e cujos membros pararam de mandar informações para o cérebro), os impulsos elétricos podem continuar, em alguns casos.
Já o chip, implementado numa pessoa com alguma paralisia física, "lê" as ondas cerebrais.
Isso aconteceria por meio de eletrodos que penetram o cérebro ou se posicionam na superfície dele, para promover a comunicação direta com computadores (a tal BCI, interface cérebro-computador).
No caso do implante da Neuralink, mais de mil eletrodos estão nos fios que fazem parte do implante. De tão finos, eles não podem ser colocados no cérebro mãos humanas: esta parte da cirurgia fica a cargo de um robô, que usa uma agulha com espessura inferior a de um fio de cabelo.
Na prática, a ideia é que o implante transforme pensamentos em comandos para o celular, o computador, etc, por meio desse aplicativo/interface.
Especialistas apontam que implementar aparelhos eletrônicos para ajudar humanos não é algo novo. Um grupo pequeno de empresas já conseguiu fazer isso com sucesso.
O que é a Neuralink?
A Neuralink é uma empresa de dispositivos para uso na medicina fundada em 2016, nos Estados Unidos, por Elon Musk e um grupo de cientistas e engenheiros.
A companhia tentou autorização para testar seu chip em humanos em 2022, mas o pedido foi rejeitado por questões de segurança.
Segundo reportagem da agência Reuters, fontes internas disseram que a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla inglês) citou preocupação com o fato de que a bateria do implante é de lítio, além do risco de que os fios dos implante, finíssimos, pudessem migrar para outras partes do cérebro, e questionou como e se o dispositivo poderia ser retirado sem causar danos ao tecido cerebral.
Em maio de 2023, o FDA decidiu liberar os testes da Neuralink em pessoas.
Antes, porém, o dispositivo foi testado em animais. Em 2019, Musk afirmou que a Neuralink conseguiu usar o chip para conectar o cérebro de um porco a um computador e acompanhar a atividade cerebral do animal durante dois meses.
Em um experimento de 2021, a empresa divulgou um vídeo em que um macaco joga videogame usando a mente. O animal recebeu o implante seis semanas antes da gravação, onde apareceu controlando o jogo "Pongo" mesmo com o controle desligado.
Empresa de Elon Musk mostra vídeo de macaco jogando videogame com a mente

PayPal vai demitir 9% de sua força de trabalho

Sensor de fumaça, câmeras escondidas: contra onda de vape, escolas dos EUA usam tecnologia de vigilância para castigar alunos
Medida representa corte de 2.500 vagas de trabalho, segundo a Bloomberg News e a Reuters. Em carta para funcionários, o presidente-executivo do serviço de pagamentos afirmou que decisão foi tomada para dimensionar corretamente a empresa. PayPal
Reuters/Thomas White
O serviço de pagamentos PayPal vai demitir cerca de 9% de sua força de trabalho, informaram nesta terça-feira (30) a Bloomberg e a Reuters. Os veículos tiveram acesso a uma carta enviada para os funcionários da empresa pelo presidente-executivo Alex Chriss.
A redução vai representar um corte de cerca de 2.500 vagas de trabalho no PayPal e acontece em um momento em que a empresa enfrenta dificuldades com mais concorrência na área de pagamentos, de acordo com a Bloomberg.
Na carta, Chriss afirmou que a decisão foi tomada para dimensionar corretamente a empresa e será realizada por meio de demissões diretas e de eliminações de vagas em aberto. Os funcionários incluídos nos cortes serão informados até o final desta semana.
O executivo afirmou que a redução da equipe vai permitir que o PayPal avance na velocidade exigida para seguir um crescimento lucrativo. "Continuaremos a investir em áreas de negócios que acreditamos que criarão e acelerarão o crescimento", afirmou Chriss.
Esta é a segunda rodada de demissões no PayPal desde que a companhia contratou cerca de 29.900 funcionários no final de 2022. A primeira aconteceu já no início de 2023, quando o serviço anunciou que reduziria sua força de trabalho em 7%, o equivalente a 2.000 empregos.
Alex Chriss foi nomeado presidente-executivo do PayPal em agosto de 2023. Ele substituiu Dan Schulman, que estava no cargo desde 2014 e havia anunciado a intenção de se aposentar.
Em novembro, Chriss disse que esperava aumentar a receita fora do volume puramente relacionado a transações e se comprometeu a tornar a empresa mais enxuta, reduzindo sua base de custos.

Sensor de fumaça, câmeras escondidas: contra onda de vape, escolas dos EUA usam tecnologia de vigilância para castigar alunos

Sensor de fumaça, câmeras escondidas: contra onda de vape, escolas dos EUA usam tecnologia de vigilância para castigar alunos
Os cigarros eletrônicos inundaram escolas de ensino fundamental e médio dos Estados Unidos. Os dispositivos possuem um vapor contendo concentrações mais elevadas de nicotina do que os cigarros de tabaco. Os dispositivos possuem um vapor contendo concentrações mais elevadas de nicotina do que os cigarros de tabaco.
Jornal Nacional/ Reprodução
Quando a estudante Aaliyah Iglesias foi pega fumando cigarro eletrônico em uma escola no Texas, nos Estados Unidos, ela não imaginou o que poderia acontecer.
De uma hora para outra, seu trajetória no ensino médio— que incluía ser presidente do Conselho Estudantil, capitã da equipe de debates e ter bolsa de estudo — estavam em risco.
Ao ser pega, Iglesias foi enviada para uma escola alternativa por 30 dias, onde os alunos fazem os cursos regulares, mas não frequentam as aulas. E foi informada de que poderia enfrentar acusações criminais.
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Assim como milhares de outros estudantes em todo os EUA, ela foi pega fumando na escola por equipamentos de vigilância que as instituições de ensino têm instalado — muitas vezes sem informar os alunos.
Os cigarros eletrônicos inundaram escolas de ensino fundamental e médio dos Estados Unidos. Os dispositivos possuem um vapor contendo concentrações mais elevadas de nicotina do que os cigarros de tabaco.
Escolas em todo o país têm investido milhões de dólares em tecnologia de monitoramento, incluindo verbas federais de ajuda emergencial de combate ao coronavírus para comprar sensores de fumaça.
Esses sensores, com um custo de aproximadamente US$ 1.000 cada (cerca de R$ 4.900), auxiliavam no combate a pandemia, já que conseguem medir a qualidade do ar.
Os estudantes podem receber US$ 50 por denunciarem colegas que usam vape.
PF/Divulgação
Algumas instituições também emparelharam câmeras de vigilância aos sensores. Dessa forma, quando o sensor é ativado, as câmeras capturam os estudantes saindo do banheiro, por exemplo.
Aaliyah Iglesias se formou em maio em sua escola, e só descobriu que havia sensores na instituição de ensino depois que um supervisor entrou no banheiro enquanto ela usava o cigarro eletrônico. "Fiquei pasma", disse.
O episódio que gerou a punição à estudante ocorreu em outra escola do Texas, a Athens High School, onde sua equipe de debate estava competindo em fevereiro. Iglesias foi ao banheiro fumar e, mais tarde, seu treinador disse que ela havia sido pega.
Iglesias foi imediatamente retirada do torneio, e seu treinador disse que Aaliyah poderia enfrentar acusações porque já tinha 18 anos, idade de maioridade penal nos EUA. Ela foi enviada à escola alternativa porque era a punição mínima para alunos pegos fumando.
Os estudantes pegos usando cigarro eletrônico também podem receber uma citação criminal de contravenção e ser multados em até US$ 100 (cerca de R$ 496). Estudantes com vapes contendo THC — substância psicoativa encontrada na planta da cannabis — podem ser presos.
“Os sensores têm sido eficientes na detecção quando os alunos estão usando vape, permitindo-nos resolver o problema imediatamente”, afirmou uma instituição de ensino consultada pela agência de notícias Associated Press.
As consequências para Aaliyah foram:
renunciar ao cargo de presidente do Conselho Estudantil;
deixar o posto de capitã;
sair da National Honor Society, instituição que reconhece os estudantes que se destacam em assuntos escolares.
Mesmo assim, ela ainda pôde fazer a formatura e permanecer na maioria de seus clubes estudantis, bem como manteve sua bolsa de estudos e agora estuda na faculdade Tyler Junior College.
"Nunca mais farei algo assim, porque as repercussões que enfrentei foram horríveis", afirmou a estudante. "[Mesmo assim], as pessoas que fazem estas políticas e implementam estas coisas sentam-se numa sala e não andam pelos campi, nem veem se os resultados da ideia são eficazes".
Venda dos sensores
Os sensores não têm câmeras nem gravam áudio, mas podem detectar aumentos de ruído no banheiro de uma escola e "enviar um alerta de texto aos funcionários da escola", disse Rick Cadiz, vice-da HALO Smart Sensors, que vende 90% a 95% dos seus sensores para escolas.
“Com o sensor, é possível combater a Covid-19 nas escolas e criar um ambiente de trabalho e aprendizado seguro, ao mesmo tempo que colhe os benefícios da detecção de vapor [do vape]”, afirmou a empresa.
Agora, os sensores são vendidos para detectar fumaça do cigarro eletrônico e também para monitorar sons como tiros ou palavras-chave que indiquem possível prática de bullying.
O vice-presidente da HALO disse estar ciente das preocupações com a privacidade em torno dos sensores. “[Mesmo assim], tudo o que estamos fazendo é alertar que algo está acontecendo. Você [só] precisa de alguém para investigar o ocorrido, após o alerta ser emitido.”
Cigarro eletrônico.
Reprodução/Jornal Nacional
Estudantes x escolas
Pelas redes sociais, estudantes de todo o país têm descrito formas de enganar os sensores. Alguns relatam cobri-los com filme plástico, enquanto outros dizem que sopram a fumaça nas roupas.
E mesmo que algumas "saídas" não sejam tão eficazes, os aparelhos de monitoramento disparavam com tanta frequência que os supervisores das instituições achavam que era inútil revisar as imagens de segurança todas às vezes.
Tanto que, na Coppell Independent School District, no Texas, por exemplo, os sensores fazem parte de uma estratégia de prevenção que inclui vídeos educativos e uma linha de denúncias. E, além disso, os estudantes podem receber US$ 50 por denunciarem colegas que usam vape.
"Eles estavam se entregando a torto e a direito”, disse Jennifer Villines, diretora distrital de serviços para estudantes e funcionários.