Rastreador ajuda mesmo a encontrar a mala: g1 testou 3 modelos

Abuso de crianças, mortes e danos psicológicos: o que o Senado dos EUA discute sobre a responsabilização das big techs
Avaliação com aparelhos da Eufy, Geonav e Samsung mostra que é difícil ficar sem saber onde está a mala no aeroporto, mas recursos funcionam só para quem tem iPhone ou Galaxy. Guia de Compras: teste de rastreadores
Veronica Medeiros/g1
O rastreador ajuda a reduzir um dos maiores medos em uma viagem de avião: o da companhia aérea perder ou esquecer as malas em algum local.
Com ele, é possível monitorar a bagagem o tempo todo pelo celular, da esteira do check-in ao destino final.
O produto também serve para localizar outras coisas – pode ser colocado na coleira do bicho de estimação, no chaveiro de casa ou até mesmo na carteira – e nunca mais perder os objetos por aí.
São itens pouco maiores que uma moeda de R$ 1. Mas tem uma pegadinha: eles só funcionam com celulares da Apple ou da Samsung.
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O Guia de Compras avaliou três modelos de rastreadores lançados em 2023. São eles:
Eufy SmartTrack Link
Geonav MyFinder Card
Samsung Galaxy SmartTag2
Eles utilizam uma rede de vários telefones conectados para ajudar a rastrear o objeto que precisa ser localizado. Como funciona? Se conectando de forma anônima a celulares por perto para identificar o lugar onde está.
Dois deles – o da Eufy e da Geonav – funcionam somente com iPhone. O da Samsung serve para uso apenas com os aparelhos da marca.
A Apple tem um produto similar, o AirTag, lançado em 2021 – leia o teste.
Veja o resultado da avaliação s a seguir e, no final, a conclusão.
Eufy SmartTrack Link
O Eufy SmartTrack Link é um rastreador que funciona da mesma forma que o AirTag, da Apple (veja o teste), mas é mais barato.
No final de janeiro, o modelo da Eufy saía na faixa dos R$ 250 nas lojas on-line consultadas. Para comparação, o da Apple custava R$ 370.
É um produto com design quadrado, com bordas arredondadas e suporte para prender o item a outros objetos. A fabricante não informou as medidas e o peso.
Eufy SmartTrack Link
Henrique Martin/g1
Sua bateria dura 1 ano, de acordo com a fabricante, e pode ser substituída de maneira fácil.
O rastreador da Eufy é compatível com a rede Buscar ("Find My"), da Apple – assim como o Geonav MyFinder Card.
Isso significa que esses dispositivos foram certificados para utilizar a rede de celulares, tablets e notebooks da Apple para localizar itens como o SmartTrack Link de forma anônima. Todo iPhone por perto consegue identificar que a tag está ali.
Para ativar, basta abrir o aplicativo Buscar no iPhone e adicionar aos Itens. Depois, é preciso apenas dar um nome para o dispositivo e ele já aparece na lista, junto com sua localização.
No Buscar, é possível ativar o modo Perdido. Esse recurso só deve ser ativado se o item for realmente perdido ou estiver fora do alcance.
Ele bloqueia o emparelhamento da tag com outras contas Apple e mostra uma mensagem no iPhone próximo de quem encontrar o item.
O rastreador da Eufy também conta com um QR Code com a mensagem – em inglês – “se encontrado, escaneie o código” para ajudar na recuperação.
Durante os testes, o app Buscar sempre mostrou onde estava a bagagem. O rastreador foi colocado em uma mala despachada.
Como ocorre no MyFinder Card, da Geonav, e no próprio AirTag, é possível escolher o tipo de visualização das ruas – mapa padrão ou visão por satélite.
Buscar, da Apple, à esquerda, e Eufy Security, à direita: funções similares no rastreador
Reprodução
A fabricante também tem um app adicional (Eufy Security) que traz um recurso extra: configurar o rastreador para localizar o telefone – dois toques no botão do dispositivo e, alguns segundos depois, o iPhone começa a tocar um alerta.
Isso o modelo da Geonav nem a AirTag da Apple conseguem fazer.
Geonav MyFinder Card
O Geonav MyFinder Card também é um rastreador que funciona do mesmo modo que o Eufy SmartTrack Link, utilizando a rede Buscar da Apple para localizar o item.
O produto, o mais barato do teste, custava R$ 230 nas lojas da internet pesquisadas em janeiro.
Sua grande diferença em relação ao rastreador da Eufy está no design: ele tem o tamanho de um cartão de crédito.
Geonav MyFinder Card
Henrique Martin/g1
Ele pesa 189 gramas e mede 86 x 54 mm, podendo ser usado na carteira ou colocado em malas e mochilas. Mas não tem um furo para prender uma alça ou corrente.
A bateria do MyFinder Card dura, segundo a fabricante, até três anos – o maior tempo entre os três dispositivos avaliados.
Mas, diferente dos concorrentes no teste, o formato de cartão não permite a troca da bateria. O cartão nem tem como ser aberto pelo consumidor para realizar esse procedimento.
Seu funcionamento é similar ao produto da Eufy: utiliza a rede Buscar da Apple. Sua configuração e recursos são os mesmos integrados ao aplicativo da fabricante do iPhone.
Durante os testes, em um primeiro momento o MyFinder Card funcionou corretamente: indicou a localização do item no mapa.
O problema? O item foi colocado durante toda a viagem na carteira – que ficou no bolso traseiro da calça.
Como o MyFinder Card tem um botão na parte superior, o ato de sentar pressionou esse botão, que fez com que o dispositivo iniciasse sozinho o processo de reconfiguração como um novo equipamento.
E isso é demonstrado com vários apitos que não param. Com isso, o rastreador perdeu sua configuração com o iPhone que estava pareado.
Rastreador da Geonav foi encontrado em dois locais, mas ficou "preso" em San Jose
Reprodução
No fim dos testes, o dispositivo "voltou" para o Brasil junto com a carteira, mas na teoria ainda está em um hotel na Califórnia.
O modelo da Geonav não requer o uso de um app adicional, como ocorre com o rastreador da Eufy.
Samsung Galaxy SmartTag2
O Samsung Galaxy SmartTag2 é a versão mais recente do rastreador (veja o teste do SmartTag original) – que usa a rede de smartphones da Samsung para ajudar a encontrar o objeto perdido.
Mas para poder usar um deles é preciso ter um celular da própria marca. O aparelho não funciona com iOS nem com outros smartphones com sistema Android.
Nas lojas da internet, o rastreador era vendido por R$ 260 no final de janeiro, o mais caro entre os produtos do teste.
A principal mudança em comparação à primeira geração do produto é o design. Sai um formato quadrado e entra um mais alongado, com um buraco grande para prender uma corrente ou chaveiro.
O dispositivo pesa 13,7 gramas e mede 28,8 x 52,4 x 8 milímetros (largura x altura x profundidade).
Samsung Galaxy SmartTag2
Henrique Martin/g1
Toda a configuração é feita pelo aplicativo SmartThings, que serve de central de produtos conectados da Samsung e outras marcas.
O SmartThings indica o nível da bateria, que pode ser trocada. A Samsung afirma que a bateria dura até 500 dias (quase 1 ano e meio) em modo normal. Se o modo de economia de energia for ativado, pode chegar a quase 2 anos.
De qualquer forma, ainda é menos tempo que os 3 anos estimados do rastreador da Geonav.
A instalação do rastreador é feita pelo aplicativo SmartThings. É simples e parecida com os modelos da Geonav e da Eufy.
O botão multifuncional pode ser programado para controlar a casa inteligente, como acender e apagar lâmpadas inteligentes, ou enviar notificações, por exemplo. Também localiza o telefone, caso seja necessário.
O Galaxy SmartTag2 foi colocado em uma mochila para o teste, levada a bordo.
Funcionou direito, mas deu a mesma impressão do primeiro modelo da marca – a localização demora mais um pouco que os rastreadores compatíveis com a rede Buscar, da Apple.
Mas isso pode ter a ver com a proximidade de mais iPhones do que celulares Galaxy por perto durante o rastreamento.
SmartThings: app mostra o histórico de localização da tag e como localizar o item
Reprodução
Um diferencial é o recurso de Visualização em Bússola, que permite utilizar realidade aumentada para encontrar o objeto perdido de forma mais fácil.
Mas essa funcionalidade só é válida para quem tem alguns aparelhos mais caros da marca, como o Galaxy S23 Ultra, o S24 Ultra ou o dobrável Galaxy Z Fold5.
Como o teste foi feito com o rastreador ligado a um Galaxy Z Flip4, não foi possível avaliar o recurso.
Conclusão
COMO FORAM FEITOS OS TESTES: Os três rastreadores foram utilizados desde dezembro em uma mochila em São Paulo.
No meio de janeiro, os produtos foram até os Estados Unidos: o da Eufy foi na mala despachada, o da Geonav, na carteira, e o da Samsung, em uma mochila.
Os rastreadores foram escolhidos por terem sido lançados em 2023 e serem as opções mais recentes disponíveis nas lojas on-line.
O Apple AirTag, que realiza a mesma função dos itens da Eufy e da Geonav, foi testado em 2023.
Todos os rastreadores foram enviados por empréstimo e serão devolvidos.
MAIS FÁCIL: Os modelos da Eufy e da Geonav são os mais simples e amigáveis de configurar, por conta da integração com o app Buscar, da Apple.
A configuração é rápida e seus recursos são informados com facilidade para qualquer pessoa.
MAIS VERSÁTIL: o Samsung Galaxy SmartTag2 pode ser usado como controle remoto para itens da casa inteligente, o que é uma vantagem na comparação com os dois concorrentes.
MELHOR CUSTO/BENEFÍCIO: o modelo da Eufy é um pouquinho mais caro que o da Geonav, mas seu formato e recursos adicionais tornam o produto a melhor opção na relação custo x benefício entre os rastreadores avaliados.
DÁ PARA TROCAR A BATERIA? Sim, nos modelos da Samsung e da Eufy, que usam baterias do tipo CR2032, aquela com formato de “moeda”. Quando o app (SmartThings ou Buscar) indicar pouca energia, basta desencaixar a tampa dos produtos e trocar a pilha.
O modelo da Geonav usa uma bateria interna que não pode ser trocada, mas que a fabricante diz que dura até 3 anos. Depois disso, é preciso mandar o dispositivo para reciclagem.
E quem não tem Galaxy ou iPhone?
O teste do Guia de Compras foi feito apenas com esses três produtos que funcionam apenas com Galaxy ou iPhone.
Mas existem modelos de outras marcas – como o TileMate – que atuam de forma similar, mas mais limitada para localizar itens.
Também é possível optar por rastreadores bluetooth que não utilizam essas redes anônimas de celulares, mas estão limitadas ao alcance próximo ao celular, com o Geonav MyFinder (veja o teste).
*Colaborou Victor Hugo Silva
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O pedido de desculpas de Mark Zuckerberg a famílias de crianças prejudicadas por redes sociais

Abuso de crianças, mortes e danos psicológicos: o que o Senado dos EUA discute sobre a responsabilização das big techs
Mark Zuckerberg, CEO da Meta – que administra o Instagram e o Facebook –, disse para pais cujos filhos foram prejudicados pelas redes sociais que "ninguém deveria passar" pelo que eles passaram. Zuckerberg disse a pais de filhos prejudicados pelas redes sociais que 'ninguém deveria passar' pelo que eles passaram
TASOS KATOPODIS/EPA-EFE/REX/SHUTTERSTOCK
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pediu desculpas a famílias que dizem que seus filhos foram prejudicados pelas redes sociais, durante audiência no Senado dos Estados Unidos.
Zuckerberg – que administra o Instagram e o Facebook – virou-se para pais de filhos presentes na audiência e disse que "ninguém deveria passar" pelo que eles passaram.
Ele e os diretores do TikTok, Snap, X e Discord foram interrogados durante quase quatro horas por senadores dos dois partidos.
Os parlamentares querem saber o que as empresas estão fazendo para proteger as crianças nas suas plataformas na internet.
Está em tramitação no Congresso uma legislação que busca responsabilizar as empresas de mídia social pelo material postado em suas plataformas.
A audiência de quarta-feira (31/1) foi uma rara oportunidade para os senadores dos EUA questionarem os chefes das empresas de tecnologia.
Zuckerberg e o CEO do TikTok, Shou Zi Chew, concordaram voluntariamente em dar seu depoimento – mas os diretores do Snap, X (antigo Twitter) e da plataforma de mensagens Discord inicialmente recusaram e foram intimados.
Sentados atrás dos cinco diretores das gigantes de tecnologia estavam famílias que disseram que seus filhos se machucaram ou se mataram como resultado de conteúdo nas redes sociais.
Os pais se manifestaram o tempo todo durante a audiência — vaiando quando os CEOs entraram e aplaudindo quando os legisladores fizeram perguntas difíceis.
Embora a audiência tenha se concentrado principalmente na proteção das crianças contra a exploração sexual online, as questões variaram bastante, com os senadores aproveitando a oportunidade de ter cinco executivos poderosos sob juramento.
Shou Zi Chew, diretor do TikTok (que pertence à empresa chinesa ByteDance), foi questionado se sua empresa compartilhava dados de usuários dos EUA com o governo chinês, o que ele negou.
O senador Tom Cotton perguntou a Chew, que é de Singapura, se alguma vez ele pertenceu ao Partido Comunista Chinês.
"Senador, sou de Siganpura. Não", respondeu Chew.
Cotton então perguntou: "Você já foi associado ou afiliado ao Partido Comunista Chinês?"
Chew respondeu: "Não, senador. Mais uma vez, sou de Singapura."
Ele acrescentou que, como pai de três filhos pequenos, sabia que as questões em discussão eram "horríveis e o pesadelo de todos os pais".
Ele afirmou que seus próprios filhos não usavam o TikTok por causa das regras em Singapura, que proíbem menores de 13 anos de criar contas.
Pais de filhos que se machucaram ou se mataram por causa de redes sociais se manifestaram na audiência
Getty Images
Senadores frustrados
O foco da audiência foi a atitude das empresas em relação à legislação de segurança online atualmente em tramitação no Congresso.
Isso foi resumido em um debate tenso entre Jason Citron, da empresa Discord, e o legislador republicano Lindsey Graham.
Graham listou uma série de projetos de lei em tramitação no Congresso relacionados à segurança online, perguntando se Citron os apoiava ou não.
Embora Graham tenha dado poucas oportunidades a Citron para responder, o chefe do Discord parecia ter reservas sobre a maioria deles.
Graham concluiu: "Então aqui está – se vocês esperam que esses caras resolvam o problema, vamos morrer esperando".
Antes da audiência, Meta anunciou novas medidas de segurança, incluindo que menores de idade não poderão receber mensagens de estranhos no Instagram e no Messenger.
O analista da indústria de mídia social Matt Navarra disse à BBC que acha que a audiência se assemelha a muitos outros confrontos — com exibição de muita arrogância por parte dos políticos e com Zuckerberg aproveitando uma oportunidade perfeita para aparecer nas fotos do noticiário, com seu pedido de desculpas, segundo ele.
O especialista diz que, apesar dos senadores concordarem com a necessidade de uma legislação bipartidária para regular as plataformas, não se sabe o que será decidido no futuro.
"Vimos essas audiências repetidas vezes, até agora, elas ainda não geraram nenhuma regulamentação significativa ou substancial", disse ele.
"Estamos em 2024 e os EUA praticamente não têm regulamentação, como foi apontado nas audiências, no que diz respeito às empresas de mídia social."
Na audiência, os diretores revelaram quantas pessoas contrataram para moderar o conteúdo em suas plataformas.
Meta e TikTok, com o maior número de usuários das plataformas representadas, disseram ter 40 mil moderadores cada; o Snap disse ter 2.300, o X, 2 mil e o Discord – que alegou ser uma plataforma menor – disse que tinha "centenas" de moderadores.
O Discord é uma plataforma de mensagens e já foi questionado no passado sobre como detecta e previne o abuso infantil em sua plataforma.
Após a audiência, alguns dos pais que estavam na sala organizaram uma manifestação do lado de fora, com vários apelando aos legisladores para aprovarem urgentemente legislação para responsabilizar as empresas.
"Assim como eu fazia antes, muitos pais continuam pensando que esses danos de que estamos falando hoje não afetarão suas famílias", disse Joann Bogard, cujo filho Mason morreu em maio de 2019. Ela disse que Mason participou de uma corrente no TikTok sobre asfixia.
"Esses danos estão acontecendo da noite para o dia com crianças comuns", disse ela. "Temos os testemunhos. Agora é a hora de nossos parlamentares aprovarem a Lei de Segurança Online para Crianças".
Arturo Béjar, um ex-funcionário de alto escalão da Meta que testemunhou no Congresso em novembro de 2023, também estava na audiência de quarta-feira e disse à BBC: "A Meta está tentando transferir aos pais sua responsabilidade de fornecer um ambiente seguro para os adolescentes, mas não adiciona um botão onde um adolescente pode dizer que sofreu uma abordagem indesejada."
"Como eles podem tornar esse ambiente seguro para os adolescentes sem isso?"
Durante a audiência desta semana, a Meta disse que criou "mais de 30 ferramentas" para gerar um ambiente seguro para adolescentes na internet.
Mark Zuckerberg pede desculpas por danos causados em suas redes sociais

Vision Pro: Apple começa a vender óculos de realidade virtual nos EUA por R$ 17 mil; veja detalhes

Abuso de crianças, mortes e danos psicológicos: o que o Senado dos EUA discute sobre a responsabilização das big techs
Sem previsão de trazer dispositivo para o Brasil, a empresa evitou o termo 'metaverso' e o definiu como um 'computador espacial'. O rival Quest Pro, da Meta, custa a partir de R$ 7.400. Conheça o Vision Pro, o óculos de realidade mista da Apple
O Vision Pro, óculos de realidade virtual da Apple, começa a ser entregue para clientes dos Estados Unidos nesta sexta-feira (2), quase oito meses após ser revelado.
Sem previsão de chegada ao Brasil, ele é caro até para padrões americanos, onde estava em pré-venda há duas semanas: nos EUA, ele custa a partir de US$ 3.499 (mais de R$ 17 mil, na conversão direta).
Em sua chegada no setor de realidade virtual, a Apple evitou o termo "metaverso", que ficou famoso nos últimos anos devido a Mark Zuckerberg. A empresa que controla redes sociais do bilionário até passou a se chamar Meta para mostrar seu novo foco em realidades imersivas.
Mas as apostas no metaverso ainda não decolaram: os óculos costumam ser caros para a maioria das pessoas, o interesse pelo tema em buscas na internet está diminuindo e empresas como a Meta ainda estão longe de conseguirem lucrar nesse setor.
A Apple, por sua vez, diz que o Vision Pro é um "computador espacial revolucionário". A empresa defende que ele vai transformar como as pessoas "trabalham, colaboram, se conectam, revivem memórias e desfrutam de entretenimento".
"É o primeiro dispositivo da Apple que você olha através dele, não para ele", disse o CEO da Apple, Tim Cook, em junho de 2023, quando os óculos foram apresentados.
EyeSight, recurso do Apple Vision Pro, permite escolher se outras pessoas verão olhos de quem está usando os óculos
Divulgação/Apple
Como são os óculos da Apple?
À primeira vista, os óculos da Apple são bem parecidos com o Quest Pro, lançados pela Meta em 2022. Os dois têm baterias que duram cerca de 2 horas, de acordo com as fabricantes, e oferecem modos de realidade mista, em que o sistema interage com o ambiente ao redor do usuário.
Mas, enquanto no Quest Pro, da Meta, a transparência fica restrita à região das duas lentes, no Vision Pro, ela pode ficar em toda a tela. Isso é feito com o recurso EyeSight ("visão", em tradução direta), em que outras pessoas podem ver seus olhos (veja a foto acima).
Outra diferença entre os modelos é a navegação: no Quest Pro, tudo acontece com controles vendidos junto com o aparelho, e no Vision Pro, o uso depende apenas dos movimentos das mãos e dos olhos ou de comandos de voz.
Confira outras especificações do Apple Vision Pro:
🏋️ Pesa cerca de 600 gramas, contra 722 gramas do Quest Pro;
💾 Tem três opções de armazenamento (256 GB, 512 GB e 1 TB), enquanto o da Meta tem uma (256 GB);
📹 Conta com 6 microfones e 12 câmeras, que permitem gravar vídeos e tirar fotos em três dimensões;
⚙️ Usa o sistema operacional visionOS, que suporta centenas de aplicativos;
🧠 O dispositivo é equipado com dois chips principais: o M2, que executa o sistema, e o R1, que se concentra em processar as imagens.
O Vision Pro pode custar ainda mais do que os US$ 3.499, seu preço de entrada. Com especificações mais avançadas e acessórios como bolsa e bateria externa, o preço do dispositivo pode chegar perto de US$ 5.200 (pouco mais de R$ 25 mil, em conversão direta).
Com o dinheiro da versão básica do Vision Pro, é possível comprar dois Quest Pro, que custam a partir de US$ 1.499 cada um (cerca de R$ 7.400) ou três iPhone 15 Pro Max, vendidos nos EUA por US$ 1.199 cada um (no Brasil, ele custa a partir de R$ 10.999).
Vision Pro, óculos de realidade mista da Apple
Divulgação/Apple
A realidade virtual vai vingar?
A Apple não revela números sobre a pré-venda do Vision Pro, mas cerca de 200 mil unidades foram comercializadas em pré-venda nas últimas duas semanas, segundo o MacRumors, site especializado em notícias sobre a empresa.
Como comparação, o Meta Quest 2, modelo mais barato lançado em 2020, vendeu 10 milhões de unidades até setembro de 2023, de acordo com o site CNBC.
Meta Quest 3
Divulgação/Meta
Agora, a expectativa é de que o Vision Pro dê novo fôlego para o setor. Para isso, a Apple precisará comunicar bem as vantagens da realidade virtual, avaliou Antônia Souza, diretora de operações da Lumx, que cria projetos de ambientes imersivos.
"Vimos o metaverso ser explorado, principalmente pela Meta, num campo que se assemelhava muito ao universo de games. Mas o que foi sendo contado pelas empresas dificultava a visualização desse produto pelos usuários", disse Antônia, ao g1.
"É como se as pessoas não enxergassem muitos usos para tecnologia que estava sendo entregue, embora existam. Tudo isso fez com que os resultados não fossem tão interessantes e expressivos quanto essas empresas esperavam".
A realidade virtual não foi totalmente explorada e, por isso, tem espaço para crescer "como metaverso ou com outro nome", analisou Rafael Alves, porta-voz da Siemens sobre metaverso industrial, conceito que recria linhas de produção em ambientes imersivos para tornar empresas mais eficientes.
"O ponto é o amadurecimento de todas essas tecnologias para que o metaverso seja factível para todos nós", disse Rafael. "Poucas pessoas testaram óculos de realidade virtual. Ainda é algo muito novo".
Mas, para realmente ter sucesso, o metaverso vai precisar trazer benefícios reais para os usuários. "Quando falamos do metaverso convencional, acho que ainda não vimos ele resolvendo alguns desafios que nós temos hoje na nossa sociedade".
Veja FOTOS do Apple Vision Pro
Apple apresentou óculos de realidade mista Vision Pro na WWDC 2023
Divulgação/Apple
Vision Pro, óculos de realidade mista da Apple
Divulgação/Apple
Apple Vision Pro
Reprodução / Apple
Apple Vision Pro
Divulgação/Apple
Apple Vision Pro tem botão no topo que permite controlar sistema
Divulgação/Apple
Conheça o Quest Pro, óculos de realidade virtual da Meta
Conheça o Quest Pro, óculos de realidade virtual da Meta

O Assunto #1.142: Big techs sob pressão por mais segurança nas redes sociais

Uma audiência realizada pelo Congresso americano nesta semana escancarou alguns dos crimes aos quais crianças e adolescentes estão expostos nas redes sociais. Vítimas relataram abusos sexuais, cyberbullying e até indução ao suicídio frente a frente com representantes das principais plataformas do mundo – caso da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), Tiktok, Snap, Discord e X (antigo Twitter). Você pode ouvir O Assunto no g1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou na sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio.
Uma audiência realizada pelo Congresso americano nesta semana escancarou alguns dos crimes aos quais crianças e adolescentes estão expostos nas redes sociais. Vítimas relataram abusos sexuais, cyberbullying e até indução ao suicídio frente a frente com representantes das principais plataformas do mundo – caso da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), Tiktok, Snap, Discord e X (antigo Twitter). No Brasil, durante a abertura do ano de trabalho do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes discursou duramente em prol da responsabilização das big tech nas redes sociais. Para entender o que está em jogo nas casas legislativas e judiciárias de EUA e Brasil e os riscos da internet como terra sem lei para crianças e adolescentes, Natuza Nery entrevista Kelli Angelini, advogada especialista em educação digital e autora do livro “Segredos da internet que crianças e adolescentes ainda são sabem”. Neste episódio:
Kelli comenta o pedido de desculpas de Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, às famílias de vítimas de crimes em redes sociais: “Não sabemos a intenção, mas não muda o que está por vir. Nada tem sido eficaz o suficiente até aqui”;
Ela justifica que, ainda que não haja legislação específica para redes sociais no Brasil, as empresas precisam levar em consideração o que diz a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente em seus modelos de negócio. “A omissão também gera responsabilização”, resume;
A advogada cobra a aprovação de uma lei específica para a proteção de crianças e adolescentes na internet. “Agora, empresas estão lucrando com o uso delas nas redes sociais. Sem a responsabilização efetiva das big techs, nada as motivará”, afirma;
Kelli alerta para como os pais e responsáveis devem agir para garantir a segurança de menores de idade nas redes.
Advogada fala a respeito das cobranças para maior proteção de crianças nas redes sociais
Redes sociais são incapazes de proteger crianças e adolescentes, afirma advogada
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Mark Zuckerberg: desculpas a famílias afetadas por redes sociais
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Alexandre de Moraes: defende regulamentação das redes sociais
PL das Fake News: projeto criminaliza notícias falsas na internet
O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Carol Lorencetti, Gabriel de Campos, Luiz Felipe Silva e Thiago Kaczuroski. Neste episódio colaborou: Sarah Resende.
VEJA CORTES DO PODCAST O ASSUNTO EM VÍDEO

Abuso de crianças, mortes e danos psicológicos: o que o Senado dos EUA discute sobre a responsabilização das big techs

Abuso de crianças, mortes e danos psicológicos: o que o Senado dos EUA discute sobre a responsabilização das big techs
Na audiência realizada essa semana nos EUA, Mark Zuckerberg pediu desculpas a familiares de crianças e adolescentes afetadas por conteúdos de exploração sexual infantil disponibilizados nas redes sociais. Em audiência no Senado americano nesta quarta-feira (31), Mark Zuckerberg, pressionado, voltou-se aos pais de crianças afetadas por conteúdos de exploração sexual infantil disponibilizados nas redes sociais e pediu desculpas.
"Desculpe por tudo que vocês passaram. Ninguém deveria passar pelas coisas que suas famílias sofreram."
A audiência havia começado com com a exibição de um vídeo em que jovens relataram que foram vítimas de crimes sexuais nas redes sociais. E de familiares que falaram sobre a perda de seus filhos e ergueram, silenciosamente, fotos de crianças e adolescentes.
Em entrevista ao podcast O Assunto desta sexta-feira (2), Kelli Angelini, advogada especialista em educação digital e autora do livro "Segredos da internet que crianças e adolescentes ainda são sabem", diz acreditar que o pedido de desculpas de Zuckerberg "não muda muito o que está por vir".
"Não é possível saber qual é a intenção efetiva do pedido de desculpas. Se há realmente uma empatia com as famílias que tiveram vítimas, se tem alguma intenção por trás de diminuir a responsabilização ou legislação que vem a responsabilizar."
Mas que "escancarar" o que está acontecendo com crianças e adolescentes em redes sociais em audiências como essa, nos EUA, alimenta o debate e as discussões sobre o assunto no mundo, inclusive no Brasil.
No Sedado dos EUA, Mark Zuckerberg olha para familiares que levantam fotos de filhos vítimas de abusos e exploração sexual nas redes sociais
REUTERS/Evelyn Hockstein
"A gente ainda não tem legislações que tratem efetivamente da responsabilização das plataformas digital de um modo geral, especialmente no Brasil, mas o assunto está em debate mundial. […] O que se pede hoje é a adoção de medidas para proteção dessas crianças e adolescentes e quando não adotadas, que elas sejam responsabilizadas pela omissão."
Para Angelini, é preciso tratar do desamparo de crianças e adolescentes nas redes sociais para que elas estejam efetivamente protegidas de danos à saúde mental e à vida.
"Hoje, o cenário é o seguinte: elas [big techs] estão lucrando com as crianças e adolescentes no uso das redes sociais, É lucrativo para ela."
Ouça a íntegra do episódio.
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